Não devia ser assim

1 Capítulo único


Bakugou katsuki era professor de uma escolinha de Kendo há pouco mais de 3 anos. Atualmente com 31 anos, deixou os torneios internacionais aos 28 anos após uma derrota “humilhante” pelas próprias palavras dele.

Tudo o que Bakugou queria era se esquecer da humilhação da derrota e ganhar seu próprio dinheiro ajudando criancinhas inúteis a serem um pouco boas no kendo. Ao menos era isso que ele dizia para si mesmo enquanto dirigia para o trabalho.

Ele estacionou na vaga que tomou para si, e se dirigiu para dentro da escola. Hoje era o dia de pegar os nomes dos pirralhos, junto com os horários e dias de aula. E em uma semana deveria ser entregue um relatório de como seriam as aulas e o que seria ensinado.

Katsuki chegou cedo, como sempre. O único outro professor além dele era Iida. A reunião só iria começar quando todos os professores estivessem presentes.

Em menos de 15 minutos todos os que Bakugou conhecia já haviam chegado. Entretanto, ele descobriu, devido a um acidente com Kaminari, haveria um professor substituto.

Ele nunca iria adivinhar que o professor substituto poderia ser pior que Kaminari, mas quis morder a língua ao ver Deku entrar pela porta e se sentar na cadeira vazia ao seu lado da forma mais natural possível.

— Agora que todos já chegaram, vou apresentar a vocês o novo professor substituto: Midoriya Izuko. — Disse Aizawa, o diretor.

A apresentação fora uma mera formalidade, considerando que tanto Midoriya quanto a maioria dos professores estudaram kendo juntos nessa mesma escola há aproximadamente 16 anos atrás. E todos eles sabiam, também, dos problemas entre ele e Bakugou. O que surpreendeu a todos foi o fato de que, durante toda a reunião, Bakugou permaneceu em silêncio e quando todos os assuntos foram discutidos ele simplesmente se levantou e foi embora.

Depois de uma semana as aulas começaram. Às 8h da manhã várias crianças e adolescentes de variadas idades entravam na escola de Kendô. Deku também chegou na hora dessa vez e dava bom dia para todos que via pela frente. Até que parou na frente de Katsuki, que estava batendo o ponto, e disse.

— Bom dia, Bakugou.

E ele, que esteve claramente evitando Midoriya, não pode evitar de olhar em seu rosto com os olhos arregalados e a expressão chocada, pois nunca, em toda uma vida em que se conheceram, Izuku o tinha chamado por algo diferente de Kacchan.

Midoriya apenas continuou sorrindo, sem se importar com o choque no rosto de Bakugou, bateu o próprio ponto e andou em direção da própria sala.

Por mais estranho que fosse o novo tratamento que estava recebendo, bakugou continuou o ignorando. Mas a cada dia que passava, parecia ficar mais difícil. Todos os outros professores conversavam com Midoriya e todos estavam falando sobre o quão bom professor ele era. Bakugou não conseguia entender como uma merda como Midoriya podia ter se tornado um professor tão bom como todos estavam dizendo. Mas até mesmo seus próprios alunos sentiam inveja e queriam mudar de sala. Não que Bakugou se importasse, ele nunca foi um professor que se importava se os alunos gostavam dele. Ele estava lá para ensiná-los, não para ser amigo.

O plano infantil de ignorá-lo estava funcionando muito bem, até o dia em que Midoriya resolveu assistir a uma aula de Bakugou.

Bakugou estava muito irritado. Se ainda tivesse o gênio de seus 15 anos, perguntaria que merda ele estava fazendo e o mandaria embora com alguns xingamentos, mas já era um homem de 31 anos, então simplesmente o ignorou e continuou a dar a aula até o sinal bater e os alunos serem dispensados.

— Você é muito exigente com seus alunos, Bakugou. Não me admira que eles não gostem de você.

— A forma com que eu ensino meus alunos não é da sua incumbência. — Ele apertou a espada de bambu, que ainda segurava devido a aula, com uma raiva crescente. — O que um merda como você está fazendo aqui?

— Você sabe o que eu estou fazendo aqui. — Disse Midoriya. — Você foge de mim há três anos. Precisamos conversar.

— Não precisamos, não. — Disse Bakugou se dirigindo para a saída.

Midoriya segurou o braço de Bakugou, para impedi-lo de ir embora. Mas Bakugou deu um chute nele que o levou ao chão e com a ajuda da espada o manteve lá.

— Se você quer tanto assim falar comigo, você não deveria ter ido embora há 4 anos atrás. Você desapareceu de tudo e de todos. — Midoriya tentou se levantar uma vez, mas Bakugou o empurrou de volta ao chão com a ponta da espada. — Nunca mais apareceu para as aulas, não entrou em contato com ninguém. Não contou nem mesmo a mim, seu namorado. Eu tive que ir perguntar para sua mãe e descobri que você foi treinar em uma cidade do outro lado do Japão. — Quanto mais falava, mais a raiva aumentava igualmente com a tristeza. — Então você volta 1 ano depois e, um merda ruim como você, que nunca me venceu, não apenas ganha a partida contra mim, mas também fica em primeiro lugar do torneio Internacional. Eu quero que você vá para a merda.

— Você me considerava seu namorado? — Disse Midoriya, inicialmente chocado, mas em seguida extremamente sorridente.

— É o que? Você achava que eu dormia com qualquer merda que aparecesse na minha frente? Seu Bosta! — Disse começando a chuta-lo.

— Kacchan… — Começou a tentar dizer. — Kacchan. — Segurou a perna que o chutava, mas Katsuki começou a bater nele com a espada de bambu que ainda segurava. Então Midoriya segurou a espada com a mão livre e puxou com todas as forças fazendo com que Bakugou caísse em cima dele. — Eu não queria te deixar. — Começou a dizer.

— Eu não me importo com o que você queria, eu me importo com o que você fez. — Ele tentou se levantar, mas Midoriya segurou ambas as mãos, mantendo-o preso acima de seu corpo.

— Eu fui apaixonado por você por anos. Mas tudo que a gente fazia era transar. não passeávamos, não conversávamos mais que o necessário, nunca nem mesmo seguramos a mão um do outro. É claro que não achei que eramos namorados. Então quando um amigo da minha mãe veio a passeio pela cidade e me ofereceu seus ensinamentos, eu simplesmente fui. Você sabe que eu sempre tive o sonho de vencer o torneio de Kendô. Você tem o mesmo sonho.

— Nunca pensei que um merda como você conseguiria realmente vencer o torneio. Me senti realmente ofendido. — Bakugou disse, deitando a cabeça no peito de Midoriya.

— É, acho que todo mundo que viu o torneio percebeu. De toda forma, nunca pensei que ficaria tanto tempo fora. Nem que ficar tanto tempo ser te ver doeria tanto. Mas os três anos sendo ignorado doeram mais. Não devia ser assim. Por favor me dá outra chance. Eu juro que você não vai se arrepender.

— Um bosta como você não merece uma segunda chance, mas como eu sou muito bom, eu vou te dar.

Mal Bakugou terminou a frase e já foi puxado para um beijo com uma língua intrusa pedindo uma passagem, que foi concedida. O beijo não durou muito. Não por falta de fôlego, mas por Midoriya ter deslizado as mãos pelo corpo de Bakugou e apertado a bunda da qual sentia tanta falta, sendo esbofeteado logo em seguida.

— Ainda estamos na porcaria da escola, seu cuzão.

Bakugou se levantou e foi em direção a saída da sala, enquanto Midoriya observava as curvas de que tanto sentiu falta enquanto tentava parar o sangramento que Bakugou causou quando o esbofeteou.

— Deku?

— Sim, Kacchan?

— Vá lá para casa hoje às 21h.

— Sim, senhor.

Midoriya mal podia esperar para chegar a noite e poder contar tudo que aconteceu nos últimos 4 anos. Ele sentia vontade de rir ao imaginar o rosto de Kacchan ao contá-lo que foi treinado pelo vencedor de 9 torneios consecutivos: Toshinori. Mas ele também mal podia aguentar a alegria de saber que finalmente, depois de tantos anos, poderia dormir tendo aquele de quem gostava em seus braços.

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