Não conte a ninguém.
5 Capitulo 5.
Notas iniciais
Capitulo 5.
Gênesis.
Quatro vezes. Quatro foi o numero de vezes que Sakura havia rodeado a casa. A esperança de encontrar algo familiar esfarelando no momento em que os pés novamente encontraram o gramado gasto que a aproximava da casa velha a sua frente.
–não acredito que realmente fiz isso! – pensou enquanto seguia o caminho de pedra até a entrada do novo lar. Abandonando os sapatos no hall da porta Sakura para e fita a porta por alguns segundos. – Estou de volta. – murmurou baixo e entrou.
– seja bem vinda de volta, Sakura-chan.-disse. O timbre agudo da voz feminina ecoando pela saleta fechada assusta Sakura que recua um passo ao som da desconhecida. – Me desculpe. – sorriu gentil caminhando até Sakura e estendendo a mão para a mesma. – Eu sou Haruno fuyume, sua avó paterna. É um prazer te reconhecer Sakura-chan.
Sakura soltou a mão de maneira desajeitada, o olhar preso ao chão como uma criança pega no flagra no ápice de uma travessura.
– Você ainda se assusta tão fácil, Sakura-chan. –sorriu gentil. Com os olhos marejados Fuyume abraça Sakura, apertando-a carinhosamente e escondendo o rosto na curva do pescoço da neta. – você cresceu tanto... Chega a está mais alta do que eu. –Sakura sentiu o corpo enrijecer. A senhora levantou o rosto e secou as lagrimas. –Estou tão feliz por poder te ver. – Fuyume se afastou puxando Sakura até as escadas. – vá lá em cima. –riu baixo. – seu quarto é o segundo a direita. Espero que goste.
Nos minutos seguintes, encostada a porta do quarto, Sakura observava ao redor, sem dar atenção a algo em especial, o novo quarto e como ele não se encaixava em nada do que se referia ao gosto dela.
– ninguém merece. –bufou alto se surpreendendo com o eco da própria voz batendo nas paredes. – por que tudo nesse quarto é rosa? É alguma indireta?- tocou o próprio cabelo levando-o até a frente dos olhos. – Eu detesto rosa! – gritou e se jogou na cama. Os cabelos longos caídos sob os olhos se esparramavam sobre os lençóis brancos. Com um estalo na memória a lembrança da mãe lhe veio à mente afogando-a nos próprios pensamentos desordenados. – é tudo culpa sua mãe... –Sakura sentiu os olhos pesarem e aos poucos sentiu o cansaço da viagem cair sobre os ombros. – eu não devia ter voltado. – abraçou as pernas e com relutância cedeu ao sono.
Com a visão limitada pelos prédios Kakashi alternava o olhar entre a ponta da praia ao leste e a mesa com os documentos do próximo caso a ser solucionado, ou repassado, isso dependeria da transgressão. Ao som de passos a atenção de Kakashi é atraída para a porta que é entreaberta por Shizune, a secretária novata, carregando uma nova pilha de papéis e por longos segundos o silencio permaneceu presente até que com um longo suspiro Shizune se retira da sala.
– Kakashi?– A mulher colocou a cabeça para dentro da sala, sorrindo para Kakashi que olhava novamente para a janela. Trazia consigo duas pastas volumosas envolvidas por um elástico grosso que as prendia pelas duas extremidades.
– Entra Anko. – Kakashi logo se vira para ela indicando a cadeira a sua frente para que ela senta-se.
– Que arrumado. –Zombou. O olhar vagava pelas pilhas mal arrumadas espalhadas por todo o escritório. – mais enfim, é sobre isso que vim falar com você. – Anko colocou as pastas sobre a mesa. – Seu sortudo desgraçado.
– E o que é isso?
– É um baita caso para você. – Disse Anko. – lembra do Jiraya-senpai? – Ela esperou que ele assentisse e completou: — Aquele velho gagá está se aposentando e resolveu se assegurar que seus casos seriam distribuídos aos seus bons detetives. – Fez aspas com os dedos. Kakashi revirou os olhos. – Esse é o seu. – Kakashi ergueu a sobrancelha enfatizando incredulidade. Jiraya só resolvia casos extremamente difíceis. Para Kakashi, conseguir solucionar um desses casos resultaria em promoção instantânea. – E esse é um dos bem antigos, alguma coisa lá da década de oitenta.
– É só isso?
– Me comove todo esse seu entusiasmo. – ironizou Anko limpando uma lagrima inexistente. Kakashi abriu o primeiro pacote retirando de dentro um conjunto de fotos presas com barbante amarelado. – para você. – Sorriu sínico entregando as fotos a Anko que deu de ombros. Com a retirada das fotos o pacote perdeu todo o volume e sobrando apenas alguns papéis dentro deixando Kakashi preocupado.
– Kakashi, você tem que dar uma olhada nisso aqui. – Disse. Ao entregar as fotos a Kakashi Anko se senta sobre a mesa afundando-se nos próprios pensamentos.
Com o silencio Kakashi pôde se concentrar nas fotos. Passando-as devagar os olhos se atraiam para o corpo da mulher. Kakashi quase sentiu o estomago revirar ao notar as marcas que dilaceravam a pele daquela jovem. Cortes horrendos que formavam esferas e outras imagens geométricas ao redor do corpo e seguiam em linhas retas até o rosto distorcido da mulher.
– É cruel. Será que ela ainda estava viva quando fizeram isso? – Anko perguntou.
– Não. – Kakashi havia deixado as fotos de lado e se virado para o restante dos documentos da pasta. – de acordo com o laudo da autopsia, — ele pausou respirando fundo. – ela já estava morta a pelo menos quatro horas quando fizeram isso com ela.
– E qual foi a causa da morte?
– A legista da época registrou que ela morreu por conta da hemorragia. – respondeu, por fim.
– Bom, foi convincente. – brincou. — mais o que causou a hemorragia?
Sakura corria sobre a grama verde. A floresta a sua volta tornava o percurso doloroso quando ao bater nos galhos das arvores baixas ela cortava o braço já desprovido do pano da blusa de manga comprida.
– o que vocês querem?! – Sakura gritou. O som ecoou pela floresta. – me deixem em paz. – Bradou ainda correndo.
Apesar de cansada Sakura corria o mais depressa que suas pernas agüentavam e sem rumo acabou encurralada por uma muralha de labaredas. A floresta queimava em um arco-íris de vermelho, azul e laranja. Desesperada Sakura recuou mais ao se virar notou o mar de olhos a observando a uma curta distancia, todos escondidos na negritude da floresta.
– lembre-se. –As vozes disseram em uni som. Sakura deu um passo para trás, suas costas queimavam pela proximidade com as chamas. – lembre-se de nós. Sakura-chan.
–Sakura-chan. – chamou Fuyume. – Sakura-chan, acorde! – desesperada, a senhora chacoalhava a neta que ainda inerte no sono gritava a plenos pulmões. – Querida, por favor, acorde. – ela implorou e encostou a testa na testa de Sakura que se debatia contra ela. Kizashi ajudava como podia. Não tendo o que fazer ele abraçou a filha pelas costas, assim imobilizando os braços da garota. – Por favor. – disse Kizashi.
Encurralada pelas chamas Sakura sentiu as pernas bambearam. A sua volta as vozes se tornavam cada vez mais suplicantes torturando-a com seu som estridente de metal enferrujado. Não agüentando mais Sakura se jogou contra as chamas e aos poucos sentiu a pele de seu corpo sucumbir ao fogo.
– Não. – gritou Sakura e abriu os olhos assustando Fuyume.
– Sakura-chan. – Fuyume a abraçou apertado. Ela não conseguiu esconder o alivio na voz. – graças a Deus você acordou.
– Fuyumi-san. — Sakura olhou em volta aliviada por ter sido apenas um sonho. – por que está aqui? Aliás, — encarou kizashi. – por que vocês estão aqui? – completou. Kizashi se afastou de Sakura franzindo levemente as sobrancelhas.
– Você estava gritando enquanto dormia. –quem respondeu foi Kizashi que apoiou o cotovelo no braço da cama. Sakura o encarou com os olhos arregalados e mantendo a postura ereta preferiu encarar Fuyume que estava limpando a testa.
– O que houve com a sua testa? –A rosada afastou a mão da avó assim vendo o arroxeado na sob a pele pálida. – Fuyume-san, sua testa...
– Não se preocupe com isso querida. – ela riu sem humor. Kizashi havia se levantado e rumava em direção a porta a passos largos. – logo vai sumir. – concluiu.
– Ela está assim por que estava tentando te ajudar. De tanto você bater a testa contra a dela. –rosnou Kizashi de costa para as duas. – Não seja mimada menina, ao menos agradeça direito a sua avó. – Sakura sentiu os músculos enrijecerem. Por um momento ela teve a impressão que ele fosse esbofeteá-la pelo ocorrido.
– Não ligue para ele Sakura-chan. — suspirou. Olhando para a avó Sakura não pode deixar de se sentir culpada. O machucado inchava a cada momento e a rosada usou a manga da blusa para limpar algumas gotas de sangue que insistiam em escorregar até os olhos da senhora. Kizashi havia deixado o quarto. – bom, já está bem tarde. – ela bocejou disfarçadamente escondendo o ferimento com a franja. – Amanha será um dia melhor para nós. Boa noite, Sakura-chan.
Antes que ela pudesse sair do quarto Sakura agarrou sua mão. – boa noite, obaa-sama e... Obrigada por tudo.
– Não a de que Sakura.
Apanhado pela surpresa das palavras da filha, Kizashi, que havia esperado no corredor, sorriu. “agora está melhor, filha.” – pensou retomando a caminhada para o próprio quarto.
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