Não conte a ninguém.
3 Capitulo 3.
Notas iniciais
Capitulo- 3.
Desconhecidos.
Parada diante da janela, os pensamentos de Sakura viajavam novamente para aquela noite. As cenas se repetiam varias vezes em sua cabeça tornando a noite tortuosa o suficiente para Sakura querer se jogar pela janela.
–Já faz uma semana. Não quero mais ficar aqui! – bateu com o punho no vidro da janela, esta estava úmida e fria devido à chuva forte que batiam contra ela, suas bordas estava rodeado por um cadeado enorme de senha que tinham sido providenciados por Melliane quando Sakura tentou se jogar dela na primeira noite após ter recebido a noticia. Por uma fração de segundos Sakura pensou ter visto a imagem da mãe sorrindo para ela do outro lado da janela. –MAMÃE!!!!- bateu novamente com o punho no vidro, desta vez com mais força. – Por favor, não vá de novo... –murmurou, lentamente caindo sobre os joelhos inchados. O corpo ainda não tinha firmeza o suficiente para mantê-la em pé por muito mais do que alguns minutos. –Me leva junto com você. – Sakura desmaiou de cansaço no pé da janela. A mão estendida na frente do corpo estava com alguns cortes e inchava lentamente conforme o tempo passava.
A luz do sol banhou o quarto iluminando-o por completo e acordando Sakura que demorou alguns instantes para perceber que estava novamente deitada sobre a cama. Melliane estava sentada na poltrona de visitantes ao lado do leito de Sakura e tinha em mãos uma prancheta na qual olhava fixamente algum ponto mais abaixo na folha de papel amarelada. Sem perceber que Sakura já havia acordado sussurra algo que é entendido como um “incrível” seguido por um “bem notável” à medida que os olhos chegavam ao fim da folha.
– Está se divertindo, Doutora? – perguntou sarcástica. Sakura tentou se sentar na cama e sentiu uma pressão nos pulsos. – Precisava disso? –levantou os pulsos amarrados até o limite que as “algemas” improvisadas feitas de ataduras permitiam.
– Você não está me dando escolha, está? – Melliane repousou a prancheta sobre a mesa ao lado de sakura. – E não diria que estou me divertindo, e sim impressionada. Impressionada com a sua melhora.
–O que tem de tão impressionante?
– Sua rápida recuperação. Sakura, você ficou em coma por sete meses e só está acordada á alguns dias — falava rápido. Suas mãos iam para cima e para baixo à medida que falava, como um maestro orquestrando seus músicos favoritos. Era possível para Sakura ver a pupila de Melliane dilatando de tamanha agitação que ela se encontrava naquele momento. – não deveria ser capaz de falar ou andar tão bem e tão rápido. É realmente impressionante. Você está tendo uma recuperação milagrosa desde que chegou aqui. – repousou as mãos nos braços da poltrona de couro. – É Deus que esta dando a você uma segunda chance.
– Recuperação milagrosa? –Sakura revirou os olhos. – não vejo assim, — tentou de soltar das algemas sem obter sucesso. – vejo como se estivesse recebendo um castigo. Talvez Ele queira me punir pelo que fiz... –Sakura jogou a cabeça para trás. –pelo que eu fiz a ela...
–Talvez esteja enganada, talvez seja o contrario e Ele esteja te dando mesmo uma nova chance. Uma chance para recomeçar. – Disse Melliane esperançosa segurando firme a mão esquerda de Sakura. – e a propósito eu vim aqui para te dar uma boa noticia.
–Duvido que seja boa. – Sakura bufou soltando a mão de Melliane. – Mais pode falar...
–Nós encontramos o seu pai. –Melliane não conteve o sorriso ao ver o espanto de Sakura. –Melhor dizendo, eu encontrei o seu pai.
Sakura empalideceu.
–Meu pai...? Como? – perguntou nervosa. – Como o encontrou?
–Sua certidão de nascimento foi uma das poucas coisas que conseguimos salvar do carro, todas as outras coisas se queimaram quando o carro pegou fogo. Com ela consegui o nome e depois pedi a ajuda de um contato policial que tenho para procurar nos registros. – Melliane riu. –sabe, não foi fácil, você nasceu no estrangeiro e tivemos que pedir autorização para obter esse tipo de informação, mais consegui localizá-lo e agora ele está a caminho. Deve está chegando daqui a um dia ou menos. – concluiu sorridente.
– O que? Mais... não pode ser. – Sakura tentou se soltar puxando as amarras. – ME SOLTA, AGORA! EU TENHO QUE SAIR DAQUI.
– Sakura, o que houve? – Colocou as mãos sobre os ombros de Sakura segurando-a com força. — ACALME-SE. –Gritou desesperada vendo o sangue da menina sujar as ataduras em volta do punho. Com um salto pula em cima de Sakura que havia conseguido soltar uma das mãos. –ENFERMEIRA...
No momento seguindo o quarto foi invadido por duas enfermeiras que seguravam Sakura com força contra a cama. Os gritos de Sakura foram cessados quando Melliane, com a ajuda de um terceiro enfermeiro, conseguiu aplicar um sedativo fazendo com que Sakura caísse em sono profundo poucos minutos depois.
Sakura estava parada diante de uma enorme casa esverdeada, tudo a sua volta queimava em um sopro interminável de desespero vermelho e amarelo.
– Venha até mim...
– Quem é? – Sakura caiu de joelhos. A cabeça rodava quando tentava inutilmente focar a visão na figura encapuzada a sua frente. – Por que não se mostra?
– Venha até mim... — a passos rápidos correu para dentro da casa sendo seguida por Sakura. O interior da casa estava intocado pelas chamas. A arquitetura oriental foi a primeira coisa que Sakura notou ao entrar. Os moveis de madeira na sala entravam em contraste com o papel de parede branco desgastado. Nas paredes havia varias fotos, algumas nas quais se reconheceu no colo da mãe, às vezes sozinhas e outras com pessoas desconhecidas, mais em todas estavam sorrindo.
– por que tem tanto medo? Do que tem medo?- A estranha encapuzada rodopiava, a barra da grande túnica negra esvoaçava dando a ela um ar gracioso que Sakura achava estranhamente familiar. – Você não quer lembrar, quer? Seu medo lhe impede de ver a verdade... – a estranha estendeu a mão, esta era longa e esbranquiçada, as unhas afiadas como navalhas. – Sou aquela a quem você procura tão desesperadamente. O inferno daqueles que perseguem a morte. — ela tirou o capuz. Seus longos cabelos eram brancos e manchados com sangue nas pontas, presos para trás em um rabo de cavalo firme e escorrido que descia sombriamente delicado sobre o capuz surrado; seu rosto tão branco quanto seus dedos expressavam uma diversão não contida. – Venha até mim...
Sakura acordou assustada, ao seu redor o quarto estava escuro e pouco silencioso. Sons de conversa ao lado de fora do quarto, à voz alterada de Melliane era inconfundível, discutia algo em inglês que Sakura entendeu como um “como assim não sabia?” seguido pelo som da porta por onde entrou sendo seguida por um enfermeiro.
A luminosidade da porta feriu os olhos de Sakura que demorou alguns segundos para se acostumar com a claridade. No momento seguinte Sakura encontrava-se no meio de três pessoas.
–Sakura, espero mesmo que esteja mais calma. — Melliane tentava parecer calma. Sua franja ruiva pouco escondia as olheiras que se formavam embaixo de seus olhos já destacados pelo azul natural. –quero que conheça alguém. – ela acena para um senhor mais atrás, este trajava um terno negro com abotoaduras de cobre que reluziam ao brilho branco das lâmpadas. Seu rosto parecia feliz e aliviado. Ele alternava o olhar entre Sakura e Melliane que fazia sinal para ele se aproximar da cama. – Este é Kizashi haruno, seu pai.
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