Não Tão Estranha Assim

11 Capítulo 10 - O que a pizza me trouxe


Capítulo 10
O que a pizza me trouxe
Max Jerson

— Tá começando a dar fome, de novo — falo com um bocejo seguindo minha frase.

A verdade é que eu não tinha me alimentado muito bem durante todo o dia, durante o almoço me restringi a um prato por causa dos olhares acusadores de minha mãe de “seja educado na frente da convidada, paspalho”. E durante a janta não matei completamente o monstro que vivia em meu estomago. Bufo e cutuco meu irmão ao lado.

— Quê? — ele exclama e se vira para mim. — Vá caçar sua própria comida!

— Irmãos mais velhos hoje em dia não são mais respeitados — jogo uma almofada em sua cara e me levanto, esticando meu corpo e estralando o pescoço.

— Traz uma de pepperoni pra mim — Dan grita da onde está já sabendo qual o meu próximo passo, solto um riso rouco.

— Melhor continuar esperando sentado — sugiro e ele solta uma gargalhada, me mostrando seu polegar como uma confirmação de que fará isso.

Pego minha jaqueta jogada na poltrona da sala e sigo para a porta pegando o chaveiro do carro de minha mãe no balcão, assim que seguro a maçaneta dou um resmungo, porque eu realmente não vou aguentar de curiosidade. Minha mãe já esta dormindo faz mais ou menos uma hora, o que me deixou sozinho com Dan e me fazendo pensar mais de uma vez sobre o assunto, mas já alcancei meu limite. Volto alguns passos e suspiro.

— O que você e a Blair conversaram tanto? — questiono e ele levanta a cabeça, virando no sofá em minha direção.

— Como assim? — ele retorque e eu me aproximo dá onde ele está.

— O que conversaram?

— Por que quer saber? — ele levanta uma de suas sobrancelhas, mas vejo uma sombra de seu sorriso se mover por sua boca e isso me incomoda, porque ele sabe o porquê de eu querer saber.

— Você me viu a encarando, não é?! — deixa de ser uma pergunta realmente quando eu fecho os olhos e escuto sua risada explodir, merda.

— Max, você já deveria saber que não sabe disfarçar muito bem quando está interessado em algo, no caso, em alguém, até minha mãe percebeu! — abro os olhos e o encontro dando de ombros.

— Ela parece ser divertida — desvio o olhar para a televisão que ainda passa um programa de entretenimento que víamos há alguns segundos.

— Ela é legal, mas por que esse interesse repentino? — Dan me encara e remexe a cabeça em minha direção esperando uma resposta.

Me lembro do sorriso e de suas emoções, dela gritando e rindo com vontade. A forma que fica envergonhada quando falo algo de que não esperava ou de quando me aproximo dela, e ainda sim consegue me desafiar. De um jeito único ela me chamou a atenção facilmente, se mostrando tão espontânea e aberta as pessoas, com o óculos caindo pela ponte do nariz e o cabelo jogado de qualquer forma, como se não ligasse realmente para o que as pessoas viam, só para como se sentia em relação a tudo.

— Não é da sua conta — é o que falo e Dan resmunga algo e volta-se para a televisão.

— Então cai fora e traz minha pizza. — meu irmão responde de má vontade e sou eu que termino rindo dessa vez.

— Se minha mãe acordar, diz que eu já volto com a pizza favorita dela — digo pegando as chaves do carro de minha mãe no balcão ao lado da porta.

— Tanto faz! — ele volta a resmungar.

****

Após pedir informação em um posto de gasolina, consigo chegar a pizzaria da cidade. Já havia ouvido falar e visto alguns panfletos na rua sobre a Marshall's Pizzas. Era unanime que todos gostavam da pizza dali e eu estava ansiosa para experimentar. Desde nossa mudança para cá, comemos algumas pizzas bem ruins e que me fizeram, digamos, usar laxantes para ver se eu ficava completamente desintoxicado. Merda pra todo lado!

Entro dentro do estabelecimento que tem um estilo retrô, não avisto ninguém por perto e as mesas estão praticamente vazias, há apenas um casal sentado em uma das poltronas conversando. Me encosto no balcão e aperto na campainha de sino ali em cima.

— Fala aí — um cara, tão alto quanto eu e loiro, com a cara amassa e fundas olheiras abaixo dos olhos surge por trás do balcão, me surpreendendo.

— Então, sou novo por aqui e não conheço os sabores que vocês oferecem — explico e ele assente, pegando ao lado um papel que parece ser um tipo de cardápio.

— Só escolher — ele diz encostando a cabeça novamente no balcão.

— Certo — dou uma olhada nos nomes das pizzas e começo a pedir. — Vou querer duas de pepperoni, uma grandma e mais duas de sicilian. — falo dando uma batida no balcão e desviando minha mão para carteira no bolso de trás, fazendo uma conta mentalmente de quanto dará a quantidade de pizzas.

— Certo, segura essa emoção — o garoto diz e desvio o olhar pra ele, confuso.

Ele sai do balcão e se vira, indo para mais fundo do estabelecimento. Depois que passa por uma porta vai e vem, escuto um grupo masculino, mas ainda não tenho certeza ser dele já que até o momento ele falou baixo e preguiçosamente.

— VAMOS LOGO, MEXE ESSA BUNDA! — a voz grita e apenas eu me assusto, o casal ali perto não mexe um músculo, como se a gritaria fosse realmente uma coisa recorrente.

— Volta logo pra faculdade, Kevin — é o resmungo que escuto antes que o garoto que vi na casa de Blair outro dia surja pela porta vai e vem.

— Ei — ele aponta pra mim e dá um sorriso de lado —, o cara que invadiu a casa da Blair.

— Quem nunca invadiu a casa da Blair, Carter?! — uma menina baixa com cabelos na altura do ombro, cuja cor não consigo identificar já que fica entre o loiro e o castanho, passa por ele e chega até o balcão. — Até eu invadi a casa dela, mas, claro, pelos motivos certos!

— Existe motivo certo? — pergunto confuso com o caminho que a conversa sobre pizzas levou.

— Eu estava entregando uma pizza e a Blair estava com fones de ouvido e a música no volume máximo — ela exclama, exasperada, e eu termino soltando uma risada — Eu precisava, mesmo, entregar a pizza!

— Já entendemos, baixinha! — o garoto coloca a mão na cabeça dela, o que a faz ficar vermelha, mas não acho que seja por vergonha.

— O que deseja? — ela se volta para mim com um pequeno sorriso, forçado, mas ainda um sorriso, nos lábios.

— Ahn, bem — confuso eu aponto para a porta vai e vem e ela revira os olhos.

— Desculpe — ela pede com um suspiro —, meu irmão precisa mesmo voltar logo pra faculdade ao invés de ficar enganado a todos, fingindo trabalhar aqui! Poderia repetir?

— Claro — dou de ombros e volto a pegar o cardápio que acabei de deixar de lado. — Duas pizzas de pepperoni, uma grandma e mais duas de sicilian.

— Anotado — a menina escreve rapidamente em um curto papel e passa pela porta vai e vem, escuto alguns gritos e sorrio, imaginando se por acaso todos os irmãos vivem realmente em pé de guerra por simples provocações.

— Isso dá 25 dólares — o garoto, que está agora um pouco distante de mim, fala mexendo em uma caixa registradora.

— Certo — concordo e retiro a carteira do bolso, junto as notas e dou para ele, que dá alguns cliques na máquina e confere o valor que entreguei.

— Tudo bem — ele bate a gaveta onde guardou as notas e me encara. — O que você quer com a Blair?

— Eu tenho que querer algo com ela? — questiono, levantando uma sobrancelha e colocando as mãos nos bolsos de minha jaqueta.

Não que eu não esteja interessado em Blair, mas me pergunto se preciso realmente dar satisfações a esse cara. Já entendi que, provavelmente, ele é seu amigo de confiança. Porém, o que minhas palavras irão mudar para ele? Sempre acreditei que ações falavam muito mais alto do que palavras, então apenas não dou a resposta certa a ele.

— Não importa — ele dá de ombros e cruza os braços em frente ao peito. — O que importa é você saber que se fizer mal a ela, emocional ou físico, não vai sobrar um pedaço de você para contar história.

— Você que manda — assinto e ele parece abaixar um pouco a guarda, deixando os ombros caírem. — Mas, fala aí, você é muito próximo da Blair?

— Tsc — ele solta com um estalar da língua e cai na gargalhada. — Sim, ela é tipo uma irmã pra mim. Cara, você tá mesmo afim da Blair?

— Só foi um interesse repentino — afirmo sem sorrir como ele o faz.

Gosto de emoções, sou fã delas. Mas não quer dizer que eu precise usufruir delas em minhas feições o tempo inteiro. E esse cara que mal conheço não precisa saber que estou feliz por ele não estar interessado em Blair da forma que estou, e nem que eu realmente quero conhecer essa garota.

— Carter, entrega especial, vinte pizzas — diz a garota baixa retornando com minhas pizzas no braço e um cheiro delicioso saindo de dentro das caixas fechadas.

— Negativo, nada de estregas grande para mim — ele nega, levantando as mãos no ar. — Acabei de emprestar meu carro para o Dalton, ele teve que entregar cinquenta pizzas no final da cidade, ele vai demorar pelo menos duas horas pra voltar.

— Droga — a menina xinga, batendo com força as pizzas no balcão.

— E lá se foi o pepperoni — digo quando reparo que a última pizza está esmagada no final da pilha.

— Ei — ela aponta para mim —, você tem um carro, não é?!

— Mais ou menos isso — dou de ombros abrindo a primeira caixa e vendo que é minha favorita, sicilian, pego uma das fatias pré-cortadas e dou uma mordida. — É da minha mãe, a René teve problemas e ainda está em New York.

— René? — ela pergunta confusa.

Ah, qual é! Levanto as mãos no ar, inconformado e dou mais uma mordida na pizza em minha boca.

— Meu carro — exclamo, porque é óbvio demais para ela não saber uma coisa do tipo. — Meu carro é mulher, o nome é René.

— Tá de brincadeira comigo? — ela resmungar, colocando as mãos na cintura.

— O meu é a Lucinda, por quê? — o cara amigo da Blair fala, a encarando junto de mim.

— Meu Deus, homens são muito bregas! — ela fala tampando a boca, logo em seguida sacode a cabeça e volta a me encarar. — Bom, mas você tem um carro no momento, que tal ganhar um mês de desconto na melhor pizzaria da cidade? — ela pergunta movendo as sobrancelhas para cima e para baixo.

— Dois meses — sugiro, já tentado a fazer o que ela ainda nem propôs. Pizza com desconto é realmente uma tentação muito grande, e a que acabei de mordiscar está realmente no ponto exato em que uma boa pizza precisa estar.

— Feito, eu preciso mesmo entregar essas pizzas — ela bufa e oferece a mão, para um aperto, a qual aperto com a minha mão limpa. — Carter, pega o endereço e as pizzas, e você...

Ela volta apontar para mim e quando pretendo responder meu nome, alguém é mais rápido que eu.

— Max, o nome dele é Max — o garoto me entrega e eu o encaro confuso, mas deixo para perguntar durante a viagem que faremos para entregar as pizzas.

— Certo, Max, meu nome é Diana Marshall, vou guardar suas pizzas enquanto você faz a entrega com Carter — ela avisa e eu nego pegando duas caixas da pilha que ela pretendia mexer.

— Eu levo essas comigo — abro novamente a tampa da primeira caixa e tiro mais uma fatia e aponto para o garoto do outro lado do balcão. — Te vejo no carro.

***

— Ok, você pode colocar o endereço no GPS, mas caso conheça um caminho mais rápido, só falar — indico e o cara, que já assimilei que se chama Carter, concorda e insere o endereço do local no GPS do carro, que já começa a dar as direções.

Ligo o carro e Carter coloca o cinto de segurança ao meu lado, no banco do carona.

— Então, o que contribuiu para você concordar tão rapidamente com essa entrega? — inquere e eu dou de ombros e pego mais uma fatia de pizza da caixa que está equilibrada em meu colo.

— Pizza com desconto e uma boa ação para completar meu ano — digo e ele concorda, ofereço a caixa pra ele, que pega um pedaço de pizza.

— Isso não tem nada a ver com eu poder contar para a Blair sobre sua boa ação, não é?! — Carter pergunta e eu caio na gargalhada.

Termino dando uma desviada no carro, e antes de continuar a rir decido encostar o carro no meio fio e continuar a rir.

— Isso foi esperto — digo e volto a rir. Respiro fundo e tento conversar com ele, quando me viro, percebo que Carter está com a caixa inteira de pizza e devorando-a mais rápido do que eu. — Tá me devendo uma pizza, e não sou o tipo de cara que espera que os outros falem de mim, eu quero mostrar o que sou, e não o que ela acha que eu sou, ou o que deveria ser.

— Deveria ter sido profundo, mas me perdi nas frases — ele morde uma fatia da grandma e fala de boca cheia. — Tente falar isso com as meninas, com certeza elas vão entender e suspirar por você.

— É uma boa ideia — digo entre um riso, suspiro e passo a marcha, dando partida novamente no carro e seguindo o rumo em que a voz do GPS indica.

Passamos o resto do caminho em silêncio, Carter ainda liga o rádio e procura alguma música interessante, manda mensagem para alguém e sorri para o celular por alguns instantes. Até que começamos a escutar música alta e alcançamos a parte mais nobre da pequena cidade.

As casas são todas iguais, mais em tamanhos muito maiores do bairro em que vivo. Porém, a que paramos em frente tem colunas gregas dóricas na entrada, como se fosse um tipo de templo antigo.

— É, chegamos — Carter anuncia e eu estaciono antes da casa barulhenta. — Se prepare para adolescentes malucos e muita comida — ele tira o cinto e se vira para mim rapidamente — tenta pegar alguns refrigerantes.

Saímos do carro e abrimos a porta de trás para pegarmos as vinte pizzas.

Andamos até a porta, mas Carter não bate ou aperta a campainha, apenas a abre e entramos. Há casais espalhados por todo canto, uma garota de biquíni passa correndo em nossa frente, um cara de calção com verde e desce o corrimão da longa escada do centro do hall. Tem muita mais besteira rolando pelo local, mas dispenso a vista e olho para Carter, que já se dirige ao fundo da casa, o sigo. Alguns caras pelos quais passamos me oferecem bebidas, mas nunca curti tal coisa, cerveja ou qualquer outra coisa alcoólica. As coisas que já vi acontecerem por culpa disso me pesam, Carter parece ter alguma similaridade nesse pensamento, pois recusa todas as ofertas.

Chegamos a uma espaçosa cozinha, e por um momento observo o grande pé direito da sala, as vigas de madeira a amostra no teto, deixando o ambiente um pouco mais rústico. A ilha da cozinha é imensa e alguns detalhes ainda me fazem lembrar da Grécia, o que me faz deduzir que os donos da casa sejam gregos ou são realmente fãs do país.

Deixo a pizza onde Carter indica, depois ele mexe com algum dos caras procurando o dinheiro para pagar as encomendas. Há alguma discussão do tipo de que ninguém sabe quem pediu a pizzas, mas um deles termina por pagar. Me distraio novamente com a arquitetura do local, coisa que sempre me fascina.

— Carter, nossa, você tá gato hoje!

Escuto uma voz já conhecida, me viro e vejo que é a garota loira do outro dia, Luce. Ela também me percebe e larga o braço de Carter e vem cambaleando em minha direção. O cheiro de álcool dela e as pernas bambas me mostram que já bebeu mais do que aguenta.

— Olha, o garoto metido, cara, você continua ainda mais lindo, olha esse braço, me carregando ficaria melhor ainda.

— Certo, acho que você precisa tirar todo esse álcool do corpo. — falo quando preciso segurar seu ombro, antes que ela caia ao meu lado.

— Você me ajuda? — ela sorri para mim.

Então ela se agacha e vomita em todo o chão. Tenho quase certeza que respingou em mim quando vejo Carter tampando a boca e virando a cara quando vê a cena.

— Acho que já ajudei — falo quando olho para baixo e engulo em seco, tentando evitar que o pior aconteça. — Certo, tá na hora de sair daqui. Onde eu a coloco? — me viro para Carter e pego a garota, agora desacordada, nos braços.

— A casa é dela, joga em qualquer quarto! — Carter diz indicando o corredor por onde entramos.

Vou por ele com ela em meus braços, olho pela escada e tento ver algum quarto no andar de cima que não esteja ocupado ou que alguém vá tentar entrar. Começo a subir os degraus, tentando ajeita-la o máximo que posso em meus braços para que ela não bata a cabeça em lugar algum.

— Hey, quem é você? — sinto um puxão no ombro e por pouco não me desequilibro, antes de me dar conta do que está acontecendo, a garota é tirada de meus braços. Um cara negro de estatura mediana a envolve, e Luce parece reconhecer quem a segura ao se aninhar em seu colo.

— Opa, relaxa, Ben! — Carter sobe alguns degraus e fica ao meu lado se fazendo ouvir, já que a música alta impede que eu o escute de tão longe — Ele tá comigo.

— Só estava tentando ajudar — indico a garota ainda adormecida e o tal de Bem concorda, a olhando com pesar —, ela desmaiou depois que vomitou.

— Pode deixar comigo — ele diz e sobe alguns degraus antes de virar e falar sobre o ombro — Obrigado.

Então o seu olhar me vem a memoria novamente, e tento recordar onde já nos esbarramos.

— Espera — exclamo e aponto para ele que para, ainda mais por um casal estar descendo correndo a escada —, você não é o cara que estava com o Jake, na noite em que nos falamos perto da casa da Blair?

— Me confundiu com o meu irmão — é apenas o que ele responde, com uma careta e continua a subir as escadas.

— Vamos vazar daqui — Carter diz e desce os poucos degraus que subimos há alguns instantes.

— Esse tal de Ben é confiável? — pergunto, ainda hesitante em deixar uma garota adormecida com gente que não conheço.

— Ah, ele deve ser o único cara sóbrio e com boas intenções na festa — Carter me responde assim que saímos da casa. — Ele só esta na festa pela Luce, provavelmente. Ben se preocupa com ela, a garota gosta de andar com o irmão dele, que você já conhece. O cara tem vários problemas com bebidas, e ela esta seguindo pelo mesmo caminho.

— Entendi — concordo enquanto nos dirigimos ao carro.

Ainda consigo me surpreender com o quão novas as pessoas já estão se tornando dependentes do álcool, seja para esquecer um problema ou só por diversão. Elas esquecem que ao invés de se embebedar, poderiam estar lutando contra o problema, pois assim que o efeito do álcool acaba o problema ainda esta bem ali de pé, te encarando, e você com uma garrafa na mão se sabotando.

Não que eu seja o exemplo perfeito, já experimentei tal coisa com a morte de meu pai. Ele estava ali, e no outro dia o enterrávamos, apenas um corpo sem mais nada do que tanto amávamos. A bebida não resolveu, não me fortaleceu e não me amou, e nem eu a ela. Quando acordei esse pesadelo, percebi que estava perdendo a mim mesmo e tudo que eu queria proteger.

Entramos no carro e só chego a dirigir até um posto de gasolina quando Carter pede para eu estacionar.

— Só vou no banheiro e continuamos de volta pra pizzaria. — ele informa saindo do carro.

— Por que não foi na festa? — questiono, levantando uma sobrancelha.

— Estava com medo do que eu encontraria naquele antro — responde me fazendo rir.

Aproveito para verificar quanto de gasolina tenho no carro. Saio do carro e pago para encherem o tanque, enquanto isso vejo uma loja de conveniência 24horas. Do lado de fora um foto de papelão de um cachorro gigante está feliz mostrando uma ração. Termino por pegar e ler a parte de trás, dizendo que tem proteínas para o cachorro e um bando de vitaminas.

— Posso ajudar? — uma garota surge ao meu lado e a olho de canto de olho, ela esta arrumando o cabelo e sorrindo em minha direção. Volto a desviar para o pequeno pacote em minhas mãos.

— Isso faz bem para cachorros? — pergunto, pois não entendo absolutamente nada de animais, de espécie alguma.

— Isso é um petisco — ela fala e pega o pacote de minhas mãos, tentando chamar minha atenção de volta para ela. Prefiro pegar outro pacote no estande e observá-lo. — Bom, os cachorros gostam.

— Vou levar quatro — indico pegando mais dois pacotes e indo para dentro da loja.

Agora que estou armado, só esperando a reação daquela cachorrinha que parece que me odeia. Mas é impossível odiar alguém que te alimenta, certo?!

Notas finais
E aí, será que o Max tem um plano pra conquistar certa cachorrinha? hahaha me falem, viu ♥ Obrigada a todos que estão lendo, hein!!!