Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Pois é eu havia dito que só postaria semana que vem...mas sabe como é.... não resisti e resolvi postar assim mesmo. Muito obrigada pelos comentários maravilhosos que vcs me deixaram, como sempre eu digo, eles são importantes para a minha pessoa,rsrsrrs. Tenho que dar as boas vindas a Blue,por estar acompanhando a fic, seja bem vinda entre nós.

[RECAPITULANDO]

Um braço buscou apoio em seu pescoço, e os seios roçaram seu peito. Os cabelos macios toca­vam sua orelha e na face. Resistiu ao impulso insano de virar-se e enterrar o rosto nos cachos brilhantes. Odiava-se por ter reações tão intensas à esposa de seu irmão. Estar tão envolvido pelo charme que sabia ser estudado o fazia sentir-se um garoto tolo e ingênuo.

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Talvez essa fosse a intenção dela. Talvez houvesse mirado um ponto vulnerável ao oferecer compaixão. Ele era o estável. Era ele quem cuidava dos outros, oferecia conforto e lidava com tudo que era desa­gradável. Ninguém jamais o confortara. Nunca al­guém oferecera preocupação e assistência. Mesmo que não pudesse fazer nada por ele, conseguira en­contrar uma fenda em sua armadura.

— A cama ou uma cadeira? — perguntou ao entrar no quarto.

— Uma cadeira. Pode chamar a srta. Gardiner, por favor?

Charles puxou uma das cordas que acionavam as sinetas nos aposentos nos empregados e na cozinha. Quando se virou, ela tentava remover o sapato usando o outro pé.

— Posso?

Anne ruborizou até a raiz dos cabelos.

— A sra. Gardiner não deve demorar. Só tentei me adiantar porque meus pés parecem ter incha­do, e o sapato está me machucando.

Ele se ajoelhou diante da perna estendida e re­moveu o calçado com delicadeza. Era ridículo dei­xá-la sofrer, e por isso introduziu a mão sob as diversas camadas de saiotes, encontrou o elástico da meia logo abaixo do joelho e puxou-a, ignorando o farfalhar do tecido.

Os dedos delicados exibiam diversas tonalidades de verde e algumas manchas amareladas. A sra. Gardiner entrou no quarto nesse momento e assumiu um ar de desaprovação. Adormecida, Helena foi pos­ta no berço e ela correu para perto de Anne.

— Vá buscar gelo — Charles ordenou, impedindo que ela assumisse a tarefa de cuidar da ama.

— Senhor, eu...

— Agora.

Contrariada, ela obedeceu e retornou em segui­da com o gelo.

— Vou buscar a cadeira de rodas. Depois que terminar de ajudá-la a vestir suas roupas de dor­mir, prepare um pouco de chá.

— Vai tomar chá aqui? — A enfermeira per­guntou com tom escandalizado.

— Está é minha casa, sra. Gardiner. Tomarei o chá onde julgar conveniente. E no seu lugar, ten­taria não fazer julgamentos morais tão ofensivos e impróprios.

A mulher apertou os lábios e permaneceu em silêncio.

Quando voltou com a cadeira, Charles encon­trou Anne sentada ao lado da cama, sozinha.

— Deixe-me ajudá-la. — E virou-a para apoiar seus pés sobre a cama. Depois ajeitou um travesseiro sobre a perna esquerda e colocou uma bolsa de gelo em cima dos dedos inchados.

Notou o outro pé, pequeno e proporcional, e o tornozelo bem torneado. A camisola branca expu­nha uma porção curvilínea da barriga da perna.

— Cubra-me, por favor — ela pediu em voz baixa.

Charles atendeu ao pedido, jogando um cober­tor sobre as pernas e deixando exposto apenas o pé que estava tratando.

— Tem alguma coisa para aliviar a dor?

— Não quero tomar remédios. Helena sempre acorda durante a noite.

— A sra. Gardiner cuidará dela.

— Sim, mas ela vai ter de mamar.

— Talvez seja melhor procurarmos uma ama-de-leite para o bebê.

— Não!

A surpresa levou-o a erguer a cabeça.

— Está bem, só queria tornar as coisas mais fáceis para você.

— Ficar longe de minha filha jamais será fácil para mim.

— Vejo que tem sentimentos bem fortes sobre o assunto.

— Ela é minha filha. E evidente que tenho sen­timentos fortes por qualquer coisa que a envolva.

— Certamente. Ela é tudo que você tem de Fitzwilliam. Além de uma fortuna em ações e investi­mentos deixados por ele em testamento.

Anne o encarou, e a angústia que julgou ver em seus olhos quase o fez arrepender-se pelo comentário.

A sra. Gardiner voltou com uma bandeja e colocou-a sobre a mesa de cabeceira com tanta força, que o tilintar das xícaras ecoou estridente no quarto.

— É só isso — Charles informou. — Pode se retirar.

A ruga que marcava a testa da criada indicava que ela não estava satisfeita com a situação. Re­provava o comportamento dos dois, e não escondia sua opinião por trás de palavras gentis.

— Boa noite — Charles concluiu com ênfase, servindo o chá. — Creme ou açúcar?

— Mel, por favor.

A sra. Gardiner passou ao quarto de vestir, onde dormia em uma cama estreita para estar mais perto de Helena.

Charles despejou uma colher de mel no chá e entregou a xícara antes de servir-se.

— Se precisar de mim, não hesite em chamar, sra. Bingley.

Usando um robe pesado e longo, a enfermeira estava parada na porta de ligação entre os dois aposentos, os punhos cerrados como se tivesse di­ficuldade para controlar-se.

— Não se preocupe. A sra. Bingley chamará se precisar de seus serviços — ele afirmou. O que aquela mulher estava pensando? Que atacaria a cunhada dentro de sua própria casa, com a mãe dormindo algumas portas adiante e um bebê no quarto ao lado? A enfermeira desapareceu e ele olhou para Anne. — Fitzwilliam a ensinou a adoçar o chá com mel?

— Sempre preferi mel ao açúcar. — Vago. Se­guro. Sem admitir ou negar que conhecia as pre­ferências de Fitzwilliam.

— Quais as qualidades que mais apreciava em meu irmão?

— A maneira como se preocupava com seus se­melhantes. Fitzwilliam era um homem muito generoso.

— Generoso com o dinheiro dos Bingley.

— Quando nos conhecemos, eu não sabia que ele dispunha de recursos.

— Não mesmo?

— Não tinha muito respeito por seu irmão, não é?

— Por que pergunta?

— Julgava-o tolo o bastante para se casar com uma mulher que só estava interessada em sua fortuna.

— Era esse seu objetivo?

— Não acreditaria se eu dissesse que não.

Charles considerou a verdade em suas palavras.

— Digamos que meu irmão nem sempre tomava as decisões mais sábias.

— Em outras palavras, as decisões que queria que ele tomasse.

Charles levantou-se para alimentar o fogo na lareira. Sabia que estava provocando uma hóspede e que esse era um comportamento grosseiro, mas não podia conter-se. Estava pranteando a morte do irmão e a presença daquela mulher o irritava, por isso a agredia.

— Como compara essa nova vida àquela que levava em Londres?

— Minha vida é muito diferente do que era antes. E muito diferente do que eu esperava que fosse.

— Em que sentido?

— No sentido mais óbvio. Fitzwilliam está morto.

— Ele a levou a América antes de trazê-la para conhecer a família. Não acha que foi um gesto estranho?

— Não. Se o tratava com o mesmo desdém com que tem me tratado, ele devia saber que nossa lua-de-mel não teria um bom começo aqui. Estou certa?

— Sobre o quê?

— Sobre tê-lo tratado com desdém.

Não gostava de ser interrogado, especialmente quando era ele quem buscava respostas.

— Fitzwilliam falou sobre a família? — perguntou.

— Não. Não sabia nada sobre vocês até estar­mos quase aqui.

— Quer dizer que se apaixonou por meu irmão e casou-se com ele sem saber nada sobre seu pas­sado, sem saber sequer se ele era capaz de susten­tá-la. Nunca imaginou como ele ganhava a vida?

— Sabia sobre as peças. Eram produções bem sucedidas na capital.

— E pensou que estava se casando com um escritor. Depois, como que por encanto, descobriu que a família dele havia feito uma fortuna na indústria do ferro.

— Nunca pedi um centavo do seu dinheiro — disse furiosa. — Foi você quem decidiu ir buscar-me... quem me tirou daquele hospital. Foi você quem me trouxe para cá. Mary insistiu para que eu ficasse com as roupas, e só aceitei para contentá-la.

E como esposa de Fitzwilliam, tinha direito a tudo isso. E mais. Ser rude com Anne não devolveria a vida de Fitzwilliam, e acusá-la proporcionava ape­nas uma pequena medida de conforto.

Em oposição ao ressentimento, sentia uma forte simpatia por alguém capaz de alegrar a mãe e dar aos seus dias algum sentido. Anne represen­tava conforto e companhia para Mary. Um fato que o aborrecia.

— Agora você é uma Bingley — disse, virando-se para encará-la —, independente do que te­nha feito antes. Quaisquer que tenham sido os motivos de Fitzwilliam para se casar com você. E isso a torna minha responsabilidade. E também acarreta algumas obrigações.

— Quais?

— Discutiremos esse assunto amanhã. Esta noi­te tenho alguns papéis para examinar.

— E uma garrafa de conhaque para esvaziar.

— Se eu quiser...

— Estou certa de que vai querer.

— Boa noite. — Saiu e fechou a porta, admirando-a por tê-lo enfrentando, embora também se congratulasse por ter estado certo. Pelo menos ela começava a revelar suas verdadeiras cores. Não era a flor delicada que fingia ser.

O cansaço o dominou. Os dias seriam mais fáceis depois do que havia enfrentado nas últimas horas. Acreditara que dar à mãe a notícia sobre o aci­dente de trem havia sido difícil. Pensara que re­conhecer o corpo de Fitzwilliam e mandá-lo para casa fora uma provação. Havia considerado cansativo encontrar Anne viva e tomar todas as providên­cias por ela e pelo bebê.

Mas aparecer diante dos amigos e dos parentes durante o serviço religioso requisitara toda a reserva de coragem que ainda possuía. Nada seria tão difícil.

A menos, é claro, que tivesse de continuar lu­tando contra a sórdida atração pela cunhada e tentando entender o sentimento de traição que passara a assombrar suas noites.

Notas finais
O motivo que não estou postando todos os dias é que eu não quero terminar esta fic muito rápido, pois estou escrevendo outra e assim que eu terminar esta fic,pretendo começar a postá-la,bjs