Notas iniciais
Olá moças como vão? Pois é decidi postar mais este capítulo hj, e sei que ele está curtinho mas espero que gostem. Obrigada pelos comentários deixados. Por favor continuem comentando sobre a fic e eu responderei a todos os comentários.

[RECAPITULANDO]

Assim que as autoridades soubessem o que de­veriam procurar, não levariam muito tempo para encontrar os restos de Anne. Os convidados de Charles passariam mais alguns dias em Mahoning Valley, e Jane tinha o dever de cuidar de tudo para que a estadia fosse um sucesso.

Talvez em uma ou duas semanas tivesse as in­formações sobre Anne. Até lá, seria capaz de per­manecer mais tempo em pé e caminhar sem di­ficuldade, e o prazo teria terminado. Até lá, teria de manter Caroline calada.

Voltou para a cama e apagou a lamparina. Fi­caria feliz quando se afastasse de Charles. Nunca conhecera um homem capaz de enfurecê-la, exci­tá-la e confundi-la como ele fazia. De todas as coisas que podiam ter acontecido, acabara por en­trar em um trem que a levara ao encontro de Fitzwilliam, Anne, Charles e Mary.

O destino entrelaçara seus caminhos.

E o desespero ainda a levava a tomar medidas espantosas e extremas.

Esperava que os recursos de que dispunha fos­sem suficientes para as primeiras semanas, e re­zou para encontrar um emprego, um lugar para viver e um meio de cuidar da filha.

Jane cobriu-se e se esforçou para dormir.

***

O jantar da noite seguinte foi mais elegante que o primeiro, com candelabros e cristais, pratos escolhidos de maneira a complementarem-se e um serviço impecável. Anne era a anfitriã perfeita.

Depois da sobremesa, convidou todos a passa­rem ao salão de música, onde um quarteto de cordas e um pianista executariam um concerto de câmara para entretê-los. Até a música fora es­colhida de forma a agradar a todos os gostos.

Charles a observava do outro lado da sala. Nin­guém ficava tão bem de preto quanto Anne. Na­quela noite ela fizera algo diferente com os cabelos, afastando-os do rosto com pentes e deixando-os sol­tos sobre a nuca em cachos sedosos e cintilantes.

Ocasionalmente, Ellen Gallamore, à direita, ou Fitzwilliam, à esquerda, diziam alguma coisa, e ela in­clinava-se para ouvir os sussurros. A certa altura Fitzwilliam sorriu e ela retribuiu o sorriso.

A cena provocou uma reação tão intensa que Charles ficou perturbado. Ela o convidara para assistir ao banho de Helena se quisesse vê-la sor­rir, mas não mencionara que poderia vê-la sor­rindo para seu amigo a qualquer momento.

Charles cruzou os braços. Não se importava se ela queria sorrir como uma menina tola para Fitzwilliam.

De repente ela olhou em volta e encontrou os olhos dele.

Sabia que era tolice, mas desejou que ela tivesse um daqueles sorrisos para ele, um sorriso que falasse de intimidade, amizade ou até tolerância.

Mas por que ela sorriria, se até então não fizera nada além de criticá-la e acusá-la?

A atenção com que cuidara do jantar e do en­tretenimento dos convidados demonstrava mais conhecimento do que a própria Mary possuía. Anne exibia uma segurança polida quando se tratava de maneiras e atividades sociais. Era impossível identificar um único erro ou deslize em seu com­portamento, nos trajes ou nos preparativos.

Como ela havia adquirido a postura elegante, quase aristocrata, e onde aprendera a receber com tanto requinte?

Não fazia sentido. Anne demons­trava a reserva de uma verdadeira dama e lidava com os criados como se não houvesse feito outra coisa em toda sua vida.

Os músicos terminaram a apresentação e ela guiou os convidados ao salão para café e licores. Charles seguiu o grupo e notou que ela cami­nhava apoiada no braço de Darcy.

Fora paciente. Havia esperado e dado a ela toda as oportunidades necessárias para cometesse des­lizes que trairiam suas verdadeiras origens.

Não esperava nada daquilo. Tivera certeza de que a mãe faria todo o trabalho, e Anne assumiria os créditos pelos resultados. Mas a verdade era que Mary nunca estivera tão descansada, relaxada e feliz. E se ela se esforçara tanto para conquistar a simpatia e o respeito de Mary, podia imaginar o que fizera para conquistar Fitzwilliam.

Chegaram ao salão e todos os convidados sen­taram-se. Enquanto a conversa seguia animada, Anne aproximou-se de Charles.

— Vai servir o licor, ou devo chamar uma das criadas?

— Eu sirvo.

Ela assentiu. O vestido revelava a curva generosa dos seios pálidos. Outra mulher teria usado uma pedra preciosa no pescoço para exibir sua riqueza e chamar atenção para os dotes naturais, mas Anne já era uma jóia, e não precisava de outros adornos.

Em silêncio, ela voltou para junto dos convidados.

Anne fora aprovada no teste da comida e do entretenimento.

Mas e se decidisse testar sua leal­dade, em vez das habilidades?

Qualquer um podia aprender certas tarefas ou fingir conhecimento.

Mas ninguém podia fingir amor e lealdade.

Se ela amara e respeitara Fitzwilliam como a mãe acreditava, como fingia ter amado, não cairia nos braços de outro homem.

Já permitira que ele a beijasse.

Por que acre­ditava que beijá-lo seria suficiente para assegurar seu lugar entre os Bingley?

O pensamento o enojava.

A ideia o intrigava.

A imagem o provocava.

Seria o verdadeiro teste de seu amor por Fitzwilliam. Depois disso não haveria mais dúvidas.

Charles mal podia esperar pela partida dos convidados.