Notas iniciais
Olá meninas como vão? Obrigada pelos comentários deixados, Espero que gostem deste capítulo, e mais uma vez espero que os fantasminhas deixem recado sobre o que estão achando da fic, pois não custa nada, né? Att

[RECAPITULANDO]

— Sou alcoólatra, meu bem, não idiota. Vou ficar aqui e fazer uma festa particular. Gosto de ler os jornais. Acha que posso conseguir alguns?

— Farei com que sejam trazidos para cá todos os dias, assim que o sr. Bingley terminar a leitura. Assim ficará ocupada.

— E quanto a... bem... eles?

— Os Bingley? Vou conversar com eles e pedir desculpas.

— Faça-os perceber que morre de vergonha de mim. Isso é sempre muito convincente. E como­vente também.

Jane virou-se. Como se Anne houvesse tido de fingir!

— Deixei biscoitos e geléia na bandeja. Coma-os e beba todo o café. Mandarei chá fresco mais tarde.

— Veja que tipo de bebida os milionários têm em casa, sim? Quero beber com estilo.

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Jane deixou o quarto tomada pelo desgosto.

Gruver limpava o chão da sala quando ela des­ceu. Já havia recolhido os pedaços do vaso que­brado, e encarou-a com compaixão e solidariedade.

Jane olhou para os ladrilhos partidos no chão e sentiu-se deprimida.

— Quantos foram arruinados?

— Cinco. A sra. Pratt disse que o piso foi im­portado da Itália quando o sr. Bingley construiu esta casa.

— Acha que podem ser substituídos?

— Não sei.

— E quanto ao vaso?

— A sra. Bingley o trouxe de uma viagem pela Índia.

— Que maravilha! — Suspirou desanimada. — Gruver?

— Sim, senhora?

— Vou precisar de sua ajuda.

— Quando quiser, senhora.

— Caroline... A sra. Patrick, não deve sair do quar­to a menos que eu esteja com ela. Não posso per­mitir que esse tipo de incidente se repita... ou que aconteça algo pior.

— Vou avisar a criadagem. tomaremos cuidado para que ela seja mantida em seus aposentos.

— Obrigado. Já serviram o chá aos convidados?

— Sim, senhora.

— Muito bem. Cuide para que as novas criadas sejam instruídas quanto ao procedimento relativo ao preparo dos quartos para a noite, e trate para que deixem todas as suítes prontas antes de se recolherem.

— Sim, senhora. Senhora?

— O que é, Gruver?

— Ele não é tão mau quanto parece. Não es­queça que o sr. Bingley é um homem honrado que sempre age da maneira correta.

Nesse caso, o correto seria jogá-la para fora com filha e bagagem. A mulher embriagada e desagradável que ocupava um dos quartos de hóspedes tinha mais direito a estar naquela casa que ela; afinal, ela era a verdadeira mãe de Anne.

— Vou me lembrar disso. Obrigada.

De alguma forma, tinha de salvar a reputação de Charles com seus amigos e clientes. Resigna­da, Jane ergueu os ombros, ignorou a dor na cabeça e na perna, e seguiu para o salão.

Charles terminava de servir novas doses de licor para os homens e fazia um sinal para que a sra. Pratt oferecesse mais chá às senhoras. Jane Marie McCaul aceitara um cálice de licor, mas recusou uma nova dose.

A conversa era difícil desde o fiasco na sala de jantar. Queimava de ódio por conta da cena que a mãe de Anne provocara, e não fizera muito para melhorar a atmosfera. Felizmente a mãe pe­dira desculpas pelo episódio e os convidara a pas­sar ao salão.

Charlotte e Jane Marie discutiam uma peça a que haviam assistido em Londres na temporada anterior. Charles observava os convidados com ar reservado, desejando subir a escada e despejar toda sua ira sobre as duas mulheres.

Não devia ter esperado nada melhor de alguém proveniente de Tottenham. Mas Anne devia ter mantido seu vergonhoso passado e aquele arre­medo de mãe bem longe de seus convidados. Ela sabia o que podia acontecer, e devia ter se pre­parado. Se o houvesse alertado, ou a um dos cria­dos, a calamidade teria sido evitada.

Notou um movimento na porta e virou-se.

Anne estava entrando no salão com a dignidade de uma rainha, apesar de mancar mais acentuadamente com o passar das horas. As faces exibiam um tom rosado e ela respirava profundamente, como se houvesse acabado de dançar uma valsa, não de lidar com uma mãe embriagada.

A coragem de aparecer diante dos convidados e dos donos da casa era algo que ele não esperava, e Charles lutou contra a centelha de admiração que brotou em seu peito.

— Gostaria de assumir a responsabilidade pelo que aconteceu há pouco — ela disse com tom sua­ve, porém firme. — Estou muito embaraçada. Não quero que o comportamento de minha mãe tenha qualquer tipo de influência sobre Charles. Ele não sabia sobre os hábitos da sra. Patrick. Não vou me desculpar por ela, porque mamãe tem tido esse comportamento por muito tempo. Desde que meu pai faleceu. Mas espero que perdoem minha falta de responsabilidade e o fato de não ter cui­dado melhor dela. Sei que a sra. Gruver podia ter sido ferida, talvez até morta. Posso afirmar que o restante de suas estadias não será perturbado por nenhum outro incidente desagradável. — Olhou para Mary. — Charles e a sra. Bingley têm sido generosos comigo e com minha filha. Devo muito a eles, e lamento tê-los envolvido em uma situação tão delicada e constrangedora. Espero que possam me perdoar.

Nada o teria deixado mais espantado. Detestava ser pego de surpresa. Odiava não estar no coman­do da situação. E naquele momento, Anne deti­nha o controle. Acabara de conquistar a simpatia e a compreensão de todas as pessoas na sala com sua voz sincera e aqueles grandes olhos azuis.

Era impossível resistir a um apelo como o que ela fizera.

Se a acusasse, se fizesse qualquer coisa para aumentar sua aflição, seria apontado como o vilão da história. Oh, ela era astuta: confrontá-lo diante de todas aquelas pessoas para impedi-lo de reagir como desejava! A fúria queimava dentro dele como um vulcão em erupção.

Mary levantou-se e foi ao encontro de Jane.

— Vamos esquecer tudo isso, está bem? — su­geriu, olhando para todos os presentes enquanto levava a jovem ao divã onde estivera sentada.

Todos assentiram. Ela olhou para o filho e Charles soube que havia sido vencido. E respondeu com um breve movimento de cabeça.

Mary e Jane sentaram-se lado a lado no divã.

— Sra. Pratt, por favor, peça a sra. Gardiner para trazer Helena até aqui — Mary ordenou. Depois virou-se para Charlotte. — Espere só para ver o nos­so tesouro. Ela e Anne iluminaram nossa casa. Não sei o que teria feito sem elas.

Assim que a sra. Gardiner entrou com o bebê nos braços, as mulheres se reuniram em torno dela e sorriram, fizeram ruídos tolos e riram das rea­ções da criança. Os homens iniciaram um debate sobre os preços do transporte marítimo.

Ellen Gallamore derrubou algumas gotas de chá na saia, e Jane correu a buscar um pano úmido. Charles encurralou-a quando ela ia devolver o pano à bandeja deixada no corredor.

— Ainda não terminamos de discutir o que acon­teceu — ele disse, segurando-a pelo pulso.

Os olhos azuis encontraram os dele e o rosto perdeu a cor. A atenção concentrou-se em sua boca, e ele podia ter jurado que a pulsação sob seus dedos se tornou mais acelerada.

— Está bem — ela concordou. — Quer que eu vá ao seu escritório mais tarde?

— Não sei quando os outros irão para seus apo­sentos. E meu escritório está aberto aos homens a qualquer momento. Eu irei ao seu quarto. Es­pere por mim.

Ela assentiu e abaixou a cabeça.

Charles soltou-a e a viu voltar ao salão.

Teria de tomar cuidado para não tocá-la. Não podia aproximar-se a ponto de ver o fogo em seus olhos ou sentir o aroma excitante da pele e dos cabelos.

Mesmo quando estava zangado, mesmo depois de Anne ter permitido que a mãe o humilhasse, apesar de ser capaz de identificar suas táticas de manipulação, ela o incendiava. Permitir esse tipo de fraqueza seria um terrível engano.

Sim. Teria de ser cuidadoso.