Não Se Apaixone Pelos Rosemberg

11 Capítulo 11: Henrik chamou uma garota para sair.


Meus amigos só podiam estar gostando do vexame que eu estava passando, é a única justificativa para não terem vindo me resgatar do dragão que soltava fogo pelas orelhas.

Se eu disser que estou gostando disso tudo, pode ter certeza de que estou mentindo. Para alguns, pode até ser legal e romântico ter uma música dedicada a você, porém para mim é muito constrangedor.

Queria imensamente que Maison mentisse e contasse que a canção era para a Aimee, não que eu esteja me gabando da música ser possivelmente dedicada à mim; é só que evitaria uma atenção desnecessária dos outros adolescentes, e honestamente, não estou nem um pouco acostumada com pessoas da minha idade prestando atenção na minha pessoa.

Espero que eu esteja me precipitando e que tenha me enganado. Por favor...que não seja para mim.

— Por que você insiste tanto que rola alguma coisa entre eu e o Maison? Que loucura! — franzo a testa.

— Você é tão tapada quanto eu pensava — Aimee sorri de lado.

— Do que você me chamou? — cruzo os braços.

— Tapada! — insinua estar escrito em sua testa— Que significa ignorante, burra, idiota... — diz lentamente.

— Eu sei o que significa — molho os lábios —porém acho que esqueceu de incluir que essa tapada — dou ênfase na palavra — ganhou uma dedicatória, ou eu estou enganada? — olho para soslaio e enxergo meus amigos se aproximarem.

— Essa não é uma carinha bonita — seguro o riso por Henrik ter se dirigido a esse modo à Jones.

— Na verdade... — Maison e seus cachos brilhosos se intrometem na conversa — Eu não dediquei a minha letra da música pra nenhuma garota — capto suas bochechas ficarem vermelhas — você apenas entendeu mau, Aimee — volta para onde estava, que é atrás dos irmãos.

É como se Liam e Henrik fossem os guarda-costas de Maison, talvez por ser o mais tímido entre eles, ou ele é simplesmente um medroso que está com medo do que a pirada da Aimee pode fazer. Pelo menos foi isso o que me aparentou ser.

Evan, Aiysha e Every ficaram ao meu lado sem dizer uma palavra, mas estavam a disposição para me ajudar quando precisasse ser defendida. Com Aimee Jones por perto, é melhor não arriscar ficar muito desprotegido.

— Viu bem? Eu estava certa! — pego das mãos de Every minha mochila que teve o favor de segurar para mim — Outra hora conversamos, — digo para os irmãos — é muita coisa pra um dia só.

Tive muita sorte de estar enganada e sair sem nenhum arranhão dessa pequena discussão de interesses. Mesmo não ter saído no tapa ou até soco com aquele dragão loiro, até foi gostosa a adrenalina de estar metida em um diálogo que poderia acabar em briga. A todo momento fiquei nervosa só de pensar o que falaria a papai quando acabasse em sua sala, ou pior, na detenção.

É como se eu pudesse adivinhar o que ambos mamãe e papai diriam: “ hoje é o primeiro dia do seu irmão, que imagem acha que passaria para ele sobre você e o colégio que seu pai têm?” Isso certamente é uma possibilidade do que Ella diria, já papai...é capaz de não me dirigir a palavra por um bom par de dias, o que é horrível só de se pensar.

— Por que só vieram me resgatar depois? — entreolho meus amigos.

— Estávamos ocupados demais apreciando sua primeira briga — Aiysha fala em nome dos outros dois.

— Enquanto achavam divertido, eu estava prestes a sair no tapa com a Jones e posso te confirmar que não foi uma experiência nada satisfatória para mim... — fico brava e relembro cada momento daquela discussão, misturada com meu nervosismo por estar metida ali.

— Pelo menos os Rosemberg estavam ao seu lado — Every admira suas unhas.

— Aposto que não ajudou em nada — Evan tira as palavras da minha boca.

— Você lê mentes? — zombo. Sinto meu celular vibrar no bolso da minha mochila, pego o mesmo e vejo o lembrete estampado na tela — É hoje! — aviso, preocupada.

— Tenho cara de adivinha? — fico pensativa, analisando o rosto de Aiysha — Não responda...

— Do que está falando? — Evan pega o celular das minhas mãos e logo em seguida, seus olhos disparam — Você tá muito ferrada! — arregalo os olhos.

— Muito obrigada por esse ato de sinceridade — debocho.

Não podia negar que Evan estava errado, aliás, ele sempre estava certo e eu encontro-me muito ferrada. Hoje era o dia que eu começaria a dar aulas para os Rosemberg. O medo deles não aprenderem absolutamente nada e forem reprovados nas provas, martela em minha cabeça toda vez que ouso pensar nas aulas.

E se eu não for uma boa professora? Isso vai pesar em minha consciência pelo resto dos meus meses nesse colégio. Até parece uma besteira, mas para uma garota como eu, nada se é uma besteira.

— Vai ser na sua casa ou na deles? — Every toma o lugar do Evan que estava localizado ao meu lado, ficando quase grudada ao meu corpo. Tenho certeza que ela não vai ser a única a reagir assim depois que a notícia se espalhar.

— Você por acaso já viu papai deixar algum garoto entrar em casa, com exceção do Evan? — mordo o lábio inferior.

— Então vai ser na residência dos Rosemberg... — Eve mostra interesse.

Se eu não estivesse focada demais nas aulas dos três irmãos, poderia ter quase certeza de que é a Every que é a informante da Nicholette; pois tudo o que falo somente para meus amigos, incluindo ela, acaba no blog daquela francesa.

Pelo que vi alguns dias atrás, a fofoca mais acessada é a que envolve meu nome; eu nem sabia que havia no blog dela uma página para cada estudante.

O mais estranho é que todos do colégio me dirigem a palavra todo dia. Antes desse contrato de não se apaixonar pelos Rosemberg existir, eu sabia que os adolescentes falavam comigo pelo simples fato de eu ser filha do diretor e pra ajudá-los em trabalhos e coisas do tipo. Atualmente, o motivo deles mudaram; acho que pensam que se falarem comigo e me tratarem bem, os Rosemberg vão ser amigos deles. Sinto em desapontar, mas isso não vai nunca acontecer!

— Obrigada, Mel! — levanto a sobrancelha, confusa. Uma garota desconhecida que me dirigiu a palavra duas vezes, vem em minha direção e me agradece.

— Obrigada pelo que...exatamente? — me aproximo da garota e seguro seus ombros levemente, fazendo prestar atenção em mim.

— O Henrik me chamou pra sair! — sussurra como se fosse um segredo.

— O Henrik Rosemberg? Nossa! — arregalo os olhos, surpresa — E acha que isso é obra minha? — concorda com a um aceno — Pode ir — solto seus ombros.

Acho que bati a cabeça em algum lugar, pelo que uma garota me disse dias atrás, o garoto solitário não era visto com nenhuma pessoa que possuía peitos, isso até ser visto comigo.

Provavelmente depois dessa fofoca, as garotas ficaram mais em cima dele e não teve como não resistir. Sinceramente, se eu não visse ele com nenhuma garota, poderia afirmar que ele joga em outro time.

— Vocês também ouviram isso ou eu estou ficando louca? — entreolho meus amigos.

— Eu ouvi e ainda não acredito no que ouvi — Aiysha passa a mão pelos seus cabelos, confusa igual a mim.

— Se isso for verdade...você é a minha melhor amiga — Every abraça meu braço, não se desgrudando nenhum segundo da minha pele.

— Hm... — Evan sorri fraco — Mais que falsa.

— Pense o que quiser, Sherwood. A Mel é minha melhor amiga! — faço uma careta a olhando.

— Sou é?

— É... — seus olhos estreitaram-se — Nos vemos mais tarde, melhor amiga — se despede da gente.

Meus dias como adolescente no colégio está sendo mais diferente do que o normal. Com o pai dos Rosemberg e seus filhos; Nicholette; meu novo meio-irmão e agora Every colocando pressão em mim; é como se eu fosse explodir a qualquer momento do dia. Não se esquecendo também de incluir papai e a universidade que tenho de me preocupar para o próximo ano que está por vir.

— Esse dia está mesmo acontecendo? — os cantos dos meus olhos estavam franzidos.

— Talvez possa ser um sonho ou coisa do tipo — Evan sugere.

Isso certamente não é um sonho!

Meu sonho não me deixaria estar prestes a entrar na mansão dos Rosemberg, o meu subconsciente me impediria de fazer tal coisa desse tipo se eu estivesse com os olhos pregados. Se isso fosse um sonho, um olheiro de Stanford estaria agora do lado oposto da casa dos Rosemberg, e eu teria minha oportunidade de lhe contar sobre minhas notas e aulas extracurriculares; porém isso não aconteceu.

Eu orei muitas vezes para acontecer alguma coisa no caminho que me impedisse de entrar pela segunda vez naquela casa. Como por exemplo: Aiysha poderia me ligar dizendo que precisa de mim, ou talvez ficar no colégio depois das aulas... a essa altura eu até aceitaria fazer compras com a Every, mas nenhuma das minhas opções realmente me ocorreu, a não ser na minha cabeça.

Os seguranças da residência já haviam me deixado entrar na grande e bela mansão deles e não tinha mais volta. Tenho um trato com o pai deles, tinha a total ciência do que estava fazendo e não posso amarelar agora.

Basta só imaginar que são alunos normais e que não são adolescentes egocêntricos, eu explicaria algumas matérias, passaria exercícios, corrigi-los e ir embora logo em seguida. No entanto, o modo como adoram me tirar do sério, pode impedir minha ida para meu querido lar.

— Vai entrar ou não, Sra. Berkeley? — um dos seguranças chama minha atenção — Preciso trancar novamente o portão.

— É claro... — espero dizer seu nome.

— Charles — me responde amigavelmente.

— Charles — repito seu nome e finalmente piso no local.

A residência deles é de fato muito linda, bem cuidada e confortável para mim, mas passa a ser desconfortável quando penso que não são as pessoas que gosto que estarão lá me esperando, e sim pessoas que me deixam totalmente intimidadas, com arrepio e um rubor pelas minhas bochechas por me examinarem tão descaradamente.

— Dessa vez não é o Liam que abriu a porta para você — respiro fundo por ser recebida por mais uma das gracinhas do garoto solitário. Vou ter muito tempo para poder me acostumar com esses garotos e suas "diferenças".

— Não confunda destino com muita falta de sorte — suas sobrancelhas se juntaram. Passo por Henrik e entro dentro da sua casa, com nervosismo seguro com força meu fichário que continha algumas das matérias que preparei para eles — Onde está seus irmãos?

— Na cozinha, fazendo um lanche — não tira os olhos de mim — acho melhor esperar sentada — semicerro os olhos, ele estava muito...quieto e calmo.

— Não tenho escolha — encerro nossa conversa. Me sento no sofá de couro preto e tampo minhas pernas à mostra com meu fichário.

— Sim, você tem — continua a conversa que eu não queria que prosseguisse. Levanto o olhar para o garoto de cabelos negros — pode ficar em pé esperando, ou sentada esperando — cruza os braços. Eu não precisava daquela explicação.

— Você acertou, eu tenho escolha e escolhi a segunda opção — dou um meio sorriso, fazendo morrer nosso assunto.

Só depois de ter encerrado nosso diálogo, notei que a sala é muito quieta quando ninguém está falando, e mesmo que se tenha posse de muitos bens materiais naquele local, sinto como se estivesse vazia e fria.

Só de entrar aqui consigo adivinhar o tipo de convivência que eles têm uns com os outros, essa casa precisa de mais alegria, mas não sou essa pessoa que vai dizer isso para eles.

Henrik estava sentado no sofá do lado oposto ao meu, o que me aliviou de certo fato.

— Não consigo tirar da minha cabeça aquele dia na enfermaria... — o som da sua voz soa pela sala.

— É, por que? — viro minha cabeça em seu direção, não quebrando o contato de olhar.

— Por causa dos remédios que pegou aquele dia, por que os toma? E não tente mentir falando que é pra dor de cabeça, eu dei uma olhada na caixinha — me encurrala.

— Se olhou a caixa porque está me perguntando então? — desvio o olhar.

— Você não transa — o olho rapidamente, minhas sobrancelhas se ergueram.

— O quê?! — digo indignada.

— Por que toma anticoncepcional se não transa? — arregalo os olhos.

Não acredito que estou tendo essa conversa constrangedora de sexo com o Henrik, em vez da minha mãe ou alguém que considero muito. Ao que parece os papéis trocaram de posição.

— Eu não preciso fazer...amor — sinto vergonha só de falar de sexo de um modo mais recatado — para tomar anticoncepcional, eu tomo porque minha menstruação é desregulada — um rubor sobe por minhas bochechas — É coisa de garota, você não entenderia.

— Estou curioso — apoia a cabeça em uma de suas mãos, mostrando que queria que eu contasse para ele e é como se eu não conseguisse guardar um segredo com ele.

— Eu tenho um cisto... — revelo em um sussurro.

— Não ouvi — inclina sua cabeça em minha direção para me ouvir melhor.

— Eu tenho um cisto no útero e se eu não tratar dele, talvez não possa ter filhos — conto bem mais alto para poder ouvir dessa vez — Não era isso que queria ouvir? A verdade!

Sempre foi um desafio tocar nesse assunto com meus pais e não consigo acreditar que revelei isso para um estranho qualquer; onde eu estava com a minha cabeça?