Não Procure culpados

1 Capítulo 1 cidadizinha


Notas iniciais
Você pode encontrar essa história em outros sites, não se preocupem eu que publiquei.

Deitada olhando para o teto máximo possível, buscando figuras, antes de meus olhos se fecharem lutando contra o sono, até que ele vence.

E lá estou 10 anos mais jovem, em uma livraria havia uma janela grande que dava para ver o bar do Léo e uma loja de roupa do outro lado da rua, escuto o fusca da minha irmã estacionar o barulho que aquele carro fazia era único, eu olho para janela esperando ela descer, Jane me olha era possível ver que recentemente chorava ela olha pra mim e se aproxima da janela me chamando, e naquele mesmo instante uma bala atravessa a cabeça dela, foi como me ver levando um tiro, de repente o som do despertador me acorda, sento na cama, tentando me convencer de que era uma lembrança e que já fazia tempo o suficiente para doer menos, mesmo meu coração doendo como se eu estivesse preste a morrer.

Olho na cadeira a minha frente e vejo minha mala pronta, hoje era o dia de voltar aquela cidadezinha cheia de suas pessoinhas, com suas vidinha cheias de hipocrisia.

Seis horas de viagem são Paulo até Del Norte uma cidade como maresia, na verdade uma ilha, mas com mais traficantes de drogas e pessoas ricas aposentadas.

—olá, sou Diana, a filha da Libe. — digo ao homem bem vestido que abre a porta.

—ah, sim senhorita Martins, eu me recordo do casamento, pode entrar, deixa, que lhe ajudo. — ele pega a minha mochila, com uma expressão simpática no rosto.

—vou levá-la até onde ficará. — assim ele o faz, me leva até um quarto imenso, coloca minha mochila no chão.

—A senhorita gostaria de mais alguma coisa?

—Não, obrigada. — ele sorri, e fecha a porta com delicadeza.

Me sento na cama, tiro as botas e abro a janela que dá de frente para a janela era possível ver libe de sua pequena estuda de vidro

com suas muitas plantas.

Depois de tomar banho desci até onde ela estava:

—mãe! — ela se vira na mesma hora, coloca a garrafa de vodca na mesinha e com os olhos repletos de lágrimas me dá um abraço forte.

—Jane, querida... Senti tanto sua falta. — suas palavras rompem me, como achei que não poderiam me fazer mais.

—não sou a Jane. — sussurro em seu ouvido, ela larga do abraço e se serve mais uma dose.

—Eu sei, mas você não pode nem fingir!

—Não lhe daria esse gostinho, afinal vim aqui para limpar sua bagunça. — ela me olha com um olhar de desaprovação enquanto vira um copo de vodca.

—Diana, meus problemas com meu marido, são meus e do meu marido.

—não é o que ele pensa, já que o próprio me chamou aqui.

O que foi que você aprontou, mamãe? Não se preocupe em me dizer, eu vou descobrir, mas só um conselho é bom você ficar sóbria, o tombo vai ser forte e você precisa de todo seu equilíbrio. — meu coração estava estraçalhado, era possível tocar na raiva que ela sente por mim, e sei que mereço mas nesse mundo inteiro, libe deveria ser a pessoa que me ajudaria a recolher os cacos.

Sair daquele clima pesado para pensar no que eu deveria fazer, obviamente libe não me queria lá, mas não havia outra pessoa que se importasse o suficiente com ela para ajudar, na verdade até havia mas ela já o magoou demais.

Talvez um banho na piscina imensa, me ajude a saber exatamente o que fazer.

No fundo da piscina escuto passo, e quando vou me levantar...

—Meu Deus! Que susto você me deu Diana! — grita Richard o marido da Libe, um quarentão, milionário e bem afeiçoado.

—Desculpa, não queria assustar, só estava relaxando um pouco antes de entrar nessa. — ele sorri, e senta na cadeira a minha frente.

—Isso não é uma guerra judicial, eu amo sua mãe de verdade, mas os problemas dela realmente estão atrapalhando a vida da Melina, e isso não posso permitir, entende? É terrível ver ela se auto destruindo e não acho que seja bom para Melina a ver isso. — ele aponta para a cadeira ao lado, coloco minha saída de banho e sento.

—Entendo, mas não acho que Libe queira perder outra filha, e o que depender de mim ela não vai.- ele parecia perfeito demais, e alguma coisa estava errada, e eu sabia que era questão de tempo até descobrir.

—Eu vou garantir que Melina e Libe tenham uma relação mãe e filha, mas ela... — ele fica procurando uma palavra que possa falar de alguém na frente da filha desse alguém.

— É uma alcoólatra, eu sei mas o que você vai fazer vai destruir ela de vez. — levanto e saiu direto para o quarto, minha mente está cheia, jogada na cama olhando para cima e pensando em todas as coisas que tenho de resolver até que pego no sono, me acordo com meu celular tocando:

—Alô?!

—Diana, trabalhamos a dois anos juntos e você ainda não salvou meu número?

—Cezar!? O que você quer? Estou de férias lembra?

—Sim, mas preciso de ajuda com o caso Emília, não sei o que fazer acho que estou num beco sem saída.

— Reveja as provas, como se não tivesse visto ainda, limpe a mente de todas as certezas que acha que ter, e por favor não me ligue até ter resolvido isso.

—Não há nenhuma chance de você dizer, eu já vou te salvar?

—Nenhuma, eu só vou dizer isso uma única vez, você é um ótimo detetive, vai conseguir, só precisa de calma. — ele ri, e desligo o telefonema.

Me arrumo enquanto penso em ser ou não uma boa hora de fazer uma ligação quando ele toca, era meu pai:

—alô, pai! — digo realmente feliz por ter notícias dele.

—olá, querida como está ai?

—está melhor do que pensei, mas é só o primeiro dia, mas e o documentário? Tá tudo bem?

—Sim, tá saindo tudo perfeito as fotografias ficaram lindas, queria que estivesse aqui.

—Eu também...

—Estou orgulhoso de você, e preocupado também.

—eu sei pai, olha antes de você voltar eu vou estar em casa tá bem?

—tá, eles estão me chamando, beijos te amo.

—arrasa, também te amo pai. — desligo o celular.

— Bom dia mamãe, sei que ouviu toda a conversa. — ela se senta na cama.

—como percebeu que eu estava aqui?

—Seu cheiro de álcool se sente a quarteirões de distância, e já chega disso! — ela levanta rindo e se aproxima de mim.

—A querida eu sou a mãe aqui lembra? Eu só vim avisar que o café tá pronto... — ela vai em direção a porta lentamente e faz uma pausa dramática.

—como está seu pai? — aquelas palavras fez com que ela engolisse a seco.

—Está ótimo, melhor do que... — ela se vira e me olha esperando que eu desse aquele golpe.

—... melhor do que nunca. — ela apenas acena com a cabeça e segue.

Ao descer, percebo que Richard e Melina não estão em casa:

—mamãe, onde estão Richard e Melina? — ela para de tomar seu café batizado, ela tenta segurar a aparência de superioridade.

—Eles estão em um apartamento, enquanto não resolvemos nossas divergências. — ao final da frase ela dá um suspiro, creio que foi a primeira vez que ela havia falado em voz alta aquilo.

—conversei com ele ontem, mas não achei que já tinham saído daqui.

—Eu estava cansada, das brigas com ele, as cobranças, e Melina estava muito manhosa, acho que foi melhor assim.

—- realmente não entendo você! Achei que fosse lutar por ela! — bato com a mão na mesa o que a assusta e admito que a mim também.

—Diana, não permito que fale comigo assim! Estou na minha casa, e não pedi você aqui para me julgar, afinal você é a que menos pode julgar! — enquanto ela gritava caminhava para próximo de mim apontando o dedo na minha cara.

—Fala, grita mamãe, o que tem aí preso e que você tem medo até de que as paredes escutem!

—Deveria ser você! E não ela! Você! Você! Você! — seu tom de voz diminuindo quando ela vai percebendo os olhares dos empregados, e eu nessa hora? Não havia mais nenhum pedacinho de pé.

—me desculpe... — era tudo o que conseguia pronunciar, sai andando em direção a porta, implorando para que as lágrimas esperassem mais alguns míseros segundos para rolarem.

Quando bati a porta, aquela melancolia toda virou pura raiva.

O que me levou direto a estufa, quando entrei vasculhei o lugar inteiro, e escondido em meio a várias plantas havia todos os tipos de bebidas. As levei todas pra fora próximas a porta de vidro que dava para a cozinha da casa ; pedi para um dos motoristas me trazerem algum tipo de taco, e então antes de começar o massacre me assegurei de que a porta não abriria.

Assim que dei início a quebrar as garrafas, libe veio correndo, e mesmo tendo várias outras pela casa, ela chorava e pedia para que eu não quebrasse cada garrafinha, até a última.

Abro a porta me sentindo a Arlequina dos alcoólatras anônimos:

—Mamãe, o tratamento de choque começou! — me senti por 5minutos como se tivesse 16 anos novamente, mas então eu olho pra Libe completamente devastada, se sentido um lixo, sentada no chão chorando, completamente embriagada as nove horas da manhã, a maquiagem borrada, eu deveria sentar do lado dela e abraça — lá, dizendo algo ligeiramente reconfortante, mas antes do meu orgulho ceder o medo de ser rejeitada se mostra muito maior.

—Edgar, leva a mamãe para o quarto e faz ela tomar um banho, os demais retirem todo o álcool da casa, tenho certeza que conhecem cada esconderijo.

—Senhorita, o senhor Field já tentou isso e não deu certo.

—Tenho certeza que isso não dependia do seus empregos, como agora, se Libe não se recuperar, Richard vai embora com a Melina, e minha mãe vai perder a casa e gastar toda a pensãozinha dela em bebidas super caras, a mais uma coisa quero o endereço da clinica em que Libe foi internada.

—A senhorita tem razão, acho que só vai encontrar o endereço no escritório do Senhor Field e não temos permissão de entrar.

—Tá bem, obrigada, façam o que pedi coloquem todas as bebidas na adega, cole quem cadeado e me deem a única chave, sem cópias, entendido?

—Sim, senhorita! — enquanto todos estavam ocupados, fui ver se Libe estava bem, a porta do quarto tinha uma fresta aberta, eu ia entrar mas vi Edgar separando a roupa para Libe colocando as peças gentilmente na cama, enquanto Libe cantava uma musica francesa que sempre cantava quando nos colocava para dormir, e então de repente ela para de cantar, Edgar para no meio do quarto entre a cama e o closet :

—Libe, Libe! — ele começa A gritar e corre até o banheiro.

—Socorro! Alguém! — ele grita, eu congelo por exatos 15 segundos, as lágrimas correm vagarosamente pelo meu rosto, alguns empregados sobem e começam a falar comigo, e então eu volto a mim.

—desculpe o que disse? — pergunto.

—Senhorita, já chamamos a ambulância, o que aconteceu? — ela parecia calma.

—Eu vou entrar. — realmente ainda não tinha voltado a mim, meu cérebro estava lento, quando entro no quarto, libe estava deitada no chão com apenas uma toalha em cima do seu corpo, enquanto Edgar fazia massagem cardíaca, me sentei no chão próximo a parede, faltava ar em meus pulmões, deveria estar preparada para esse tipo de citação mas não estava, não para essa. Minha mente me leva para quando tínhamos 8 anos, eu e Jane olhamos um filme de terror escondidas, Jane pediu para dormir comigo, não porque estivesse com medo, mas sabia que eu estaria, e eu deixei, só que 5 minutos depois ela já estava dormindo e eu não, foi quando Libe entrou no quarto, acendeu a luz, se sentou próximo a mim, passou a mão no meu cabelo e começou a cantar até que eu dormisse, ela tinha trabalhado todo o dia no hotel e estava muito cansada dava pra ver no rosto dela, mas mesmo assim ela ficou ali até que eu adormecer.

Os paramédicos adentraram o quarto com rapidez, fizeram alguns procedimentos e a colocaram na maca para levar ambulância, então Edgar toca em meu joelho:

—Senhorita, quer ir com ela na ambulância? — Edgar deveria ter vinte e poucos anos, e tinha uma gentileza em cada palavra além de uma educação formidável.

—Sim, sim estou indo. — foram 4 horas de angústia sem saber ao certo o que estava acontecendo.

—Senhorita Martins, a sua mãe está melhor, além de se afogar na banheira ela tomou alguns comprimidos e estava com o volume alto de álcool, por isso a demora, sinto que tenha ocorrido novamente. — as palavras dele foram certeiras, libe tentou se suicidar e aquela não foi a primeira vez, eu não sabia absolutamente nada da mulher que estava naquele, mas sabia que devia ajudá-la.

—Diana... — diz Richard me abraçando. -... Eu não deveria ter deixado ela sozinha. — me afasto dele.

—Ela já tinha feito isso? — pergunto sem rodeios Richard me olha assustado.

—Sejamos cautelosos, não queremos escândalos e nem Libe gostaria deles.

—sejamos cautelosos sim, senhor Field mas entenda eu sou uma detetive e se tiver algo que eu precise saber, algo errado nessa história eu vou descobrir. — ele dá um sorriso que me lembra dos corruptos que já tive de ligar, esse sem dúvida não seria o primeira mas o mais pessoal, saio em direção ao quarto em que Libe se encontra, quando me deparo com o passado.

—Diana? Não esperava te encontrar aqui, lembra de mim né o cara que foi preso por sua culpa.

—Ah nem vem foi só 1 ano, e nem tudo foi culpa minha. — ele sorri de canto, percebo a farda. Militar?

—Capitão da FAB,e você?

—Detetive Martins, em São Paulo. — por aqueles breves minutos esqueci completamente de que minha mãe estava em um leito naquele hospital e que Pedro e eu nos odiávamos no colégio.

—é desculpe você deve ter vindo ver alguém.

—Sim, minha mãe ela tá em um quarto aqui.

—mas ela está bem? — ele pergunta gentilmente é parecia estar preocupado não havia semelhança alguma com o Pedro que eu conhecia.

—Sim, está melhor, mas e você? Digo, o que você tá fazendo aqui?

—Vim visitar meu pai, ele tá muito doente, a Amanda me ligou e avisou.

—sinto muito, então eu vou por ali e você?

—eu vou para lá. — nos olhamos por dois segundos antes de seguirmos nossas respirações ficaram pesadas, como se ouve-se uma atração magnética mas ao mesmo tempo uma barreira intransponível, depois seguimos nosso caminho.

Ao chegar no quarto Libe estava dormindo, me sentei na cadeira próxima a ela, mas minha cabeça não parava de raciocinar, tinha acabado de ameaçar Richard, tinha o escritório dele bem ali mas a cada minuto que passava no hospital era a chance perfeita dele limpar tudo.

—Desculpe libe, mas

tenho que ir. — penso em dar um beijo em sua testa, mas prefiro apenas segurar sua mão por 2 segundos.

Chego na mansão, pergunto aos funcionários se Richard estivera aqui antes de mim e eles então negam.

Vou até o escritório a porta fechada, me lembro de ver algumas chaves em cima de uma estante no quarto de libe quando me lembro do que o médico disse sobre os remédios ela deve ter saído da banheira para tomá-los e se ninguém ainda limpou o banheiro tem que ter pegadas molhadas no chão que vão de encontro aos remédios, mas não havia nada, procuro no banheiro inteiro algum lugar onde ela poderia ter escondido a caixa dos remédios.

Sigo procurando no quarto e quando entro no closet um frasco quase vazio de remédios.

Me era certo que Libe não tomou os remédios sozinha, mas porque?

Eu tinha uma carta na manga tiro foto com meu celular de ambas as cenas, e coloco o frasco dentro de um saco plástico pequeno que achei no banheiro.

Volto ao quarto para procurar a chave quando :

—Diana? — eu me viro e lá está Richard com a pequena Melina de 6 anos olhos verdes gigantes e cabelos pretos levemente encaracolado nas pontas.

—Oi, eu sou sua irmã, eu te conheço por foto... — ela se esconde atrás de perna de seu pai. -... Tudo bem, você pode me dar um abraço?

Ela timidamente solta a mão do Richard, e vai vindo até mim e me dá um forte abraço, instantaneamente cada pedaço do meu corpo se recorda de levar um abraço assim, de uma irmã era diferente mas tão igual, e naquele doce e puro momento me dei conta do que Richard enquanto eu estava abraçando Melina, Richard fazia a limpa em seu escritório.

—obrigada Mel. — ela dá uma risadinha doce.

—Você é tão linda Jane. -por mais que aquelas palavras me machucassem, meus sentimentos não importavam naquele momento se tratava de um jogo, e eu precisava saber quais as cartas de Richard.

—obrigada, querida, você deveria ir até seu quarto acho que vi alguns brinquedos, eles devem sentir sua falta. — ela sorri, e vai em direção ao quarto.1

—Então Rich, obrigada por trazer Melina. — ele sorri, segura meus braços, não de uma maneira violenta.

—Decidi voltar para casa, eu amo a Libe e fiquei tão apavorado com tudo, sabe sinto que é uma parcela minha culpa, então aqui estou na minha casa, sinta se a vontade para ficar o tempo que quiser.- meus instintos estavam gritando que esse cara não era apenas um pilantra.

—Bom acho que vou esperar Libe, estar bem e ver se ela não vai querer seguir com o divórcio.

—Não acho que ela queira Diana, sabe eu sinto você muito na defensiva e eu entendo Tivemos uma conversa acalorada no hospital, você disse coisas que não queria e tudo bem somos uma família. — ele me abraça por 5segundos, o abraço mais desconfortável, que eu me lembre.

E mesmo que quisesse colocá-lo contra a parede, como detetive sabia que ainda não era a hora, devia descobrir qual era o jogo dele primeiro, reunir provas e depois destruí-lo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, obrigada por lerem :)