Não Precisa Mudar

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Não colocaram o nome do Gustavo nos personagens ainda, então Luciano vulgo, Gustavo Lários, nosso amado Carlo.

Não precisa mudar

Vou me adaptar ao seu jeito

Seus costumes, seus defeitos

Seu ciúme, suas caras

Pra que mudá-las?

Suspirei ao ver Silvestre e Francielle parados na porta da cozinha, eles nos fitavam assustados e surpresos, talvez eles não esperassem ver algo daquele gênero algum dia, eu e Cecília, aos gritos em uma briga sem sentido.

—Desculpe senhor Gustavo... –Silvestre disse e puxou Francielle com ele de volta para a cozinha.

—Tem noção do quão ridículo isso está sendo Cecília? Estamos brigando como duas pessoas descontroladas por algo fútil... –Passei a mão por meus cabelos e a fitei.

—Fútil? Você tem noção do que é ver o que eu vi Gustavo?

—Olha... me escuta. –Disse e caminhei até ela, segurei seus braços fazendo com que ela estivesse perto de mim novamente. –Ela estava triste, e frágil, e por isso eu estava consolando ela... não houve nada mais do que isso...

—Você estava abraçando ela Gustavo... e ela estava com a cabeça no seu ombro, e sorria. Muito sofrida ela... –Ela disse e me empurrou.

Suspirei e fechei meus olhos os apertando, eu a entendia, descobrir novos sentimentos, novas vontades, era claro que ela estava com ciúmes da cena que havia visto mais cedo entre eu e a Verônica, era claro que isso era novo, o mesmo sentimento de posse que me tomava toda vez que eu a via tão intima do doutor, e que ela dizia não entender, já que ela estava comigo.

—Era sobre isso que eu falava, todas as vezes que dizia que não gosto de te ver com o doutor. Tudo isso que você está sentindo ai dentro agora...

—Não... Não é a mesma coisa Gustavo... –Ela disse e se virou de costas pra mim, outra mania que me tirava do sério, ela não me deixava ver seus olhos quando brigávamos, talvez por eles sempre serem sinceros demais.

—Sim Cecília... é a mesma coisa, isso é ciúmes. E olha, eu entendo, e peço desculpas, eu só quis ajudá-la. –Me aproximei segurando seus ombros e cheirei seus cabelos, ela era viciante.

—Eu nunca senti isso... –Pude ouvir o suspiro baixo que ela deixou escapar. –Eu... eu estou descontrolada... eu nunca fui assim Gustavo, eu não posso ser assim... eu juro que vou mudar. –Ela me fitou assustada e eu pude ver aqueles olhos, tão intensos que me faziam viver em um misto de sensações loucas, que quando juntavam, com certeza viravam o amor mais profundo que eu já havia sentido.

Não precisa mudar

Vou saber fazer o seu jogo

Fazer tudo do seu gosto

Sem deixar nenhuma mágoa

Sem cobrar nada.

—Eu não quero que você mude... não, por favor. Eu amo assim Cecília, desse jeito.

—Você não quer viver ao lado de uma louca ciumenta e descontrolada.

—Você não é nada disso... é a minha Ceci... lembra, a mulher mais doce que eu já conheci em todo o mundo, mas não sempre, você tem sentimentos aqui.. –Pus minha mão sobre seu coração. –E talvez você não conheça a todos eles, você é humana Cecília, e a mulher que eu esperaria a minha vida inteira.

—Eu não gostei de você abraçado ela... –Sua voz saiu baixa e eu não pude deixar de sorrir e a abracei.

—Nenhum abraço substitui o seu, e você sabe disso... mas tudo bem...

—Mas se ela estiver muito triste, talvez você possa dar uns tapinhas nas costas dela. –Gargalhei ao ouvir aquela frase, ela havia falado sério, ah Cecília, se você soubesse a vontade que eu tenho de te colocar dentro de uma caixinha e carregar para cima e para baixo do meu lado. -Eu tô falando sério.

—Eu sei... e eu vou aprender a conviver com isso.. –Sorri e dei um selinho em seus lábios.

Se eu sei que no final fica tudo bem

A gente se ajeita

Numa cama pequena

Te faço um poema

E te cubro de amor

Já era noite, daquele mesmo dia conturbado, uma chuva forte caia do lado de fora, e fazia frio, muito frio.

—Está calado... –Ela apareceu na minha frente, como um anjo, em seu pijama com alguns desenhos engraçados que havia sido presente de Dulce.

—Pensando... deita aqui... –Bati no espaço vago ao meu lado na cama, e sorri quando seu corpo se encaixou ao meu.

—Pensando no que?

—Em como eu não saberia viver sem você.. –Sorri e beijei sua testa.

—Mesmo eu sendo louca? –A pergunta veio em um tom divertido.

—Você não é louca, e eu já disse isso. –Sorri e dei um beijo casto em sua nuca, e sorri ao vê-la se arrepiar.

—É... eu também não saberia viver sem você. –Sorri ao ouvir aquelas palavras, pra mim significavam o mundo inteiro.

—Isso não vai acontecer... nunca... –Sorri e a beijei, acariciando seu rosto, e me perdendo naquele azul que eu tanto amava.

E então você adormece

Meu coração enobrece

E a gente sempre se esquece

De tudo o que passou.

Sorri e acariciei o rosto dela, adormecida no meu peito, tão minha. Meu coração inflava de tanto amor, e a cada dia eu tinha mais certeza de que esperar por ela foi a melhor decisão da minha vida. Meus olhos pesaram, finalmente eu estava começando a ficar com sono, puxei o edredom para cima de nós e fechei meus olhos.

—Te amo... –Sussurrei e adormeci, aquele dia chegava ao fim, e eu já nem me lembrava nada, que não fosse a felicidade de tê-la ao meu lado.

Notas finais
Espero que curtam, está curtinha mas foi uma ideia que surgiu ouvindo a música. Talvez eu escreva uma long... vamos ver. ♥

A música do capítulo é Não precisa mudar, da banda Eva!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!