Não Me Julgue. - HIATUS
11 Capítulo 10
Notas iniciais
As pequenas mãos da garota agarraram com força os lençóis de sua cama, enquanto um gemido alto escapava dos seus lábios carnudos e rosados. Tomou folego, antes que a boca do maior voltasse a se unir a sua, em um beijo tão vorás que parecia querer lhe rasgar os lábios, tamanha a agressividade que o outro empunha em cada movimento. Não que ela estivesse reclamando, pelo contrário, gemia pedindo para que ele continuasse com aquela dança que tanto lhe dava prazer. E sob os gemidos e suplicas da garota ele continuou. As mãos deslizavam pelo tronco moreno, ás vezes descendo para as coxas, onde apertava com suas mãos grandes e maliciosas, e então voltava a subir até os seios fartos da loira, a parte que mais gostava de dar atenção. Viu um sorriso se formar no rosto feminino quando começou a beijar-lhe o pescoço, provocando-a. Ela estava de olhos fechados, mordendo os lábios sem perceber que os estavam machucando. Era tão bela, tão delicada, doce e sensual. Uma beleza genuína, quase angelical.
Sentiu uma pontada no peito.
Não precisava se lembrar. Não queria. No entanto por mais que tentasse, sempre acabava terminando repetindo as palavras que o outro cuspira em sua cara na última vez que o visitara. Ele estava mudado. Aquele jeito distraído com que o ruivo agia, sem se importar com nada, sempre amável e compreensivo havia sumido. Maldito. Estava tão perdido na própria felicidade... Tão mergulhado e concentrado na beleza que era a sua vida, que não se importava mais em disfarçar o desgosto por todo o resto. Tornou-se um egoísta hipócrita, isso sim! Logo ele, o anjo com rosto de menino dos olhos verdes... Logo ele! O anjo quebrou as asas no fim das contas e se revelou um demônio disfarçado. Todo esse tempo ele mentiu. Todo esse tempo ele enganou. E o pior, aquilo que mais machucava Jarrell, era que ele tinha acreditado que o maldito realmente se importava com ele.
O moreno jogou o pensamento para longe, tentando se concentrar apenas no que estava acontecendo naquele momento.
A médica abriu os olhos e o fitou confusa.
– Porque você parou?
Jarrell sentiu seu corpo esquentar.
– Vire-se. — Ordenou.
Os olhos azuis se arregalaram. Ainda confusa, obedeceu calada. Um prazer estranho nasceu dentro do moreno, quase como se estivesse dando inicio a sua vingança particular. Abriu as pernas da garota e a penetrou de uma só vez.
– Cala a boca. — Sussurrou em seu ouvido quando ela gritou.
(...)
– Isso... — A médica tentou se sentar na cama, mas não conseguiu. Seu corpo todo estava dolorido, ainda que repetisse a si mesma que tinha valido apena. — foi diferente... — Viu o maior procurar a calça e a vestir — mas um diferente bom! — Fez questão de completar. — Eu gostei. Sério, foi ótimo! — sorriu — Você é tão intenso na cama, eu-eu-eu... — Ele vestiu a camisa — Quando você disse que ia me ligar outro dia, naquela boate, confesso que eu não acreditei, mas estou feliz que tenha feito, acho que nós dois temos muita coisa em comum. — Jarrell procurou pelas meias e pelos tênis.
– Você viu uma meia branca?
Susi apontou para a meia em cima do seu abajur. Jarrell caminhou até lá e a pegou.
– Você tem mesmo que ir agora? Ainda são quatro horas da manhã, o sol nem nasceu. Porque você não fica um pouco mais? Admito que eu estou acabada, mas podemos conversar... — vendo a expressão de Jarrell ela concluiu que aquilo não o faria ficar — ou eu posso fazer algo para comermos. Imagino que você tenha que comer uma hora ou outra, né? — sorriu esperançosa.
Ele vestiu as meias e os tênis.
– Onde fica o banheiro? — Perguntou.
– Corredor, segunda porta.
Saiu do quarto e caminhou até lá, jogou uma água no rosto e saiu. Susi o estava esperando no corredor, enrolada em um lençol.
– Ou eu posso...
– Tenho mesmo que ir. — Passou por ela.
– Mas assim? Desse jeito? Não vai ao menos me dizer quando eu vou te ver de novo?
Jarrell se virou sem paciência.
– Você não vai me ver de novo.
– O que? — Ficou passada. — Depois de tudo o que fizemos? Pensei que eu era importante para você! O jeito que você me beijou... Que fez amor comigo...
– Nós não fizemos amor! Nós só transamos! Simples. Foi só sexo.
– Você está querendo dizer que tudo aquilo...
– Não significou nada. Encare isso: você foi só uma a mais na minha lista. Ok? O que isso tem demais? Eu saio feliz e você também. Ambos tivemos uma noite inesquecível, então ao invés de ficar ai ressentida, você deveria me agradecer!
– Te agradecer? Você está louco? — uma pausa — Isso é brincadeira, não é? — sorriu assustada — Você só está brincando comigo, não é?
– Eu estou sendo sincero, mas se pensar assim te faz feliz, então pense do jeito que quiser. — Virou-se e saiu do apartamento.
~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~
Alguns dias se passaram num ritmo calmo e nostálgico, típico do outono. Jarrell observava de sua janela as árvores da sua rua perderem as folhas, fazendo das calçadas e gramados um verdadeiro cemitério de folhas secas. Os dias pareciam mais longos e as pessoas mais preguiçosas, como se aquela estação estivesse mudando tudo e todos. Talvez fosse por isso que Jarrel também se sentisse diferente; tão morto quanto os montes de folhas que seus vizinhos juntavam em seus quintais. Passava os dias deitado em sua cama, só se levantando de vez em quando para comer alguma coisa, ir no banheiro ou simplesmente ficar olhando pela janela, as vezes observando a rua, as vezes observando a casa da frente, esperando encontrar alguém que ele nunca admitiria estar sentindo falta. Quase toda a noite Jarrell saia para beber, festejar ou simplesmente para caminhar pelas ruas. Estava agindo mais estranho do que de costume, e ao poucos todos começaram a notar, até mesmo seu pai.
– Não tem ido às aulas. — Disse quando o filho entrou na cozinha e caminhou até a geladeira -, não tem saído durante o dia — "E como você sabe? Nunca fica em casa" Jarrell pensou para si mesmo -, nem mesmo tem visto mais aquele seu amigo, o Marc. — Jarrell pegou uma garrafa de água e bateu a porta da geladeira com força — O que aconteceu? Vocês brigaram? Não acredito que você afastou o único amigo descente que você tem!
Essa foi a gota d'agua.
– Cala a boca! Você não sabe de nada! Para sua informação foi ele quem me afastou! Então antes de ficar me acusando, trate de se informar um pouco mais senhor "sabe-tudo"!
– Se ele te afastou, então é porque você fez algo para merecer.
– É sim, eu fiz! Eu me importei com ele, esse foi meu erro! — E saiu da cozinha.
Estava caminhando em direção a escada quando escutou o som da campainha. Estranhou. Eles nunca recebiam visitas. Imaginou que fosse alguém querendo vender alguma coisa. Sorriu com maldade, adoraria bater a porta na cara de uma vendedora simpática.
– Eu atendo! — Avisou ao pai. Foi até a porta e a abriu, mas a expressão poderosa se desfez em um segundo quando viu quem era. Aquilo era impossível. — Se você está procurando seu namoradinho, errou de porta. A casa dele é do outro lado. — Falou seco, os olhos cozinhando a imagem da doce menina.
Malu agiu indiferente, estava habituada a personalidade do mais velho. Sabia das suas excentricidades e não se importava, afinal, não era Jarrell que era o seu namorado. Mesmo que o achasse um tanto antipático, tentou soar natural.
– Eu não errei não, é com você que eu quero conversar. — Ela entrou na casa e o moreno quase perguntou quem tinha dado esse direito a ela, não fosse seu pai aparecer.
– Oh, visitas. — Samuel sorriu. — Não me disse que teríamos visitas. — Encarou o filho.
– Certamente essa não é uma visita.
– A culpa é minha, eu que não avisei que viria. — Malu se explicou de maneira tão simpática que Jarrell sentiu o estomago embrulhar. — Mas não precisa se preocupar sr. Samuel, eu não posso ficar muito tempo, tenho aula de violino mais tarde.
Os olhos do mais velho brilharam, de certo já estava encantado pela doçura daquela jovem menina.
– Violino? — Repetiu maravilhado — Tão jovem e já toca violino? Imagino que seja porque seus pais a obrigam, não é mesmo?
Ela riu.
– No começo, sim, mas com o tempo eu comecei a ganhar gosto pelo instrumento e hoje não me imagino passar um dia sem tocar ou escutar violino. Faz parte de quem eu sou, está na minha essência.
"Essa essência está podre" — Jarrell disse a si mesmo.
– Que lindo. — Samuel sorriu. — Qual seu nome mesmo minha jovem?
– Maria Lurdes, mas pode me chamar de Malu, todos me chamam assim.
– Você é uma boa menina, Maria Lurdes. Espero um dia vê-la tocar.
– Eu também espero um dia--
– Pelo amor de Deus! Será que vocês dois podem deixar essa conversa chata para outro dia? — Jarrell disse irritado. Olhou para o pai. — Você não tem nada melhor para fazer não? Sei lá! Por acaso um gato para tirar de cima de uma árvore ou uma espécie em extinção para salvar?
Samuel suspirou.
– Desculpe o meu filho, eu não sei a quem ele puxou.
– Certamente que não ao senhor. — Disse Malu.
– Foi um prazer conhecê-la.
– O mesmo.
Samuel subiu as escadas.
Jarrell cruzou os braços.
– Como você consegue ser tão insuportável? Por acaso onde você mora vendem chatice em comprimido?
– Porque você implica tanto comigo? — Quis saber.
– Se olhe no espelho e descubra. Mas se ficar difícil vou te dar uma dica: eu sou menino, não gosto de brincar com Barbies.
Ela sorriu achando que aquilo era piada.
– Você deveria virar comediante.
– Porque você está aqui? — Quis ser mais direto, não suportava ficar dialogando com esse rascunho de mulher.
– Marc.
– O que tem o Marc?
– Você sabe o que tem ele. — uma pausa demorada — Faz duas semanas que ele não atende os meus telefonemas! E sempre que eu vou a casa dele a senhora Katia diz que ele não está, mas eu sei que é mentira! Tudo bem que ele esteja envergonhado com o que aconteceu naquela noite maldita. Eu entendo que esse tipo de coisa é difícil para os homens, principalmente porque era pra ser a nossa primeira vez, mas agora querer terminar o namoro por causa disso? Isso já é demais! O Marc está sendo muito radical. Se pelo menos eu conseguisse conversar com ele... Dizer que eu não ligo para o que aconteceu e que jamais acharia que ele é menos homem por não ter conseguido. Eu só quero conversar meia horinha com ele, saber o que está acontecendo, porque é que ele está me evitando. Eu fiz alguma coisa errada? Se foi culpa minha, eu sinto muito. Ele precisa saber disso. Precisa saber que eu estou preocupada e que quero continuar sendo a sua namorada. Por Deus, não podemos jogar tudo pelos ares só por causa de uma noite que deu errado! — Tomou folego — Então eu pensei: já que você é o melhor amigo dele podia falar com ele, dizer que nós dois precisamos conversar. Não aguento mais me perguntar o que eu fiz errado, isso está me consumindo! Sei que nunca nos demos muito bem, mas eu preciso que você me ajude. Por favor, Jarrell.
O moreno franziu o cenho.
– Do que é que você está falando?
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