Notas iniciais
Voltei do submundo pra postar esse capítulo.

CAP 18

Dois dias se passaram, pouco tempo para uma mente perturbada retomar consciência, cedo de mais para se levar uma vida normal de novo. Pode-se dizer que agora que os problemas começaram. È quando você pena que está tudo bem, quando na verdade está muito longe de estar tudo bem. A resposta para uma pergunta simples: “Está tudo bem?” Fica entalada na garganta, com mil e uma respostas para dar. Mas é tão simples, se te perguntam: “Está tudo bem?” Basta você responder: “Sim, está!” Mas esse “Sim”, é que é o problema, é ele que você tenta tirar a todo custo, é o maldito sim que você ensaia tanto para dizer, uma palavra tão pequena e que te faz parecer um otário....sim um otário, afinal qualquer um consegue dizer um sim, mas não você, esse simples “sim” que poderia responder um simples pergunta, que poderia ajudar a resolver o maior dos seus problemas, não sai da sua garganta...

”Mas que porra, já se passaram dois dias e eu ainda estou assim! Quando é que vou me recuperar?!” — Esses pensamentos passeiam por sua mente dia pós dia...Você achou que estaria livre disso, assim, sem mais nem menos?! Acorda pra vida criança, seu inferno está só começando......

Foram esses turbilhões de pensamentos que fizeram Cali despertar de madrugada ao sentir o toque de Minos em seu rosto suado.

– PARA! – Ela grita autoritária mas sem ter noção para quem estaria dando essa ordem. – Tira a mão de mim! – Ela fala num tom mais ameno mais sem esconder a aflição que o toque lhe causava. Seus olhos estavam fechados, estaria delirando?

– Cali acorda! – Dizia Minos já ficando aflito. – Sou eu, Minos, acorde e fale comigo. – Ele agora a chacoalhou pelos ombros e finalmente ela desperta. Ofegante, ela abre os olhos e pula da cama, se não fosse por Minos estar em sua frente para ampará-la. Ela se senta na cama e Minos espera a respiração dela voltar ao normal.

– O que aconteceu? – Ele pergunta preocupado.

– E...eu...eu não sei...onde eu tava? Tinha mais alguém aqui!

– Cali você não saiu desse quarto e ninguém além de nós entrou aqui. Você teve um pesadelo.

– Não Minos tinha alguém aqui...ele..- Minos coloca o dedo indicador na frente da boca dela, um sinal para que ela não dessa continuidade.

– Não Cali, ninguém entrou e ninguém saiu daqui. Você começou a se mexer muito e a falar palavras desconexas, acabou me acordando, foi quando eu vi seu rosto molhado de suor, você estava quente, então resolvi te acordar.

Ela olha para o lençol que cobria suas pernas refletindo por um momento.

–Minos, é o terceiro pesadelo em 2 dias....Você não acha que...- Ele a corta novamente.

–Não! Já falei que vamos resolver isso juntos, esqueça essa ideia. È normal você ter pesadelos, se passaram só dois dias, aos poucos essas lembranças vão embora. Vem, vou massagear sua cabeça até você dormir de novo.

Ele a abraça e ambos se deitam novamente e Cali após alguns minutos volta a dormir sendo acompanhada por Minos.

DUAS SEMANAS DEPOIS

Estavam sentados de frente para outro. Era raro o momento que Cali erguia a cabeça e apesar da curta distância, seus olhares não se cruzam á algum tempo. Minos a encarava e aguardava ser retribuído.

“Vamos, Cali, um meio sorriso pelo menos; você era boa nisso”.

Pensava Minos não se aguentando de ansiedade. O clima estava ficando cada vez mais tenso, e alguém ali deveria acabar com isso, e claro seria ele.

– Um milhão de moedas por seus pensamentos! – Exclama Minos conseguindo finalmente sua atenção. Mas a reação de Cali não foi bem o que ele esperava.

– O que eu vou fazer com um milhão de moedas aqui embaixo? Comprar minha liberdade?

Foi como ter levado um soco no estômago, mas conclui que ao menos ela estava se comunicando.

– Só estou tentando conversar. Você não fala comigo direito, me trata como se eu fosse um estranho.

– Você não quer conversar Minos, você quer dar a última palavra. Nós já conversamos, você sabe como eu me sinto, sabe o que eu preciso, mas você não me ouve, me trata como se você fosse meu dono e eu, o seu pertence.

– Em uma coisa você esta certa, você é meu pertence, um bem muito valioso, que ainda me pergunto se eu mereço. Já fiz coisas horríveis contra a humanidade, deveria estar condenado a viver sozinho, sem descanso, sem perdão.......sem paz. Mas os Deuses sempre justos; me deram uma chance de ser feliz, me deram uma luz onde só havia escuridão, não se recusa nada que tenha vindo de um Deus, sendo assim meu anjo, eu vou cuidar de você quer você queira ou não.

Palavras, apenas palavras. Algumas maiores que as outras. Sinceras?! Com certeza, mas faltava algo nelas. O que são palavras diante de atitudes?

– Minos, sei que esta se esforçando, mas, não vejo como você pode me ajudar mais. Agradeço o que fez por mim até agora, por ter me acolhido, me salvado....me amado. Mas, eu estou passando por problemas, problemas dos quais vou precisar de sim você para me ajudar a superá-los, mas minha “cura” não depende de você. Minos eu vou falar, ou melhor vou te implorar pela ultima vez, eu preciso ver um médico. Se você me negar isso, você nunca mais terá a Cali que você conheceu.

Essas palavras invadiram os meus ouvidos como uma enxurrada.

– Ok. Você venceu. Primeiro comece me contando tudo o que se lembra, qualquer detalhe é importante.

Ela então começa a dolorosa conversa comigo. Eu sempre me considerei forte até aquele momento. Não era a primeira vez que eu ouvia essa história, mas minha reação seria sempre a mesma diante desse assunto. Era doído de mais relembrar e ouvir tudo aquilo, mas ambos teriam que fazer sua parte.

Longos minutos depois.....

– E foi isso....Eu não os vi e suas vozes eram abafadas pelo uso do capuz. Eu estava em um barco.

Era doloroso para eu ouvir seus relatos sem poder fazer nada. Queria ao menos poder desfigurar o rosto de quem fez isso. Preciso de mais informações. Levantei-me de forma abrupta tentando ao máximo não demonstrar meu incômodo. Eu tinha ódio e queria por um fim no sofrimento dela o mais rápido possível. Concluí que o melhor, realmente seria Cali conversar com uma pessoa especializada, isso poderia ajudá-la inclusive a reconhecer os agressores.

– Hummm o barqueiro pode me ser útil mas não sei se ele vai colaborar. Ele não é um espectro, pode se dizer que ele não é um “habitante” aqui do submundo, ele fica entre os dois mundos, não tenho domínio sobre ele.

O clima entre eles estava melhorando, Cali já conseguia comer alguma coisa e pronunciava palavras compreensíveis e não ruídos e murmúrios.

As horas foram passando e minha Cali começou a dar sinais de cansaço. A deitei na cama e aguardei que ela adormecesse antes de deixar o quarto.

Tentei raciocinar. Eu poderia colocar Cali frente com os espectros; pela voz ela poderia tentar reconhecê-los, mas não iria a expor desse jeito, seria traumatizante para. Sai de meu portão e comecei a caminhar, minha mente funcionando e refletindo a todo momento. Fui em direção ao rio e vi algumas sementes no chão...Aquilo me pareceu estranho, ninguém se alimentava do “lado de fora”, havia um lugar adequado para isso. Peguei as sementes e as guardei comigo.

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Minos estava inquieto, a expressão séria de indiferença e aparentemente amena de seu rosto, na verdade escondia uma fúria que nem os deuses gostariam de presenciar. Eu estava de tocaia, caminhava perto do local onde Minos estava sempre o observando e prestando atenção em cada detalhe. O vi guardar as sementes e rapidamente fui avisar os espectros da pista que o juiz acabara de achar, se ele visse um deles indo até a árvore pegar alguma fruta iria suspeitar e possivelmente juntaria os fatos. Um grande vacilo da parte deles, mas claro, isso me permite uma forma de chantageá-los.

Fui direto ao ponto assim que os avistei:

– Ele vai chegar a vocês a qualquer momento. – Minha voz saiu com tom de deboche mais do que eu gostaria.

–E o que vc tem a ver com isso Sylphid?

– Ele me deixou encarregado de achar os responsáveis pelo rapto e pelas agressões dela, então eu posso ficar de boca fechada ou não.

Rock partiu para cima, seu punho pronto para me lançar longe, embora as chances dele me derrubar ou me causar algum dano eram pequenas, eu me preparei para me defender, mas antes que seu punho se aproximasse de meu rosto, uma terceira pessoa surge em meio a confusão.

Lune que estava presente afasta Rock que não gostou nem um pouco de ser interrompido, eles se olham feio e Lune volta a atenção para mim.

– Quero ouvir o que tem a dizer! – Lune fala sério.

– È bom ver que um de vocês é maduro o suficiente para negociar. Bom, como já disse, ele vai juntar os fatos. A pergunta agora é; o que estão dispostos a fazer para eu ficar de boca fechada?

– Ela não viu nossos rostos, usávamos capuz e não havia luz no convés do barco, não vai nos reconhecer e não vão acreditar em você com.

–De primeira não, mas vocês não foram tão cuidadosos Lune, primeiro por deixarem ela escapar, só idiotas permitiriam isso, tem ideia de como isso soa ridículo? Uma garota, humana, comum, frágil, que não sabe se defender tão pouco lutar, fugiu de vocês; segundo o próprio barqueiro pode denuncia-los, e tem vestígios de frutas e flores por quase todo o submundo, foram deixando pistas sem perceber, se encontrarem uma semente ou uma pétala perto, estão ferrados.....logo vão chegar até vocês, Minos vai juntar os fatos.....

Queen dá uma olhada fulminante em Rock pois sabia que ele era o mais descuidado. Eu estava achando tudo aquilo muito engraçado. Estava sendo mais fácil do que eu imaginei. O mais esperto ali era Lune, mas ele sozinho, não tinha como agir.

–Rock seu Idiota! Como pode cuspir sementes no local do crime. Por sua culpa estamos expostos.

–Calma meu caro Queen calma, eu não disse que vou abrir minha boca, e para mostrar como sou bondoso vou ajudá-los a “limparem” tudo. Mas....daqui pra frente eu sou o chefe aqui.

–hahahahaha por um acaso ficou louco?– Por quê acha que vão te obedecer?

– Talvez vocês não tenham entendido Faraó....vou tentar ser mais claro. Vocês não tem opção. Quando a fixa cair me procure, só não demorem.

Me retiro deixando-os pensativos.

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– Alguma chance de ele esta blefando?

–Não tem como saber Faraó. Por hora vamos ficar afastados como havíamos combinado! – Fala Lune e é atendido por todos.

Lune

Sempre há outra opção! Você está se achando muito esperto Sylphid, mas eu ainda sou o cabeça dessa história. Me aguarde espectro.

Notas finais
Obrigada seus lindos!