Não Me Deixe Vagar Sozinho Neste Mar Sem Vida!
20 O mal se saiu bem!
Notas iniciais
A noite foi perfeita, finalmente depois de dias. Eu não aguentava mais vê-la assim aquilo me corroía por dentro, eu me sentia um completo inútil. Foi um longa espera e agora ela estava completamente entregue, assim como foi um dia. Mostrou o quanto confiava em mim. Eu ansiei muito por isso, foram dias intermináveis. Por fim nós estávamos novamente desfrutando da intimidade que tanto gostávamos. Eu beijava seu pescoço, seus seios e brincava com seu umbigo lhe arrancando risos em meio a gemidos de prazer. Ela gozou e fiz o mesmo em seguida. Seu rosto estava levemente corado e húmido de suor, estava linda, e o orgasmo a deixava radiante. O prazer estampado em seus olhos e lábios deixavam o sexo e o pós sexo ainda melhores.
– Linda! – Eu sussurrei em seu ouvido ao mesmo tempo em que lhe desferia beijos e pequenas mordidas. – Linda, linda. Como os deuses permitiram isso? Como nunca tentaram lhe roubar? Se bem que eu seria capaz de enfrentar o olimpo todo. – Me deitei ao seu lado e me pus a observa-la.
– Você já me roubou esqueceu?
– É verdade! Talvez até tenham tentado. Mas eu cheguei primeiro.
– Agora nunca vamos saber. – Eu disse para provoca-lo.
– Você brinca com forças das quais não dá conta sabia? – Eu a puxei para perto de mim e comecei a fazer cócegas em sua barriga.
– Para, para, tá bom. Quem precisa de um Deus quando se tem um juiz?! rsrs
– Mesmo?
– Eu tenho você; que não é um Deus, mas me trata como tal. Um juiz para os outros e um homem para mim.
– Não quero ser só um homem para você.
– Eu não preciso que você seja mais nada.
– Você merece mais.
Ela se levantou e se sentou sobre mim. Me sentei na cama e apoiei minhas mãos em sua cintura. Ela entrelaçou os braços no meu pescoço diminuindo a distância entre nós se é que havia alguma.
– O que acha que eu preciso Minos? O que mais você pode querer me dar? Mais carinho? Mais cuidados? Mais proteção? Tem mais sentimento nesse quarto do que em qualquer outro lugar Minos. – Eu comecei a beijá-lo já sabendo como aquilo ia terminar. — Não precisamos dos campos Elísios. Nós fazemos o nosso próprio paraíso bem aqui.
– Linda! – Nos entregamos de novo. Ela era perfeita, sabia exatamente onde me tocar e me fazer ir a loucura. Sua pele fervia sob meus dedos. Tudo nela é bonito, tudo nela é verdade.
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”Que os jogos comecem”. Alguns dias se passaram desde a reunião e pouca coisa aconteceu. Melhor assim, na verdade está tudo indo como eu planejei. Minos está muito ocupado nem consegue notar o que está acontecendo bem debaixo do seu nariz. Está sendo fácil até demais.
Esperei uma semana até que finalmente dei o que Minos tanto ansiava em ter. Dei a ele um rosto. Em meio a escravos e espectros de baixo calão, foi fácil encontrar alguns otários que serviriam de cobaia. O espectro deu um pouco mais trabalho para captura-lo, mas por fim, quando o dominei, cortei sua língua para que não dissesse nada. O mesmo fiz com os escravos, esses mereceram, seus crimes foram tão horrendos quanto o meu plano.
– Aqui está senhor!
– Quem são eles?
– O espectro que armou o sequestro e os dois escravos que o ajudaram. Haviam flores presas em sua sapuri e sementes de frutas perto de suas moradas. Não resta dúvida. O que quer que eu faça com eles? – Minos não exibiu reações por longos segundos. Havia somente a cólera em seus olhos. Nem o Deus do submundo foi visto dotado de tanta fúria como Minos estava hoje.
– Por que não falam?
– O Espectro cortou a língua dos escravos, provavelmente para que não revelassem nada a ninguém; sabendo disso, fiz o mesmo com ele senhor, espero que não tenha se importado. Quer que dê um fim neles?
– Nos escravos sim, deixe esse comigo.
Minos o agarrou e voou com ele para longe dali. Minutos depois ele voltou com a cabeça do espectro em suas mãos.
– Que fique de aviso!
Eu já esperava por isso, mas não consegui disfarçar meu rosto tenso.
– Sim Senhor!
Finquei a cabeça em uma lança feita de madeira e a deixei exposta em um lugar onde quem passaria por ali a visse. E assim o submundo ganhou mais um “adorno”.
– Isso serve de aviso para aquele que interferir na vida Minos ou desrespeitar a garota que agora está sob seus cuidados.
Por menor que fosse o insulto. Eu não esperaria menos dele. Apesar da brutalidade tudo corre conforme o planejado.
Os outros juízes não conscientizam com a atitude de Minos, mas também não se opõem ou fazem sequer menção de intervir. Minos estava convencido que aquele espectro era o responsável pelo sequestro, e sem ter nada que provasse o contrário quem iria defender o pobre coitado ou se opor?
Os dias passam rápido, é hora de colocar um pouco mais de ação. Na refeição que era levada diariamente para os aposentos do juiz eu envenenava sua água com pequenas doses de meu próprio veneno. “Cada dia fica mais fácil.....fácil demais”.
Conforme Minos se alimentava e bebia daquela água, seu corpo padecia aos poucos ficando cada dia mais fraco.
Esperei pacientemente o veneno fazer efeito, e ao notar sua fraqueza, esperei que ele retornasse aos seus aposentos e ali mesmo em seu portão fiz o primeiro ataque. Não usei das habilidades de um espectro, o golpe usado deixaria vestígios e rapidamente chegariam até mim. Com os punhos cerrados eu o ataquei por trás sem me deixar ser visto. Devido a ingestão do meu veneno durante dias, sua forma física estava bem mais lenta do que o normal o que facilitava minhas investidas. Seu rosto foi de encontro a parede o deixando zonzo e sem muitas chances de defesa; puxei uma pequena faca, a mesma utilizada pelo casal durante suas refeições e o golpeei várias vezes em suas costas. Quando cessei os golpes, limpei qualquer vestígio meu que pudesse ter ficado no local e do objeto que usei para feri-lo e me retirei. Antes porém, “escondi” a pequena faca em um lugar onde seria facilmente encontrada pelos outros juízes, prevendo que a pequena arma os levassem a crer que o culpado por esfaquear o juiz fosse a própria Cali. “Está tudo indo bem. Bem até demais. Agora é só aguardar”.
As horas passam e o tédio volta a me fazer companhia. Minos estava cada dia mais carinhoso e atencioso comigo. As vezes a gente se estressava, faz parte do pacote quando se vive junto com outra pessoa. É tudo uma delícia, mas as vezes o bicho pega, acho que agora entendo o que é viver em dois.
Tomo meu banho e o aguardo como faço todos os dias. Olho pela janela, mas não há nada que possa ser apreciado. É estranho essa demora, ou aconteceu alguma coisa ou está aprontando alguma. Ainda com os cabelos molhados do banho, resolvo verificar. Vestida com um leve roupão eu abro lentamente a porta do quarto e olho pelo corredor, nem sinal dele. Dou alguns passos, mas é tudo tão escuro que não enxergo nada. Continuo avançando e sinto algo pegajoso nos meus pés, desvio a direção, mas continuo a pisar em algo viscoso e morno. Aquilo está me dando arrepios, “Que porcaria é essa no chão? ” Quando finalmente chego em um lugar mais iluminado eu o vejo. Aquela coisa pegajosa no meu pé era Minos. “Por Deus!”
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