Não Me Deixe Vagar Sozinho Neste Mar Sem Vida!
16 Fique livre ou morra tentando
Notas iniciais
–Sylphidi, estou procurando aquela mortal que chegou a um tempo aqui no submundo. Seu nome é Cali.
Sylphidi dá um de João sem braço
–Sei a quem se refere meu senhor mas não a vi. Se eu a encontrar quer que eu faça algo com ela?
Ele pergunta na intenção de provocar Minos a ponto de fazê-lo confessar sobre o caso com ela.
Sua provocação surte efeito quando Minos reage nada contente com a insinuação dele.
–NÂO!!! Não quero que faça nada com ela. – Minos fala mordendo os dentes erguendo Sylphidi pelo pescoço até seus pés não sentirem o chão. – Apenas a traga pra mim. – Ele o larga de volta ao chão.
–Sim senhor. – Ele responde pondo a mão no pescoço como se quisesse se certificar se o mesmo ainda estava no lugar. – Senhor se permite, quer lhe fazer uma pergunta.
–Sim.
Minos responde seco
–Qual seu interesse nela senhor?
Minos estreita os olhos antes de responder.
–Isso não é problema seu soldado.
–Me desculpe a intromissão senhor, mas todos estão comentando sobre o senhor estar envolvido com uma mortal.
–E por um acaso nós também não somos mortais? Minos responde com desdém.
–Somos mas, somos mais do que isso, somos guerreiros e aqui é o nosso lar, devemos honrar nossa sapuri e nosso Deus. Aqui não é um lugar para pessoas frágeis como ela.
–Esta insinuando que não honro meu título de Juíz, nem ao meu Deus e nem a minha armadura? – Minos começa a andar em volta de Sylphidi como se estivesse o cercando. — Preste atenção soldado, eu só não quebro seus braços e te jogo para os corvos te devorarem porque estou com muita pressa. Da próxima vez que um superior te fizer uma pergunta, coloque-se no seu lugar e responda apenas o que lhe foi perguntado. – E assim Minos se afasta.
Sylphidi consegue o que queria nesse pequeno tempo que esteve com Minos.
“Ele teme por ela, caso contrário já teria me destruído por ter sido audacioso”
–Não tão rápido Minos!
Minos detém o passo e olha para Sylphidi.
–Ouvi boatos sobre uma certa mortal estar andando sozinha pelos domínios de Hades. – Ele sorri cínico. — Sabe, não é seguro uma jóia como ela andar sozinha em um lugar como esse, e tenho que lhe dizer, o senhor tem muito bom gosto.
Minos nervoso parte para cima dele e o soca no estômago fazendo Sylphidi ir ao chão e quando vai desferir outro golpe dessa vez em seu rosto, Sylphidi chama sua atenção
–Não vai querer ouvir o que tenho pra dizer?
Minos para com o braço a centímetros do rosto dele
–E o que é?
–Bom, eu a vi durante uns dias andando sozinha por aqui, e depois de um tempo, estranhei quando ela não apareceu mais. Mas posso ficar de olho para o senhor. Garanto que vou conseguir mais informações a respeito, afinal, ninguém é tolo para comentar a respeito disso sabendo que você esta por perto o tempo todo. Vai ser mais fácil se você se manter fora de área, assim eu posso pegar qualquer vestígio de informação deixada no ar. Como já mencionei, com você por perto, eles serão mais cuidadosos mas com você longe, nem tanto.
Minos recua alguns passos e concorda com ele.
–Esta bem, fico aguardando suas notícias.
–E o que eu ganho com isso Senhor?
–Esta querendo ser recompensado por um serviço?
–Claro, até por que, não é um serviço de minha alçada, esse tipo de situação foge das minhas obrigações, isso é um problema particular.
–Você está muito ousado soldado, deveria dobrar sua língua na frente de um juiz.
–E você esta muito preocupado cuidando apenas de seus interesses. – Quando Minos ia reagir, Sylphidi o cerca. – Acho que não vai ser bom se Hipnos e Thanatos souberem disso.
Minos reflete por alguns segundos antes de responder
–E o que você quer?
–Um cargo!
–Um cargo?.....Que cargo seria?
–Quero estar em outro patamar, um andar acima dos espectros. Quero comandá-los.
–Hahaha você acha que eles irão aceitar do nada receber ordens de mais alguém? Não vai conseguir o respeito deles.
Claro que ia, afinal ela sabia da sujeira deles, qualquer um temeria que ele abrisse a boca, por tanto, seria muito fácil.
–Isso é comigo. Então temos um acordo?
Minos a contra gosto acaba concordando.
–Esta certo, mas preste atenção. Eu a quero inteira. Um deslize seu, e você vai padecer aqui no inferno, fui claro?!
–Sim “senhor”. – Ela fala com deboche.
E terminado o assunto, ambos se retiram.
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Aicaos andou por algum tempo, mas não conseguiu nada que pudesse ajudar.
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Passaram-se os três dias e a nova dupla se prepara para embarcar, Rock já estava desesperado e Faraó tentava acalmá-lo.
–Quer parar com isso seu idiota, esta chamando atenção?
–Estou nervoso, e você também esta chamando atenção com essas flores e frutas na mão.
–Eu sei, mas precisamos alimentá-la, o barqueiro deve ter feito isso mas precisamos repor os alimentos, e as flores são nossa forma de pagamento, você sabe.
–Ah que seja, me dá uma fruta dessa que estou com fome. – Rock pega uma das frutas das mãos de Faraó e começa a comer. — E onde raios ele está por sinal?
–Em breve ele chegará. E tenta pelo menos comer direito seu animal imundo. – Reclama Faraó do amigo que comia e cuspia as sementes no chão.
Em alguns minutos eis que o barco surge. O barqueiro desce a rampa para ambos embarcarem e faraó entrega a ele as flores.
Desceram e foram de encontro a Cali.
Abriram a pequena porta e lá estava ela, toda torta naquele lugar estreito com os olhos fechados. Não sabiam se dormia ou se estava morta.
–Vamos acordá-la. – Rock pega um balde com água e joga em cima dela. – Hora do banho querida! — Cali desperta assustada e quase se afoga com o excesso de água em seu rosto.
È arrastada de lá por ele.
–Vamos acorde não temos muito tempo. Trouxemos comida. – Ele então mostra um pequeno cacho de uvas para ela. – Você quer? Vem buscar!
–Quanto tempo eu fiquei aqui? – Ela pergunta.
– 3 dias, e daqui a 3 dias você receberá outras visitas. – Disse em tom de deboche. – Vai anda...vem buscar a fruta antes que eu mude de ideia.
Cali sem forças para levantar, se arrasta até ele implorando sem dizer uma palavra, para lhe alimentarem.
–Hahaha bem diferente do que você estava acostumada né?! Aquele Juiz te dando de tudo enquanto nós pastamos aqui no submundo. Agora sim estamos tendo direito a alguma coisa.
Quando as uvas acabaram, Rock mostrou outra fruta para ela, e quando Cali esticou a mão para pegar ele afastou a fruta e a tocou no rosto.
–Ainda não meu bem, essa fruta você vai ter que conquistar. Me diga o que você esta disposta a fazer para ganhá-la? – Ele fala de forma maliciosa.
Ela se afasta, mas sabia que não tinha para onde escapar. E mais uma vez ela é humilhada e molestada por eles
Já não tinha mais lágrimas para chorar. Estava acabada. Se sentia suja, e triste. Estava se entregando. Seu corpo não suportaria outra “dose” disso tudo.
Como prometido lhe deram o restante das frutas. Com o balde, pegaram mais água do rio e permitiram que ela se lavasse pois naquelas condições poderia adoecer.
Cali é colocada novamente naquele lugar estreito. Porém dessa vez, ela estava disposta a arriscar sua vida para fugir dali. Mesmo que desse errado, ela preferia morrer a ter outro momento na mão dos espectros.
Quando Faraó estava arrastando-a de volta para o cubículo, ela viu um objeto pequeno, mas pontiagudo no chão. Sem que eles vissem ela o pegou enquanto seu corpo era arrastado pelo chão do barco.
Foi novamente trancada mas dessa vez o desespero não tomou conta mas foi invadida por uma onda de ansiedade. Não via a hora de escapar de lá.
O barco retornou e os dois desceram. Como combinado eles se separaram para não levantar suspeitas. Cali ouvia os sons dos “tripulantes” do barco e percebeu o momento que desceram e quando o barco já estava se movimentando. Pegou o objeto pontiagudo e começou a acertar a pequena e frágil porta com ele. Aos poucos foi arrancando lascas da porta deixando a madeira com falhas o que facilitaria quebrá-la.
Longos minutos se passaram, as mãos de Cali estavam sangrando devido a força que punha nelas, mas todo esforço valia a pena. Quando a madeira já estava bem lascada ela começou a usar os pés para quebrar a porta. Com cuidado devido ao barulho, ela foi pressionando a porta até a madeira se quebrar. Já podia ouvir o som da liberdade.
Saiu daquele cubículo e permaneceu escondida. Pelas frestas do barco vigia os movimentos do barqueiro. Quando este parou de remar por um momento para organizar as flores que Faraó o havia entregado, ela subiu. Com seus pé de bailarina ela subia os degraus cuidadosamente. Chegando na parte de cima do barco. Ela com calma, adentrou nas águas geladas do rio da morte. Sentou na borda do barco, colocou primeiro uma perna, em seguida a outra, até seu corpo ficar submerso.
Pronto! A segunda parte esta feita mas e agora? Como nadar em direção ao submundo?
Depois que Rock e Faraó desembarcaram, não se passou tanto tempo assim, até que ela conseguisse escapar, mas não sabia dizer se durante esse pequeno tempo o barco andou somente em linha reta. Não tinha jeito. Ela teria que arriscar. Nadou no que julgou ser a direção correta (“para frente”), com cuidado para não ser vista. Foi mergulhando a maior parte do tempo, levantando poucas vezes para tomar ar. Quando já estava longe o suficiente, ela começou a braçadas mais fortes aumentando a velocidade numa tentativa de chegar mais rápido em um lugar que nem ela sabia ao certo.
Aquela imensidão parecia não ter mais fim. Não sabia dizer ao certo quanto tempo passou nadando mas olhava ao seu redor e não avistava mais o barco.
Ficava cada vez mais difícil manter-se na superfície, aquelas águas tinham uma densidade estranha. Era difícil boiar e por alguns momentos, sentiu como se a água estivesse “pesada”.
O que se esperar de um rio da morte? Aquelas águas não possuíam oxigênio, principal componente da água que a deixa mais leve e facilita na hora do mover-se no meio líquido.
Claro que essa informação, não chegou na mente de Cali e mesmo se chegasse, não faria a menor diferença. Agora estava feito e ela manteve a esperança de que cedo ou tarde chegaria em terra firme.
Horas se passaram e Cali tinha a impressão de não estar saindo do lugar.
Não era possível ela saber quanto tempo havia se passado pois não havia forma de marcar as horas.
Quando se sentia cansada ela “boiava” do jeito que a água lhe permita, só o fato de ficar com o corpo parado, membros relaxados e a cabeça exposta para buscar ar, já ajudava. Mas quanto tempo aguentaria?
Estava machucada e mal alimentada. Noites sem dormir....o cansaço era nítido. Não iria resistir muito.
Sentiu algo lhe queimando as narinas; sensação que lhe fez despertar. Ao pegar no sono seu corpo começou a afundar, até a água cobrir seu nariz. O susto foi grande mas foi o que a salvou.
Deve ter dormido alguns minutos, tempo que não fazia diferença devido ao cansaço e não ajudava em nada para recuperar suas energias.
Nadou por mais um tempo, a determinação era maior que o cansaço, mas as forças estavam se esgotando. Nadando e parando, ora apenas ficava estática sem se mover para poupar energia, hora tirava pequenos cochilo do jeito que dava e horas se passaram nesse ritmo. E não parou por ai. Enquanto tinha forças para mexer seus membros, ela não desistiu, iria morrer tentando.
Dois Km nadando a esmo. Ela sabia que logo o barqueiro iria voltar para terra firme trazendo novos “moradores” ao submundo.
O melhor a fazer era continuar nadando.
Que inocência achar que esse simples movimento de braços e pernas seria fácil de realizar.
Na sua próxima braçada, sentiu seu corpo ser puxado para baixo. Lutou com as pernas para voltar a superfície. Conseguiu um pouco de ar mas voltou a afundar.....
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Minos estava furioso, voltou para sua casa pensando nas palavras de Sylphid.
Sentou-se na cama. Queria tirar sua sapuri, mas por algum motivo que nem ele sabia, não o fez.
Queria deitar na cama e imaginar que tudo estava bem, mas não conseguiu.
Pensou em tomar um banho, mas novamente aquela inquietação não permitiu. Algo o incomodava e não o deixava em paz.
“Mas que merda”
Pensou com sigo mesmo. Foi até o banheiro a fim de jogar um pouco de água no rosto. Encheu a pia de água e tampou o cano para a água não ir embora. Mergulhou as mãos em forma de concha na pia com água e molhou seu rosto. Permaneceu alguns segundos com os olhos fechados e voltou-se para a pia para repetir o movimento.
Parou de frente para a pia e começou a encarar a água um pouco turva.
Algo começou a “batucar” em sua mente. Lembrou que Cali adorava ficar sentada olhando para a imensidão do rio da morte.
Não demorou muito e na água presente na pia, a mesma que usou para molhar o rosto segundos antes, surgiu imagem dela se afogando. Não sabia dizer se fora a água ou sua cabeça que produziu aquela cena, mas isso não importava. Num impulso, saiu de sua casa as pressas em direção ao rio.
As asas de sua sapuri nunca foram tão necessárias. Em segundos ele já estava sobrevoando o rio. Chama por ela na esperança de que ela lhe ouvisse.
Não havia mais chance de Cali ouvir os chamado de Minos. Conseguiu subir uma última vez para pegar ar e dessa vez afundou por completo.
Minos que sobrevoava bem próximo da água, ouviu um barulho que julgou ser uma tosse. Acelerou em direção ao som. A princípio não avistou nada mas ao se aproximar da água, a ponto das pontas de seu cabelo tocarem a água viu bolhas de ar surgindo na superfície do rio. Não pensou duas vezes; subiu para pegar impulso e mergulhou. Em meio aquela água escura, encontrou Cali já desacordada. Pegou-a e emergiu com ela nos braços.
Ela estava pálida e gelada. Ele tentou chamá-la, mas não obteve resposta. Voou em direção a terra firme e ao avistar o submundo não chegou a pousar, foi direto para sua casa e a colocou em sua cama.
Ninguém estava perto quando Minos voou em direção ao rio da morte e tão pouco quando ele chegou com a mortal nos braços, mas Isso pouco importava, ele precisava fazer Cali voltar a respirar e rápido.
Colocou dois dedos no pescoço dela na altura da jugular para verificar se ainda havia pulso....essa foi a pior parte, verificar se ainda havia vida naquele ser que tanto amava. Por alguns instantes ele sentiu o chão lhe faltar. Ao sentir a pulsação em suas veias foi como se tivesse renascido, começou a fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca para trazê-la de volta. Após alguns minutos Cali começa a cuspir a água que havia ingerido quando começou a se afogar.
Ele a virou de lado para ela não se engasgar com a água que saia de sua boca.
Cali ainda não havia se dado conta de onde estava. Recém despertada ela levou um tempo para reconhecer o lugar e o outro ser presente.
A visão antes turva, deu lugar a nitidez e aos poucos reconheceu o quarto onde estava e claro seu Juiz. Com a voz fraca e sem conseguir levantar a cabeça do travesseiro ela menciona suas primeiras palavras...
– Minos....?
– Sim meu anjo.
–Como você.....?
– Shiiii...- Ela fala colocando o dedo indicador na frente dos lábios dela interrompendo-a para que ela não se esforce. — Esta tudo bem. Você esta em casa agora, e eu não vou sair daqui até você acordar, eu prometo. Descanse.
Ele deposita um beijo na testa dela e fica ao seu lado até ela adormecer...........
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