Não Me Chame De Princesa
1 Não Me Chame De Princesa!
Notas iniciais
Levantei-me limpando a terra de meu vestido com as mãos. As lágrimas que banhavam meu rosto já tornavam difícil enchergar, mas não deixavam de cair.
— Gilbert está morto. – Sussurrei novamente, sem saber quantas vezes eu já havia pronunciado essas mesmas palavras.
Eu realmente não sabia o que faria da minha vida agora. É claro, eu tinha uma casa confortável, uma vaga na faculdade, um carro, um namorado... Arg, a quem eu quero enganar?. Meu namorado, Roderich Edelstein. Músico austríaco, inteligente, cavalheiro e com uma vida ganha. O sonho de toda mulher, certo?, Errado!.
Aquele não era meu sonho. Meu verdadeiro sonho era alemão, albino de olhos vermelhos, divertido, mulherengo e muito irritante. Meu sonho era Gilbert Beilschmidt, o mesmo Gilbert Beilschmidt cuja imagem decorava a lápide à minha frente, recordando-me sua partida de minha vida; fazendo-me lembrar o quão estúpida eu era em tê-lo deixado partir naquela noite em que brigamos. Mas é óbvio!, eu tinha que acreditar que seria uma questão de tempo até ele notar que não conseguia viver sem mim e que voltaria de braços abertos jurando-me amor eterno. E em parte eu estava certa. Ele notou que não conseguia viver sem mim, mas nunca voltou. Isso por que ele morreu antes. Antes de me dizer um último “eu te amo”, antes de me chamar de “princesa” pela última vez, como ele sempre fazia.
— Eu te amo, princesa. – Dizia ele, e me beijava apaixonado. É claro que isso já havia sido ha dois anos atrás, e eu havia reconstruído minha vida; ou ao menos tentado. Voltei ao meu país de origem, a Hungria; Tentei o vestibular de uma faculdade e arrumei um namorado, que dizia me amar. É claro que eu sabia que ele não me amava de verdade, pois ele não me fazia feliz como eu pensei que faria. Ele era muito dedicado, é claro; mas era muito sério e virava a noite naquele piano.
E era por isso que todo ano, no dia dois de novembro, eu ia à Alemanha. Prostrava-me diante ao túmulo de meu amado e ali ficava até chorar tudo o que podia e ia embora pior do que quando chegava. Era como se eu pudesse ouví-lo dizer “eu te amo, princesa” ao longe, e meu coração se esfarelava dentro de mim.
Me fiz forte e levantei, predestinada a deixar aquele lugar. Já passava das duas da tarde e eu sabia que logo seu irmão Ludwig, acompanhado dos melhores amigos Feliciano e Kiku apareceriam ali, e eu não tinha a mínima vontade de encontrá-los. Também haviam os melhores amigos de Gilbert, Antonio e Francis; mas desses eu não tinha notícias desde a morte de meu amado, e também nem queria. Era sempre Feliciano que me mandava mensagens para saber como eu estava, a final, éramos amigos de infância e ele era o único que sabia o quanto eu realmente sofria. Mesmo assim vê-lo pessoalmente me machucaria e muito.
Saí pelo portão do cemitério e Roderich estava ali. Não entendi o por que ele resolvera me acompanhar, mas ali estava ele.
— Vamos embora, princesa?. – Perguntou ele, e meu sangue ferveu. Apenas senti minha mão ir de encontro ao seu rosto e ele ir para trás, assustado.
— Não... Me... Chame... De... Princesa!. – Gritei, saindo e deixando-o para trás. Apenas Gilbert me chamava de princesa, e se ele não podia me chamar mais assim, ninguém mais poderia.
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