Notas iniciais
Oi gente! Bem, só pra avisar, será mais fácil postarmos fim de semana. Não lembro se foi dito no capítulo anterior, mas eu e a Mary estamos no ultimo ano do ens. médio. Tradução: estudamos como condenadas :) Mas estamos postando õ/ Provavelmente, no próximo capítulo estaremos começando a postar o campeonato, então fica o triste aviso q será a reta final :( Antes de vocês lerem e no final reclamarem q enrolamos pra resolver logo se vai ser RonanxElesis ou RonanxAmy, Mary queria dizer algumas palavras: o Ronan, a princípio, era só mais um personagem dos principais, mas no desenvolver da história ele se tornou mais q isso, ele representa os adolescentes, as dúvidas, as escolhas, as decisões q precisamos tomar. Seria muito fácil se fizéssemos com q o Ronan ficasse logo com uma delas. Só isso. Boa leitura!

Ronan saía da escola, quando Jin o chamou, ele continuou andando, porque estava com o fone e nem escutou. O ruivo correu mais e conseguiu alcançar o azulado.

Jin estranhou um pouco o cabelo do menino, mas o chamou assim mesmo.

-Ronan! – Jin o puxou pelo ombro.

-Hã? – Ele se virou e tirou o fone – Ah! Oi Jin, o que foi?

-Nossa! Cortou o cabelo quando? Eu nem tinha reparado.

-Ah... Longa história... – Ronan coçou a nuca e riu ao se lembrar do treino.

-Conta. Isso aconteceu agora no treino?

-Sim. Tipo, o Zero estava me segurando e puxando um pouco o meu cabelo, eu não poderia ficar longe da Elesis e ele estava fazendo de tudo para nos separar. Como eu vi que íamos perder a luta, caso não fizesse algo, eu pedi a espada pra sua irmã e cortei o cabelo.

-Hum... – Jin parou um pouco para analisar o acontecido – Você é louco. – Concluiu o ruivo, rindo assim como Ronan. – Mudando um pouco do assunto, mas nem tanto... Você precisa do seu último treino.

-Mas eu já tive.

-Com o Zero, não comigo. – Antecipou-se o ruivo.

-Então eu ainda preciso treinar? É que estou cansa...

-Não se preocupe, pegarei leve. – Jin sorriu.

-Sei... Vai pegar leve... Uhum... Enfim, eu vou cortar meu cabelo direitinho, porque assim no ombro está estranho.

-Desculpa, mas... Você parece uma menina. – O ruivo segurava o riso, colocando a mão na boca.

-Sabia que alguém falaria isso... – Sussurrou o azulado. – Bem, eu vou cortar e me encontro com você na sua casa.

-Ok.

Ronan ia saindo, quando parou para perguntar mais uma coisa que havia observado.

-Cadê a Elesis?

-Acho que foi falar com a Arme e a Lire, sei lá.

-Hum... Tá bom, até.

Jin ficou parado na porta, parecia esperar a irmã, estava pensando em algo, mas logo foi interrompido.

-Queridinho, tem como sair da minha frente?

O ruivo olhou para trás, mas já tinha reconhecido a voz.

-Desculpa Rey.

-Não desculpo. Agora saia da minha frente.

-Você mudou muito, sabia?

-E você continua lindo e chatinho, sabia?

-Que bom que ainda me acha lindo, mas o único chato aqui é o seu namorado que está vindo lá atrás e, como eu não quero confusão, já vou. – Jin nem esperou por uma resposta, apenas saiu.

Rey olhou para trás e viu que Lupus se aproximava.

-O que você conversava com aquele idiota?

-Nada de importante. – Rey não queria mais tocar naquele assunto, mudando o rumo da conversa – Você está bem?

-Desde quando se preocupa?

-Está com um pouco de sangue na blusa, é sexy, mas preciso saber o motivo dele, gosto de saber tudo que acontece com você, queridinho.

-Decidi treinar... – Lupus não queria admitir, mas teve que contar.

-Treinou? Achei que isso era uma perda de tempo.

-E é.

-Treinou com quem?

-Não importa.

-Hum... Se não quer contar, é porque essa luta não teve um final feliz para você, não é?

-Você acha que perdi para algum verme dessa escola?

-Acho não, queridinho, tenho certeza, por isso está assim. – Rey falou no seu tom irritante de sempre.

-Pois saiba que...

-Não quero saber de nada, apenas quero ir embora desse lugar, o treino hoje foi bem estressante, aquela professorinha é bem espertinha.

-Teve que suar para completar o treino final? – Perguntou Lupus com um sorriso debochado.

-Mari me fez passar vergonha na frente daqueles garotos idiotas, inclusive do seu irmãozinho.

-Esqueça o Lass por um momento.

-Só por um momento mesmo... – Rey ser virou e saiu. Seu motorista já a esperava do lado de fora.

Lupus não questionou mais nada, apenas esperou que a menina saísse e saiu logo atrás.

Enquanto isso, Ronan, antes de ir para a casa dos ruivos, resolveu aparar mais o seu cabelo. Feito isso, foi finalizar seu último treino.

-Jin! – Ronan chamou o ruivo.

Jin não demorou muito e abriu a porta.

-Oi... – Ele deu um passo para trás com a surpresa de ver o azulado de cabelo curto. – Uau! Você ficou muito diferente.

-É... Eu sei. – Ronan respondeu um tanto corado.

-Entra aí. – O ruivo deu passagem na porta para o menino entrar. – Põe a mochila aí no canto mesmo.

-Cadê a Elesis? – Perguntou Ronan olhando a sua volta.

-Acabou de entrar no banho, daqui a pouco eu vou por o almoço.

-Eu estou sem fome, mas obrigado mesmo assim.

-Tá bom. Mas eu sugiro que beba água, porque você vai suar.

-E sobre o treino ser leve? – O azulado ergueu uma sobrancelha.

-Foi só para não te assustar. – Jin deixou escapar uma gargalhada.

-Bem que eu desconfiei. – Ronan também riu.

-Vamos começar. – Jin já havia deixado a sala com o espaço grande.

-Deixa só eu por as luvas.

-Está bem.

Ronan colocou as luvas que estavam dentro da mochila e se posicionou no centro da sala.

-Primeiro começa com uma sequência de socos contra mim.

-É para te acertar? – O azulado perguntou com um sorriso no rosto.

-Se você conseguir. – Jin não ficou por baixo.

-Confiante demais, mas vamos ver se dura até o final do treino.

Ronan começou a sequência e nenhuma pegou no ruivo, que desviou com facilidade.

-Você precisa ser mais ágil. Está lento ainda. – Reclamou Jin.

-Claro, né!? Acabei de sair do treino exaustivo do Zero.

-Isso não vem ao caso, se concentre aqui.

Ronan cerrou as mãos e depois fez outra sequência, quase acertando uma em cheio no rosto do ruivo, mas a mão do azulado foi parada por Jin, que segurou o soco.

-Mais rápido e com mais precisão. Eu sou o alvo, você precisa me acertar, não pense muito, aja!

Ronan respirou fundo e mandou mais um golpe, porém, surpreendeu o ruivo e deu uma joelhada na boca do estômago de Jin, que gemeu um pouco pela dor.

-Desculpa, acho que foi golpe bai...

-Não... – Jin o interrompeu, passou a mão na barriga para aliviar a dor – Você está certo, viu que havia um espaço aberto entre as minhas esquivas e me acertou em cheio.

-Mesmo assim, eu peço desculpas. – Ronan sentiu-se um tanto incomodado por ter dado a joelhada.

-Se eu te der um soco, não irei pedir desculpas, então para com isso e continue com o treino.

O azulado arregalou os olhos e engoliu a seco, porque o ruivo falou como se fosse realmente soca-lo.

-Podemos continuar? – Indagou Jin.

Ronan não respondeu, apenas se posicionou como lutador e começou mais uma sequencia de socos, acrescentava com um chute lateral. Jin se defendia sem problemas e aquilo estava irritando o menino, que parecia dar tudo de si nos socos, usando força e precisão.

-Tem como parar de sorrir?! – Ronan parou um pouco para pegar ar. – Parece até que estou batendo num saco de areia, que não sente dor. Estou dando o melhor de mim e você se desvia fácil.

-Você não está pensando, não está analisando o seu oponente. Não quero que pare para pensar, na hora da luta você terá que fazer tudo rápido. Agir de forma veloz e cada erro, um soco do lado errado deve ser imperceptível para você não deixar sua guarda baixa e continuar o ataque.

-Então eu preciso lutar, analisar, pensar de forma rápida, errar o menos possível, tudo isso durante a luta? Lembrando que eu vou apanhar feio se parar para pensar.

-Como eu disse, não quero que pare, você fará isso tudo na hora, como você acha que os lutadores de MMA lutam? Você acha que eles pedem um minutinho para pensar em algum golpe? Fala sério, né?

-Ok, ok... Eu entendi, Jin, sendo que eu não consigo fazer isso.

-Eu tenho uma tática. Tipo, eu ataco e, durante esse meu ataque, eu já vejo como o adversário reagiu e o que eu posso fazer depois, se eu continuo a atacar, ou se eu preciso me defender.

-Vamos tentar de novo, então. Só para ver se eu peguei essa sua tática.

-Ah! Só mais uma coisa: não se esqueça de analisar seu oponente.

Ronan apenas assentiu e começou. Desferiu dois socos, um para a esquerda e a outra para a direita. Jin desviou. Ronan novamente deu dois socos e um chute no abdome de Jin, o ruivo defendeu com a mão, abaixando a perna do menino. O azulado recuou um pouco, dando a chance de Jin atacar, e foi o que o ruivo fez, socando, rapidamente, duas vezes no lado direito e duas vezes também no lado esquerdo. Ronan desviou, jogando seu corpo para o lado oposto dos socos.

Elesis havia terminado o banho e foi para a sala, estava com uma roupa de casa, nem se importava muito. Quando ela chegou, nenhum dos meninos reparou na sua presença.

A ruiva nem fez questão de chamar a atenção deles, já que a luta parecia bem disputada. Ela preferiu não atrapalhar.

Ronan não parava a sequência de socos e chutes. Teve um momento em que Jin se afastou um pouco, já estava ofegante, aliás, os dois estavam. O azulado não perdeu tempo e pulou dando um giro no ar que só não acertou, porque o ruivo se agachou na hora, caso o contrário, teria levado um belo chute na altura do peito.

Jin ia pedir para encerrar o treino, mas viu que Ronan estava mais focado, lutando melhor que em todos os treinamentos já tidos, então continuou. O ruivo só se defendia dos socos, alguns com um pouco mais de dificuldade, outros ele apenas desviava sem problemas.

Ronan alternava entre dois socos na direita e um na esquerda, dando um chute logo em seguida. Jin era bem veloz e, para não ser pego de surpresa, mantinha certa distância do menino.

-“Preciso fazer algo, mudar minha estratégia, Jin já sabe todos os meus movimentos” – Pensava Ronan, enquanto desferia mais um soco e dando uma rasteira, que não derrubou o ruivo, que se jogou para trás.

Elesis via tudo atenciosamente. Parecia vidrada com a luta, não conseguia imaginar tanta velocidade nos golpes e nas defesas. Ficou imaginando a perfeição de cada um tanto no ataque quanto retaguarda.

Jin percebeu que Ronan havia diminuído os socos e usava mais as pernas. O que facilitou mais a sua defesa. Já que, pela perna ser mais pesada que os braços, o chute era mais lento, então dava para cortar e quebrar o golpe rapidamente.

Ronan percebeu isso. Mas tudo não passava de um plano. Como Jin havia pedido, ele observou bem como o ruivo se defendia. Viu onde ele era mais rápido quando contra-atacava e onde deixava a guarda baixa.

-“O Ronan está pensando em algo, mas ele não transparece nenhuma expressão, apenas me ataca! O que será que ele está aprontando?” – Pensou o ruivo, se abaixando depois de ter quase levado um soco certeiro. Ao se levantar, resolveu provocar um pouco – Não acha que está insistindo de mais? Pode desistir.

Ronan sorriu, deu mais um soco, mas este foi segurado sem dificuldade pelo ruivo, que sorriu de volta para o menino. Ronan ameaçou socar novamente, mas encolheu o braço e deu um giro de 360º, parando atrás de Jin.

-Acho que é você quem está insistindo tanto para não ser derrotado logo. – Retrucou Ronan, dando uma “chave” no pescoço do ruivo.

-Boa... – Jin falou com certa dificuldade, já que o azulado estava forçando, o que estava deixando-o sem ar.

O ruivo apertou sua mão no braço de Ronan, como tentativa de fazê-lo soltar. Mas não deu muito certo, então pensou em outro método: inclinou-se para baixo, levantando o azulado em suas costas. Ronan já sabia que iria ser jogado para o chão, teria de ser rápido e largar logo o pescoço do ruivo, para que tal ato não acontecesse.

Mas, infelizmente, quando Ronan tentou tirar seu braço, Jin o segurou e o jogou para frente. O azulado bateu com as costas no chão, fechou os olhos forte pela dor que sentira.

Elesis não tirava os olhos da luta nem um segundo, às vezes se demonstrava surpresa, outras vezes parecia torcer pelo Ronan, mas como não se pronunciava, os meninos ainda não a tinham notado.

Jin, assim que jogou Ronan no chão, acabou olhando para a ruiva e o azulado abriu os olhos, e, nesse curto período de tempo que Jin olhou para a irmã, o ruivo acabou deixando sua guarda baixa. Ronan aproveitou e deu uma “tesoura” na perna de Jin, o fazendo cair.

-Pensou que iria me ver caído no chão e você ficaria de pé? – Indagou Ronan com um sorriso debochado no rosto. Às vezes fazia uma careta demonstrando a dor que estava sentindo nas costas. Ele apoiou seu cotovelo no chão, levantando um pouco seu corpo e olhou para Jin.

-Você até que lutou bem, mas se não fosse pela minha pequenina distração, eu o teria vencido e olha que eu nem contra-ataquei muito. – Brincou o ruivo, se sentando no chão.

-Mas que distração foi essa? – Perguntou Ronan, sentando-se também. Ele ainda não havia percebido que Elesis estava a poucos metros dele.

-Eu fui a distração dele. – A ruiva se pronunciou.

Ronan a olhou e sorriu.

-Gostou da luta? – Ele perguntou.

-É... Foi um pouco empolgante.

-Um pouco?! – Gritaram Jin e Ronan juntos.

-Isso mesmo. – Elesis cruzou os braços e virou o rosto.

-Está aqui desde quando? – Perguntou Ronan novamente.

-Quando eu cheguei à sala, a luta já havia começado, mas eu pude ver um bom tempo do treino de vocês e esse foi o melhor. – A ruiva sorriu, mas logo fechou a cara, já que Ronan já iria esboçar um sorriso.

Ronan se levantou e foi até a menina.

-Gostou do meu novo corte?

-Poderia ter cortado essa sua cara de idiota azul. – Elesis começou a rir do que dissera, o menino apenas revirou os olhos.

-Você não presta, Elesis. – Comentou Jin, se levantando. – Quer um copo d’água, Ronan? Estou indo na cozinha.

-Quero sim, obrigado. – O menino olhou para o ruivo e depois para Elesis – Sério, você gostou?

A ruiva ficou um tanto hesitante, mas acabou dizendo.

-Confesso que você ficou bem diferente.

-E...?

-Só isso!

-Eu fiquei mais lindo também.

-Não exagera, tá bom?

-Eu não estou exagerando e você sabe disso. – Ronan riu.

-Eu não sei de nada. – A ruiva sentiu seu rosto esquentar, e torcia mentalmente para não estar corada.

-Pode admitir que você gostou do novo Ronan, vai.

-Eu? Até parece! Eu não gostava do velho, quanto mais o novo, se você mudasse essa sua expressão de idiota, talvez eu notasse na mudança com mais delicadeza, mas você continua o mesmo, então, pra mim, continua horrível.

-Você é uma flor de pessoa.

-Eu sou sincera.

-Sinceridade falsa... – Disse Ronan num tom de ironia.

-É bom você parar se não quiser levar um bom soco. – A ruiva o encarou e cerrou os punhos.

Jin logo chegou e deu o copo para Ronan.

-Eu não posso sair por menos de um minuto e vocês já brigam? – Perguntou o ruivo.

-Valeu. – Agradeceu Ronan ao pegar o copo.

-Ah, Jin, vai perturbar outra pessoa. – Elesis tomou o copo da mão do azulado e bebeu a água toda. Ele a olhou e foi fazendo uma fisionomia triste a cada gole que a ruiva dava.

-Poxa... Eu estava com sede... – Lamentou Ronan.

-Pega outro copo pro Ronan, Jin. – Disse Elesis, devolvendo o copo vazio para seu irmão.

-Você é muito da abusada. – Jin não pegou o copo e continuou – Pode colocando água para o garoto, e num copo limpo.

Elesis olhou para os dois e não questionou.

-Vai lá, vai. – Ronan sorriu descaradamente e ainda fez um gesto com a mão mandando a menina ir logo.

-Você quer água, né? – Elesis lançou seu olhar.

-Quero. – Afirmou o azulado, destemido. A ruiva foi em direção à cozinha e ele gritou para que ela ouvisse – E não cuspa no meu copo!

Jin caiu na gargalhada e, em meio aos risos, disse:

-Ela é bem capaz de fazer isso.

-Eu sei... Por isso nem vou beber a água.

O ruivo continuou rindo, até Elesis aparecer.

-Você quer mesmo água? – Perguntou a ruiva, com um sorriso de canto.

-Agora estou em dúvida. – Disse Ronan, tentando conter o riso.

-Agora beba! E tudinho! – Forçou a ruiva, entregando o copo para o menino.

Ronan engoliu a seco e segurou o copo.

-Tem veneno? – Ele a olhou um tanto assustado.

Elesis apenas riu, até Jin se espantou um pouco com a atitude da ruiva e do seu rosto maníaco.

-Elesis... O que você fez com a água? – Perguntou Ronan.

-Nada. – A ruiva continuou sorrindo.

-Eu perdi a sede, sabe? – O menino devolveu o copo para a ruiva.

-Não, pode bebendo tudinho. – Elesis recuou um pouco para se afastar do copo.

-Eu vou beber.

-Então bebe.

Jin apenas olhava para ver até onde a brincadeira da ruiva iria.

-Posso confiar em você? – Perguntou Ronan antes de encostar o copo na boca.

-Se eu fosse você, eu não confiaria.

-É uma pena não poder confiar em alguém que a gente goste. – Ronan foi até a cozinha e colocou o copo na mesa, ficou lá por uns segundos antes de voltar.

Enquanto isso, na sala, Jin só balançava a cabeça desaprovando o que a ruiva fez, ela nem se manifestou, ficou pasma com o que o menino disse.

-Perto do Campeonato e você dá uma mancada dessas?

-Jin, não enche! – Elesis ficou um tanto envergonhada e resolveu ir para o seu quarto.

Ronan voltou para a sala.

-Jin, eu já vou indo. Preciso pensar em algo no caminho, alguma desculpa para os meus pais sobre meu novo estilo.

-Tá bom, boa sorte aí com a desculpa. E desculpa pelo jeito da Elesis.

-Valeu. E não se preocupe com isso... Já estou me acostumando. – Disse Ronan pegando sua mochila e abrindo a porta da casa para sair. – Tchau.

-Tchau. – Jin nem precisou levar o azulado até a porta, de tanto ele ir à casa dos ruivos, já “virou de casa”.

Jin começou a arrumar a sala quando Elesis saiu do quarto.

-O Ronan já foi? – Perguntou ela.

-Sim. – O ruivo nem a olhou – Você não deveria trata-lo assim.

-Jin, não se intrometa na minha vida!

O ruivo parou o que estava fazendo e não conteve mais a sua curiosidade.

-O que você colocou na água?

-Nada... – Elesis foi até a cozinha.

-Então por que você fez aquela cena toda? – Gritou o ruivo para que ela ouvisse.

-Só para ver se o Ronan confiava em mim, mesmo eu dizendo para ele não fazer. – Ela respondeu gritando também.

Ao chegar perto da mesa, reparou no copo que deu para Ronan beber e estranhou, porque estava vazio.

-Jin, você bebeu a água?

O ruivo não escutou direito e foi até a irmã.

-O que você perguntou?

-Você bebeu a água? – Elesis o olhou.

-Não... Acho que foi o Ronan.

-Ele, com certeza, jogou fora. – A ruiva foi até a pia e a mesma estava seca.

Jin só a olhou, não disse nenhuma palavra, mas ela entendeu o que o olhar do irmão queria dizer.

-Eu fui uma idiota, né?

-Foi.

-Não é para afirmar o que eu digo!

-Tá bom. – Jin foi voltando para a sala, quando Elesis o chamou.

-Espera! O que eu devo fazer? Ele confiou em mim, mesmo eu dizendo para não confiar... Tá certo que ele estava com sede e beberia de qualquer jeito, mas... Eu me sinto mal por ter feito aquilo tudo.

Jin continuou a olhá-la.

-Será que eu devo ir atrás dele?

Dessa vez o ruivo não fez nada, apenas sorriu e voltou para a sala.

-Isso foi um sim... – Elesis também sorriu, falando para si mesma.

Ela saiu correndo, abriu a porta e quando ia saindo, Jin a parou.

-Toma a chave! – O ruivo jogou a chave e Elesis pegou.

-Obrigado.

Jin apenas assentiu e a menina começou a correr, deixando a porta aberta, o que irritou o ruivo.

-Ela poderia ter fechado... Só acho!

Elesis olhava para frente, mas não conseguia ver Ronan, mesmo começando a ficar cansada, ela continuou a correr, parecia ter forças sobrenaturais. Desviava das pessoas e ficava atenta para não esbarrar em ninguém para não perder tempo, já que o menino deveria estar bem longe.

Ela pensou em desistir, até ver que Ronan estava a poucos metros dela, então começou a correr mais rápido.

-Azul idiota! – Elesis parou atrás dele, muito ofegante e suada.

O menino se virou e ficou surpreso.

-O que você está fazendo? – Ele olhou para os lados, como se tivesse procurando a resposta, até voltar a olhá-la e se encontrar com os orbes rubis da menina.

-Eu... – A ruiva pegava ar – Eu vi que você bebeu a água.

-Ah... Então você veio por isso... Não precisa se desculpar.

-Não vim pedir desculpas! – Disse ela o encarando.

-Então tá... Já que veio só para mostrar que é rápida o bastante para me alcançar, pode voltar para a sua casa que eu vou seguir meu caminho até a minha, tchau. – Ronan falou friamente, diferente do tom que costuma usar. Ele deu as costas e começou a andar.

-Ei! –Elesis segurou seu braço, o fazendo se virar em sua direção.

-O que foi? – Ele a olhou impaciente.

-Tá bom... Eu errei, eu sei. Não deveria ter bebido a sua água, eu vi o quanto você se esforçou para treinar do jeito que treinou hoje, mesmo vindo de outro treinamento pegado também. Sabia que você estava cansado e com sede e, mesmo assim, eu ainda fiz aquilo. Eu... – A ruiva abaixou a cabeça, deixando seu cabelo, que não estava preso, cair em cima de sua face, alguns fios colaram no rosto devido ao suor – Eu sinto muito.

Ronan suspirou e sorriu. Estava surpreso com o pedido da menina, algumas vezes ele pensava se ela pedia desculpas para mais alguém além dele.

-Bem... Então você também sente muito em dizer que eu estou horrível com o meu novo corte? – Disse Ronan num tom humorado, querendo mudar o clima pesado entre eles.

Elesis levantou o rosto, o olhou e logo em seguido deu-lhe um soco no braço.

-Não fique se achando não, tá? – Ela falou emburrada e Ronan riu.

-Eu sei que você também me achou lindo de cabelo curto.

-Eu não disse nada.

-Eu fiz isso por você. – Ronan falou num tom tão fofo, que a ruiva ficou um pouco corada, virando o rosto para que o menino não percebesse.

-Eu não pedi para que fizesse isso. – Disse, mudando logo sua expressão, só a expressão facial, porque o coração parecia querer sair do seu peito de tão feliz que estava ao ouvir aquilo.

-Tudo bem, não precisa admitir agora... Eu preciso ir embora, meus pais vão brigar comigo se eu chegar tarde.

-Vai lá, idiota azul. – Elesis sorriu.

-Até, ruivinha. – Ronan se virou e começou a andar.

-Até...

Ronan ficou muito feliz pela atitude de Elesis, de ir até ele e pedir desculpas, ficou um pouco hesitante para dizer que cortou o cabelo por ela, mas mesmo assim falou. Se ele sentia mesmo algo por ela, deveria fazer de tudo para que a mesma percebesse e, quem sabe, demonstrasse seus sentimentos também.

O que Ronan parecia não se lembrar era que Amy havia combinado com ele de visita-lo a tardinha.

Como Ronan não havia ligado para o seu motorista e, por isso, teve a conversa com Elesis, o que o deixou muito feliz, foi avistado de longe por Sebastian, o mesmo esperou o menino se aproximar do portão para reconhecê-lo.

-Jovem Erudon?

-Sou eu sim, Sebastian. — Ronan riu — Por quê?

-Está diferente... Fez essa mudança só para ver a sua namorada?

-Não foi nada disso, foi no treinamento... Mas isso é uma longa história.

-Acho bom o senhor inventar uma desculpa para ela e para seus pais.

-Irei seguir seu conselho, pode deixar. Mas então... O senhor gostou do meu novo corte?

-Ficou bem estiloso e confesso que o jovem Erudon ficou bem mais bonito.

-Eu sei.

Os dois riram e Sebastian abriu o portão.

-Espera... O senhor falou alguma coisa sobre “ver sua namorada”? – Indagou Ronan, um tanto assustado, temendo pela afirmação de Sebastian.

-Sim, ela veio visita-lo, pelo menos, foi o que me dissera. Talvez ela veio fazer outra visitinha surpresa. – Deduziu ele.

-Não, Sebastian. – Ronan pôs a mão no rosto – Marcamos, quer dizer, ela marcou comigo hoje na escola, falou que viria e eu me esqueci disso totalmente.

-Então é melhor o Jovem Erudon se apressar.

-Sim. – Ronan começou a correr pelo jardim, até chegar à porta de casa e adentrar.

Os pais dele estavam na sala e, quando viram o filho entrar, logo reparam na mudança repentina.

-Ronan? O que houve com o seu cabelo, querido? – Indagou a mãe.

-Ér... Eu decidi mudar. Gostaram? – O rapaz jogou a mochila na poltrona e se sentou ao lado dos pais, olhando para os lados e se sentiu aliviado por não ver a rosada ali.

-Sim, ficou bem diferente e mais adulto. – A mãe sorriu e ficou olhando para Ronan.

-E você, pai, o que achou?

-Ficou bem mais a minha cara agora. – Disse o Senhor Erudon ainda analisando o corte bem curto e acabou perguntando uma coisa para acabar com a sua curiosidade – Mas... O que te levou a mudar desse jeito? Tudo isso é para a Amy?

-Hã? – Ronan não estava acreditando que a rosada foi mesmo visita-lo e nem respondeu a pergunta do pai. – A Amy está aqui?

-Sim, meu querido. Fazia tempo que vocês dois estavam afastados um do outro, pensei até que haviam terminado. Ela está no seu quarto esperando.

-É... Eu também pensei. – Disse Ronan derrotado. – Vou lá falar com ela.

Ele se levantou, dando um beijo na mãe e subindo as escadas que o levaria até o corredor do seu quarto.

-Esses adolescentes mudam tão repentinamente... – Comentou o Sr. Erudon.

-Pois é...

Ronan subiu todos os lances da escada e foi andando devagar pelo corredor. Quando olhou pela porta entreaberta do seu quarto, viu Amy olhando para um retrato, sentada em sua cama.

-Oi. – Disse Ronan, numa voz baixa, entrando no seu quarto.

A menina o olhou e não disse nada, apenas ficou encarando-o, Ronan percebeu logo do que se tratava.

-Hoje de manhã seu cabelo parecia maior.

-E estava. – Ele riu e continuou – Eu quis mudar um pouco meu visual. – Mentiu.

-Hum... Eu estava olhando a sua foto. – Amy mostrou a fotografia – E percebi o quanto você mudou de uns tempos pra cá, mudou literalmente e muito. – Ela continuou olhando para o cabelo dele.

-É... – Ronan sorriu meio sem graça, estavam reparando muito no seu novo corte e aquilo o deixava um tanto incomodado.

-Será que o Ronan que eu conheci voltará a ser o mesmo, ou irá continuar mudando e mudando...?

O menino começou a perceber que a Amy que ele sempre conheceu, escandalosa, divertida, sempre sorridente, estava diferente, séria, percebendo mais as coisas ao seu redor... Refletindo sobre o que estava acontecendo entre os dois.

-Amy... Eu... – Ronan não sabia o que falar, então deixou tudo por conta dela – O que você quer?

-O que eu quero?! – Amy se levantou, deixando a fotografia na cama. – Eu que lhe pergunto isso!

-Tá! Calma. – Ronan deu um passo para trás.

-Não me mande ter calma. – A rosada pôs as mãos na cintura.

-Por favor, eu não quero mais discutir, quero saber da sua decisão diante dos acontecimentos.

A menina se acalmou e o olhou.

-Não quero terminar com você, mô. – Amy o abraçou, apertando-o.

Ronan fechou os olhos, não poderia falar que não sentia mais toda aquela paixão por ela, seria cruel demais naquele momento. Ele se perguntava mentalmente “O que eu faço?”.

-Mô? – Amy o chamou, desfazendo o abraço. – Eu já disse o que queria, o que eu sinto, agora você também tem que dizer o que ainda sente por mim.

-E-eu... Amy, eu não sei o que dizer, não sei o que meu coração quer. Estou confuso.

-Então apenas conte-me o que sente por mim, se ainda me ama ou... – Ela não terminou.

-... – Ronan respirou fundo e olhou nos olhos cor-de-mel da rosada – Acho que já demos tempo suficiente para decidirmos o que sentimos um pelo outro. E... – Ele não se sentia preparado para assumir algo, ainda mais depois do que aconteceu mais cedo. O azulado pensou em tudo o que eles passaram juntos, no que Amy fez para ficar mais perto dele, se mudando de escola, do rumo que as brigas tomaram, de como os dois descobriram novas pessoas em suas vidas. – Vamos deixar rolar, como no começo, onde não havia pressão em opostos os lados.

-Tá bom, iremos namorar, mas sem cobrar um do outro.

-É... Isso!

-Tá. Pra começar, eu quero ir ao Campeonato com você. – Amy sorriu, dando um beijo na bochecha do menino.

-Ér... O Campeonato?

-Claro! – Respondeu ela eufórica.

-Eu acho que não vou...

-Como assim? Você anda tão diferente. Primeiro aparece com esse corte novo, que é muito estranho e agora recusa a minha companhia no Campeonato!

-Não estou recusando, só disse que não vou.

-Tá... Então ficaremos em casa, ou podemos ir ao Shopping, que tal?

-Não... Estou meio abatido com tudo.

-Com tudo o que? – Estranhou Amy.

Ronan ficou em silencio, ele não queria contar que estava no Campeonato, não poderia. Mas ficar enrolando a menina não daria certo.

-Ronan Erudon! Pode tratando de me contar o que está acontecendo!

O azulado pensou rápido numa mentira.

-Tá bom... Eu vou contar.

-Então conte!

-Não me interrompa!

Amy o olhou e pôs novamente as mãos na cintura.

-Você sabe que eu sou forte, né?

-Sei... – Ronan ergueu uma sobrancelha.

-Então não grite comigo, se não quiser levar um bom soco.

Involuntariamente, o azulado acabou rindo ao se lembrar da Elesis. Mas logo parou ao olhar a expressão enfurecida da rosada.

-Continue, antes que eu me estresse com você, mô.

-“Essa fofura toda da Amy, dá medo...” – Pensou antes de prosseguir com a mentira. – Como eu estava de “castigo” pelo o que aconteceu na primeira semana de aula, eu preciso cuidar de algumas coisas do Campeonato, como organizar os equipamentos que serão usados. Essa será a última etapa da advertência.

-Hum... E por isso não poderá ficar comigo? – Perguntou Amy, com o dedo indicador no queixo.

-Isso! – Ronan nem estava acreditando que a rosada aparentava acreditar na sua mentira, mas ele sabia que, se um dia ela soubesse de tudo, eles poderiam não ser mais namorados e, talvez, a rosada nem o perdoaria, mas era um risco que ele tinha que correr.

Uma das empregadas foi chama-los para um lanche, os dois nem hesitaram em responder, aceitaram na hora.

Já era noite e aquele quarteirão estava escuro. Quatro ruas fechadas e apenas uma iluminada por um poste enquanto as outras três apenas pelo brilho da lua. Um ser se localizava debaixo do poste iluminando quando Zero se aproximava.

-Chegou cedo. Sempre é tão pontual Diogo?

-Gosto de não deixar as pessoas esperando por mim e... São oito horas da noite e está tudo escuro. Chama isso de cedo para um treinamento?

-Por que a pergunta? Tem medo de escuro? – O professor abriu um sorriso provocativo.

-Não esqueci dos treinamentos de foco. Não pense que conseguirá me intimidar com provocações, sou bom nesse jogo, caso não lembre...

Zero apenas continuou com o sorriso e um silencio mortal dominou o lugar. Não demorou muito e Lin apareceu, porém não se aproximou. Ela estava um pouco distante da iluminação do poste, contudo era possível vê-la. Zero andou para a rua oposta da de Lin deixando Diogo sozinho embaixo do poste.

-Que o treino comece. Boa Sorte! – Disse Zero enquanto invadia a escuridão.

Diogo ficou confuso, entretanto não deixou-se abalar. Sabendo que o objetivo seria derrotar o adversário, ele sorriu maliciosamente, porém seu sorriso desapareceu quando foi se virar para Lin e a mesma havia sumido em meio à falta de iluminação de onde estava. Ele decidiu seguir pela rua em que Lin apareceu (e desapareceu) com cautela na esperança de surpreendê-la, mas foi ele quem acabou sendo surpreendido com um corte no braço feito por Zero.

Lin havia dado a volta no quarteirão para surpreender Diogo. Ambos haviam pensado no mesmo, contudo, quando ela chegou aonde ele deveria estar apenas viu um vulto a frente e decidiu seguir. O ser estava escalando uma casa e ela decidiu fazer o mesmo. Ao chegar no telhado recebeu um soco que a fez cair e quase escorregar pelas telhas e ouviu um sorriso um tanto demoníaco.

Ela não conseguiu identificar quem foi. Apesar da iluminação da lua, não era suficiente para reconhecer.

-Se eu fosse você não ficaria rindo à toa. Ainda não sabemos qual o resultado deste treino. Afinal, ele acabou de começar... – Disse Lin alto o suficiente para que apenas o ser ouvisse.

Não demorou muito e o ser tornou-se a correr pelos telhados quase que numa velocidade absurda. Ela sabia que não poderiam sair do perímetro, então pôs-se a correr atrás. Diogo não ligou muito para o corte. Ele ficou parado no mesmo lugar que sentira para tentar pensar no que fazer para encontrar Lin. Pouco tempo passou e ele ouviu passos rápidos, como se estivesse havendo uma perseguição. Ele olhou para os lados mas encontrou nada e ninguém.

-Isso está muito estranho...

Ele ainda ouvia passos, então olhou para cima e se surpreendeu vendo alguém pulando para um telhado no outro lado da rua. O ser desapareceu, mas logo reapareceu observando o chão, mais precisamente ele. A escuridão estava sendo de fato uma grande inimiga, entretanto ele reconheceu o ser, pois o mesmo havia erguido um leque.

-Lin... – Murmurou o jovem após ouvir “Explosão Final!”

Ele rapidamente recuou do local que estava para se proteger da enorme bola de energia criada pela garota. Ela pulou da casa e caiu no chão numa posição perfeita já se preparando para outro ataque, entretanto o garoto havia sumido e reapareceu atrás dela a surpreendendo com um soco forte no chão que rachou um pouco e fez a garota se desequilibrar. A garota não caiu, mas Diogo aproveitou que ela ainda estava desequilibrada e correu até ela dando um soco alto que a arremessou.

-Acha mesmo que os ventos podem impedir as forças dos meus punhos? – Disse Diogo enquanto Lin se levantava.

-Olhe bem pra você... Acha que tem condições de me derrotar? – Disse a garota já de pé.

Diogo deu um sorriso de canto e correu na direção da garota para dar outro golpe, ela já preparada correu também na direção dele, ambos estavam sérios. Ele preparou ia dar um sequência de chutes e socos quando ela deu uma rasteira e levantou-se rapidamente erguendo o leque e acertando-o com um golpe.

-Raio de Luz!

Diogo foi arremessado a cerca de cinco metros de onde estava, porém não ficou muito ferido. Ele levantou-se rapidamente preparando mais um ataque. Ambos não se sentiam cansados, pelo contrário, parece que a cada golpe sentiam-se mais fortes, graças à adrenalina. Eles iam atacar quando do finalmente percebem a presença do professor. Ele estava a uma distancia que dava para vê-lo perfeitamente, ele aparentava estar com uma roupa preta como a escuridão uma aura verde o envolvia. Lin e Diogo estranharam a aparição de Zero, principalmente por estar "atrapalhando" a luta.

-Devo começar a lutar?

Os dois alunos se entreolharam e voltaram-se para o professor que no mesmo momento os atacou.

-Força Perfeita!

Ele lançou um floco de gelo gigante na direção deles que se afastaram para não serem congelados.

-Devo continuar? Perdeu o sentido. — Disse Zero com um sorriso maligno no rosto e logo tornou-se a caminhar escuridão adentro.

-O que foi isso? Por que ele nos atacou??? — Disse o garoto confuso com tudo que acabara de acontecer.

-A maior ameaça é aquela que se move nas sombras e não podemos ver. — Disse Lin séria e fria fitando o caminho que o professor seguiu.

-Você acha que nosso objetivo, na verdade, é derrotá-lo?

-Provavelmente...

-Primeiro ele...

-... depois a gente.

Após eles concordarem e finalmente enxergar o verdadeiro objetivo daquele treino, ambos tiveram a ideia de encurralar o professor, e assim tentaram fazer. Eles se separaram para procurar Zero. Deram a volta pelo quarteirão e não o encontraram.

-O telhado... — Lin murmurou para que o garoto ouvisse.

Quando ambos olharam para cima o professor tornou a atacá-los empurrando-os e depois saltou e lançou fragmentos da grandark contra os dois alunos na direção diagonal direita baixa.

-Abismo!

Não ficaram muito feridos, mas começaram a sentir um pequeno cansaço, contudo nada que pudesse impedir que eles tentassem terminar a luta. Zero já no chão, pretendia correr mais uma vez, contudo Lin foi mais rápida e conjurou um tornado de vento e magia que puxava o oponente até o centro dele.

-Ventos da Divindade!

Zero manteve-se firme, afinal, ele era mais forte. Entretanto o tornado conseguiu segurá-lo a tempo suficiente para Diogo conseguir se aproximar para que quando o golpe acabasse desse uma sequencia de chutes e socos e finalizasse com um gancho que levantasse Zero e em sequencia um soco na altura do estômago. O professor estava caído e aparentemente desacordado.

-Fim de treino? – Perguntou Lin que estava um pouco distante do professor.

Ela parecia preocupada e impressionada ao mesmo tempo. Como dois meros alunos conseguiriam derrotar um professor? Ambos se aproximavam do professor para ver como o mesmo estava. Antes mesmo de se aproximar, Diogo lembrou-se de uma frase que Zero disse no primeiro dia de treino.

“-Nem tudo é como parece...” – E tais palavras ecoavam em sua cabeça. Repetiam-se e não parava.

Ele parou de andar e encarou o professor estirado no chão. Lin percebeu o ato do garoto e também parou, contudo estava mais próxima.

-Diogo...? – Ela o olhou e o mesmo ainda fitava o professor.

-Sai daí... – Murmurou o aluno. Ele estava sério. Repetiu a frase mais uma vez e olhou para a menina. – Sai... Daí!

Ela se virou para ver novamente o professor, que para a sua surpresas estava bem a frente dela com um sorriso. Em questões de alguns segundos, Zero usou uma magia levantando a garota e em seguida a jogou no chão. Diogo aproveitou que Zero estava ocupado e se posicionou atrás dele, pronto para desferir mais uma sequencia de golpes. Entretanto o professor foi mais rápido e ao soltar Lin se virou para o garoto desferindo uma estocada e fazendo com que a Grandark soltasse alguns espinhos.

-Derrotar!

O garoto foi lançado para trás a alguns metros. Zero já não estava mais com uma roupa preta e uma mana de mesma cor e verde o envolvendo. O se virar para desferir um ultimo golpe em Lin, finalizando, enfim, a luta, foi surpreendida pela aluna e usava seus “Selos do Poder” em cima do professor. A mesma só tinha pouca energia e estava disposta a usá-la no fim da luta.

-Julgamento Celestial!

“Lin começou a flutuar no ar, girando e absorvendo uma energia divina enquanto Zero era levantado e se feria. Quando o professor ficou a uma distância suficiente ela revelou uma asa negra e uma branca enquanto tudo ficava branco e Zero é ferido e jogado de volta no chão.”

Diogo já não estava mais disposto a continuar a luta, então apenas observou aquele golpe de Lin. Ao finalizar tal golpe, a aluna estava desmaiada. Zero levantou-se surpreso e foi até a mesma para socorre-la. Ele esperou algum tempo para que Diogo se recupera-se para ajuda-lo com a garota. Ela estava bem, só precisava apenas descansar...

A garota acordou deitada num sofá de uma casa modesta, mas era bem grande. Grande e modesta. Ela sentou-se e reparou uma enorme estante de livros. Logo em seguida apareceram Mari e Zero para ver como ela estava.

-Onde estou? – Perguntou Lin estranhando a casa e a presença dos dois professores.

-Está na minha casa. – Respondeu Mari curta e fria. – Se lembra de algo que aconteceu hoje?

-Sim. Eu e Diogo estávamos treinando com Zero. No fim da luta, Diogo estava sem forças pra continuar e eu... não sei...

-Lin, você mora longe? – Perguntou Zero preocupado com a garota.

-Não, eu moro na próxima quadra.

-Vá para casa, descanse e me procure amanhã no colégio na hora do intervalo. Mari, obrigado...

-Disponha...

Após o agradecimento do professor, Zero e Lin seguiram seus caminhos... Ele a levou na casa de Mari apenas para a garota se recuperar e poder ir para casa, já que não sabia onde a mesma morava, mas, por sorte, Mari morava perto do local do treino.

No dia seguinte, na hora do intervalo, mais precisamente, Lin estava caminhando pelo pátio como sempre fazia até que ouviu alguém chama-la, coisa que não era muito comum pra ela, já que costumava ficar sozinha...

-Lin! – A garota se virou e surpreendeu-se com quem a chamava.

-Diogo? – Ela arqueou uma sobrancelha ao se dirigir a ele.

-Oi! – Ele se aproximou dela com um sorriso bobo brincando em seus lábios.

-O que quer? – Disse a garota séria cruzando os braços.

-Acordou com o pé esquerdo? Tá de TPM? Te fiz alguma coisa? – Perguntou o garoto se assustando com a atitude de Lin.

-Me deixou com marcas roxas as quais irei desconsiderar por ter sido treino...

-Sorte a minha. – Sorriu após a frase irônica.

-O que você quer?

-Nada! Eu só queria te desejar Boa Sorte para o campeonato. Apenas.

-Obrigada! – Disse a garota estendendo a mão. — Digo o mesmo a você. Vai precisar. – Terminou com um sorriso debochado no rosto.

-Convencida... – Disse Diogo surpreso.

Enquanto isso, sentados em um dos bancos, estava Rey e Lupus conversando. Na verdade, parecia um monólogo, pois apenas Rey falava e Lupus só ouvia. De repente, teve sua atenção a outra situação. Como se estivesse prestando atenção em sua namorada, mas enfim. Ficou observando Lin e Diogo conversando e sentiu-se incomodado com a aproximação do garoto. Rey viu que seu namorado estava distraído e lhe deu um tapa para chamar a atenção.

-O que foi? – Perguntou o garoto massageando o local atingido.

-Você não está me ouvindo!

-Como? Você não para de gritar. É impossível não ouvi-la.

-Você quer me irritar?

-Já está irritada... Não posso ouvi-la e olhar pra outro lugar?

-Pra onde estava olhando?

-... – Lupus começou a observar o redor sem um foco até encontrar uma desculpa. – Dio...

-O que tem o meu irmão?

-Parecia querer falar com você. Ameaçou te chamar, mas parece que desistiu.

-Hum... Vou até ele. – Lupus deu se ombros como se não se importasse e realmente não se importava.

Quando Rey se distanciou, voltou a olhar para Lin e Diogo. Eles conversavam apertando as mãos, mas aquele aperto estava durando muito e Lupus não estava gostando. De repente, Lin foi puxada por Diogo e eles se beijaram. Apesar do beijo e de Lin já ter percebido o que o garoto sentia, no instante que a chamou, ela não sentia o mesmo por ele. No mesmo momento do ato, Lupus levantou-se e seguiu na direção dos dois, mas não queria ser observado, nem por eles, nem por Rey. Rapidamente ele os alcançou e, com o pé, fez Diogo se desequilibrar atrapalhando o momento.

Diogo se equilibrou e, com a ajuda de Lin, se manteve de pé. Ele ficou encarando Lupus, o mesmo não sabia o que estava fazendo.

-Olha só, cara, não quero saber o motivo de você ter feito isso! Mas é bom você se afastar como se nada houvesse acontecido! Antes que eu perca minha cabeça e comece uma luta entes mesmo do Campeonato. – Soltou Diogo.

Lupus permaneceu calado, Lin estava confusa, segurava o menino para não acontecer nada mais grave. Diogo se irritou com o silêncio que pairou sobre os três e, num ato compulsivo, empurrou Lupus.

-Já disse para sair daqui!

-Diogo! Para com isso! – Gritou Lin, tentando acalmar os ânimos.

-Você não manda em mim, pelo que sei... Esse lugar é público e não é permitido namoros ao ar livre na escola. Lothos não ficaria feliz se soubesse que alunos andam se beijando. – Disse Lupus num tom calmo e com certo desprezo.

-Já sei... – Começou Diogo que se preparou para provocar o rapaz – Fez isso porque está com ciúmes, não se contentou em ver que eu tomei a iniciativa de beijar a Lin e você ficou apenas olhando, não foi? – Terminou com um tom debochado.

-Ha ha! Isso foi uma piada?

-Piada é ver aonde você chegou, nos atrapalhando e só porque sentiu um ciuminho. Você acha que eu não percebo como você olha pra Lin? O quanto você a trata mal para esconder o que sente realmente por ela?!

-É bom você calar essa sua boca. – Ameaçou Lupus, não gostando do que Diogo disse.

-Eu não vou calar a minha boca, mas a sua terá uma bela ferida que eu irei causar!

-Vem então! – Lupus não tirava seu semblante frio e sínico.

Diogo não aguentou e avançou no rapaz, só não finalizou o que tinha em mente, pois Lin o segurou.

-Parem os dois! – Ela gritou mais uma vez, os encarando.

Nisso, Lothos aparece e, vendo o alvoroço entre os alunos, resolve ir até eles.

-Posso saber o que está acontecendo? – A resposta que a diretora estava esperando de imediato não teve, já que os alunos permaneceram em silêncio – Digam!

-Nada Lothos. – Lin olhou para Lupus – Eu só não consigo entender como alguém que me acha um nada ainda se acha no direito de se intrometer na minha vida.

-Não sei o porquê de você ter dito isso, mas exijo que parem com essa briguinha. – Lothos disse isso e se retirou.

Lupus percebeu que Rey parecia o procurar e saiu dali também, como se não tivesse se importado com o ocorrido.

-Esse cara é estranho. – Comentou Diogo, estando sozinho com Lin.

A menina não respondeu, suspirou pesado e ficou olhando Lupus se afastar. Diogo percebeu tudo.

-Desculpa.

-Pelo o que? – Lin o olhou.

-Por ter te beijado.

-Não precisa se desculpar, você pensou que eu gostava de você assim como você gosta de mim, eu que peço desculpas por não corresponder a isso... – Ela lamentou, abaixando o rosto.

-Tudo bem. – Diogo riu – Eu não vou morrer por causa disso, não se preocupe. Acontece...

-Você continua debochado e tendo saída para qualquer tipo de situação. – Lin sorriu para ele.

-Eu não gosto de ficar por baixo, preciso manter minha cabeça erguida, se eu ficar sempre me lamentando e olhando para baixo, irei perder a beleza que está a minha frente.

-Mal terminou comigo. – Brincou Lin – E já está vendo outra menina?

-A beleza que eu digo é a vida. Não posso parar de viver por coisas desagradáveis que acontecem comigo.

-Você está mais que certo.

-Eu falei isso tudo pra você, eu a vejo presa em seu mundo, presa em seus sentimentos. Olhando sempre para baixo e não seguindo em frente. Não sei se Lupus é o melhor garoto para te ajudar.

-Ainda bem que eu tenho você como amigo.

-Só amigo? – Diogo fez uma carinha decepcionada.

-Só. – Lin riu.

-Ok... Bem, eu já vou.

-Tá bom, amigo. – A menina enfatizou bem a última palavra.

Lupus, mesmo de longe, ainda olhava para trás e assim que viu Lin e Diogo se distanciando um do outro, sentiu um alívio no peito, algo inexplicável para ele.

A garota lembrou-se de que tinha que fazer algo antes que o intervalo acabasse, observou o relógio e lamentou ter grandes chances de perder a ultima aula, mas seu compromisso era de suma importância.

Lin caminhou até o ginásio e viu Zero. Eles estava de costas para a menina e parecia não ter visto a garota chegar. Parecia...

-Achei que não viesse... – Disse o professor virando seu rosto de lado.

-Professor, o senhor me chamou pra quê?

-Seu treino ainda não acabou...

Notas finais
Então? O que acharam? Não nos matem em relação a Amy >.< Explicamos nas notas iniciais... Enfim, comentários??? :3