Não Me Bate, Afinal, Eu Te Amo.
23 O dia da inscrição.
Notas iniciais
Lothos estava esperando os professores em sua sala, mas apenas Elena, Zero e outros professores haviam chegado. Gyna chegou um pouco atrasada, mas não superou Mari e Sieg.
–Ora, ora, ora... Posso saber o motivo do atraso? – Lothos cruzou os braços enquanto esperava uma resposta dos dois.
Os professores se entreolharam e ficaram alguns segundos em silêncio.
–Eu saí meio tarde de casa, porque me esqueci de preparar as aulas. – disse Mari meio sem graça.
–E você Sieg? Estou esperando sua resposta. – a diretora olhou para ele.
–É... Bem... posso usar a desculpa do Jin? – perguntou o professor que naquele momento tinha um pouco de receio do que Lothos poderia dizer.
–E qual é a desculpa do Jin? – a diretora suspeitava que Sieg fosse fazer uma piada.
–O despertador não tocou. – o professor sorriu ao dizer isso e viu que todos estavam rindo, inclusive Lothos.
–Enfim. – continuou a diretora – Obrigado professor por trazer essa sua alegria para cá. Bem, eu chamei todos vocês aqui, porque, como já sabem, teremos um torneio daqui a algumas semanas e peço que todos liberem os alunos que participarão mais cedo. Eu queria pedir para a Mari que ensine cálculos de precisão, ou seja, a hora exata para se usar a habilidade e Sieg que ensine estratégias. E Zero... – ela olhou para o professor.
–Sim Lothos. – agora Zero estava com a atenção redobrada.
–Espero que esteja preparado para uma multidão de alunos lhe cercando para se inscreverem no intervalo. Pode parecer engraçado, mas em anos anteriores professores saíram machucados por culpa dos alunos. Espero que consiga controla-los.
Zerou balançou a cabeça e entendeu o recado.
–Bem professores. É só! E eu queria desejar boa sorte com as conversas sobre o evento correndo nas salas e por conta disso será difícil dar aula.
Lothos tocou o sinal para que as aulas se iniciassem e como ela havia previsto o que fosse acontecer, os professores tentaram ser os mais rígidos e chatos naquela manhã.
A diretora já havia avisado sobre as inscrições com o professor Zero no dia anterior. Ao tocar o sinal do intervalo, as turmas foram a toda velocidade em direção ao ginásio. Zero apenas assistia o tumulto se aproximando enquanto ele andava de costas para o final da quadra ainda encarando sério a “muvuca”.
Quando os alunos que estavam à frente do tumulto pisaram na quadra, Zero pegou sua espada (a que todos conhecem como Grandark) e golpeou o chão fazendo surgir vários espinhos no meio da quadra fazendo os alunos pararem de correr por causa do susto. O professor apenas riu da reação dos alunos. Eles estavam completamente assustados.
–Obrigado pela atenção, caros alunos. – Zero ainda sorria – Eu quero que façam três filas em frente a minha mesa de forma organizada, por gentileza.
Os alunos seguiram a ordem dada pelo professor, ainda espantados (só para enfatizar que foi um susto muito grande).
Enquanto isso, Elesis apenas encarava os alunos fazendo as inscrições ao lado de suas amigas.
–Vocês vão se inscrever? – perguntou a ruiva.
–Eu não. – respondeu Lire – Não confio muito em mim para ganhar uma luta, preciso aprimorar minhas habilidades.
–Eu também não confio muito em mim e nem gosto muito disso. – disse a baixinha – Você vai participar Elesis?
–Vou. – a ruiva respondeu num tom frio.
–O que foi Elesis? – Lire percebeu que a amiga estava estranha.
–Não houve nada, só acho que poderia descontar toda a minha raiva no torneio. – a ruiva mentiu e como estava com a expressão séria, foi bem convincente.
–Tá bom. – disse Arme, nem ligando muito.
–Tá. – Lire falou ainda desconfiada.
–Ah! Já ia me esquecendo. – Elesis sorriu.
As meninas ficaram confusas, a mudança de humor da ruiva deixava todo mundo assim.
–Arme, você não ia nos contar o que aconteceu no baile?
–Droga! – a roxinha estava feliz enquanto ninguém se lembrava disso.
–Conta Arme!! – implorou Lire.
–Tá bom... Bem, foi o seguinte...
–Arme! – a baixinha foi interrompida.
As meninas procuravam de onde vinha a voz de desespero.
–Arme, eu preciso falar com você! – a voz era de um menino.
–Ah! Lass! – Arme levou um susto ao ver o menino correndo em sua direção.
–Ai Lass, de novo!? Agora não. Estamos tentando descobrir o segre... Ai! – Elesis reclamou por ter levado um soco de Lire – Lire! Para com isso. Já é a segunda vez.
–É, eu sei, até eu estou surpresa por você não ter me batido também.
–(Lass forçou a tosse) Arme, eu quero falar com você e tem que ser agora.
Nesse momento o coração da baixinha bateu forte, enquanto isso Lire sorria com os olhinhos brilhando e a ruiva olhava, para Lass e Arme, confusa.
–A-Agora? – a roxinha gaguejou, estava muito nervosa.
–Não se preocupe Arme. – disse a loira – Depois você fala com a gente.
–Mas eu queria saber... Ai! Para com isso Lire! – a ruiva encarou a amiga que riu.
–Aprendi a bater nas pessoas com você. – Lire deu os ombros – Enfim, até Arme. Até Lass.
Os dois acenaram e Arme ainda estava nervosa, ainda mais por estar sozinha com Lass.
–Arme... – o menino dos cabelos descoloridos começou a dizer enquanto observava as meninas se afastarem – Isso está me matando por dentro, então vou direto ao ponto. O que aconteceu entre a gente no baile?
–Lass... – o coração da roxinha batia mais forte e mais rápido. Agora Lass olhava nos olhos dela. – Tem certeza de que quer falar sobre...
–Claro! – o menino estava determinado – Eu já comecei o assunto e irei até o final dele.
–Deixa eu terminar minha pergunta?
– Desculpa... É que não quero que vire de novo e me deixe sozinho. – Lass passava a mão no rosto e pensava – “Cara, o que você está fazendo?”
–O que eu queria dizer é se você quer falar sobre isso aqui? Aqui mesmo? No colégio? Na frente de todos?
–Arme. – ele riu – Olhe ao redor, está todo mundo fazendo as inscrições lá no ginásio. Não tem quase ninguém aqui.
–É verdade... – Arme olhou a sua volta e viu poucas pessoas.
–Eu vou perguntar mais uma vez Arme. O que aconteceu entre a gente no baile?
–E-Eu... eu... é... eu... não sei... – a baixinha nem conseguia falar direito olhando assustada para os olhos azuis de Lass.
–Como assim você não sabe???? – Lass não estava acreditando.
–Ora, eu não sei! Quer dizer... Me diz você.
–Se eu estou perguntando, é porque eu também não sei.
–Aff! Por que é tudo tão confuso?!
Nesse momento a roxinha se encostou na parede e desmoronou no chão com as mãos tampando seu rosto. Lass não disse nada, apenas sentou-se ao seu lado.
–Alguma solução para a gente?
–Eu acho que devíamos esquecer o que aconteceu.
–Arme! Esquecer não é a solução. Olha, eu queria saber o que você sente por mim, mas você é uma caixinha de surpresa. Você é um mistério, daqueles bem difíceis de resolver e eu quero resolvê-lo e farei de tudo para conseguir. – Lass foi corando levemente e Arme também, mas eles não se olhavam.
–Lass eu... – o menino a impediu, sentou na frente dela e tampou seus lábios para que ele pudesse continuar.
–Arme, o que eu quero te dizer é que eu te amo.
A baixinha ficou em transe ao ouvir aquilo. Seu coração parou por um momento, quando Lass reparou, sacudiu sua amada, mas ela não voltava ao normal. Então ele pegou o celular e mandou um sms para Lire dizendo “Socorro”. Ela chegou muito rápido onde eles estavam.
–O que foi?! – perguntou a loira.
–Eu não sei. Arme alguma vez já ficou paralisada assim?
–Lass, o que você fez com a Arme?! – Elesis fechou o punho.
Antes que ele pudesse responder, Lire disse:
–Não importa! Elesis pegue um pouco de água.
–Não precisa... – disse Arme ainda em estado de choque.
–Arme! – Lire abraçou a amiga. – Não nos mate de susto!
–Desculpe, é que... Lass é verdade? – a baixinha o olhou.
–É... Lire, vamos sair daqui, porque a gente vai sobrar. – sussurrou a ruiva e as duas saíram de fininho.
–É tudo verdade, Lass?
–Cada palavra...
Nesse momento Arme deu um abraço no Lass e deixou escapar uma lágrima. O menino não entendeu e se afastou.
–O que foi? – a baixinha estranhou.
–Você não entendeu nada do que eu disse? – Lass perguntou num tom sério.
–Eu entendi tudo. – Arme sorriu para ele.
–Então por que me abraçou e deixou a lágrima cair?
–Porque agora eu sei o que o garoto que eu sempre amei sente por mim. – Arme inclinou-se para frente e deu um beijo nele, antes de Lass falar qualquer coisa.
Lire, curiosa, observava tudo de longe e pulava de alegria.
–Então... – Lass chegou para trás – Posso considerar que nós somos namorados?
–Sim. – Arme sorriu corada.
–E... Não precisamos ter apelidos carinhosos, né?
–Assim como Amy que chama o Ronan de “mô”?
–É...
–Não. – a baixinha não tirava seu lindo sorriso do rosto.
–Tá bom. É melhor assim. – Lass suspirou aliviado.
–Não precisamos de demonstrações de carinho em público, né?
–É...
–Então eu posso dizer que somos namorados? – Arme ficou com as bochechas totalmente vermelha.
–Sim. – Lass soltou um sorriso.
–Ownt. Que fofo!! Agora vocês dois são oficialmente um casal. – Lire invadiu a conversa dos dois.
O que a loira não percebeu é que os dois estavam mega corados. Ronan e Ryan se aproximaram do grupo.
–Oi Ryan. – disse Lass tentando disfarçar o momento – Fez a inscrição?
–Fiz sim.
–Que inscrição?! – perguntou a loira confusa.
–Do torneio, Lire. – disse o azulado.
–Como é que é?!?!?! – disseram Lire e Arme preocupadas com seus namorados.
–Como assim vocês irão participar desse torneio brutal??! – a loira olhava para Ryan.
–Lire, calma! É só um campeonato. – Ronan falou tranquilo.
–Não Ronan! Não é só um campeonato. – disse a loira indignada.
–Não sei se lembra Ronan, mas nos outros anos teve gente que se machucou gravemente durante as inscrições, nem foi durante a luta. – Arme olhava para o azulado, mas depois se virou para seu namorado. – Lass, você não vai se inscrever.
–Arme, pega leve... – sussurrou Lire.
–Perdemos alguma coisa? – perguntou o alaranjado.
–Ryan, esse momento é meio complicado, então não faça perguntas. – disse Lire vendo que Lass e Arme coravam novamente.
–Deixa o Ronan te explicar. A Lire te conta depois o que está acontecendo, tá bom laranja? – Ronan abraçou o amigo e riu.
–Acho que vou começar a treinar hoje e já tenho em quem bater. – Ryan olhou sério, mas querendo rir, para o azulado.
–Cai dentro, laranja. – Ronan ficou ameaçando bater no amigo e todos que estavam ali riram.
Enquanto isso, o ginásio já estava vazio, todos os alunos que queria participar do torneio já tinham ido embora. Então uma pessoa aproveitou o momento e foi até a quadra para falar com o professor.
–Professor Zero!
Notas finais
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