Notas iniciais
Olá pessoas :D Prometo que esse será o último capítulo triste sobre a Maria u.u - Até porquê é bastante doloroso escrever sobre isso -. Então, eu estava ansiosa para postar logo esse capítulo (Porque o próximo eu sinto que vai causar polêmica '-').
Ah, devo avisar sobre duas músicas nesse capítulo. A primeira é o Ed Sheeran - Que é a música de fundo do capítulo -, chamada Give me Love. Aconselho vocês ouvirem ela depois, com a própria voz do cantor e talz, já que essa aqui é apenas o 'som'. Enfim, a segunda música vai estar na última fala da Manu para a Maria (Como uma despedida). Eu criei baseada na música What hurts the most do meu querido Rascal Flatts.
Chega de falar, vejo vocês lá embaixo ^^

Música– Ouvir

Antes que eu pudesse se aproximar mais do caixão, onde provavelmente eu começaria a chorar e gritar, alguém correu até mim e me envolveu em seus braços. Pela velocidade do ato não vi o rosto da pessoa, mas a reconheci pelo seu perfume.

- Manu, eu sinto muito! Ah, não acredito que isso aconteceu! – a voz chorosa de Júlia em meu ouvido fez um nó em minha garganta. Ele me soltou de seus braços e me analisou com os olhos inchados. – Assim que eu soube, peguei o primeiro avião para cá. Nem me lembro da última vez que falei com a Maria... – ela engasgou com o choro e tossiu algumas vezes. Recordei de como Maria gostava dela. As duas brincando o tempo inteiro e a Júlia sempre mimava minha irmã com todos os presentes e elogios possíveis. Eu acredito que Júlia havia sido mais irmã de Maria do que eu fui um dia. Saber disso naquele momento meio que me quebrou por dentro. – Eu preciso parar de chorar, — ela disse limpando as lágrimas. – Maria odiaria me ver assim. Ela sempre falou pra sorrir diante de tudo. Aquela pequena, mesmo criança sabia como dar conselhos e animar as pessoas. – suspirei.

- Você não fazia idéia de como ela amava você! – foi o que consegui dizer sem que minhas lágrimas descessem pelo meu rosto.

- Manu... – Ela abaixou a cabeça. – Eu daria a minha vida pra ter tido ela como minha irmã. Sabe, me lembrei de um momento que aconteceu entre a gente e que nunca cheguei a te contar. Quando – ela pausou a fala como se estivesse em um dilema interno sobre como deveria dizer o que tinha pra dizer – aconteceu àqueles problemas com você e que toda a nossa família e todo mundo ficou contra você, ela virou pra mim e disse que acreditava que você tinha uma razão pra aquilo. Você não era uma pessoa ruim e de longe seria alguém cruel. Ela me disse que te amava tanto... E que estaria ao seu lado sempre e se pudesse fazer algo pra defender você, ela faria. – ela olhou sorrindo pra mim enquanto meus olhos transbordavam lágrimas. – Ela sempre acreditou em você Manu, sempre. – Júlia se afastou de mim um pouco atordoada. E em questão de segundos, minha visão desfocada viu André se aproximando.

Ele me abraçou forte e acariciou meu corpo, enquanto eu chorava desesperadamente. Aquelas palavras que Júlia havia dito chocaram com meus pensamentos.

- André... Eu... – Tentei dizer.

- Shh, não precisa dizer nada. Eu ouvi tudo. – Ele me interrompeu, me poupando a dificuldade de falar. Eu não tinha dado o valor que deveria à minha irmã e sabia que aquilo ia me assombrar para resto da vida.

André deslizou suas mãos pelos meus braços até alcançar minha mão esquerda, enquanto com a direita eu limpava as lágrimas salgadas que ainda teimavam em escorrer pelo meu rosto.

— Vamos vê-la? – Sua voz rouca tranquilizou meu coração. Apenas balancei a cabeça positivamente e, de mãos dadas com André, fomos até o caixão.

Ao chegar perto de Maria, minha dor quase se transformou em desespero e pânico, mas consegui controlar meus sentimentos. Assim como Júlia havia dito, Maria não gostava de ver alguém chorando perto dela e aquele era um desejo que eu queria atender.

Por mais que aquela ocasião fosse aterrorizante, não pude deixar de notar como minha menina estava linda. A cor pálida de seu rosto era similar à porcelana. O vestido que a cobria, seu favorito por sinal, era de um vermelho vivo e contrastava com aquele ambiente mórbido. Sua boca descorada parecia sorrir levemente para mim.

Diversos momentos daquela pequena menina invadiram meus pensamentos; seus primeiros passos, suas brincadeiras infantis, nossas brigas idiotas... Brigas que, hoje consigo ver, serviram apenas para sugar mais tempo de nossas vidas. Se eu soubesse que ela teria tão pouco tempo, teria feito muitas coisas diferentes do que fiz.

Larguei a mão de André e meio que me arrastei até Maria, tão próxima que poderia tocá-la. Levantei o braço e deixei que minha mão encostasse sua bochecha fria, contato esse que me deu arrepios. Olhei para cada centímetro do rosto dela, procurando memorizar cada traço desde seus olhos até a textura de sua pele. Eu desejei que cada detalhe daquele rosto angelical ficasse gravado em minha mente.

Após alguns segundos observando minha irmã quase desaparecer por completo dentro daquele caixão, escorreguei minhas mãos até as suas e apertei forte. Em seguida sorri fracamente para Maria.

- Eu consigo aguentar a solidão de todos os dias, a culpa em que todos me colocam. Aguento os olhares tortos, os xingamentos. O meu passado. A minha vida. Mesmo que pensar em ficar sem você me chateie, às vezes eu consigo fingir um sorriso, como agora, mas não é isso que me incomoda. O que mais dói foi estar tão perto de você, ter tanto pra dizer e mesmo assim acabei guardando todas as palavras não ditas dentro de mim. Ver você indo embora sem saber o que poderia ter sido. E não ver que amar você e cuidar de você, era o que eu estava tentando fazer. É isso que dói. – fitei Maria por mais alguns segundos. Desliguei tudo à minha volta, deixando apenas meus pensamentos fluindo em minha mente. Não conseguia ouvir e nem ver mais ninguém. Apertei os olhos na minha face contendo mais algumas lágrimas. – Eu te amo! – abri os olhos novamente e me afastei do caixão.

*

A terceira fase é a do “Já aconteceu, agora levante a cabeça”. Você tenta encerrar aquele momento da melhor forma possível. Você recria uma nova história, para que o ocorrido não seja apenas carregado de lembranças ruins. Tenta assumir e consertar os erros. E ainda, tenta seguir com a vida aceitando o que houve.


Eu já estava novamente dentro do carro, voltando para casa. Sempre imaginei aquela cena de uma perspectiva diferente. Meus pais ocupando o banco da frente, falando sobre o trabalho ou apenas em silêncio observando Maria e eu. Eu e a minha irmã no banco de trás brincando de contar carros. Sempre fazíamos isso quando éramos mais novas. Eu escolhia uma cor e ela outra e passávamos todo o percurso contando os carros das cores escolhidas. No final, quando chegávamos ao nosso destino, quem tinha contado mais ganhava. Era uma brincadeira chata, mas ela adorava e eu fazia isso pra ela nas raras vezes que tinha paciência para cuidar de Maria.

Deitei meu corpo no banco tentando evitar pensar no enterro dela. Tentei me recordar de momentos bons que tive com ela. Meus pais, que estavam na mesma posição da ida ao cemitério, se mantiveram calados por grande parte do tempo. Achei que tudo o que eles haviam dito antes de Maria morrer, tinha sido anulado. E antes que o sentimento de culpa me inundasse novamente, minha mãe se remexeu no banco e fitou meus olhos.

- Manu, nada disso é culpa sua, minha filha. Você fez tudo o que pode para salvar sua irmã e você não sabe o quanto sou agradecida por isso. A culpa é daquele hospital medíocre, que acabou com a vida da minha Maria. – Sua voz ficou carregada pelas lágrimas e acabou desviando seu olhar do meu.

Saber que eles acreditavam que a culpa não era minha, deu certo conforto. Meus pais estavam do meu lado e aquilo me faria superar melhor toda aquela situação.

Ao chegar em casa, desci do carro e me prontifiquei a abrir a porta. Dentro de casa, antes que eu pudesse entrar no meu quarto, minha mãe me chamou a atenção.

- Manuela, eu e seu pai vamos fazer as malas agora e vamos para a casa de seus tios. Vamos buscar algumas coisas da Maria que estão lá, já que ela morou tanto tempo com eles... – ela pausou e respirou fundo. – E também vamos passar alguns dias lá, uns dois ou três só pra aliviar a cabeça. – balancei a cabeça, concordando que ela precisava daquilo. – Você quer vir conosco? – Por um segundo, achei que ela não estivesse falando comigo. Minha mãe estava realmente mudada e aquele convite havia confirmado isso. Jamais pensei que ela quisesse minha companhia.

- Não, mãe; eu acho que quero ficar aqui. Prefiro ficar sozinha. Eu vou para o colégio amanhã, para me distrair um pouco. Acho que vai ser bom pra mim. – neguei seu pedido, ciente que ela não insistiria. Minha mãe precisava ficar longe daqui mesmo e longe de mim também. Achei que seria melhor se eu ficasse.

Ela piscou algumas vezes e ficou de costas para mim, adentrando seu quarto. Seguida de meu pai, que me olhou e sorriu fracamente na minha direção. Senti meu coração se aquecer e doer um pouco. Entrei no meu quarto e me joguei na cama.

*

Já era noite, meus pais tinham saído de casa há cerca de duas horas. Eu, ainda jogada na cama, olhava para o vazio e acariciava meu pingente. Aquele que André havia me dado em meu aniversário. Meus pensamentos giravam em torno de Maria, da minha vida, dos meus pais... De tudo.

Quando meus devaneios cessaram, olhei para o teto de quarto e fiz uma careta.

- Não quero dormir sozinha essa noite! – soltei, como se estivesse alguém me ouvindo. Procurei meu celular debaixo do travesseiro e disquei uns números. Fiquei espantada ao descobrir que já tinha memorizado aquele telefone.

– Alô? – A voz do outro lado me chamou a atenção.

– Vem me buscar? – Pedi.

– Estou aí em dez minutos. – E desliguei o telefone. Levantei da cama e peguei minha bolsa. Coloquei poucas roupas lá dentro, apenas o suficiente para passar a noite.

E pontualmente, lá estava André na porta de minha casa, à minha espera.

– Seus pais? – Ele perguntou enquanto me dava um capacete para colocar.

– Vão ficar fora por uns dias... Não quero ficar sozinha, então... Tem problema eu ficar na sua casa? – Subi na moto e entrelacei meus dedos no seu corpo.

– Claro que não, você é sempre bem vinda lá! E eu já te disse que sempre que precisar de mim, sempre, eu estarei aqui pra você! – Ele ligou a moto e foi dirigindo pelas ruas escuras da cidade.

Naquela noite, após chegar a casa dele, apenas troquei minha roupa por um pijama confortável. Deitei na cama e esperei um tempo até o sentir deitando ao meu lado. Fiquei de costas pra ele e não demorou muito para eu o notar me abraçando. O contato da pele dele com a minha, me trouxe conforto, paz e principalmente arrepios. Ele se aproximou mais até nossos corpos ficarem colados. Eu nunca havia me sentido tão segura nos braços dele. Sua respiração lenta e tranquila no meu pescoço me fazia querer fechar os olhos. Apreciei cada sensação que ele me trazia ao ficarmos daquela forma. Mas, ficamos simplesmente assim, sem palavras ditas até eu adormecer.

Notas finais
Hey amores *-* Quero agradecer novamente... (Ta virando clichê todo capítulo agradecer né?) Mas poxa, como não agradecer à todos vocês? Ganhei mais uma recomendação linda da Fanny89. E além da recomendação, eu ganhei um monte de leitores novos e alguns leitores fantasmas também resolveram aparecer. Então OBRIGADA de coração! Espero que tenham gostado do capítulo... E meu deus, o próximo está tenso demais lol Vocês vão me matar :D
Até =*