Não Feche Os Olhos
17 Pequena
Notas iniciais
Então, só quero avisar que logo vou começar a demorar mais um pouco pra postar. Mas eu vou tentar postar o mais rápido possível pra vocês não desanimarem ok?
Sobre o capítulo, ahhh começa um assunto muito triste de escrever, mas que mesmo assim me ocorreu a idéia. Um pouquinho de drama à mais.
– A sua irmã – Minha mãe me cortou. – Apresentou alguns sintomas estranhos e nós a levamos no médico. – Observei o modo como ela dizia essas palavras. Como se cada uma rasgasse seu peito. – Diagnosticaram com leucemia... Manuela ela está mal, muito mal. –
Entrei em aversão. Por mais que eu e minha irmã não fossemos unidas, eu a amava demais. O choro estava amordaçado em minha garganta e eu não deixei nenhuma lágrima escorrer. Conseguia ouvir as golpeadas do meu coração implorando pra sair do meu peito. Tudo pareceu bem menor com o impacto daquela notícia. Abri a boca na esperança de conseguir dizer algo, mas somente minha respiração saiu. Era o que eu precisava no momento.
– Ela está em um estado avançado – Meu pai interrompeu minha frustração – Temos que achar um doador de medula pra ela, só que nem eu e nem a sua mãe somos compatíveis. Nós precisamos de você, você pode ser a chance dela... –
Nada foi dito por mim. Apenas observei meus pais chorarem e esperarem por uma resposta minha. Eu poderia muito bem dizer ‘Foda-se vocês, sempre me rejeitaram e me trataram como eu fosse um monstro sem ao menos souber o meu lado da história. E agora vocês precisam de mim? Pra salvar a única filha que amam?’, mas eu não era assim. Levantei-me da cadeira estaticamente e me dirigi ao quarto. Achei que tinha ouvido meus pais gritarem meu nome por alguns instantes, mas somente entrei no meu quarto e tranquei a porta. Livrei-me das minhas roupas que pareciam apertadas para o meu corpo. Tudo parecia menor. Envolvi meu corpo em uma toalha e deitei no chão frio. As lágrimas finalmente começaram a escorrer e percebi que minha face ficava úmida juntamente com o piso. Olhei para o vazio e repassei meu dia.
A manhã havia sido perfeita com André e eu jamais havia imaginado que o melhor dia da minha vida viesse a se transformar no pior. O choque que a noticia me provocou me fez sentir desespero... Medo. Algo completamente longe do que eu já havia sentido. A possibilidade de perder alguém que eu amo, mesmo que platonicamente, era horrível.
E foram com esses novos anseios que adormeci.
Meus olhos estavam direcionados para o céu. Um vento passeava pelas minhas entranhas e me fazia cócegas. Consegui sorrir. O dia parecia tão bonito e isso me trazia alegria e paz. Porém, depois de meio minuto, o céu ficava nublado e escuro. Trovões e raios transformavam a beleza em horror. Ouvi alguém se aproximar de mim e novamente o rosto desfocado. Tentei me mexer, mas havia acabado de notar que estava com todos os membros amarrados. Presa. O estranho levantou um objeto que demorei entender o que era. Uma faca. Arregalei os olhos quando o vi aproximar dos meus braços. De repente, ele começou a dilacerar meu membro e tudo o que eu fiz foi sorrir. A dor parecia ser tão boa quanto um beijo. A dor me trazia um alivio que jamais havia sentido. E meu corpo pedia mais daquela sensação.
*
Acordei desejando que todo o dia anterior fizesse parte do meu pesadelo. Meu celular tinha despertado, mas eu sabia que não iria pra aula. Levantei do chão gelado e fui até o banheiro. Encarei no espelho meu olhos sem vida e meu rosto marcado pela posição que havia dormido.
– Droga! – Foi a única coisa que disse. Não disse aquilo por ter marcado meu rosto. Aquelas marcas sairiam com o tempo. Xinguei pelas marcas que ficariam pra sempre em mim se acontecesse algo de ruim com a minha irmã.
Tomei um banho frio e rápido. Entrei no meu quarto e observei o clima nublado. O vento atravessava a janela aberta me causando arrepios. Vesti uma regata qualquer e um short qualquer. Coloquei um moletom por cima da minha roupa e declarei que passaria o dia vestida daquela forma. Não me importei com maquiagem e nem com meu cabelo. Andei pela casa e fui até a porta do quarto dos meus pais. Bati e fui recepcionada pelo meu pai.
– Vamos ao hospital... Agora por favor! – Eu implorei. Ele assentiu com a cabeça. Sentei no sofá da sala enquanto esperava ele se trocar, o que não demorou muito, e logo já me chamava para entrar no carro.
Depois de uns minutos de silêncio, resolvi falar algo.
– Onde está minha mãe? – Disse ainda olhando para a janela.
– Ela dormiu no hospital com a sua irmã essa noite. Ela está cada vez pior... – Senti um soco no estômago. Eu não via minha irmã há tantos meses e nem me dei o trabalho de perguntar como ela estava.
– Tem quanto tempo que vocês descobriram que ela está doente? – Perguntei.
– Há uns três ou quatro meses. Temos tentado o tratamento sem resultados desde então –
–E por que raios vocês não me contaram antes? Hein? – Me exaltei. Meu pai apenas manteve o olhar no trânsito e não me deu nenhuma resposta. E afinal, eu não precisava ouvir a resposta dele.
Chegando ao hospital, meu pai me deixou na recepção e balbuciou algo de precisar ir ao trabalho mesmo diante daquela situação. Caminhei até o balcão onde uma morena muito alta me observou.
– O que está fazendo fora da cama? – Ela me olhou feio.
– O quê?... Ah, não... Não, eu não sou um paciente. – Olhei minhas roupas. Eu parecia sim um paciente. – Eu estou aqui procurando minha irmã. Pode me informar o quarto da Maria Rodrigues? –
– O que a senhora é dela? – A recepcionista parecia estar ainda desconfiada e foi quando desejei não estar com aquelas roupas.
– Irmã! Ela é minha irmã mais nova... –
– E você é maior de idade? – Aquilo parecia um interrogatório policial.
– Sim! – Menti. Imaginei que seria barrada se dissesse a verdade.
– Quarto 205-A. Vou levar você até lá. – Ela disse se levantando da cadeira. Percebi o quão gorda ela era. Ao caminhar, cada parte do seu corpo sacudia. Depois de um rolo de escadas ela arfava demonstrando a dificuldade de carregar aquele peso.
Após chegar ao quarto, a morena gorda que parecia morrer depois de subir uns 10 degraus se atreveu a perguntar.
– Senhora Samantha, conhece essa moça? – Ela apontou pra mim.
– Sim, é minha filha. O que houve? – Minha mãe me encarou como se adivinhasse que estava com problemas.
– Não houve nada, apenas para checar. – E finalmente a recepcionista havia saído dali.
Direcionei o olhar para minha irmã. Eu guardava várias lembranças dela. As piadas, as histórias, as gracinhas... Tudo vinha de uma garotinha de 10 anos, das bochechas rosadas, cabelos lisos e negros. Seus olhinhos tão brilhantes mostravam o quanto ela ainda tinha pra viver, presenciar. Mas agora ela estava desfalecida ali naquela cama em um quarto escuro. Várias mechas de seu cabelo já haviam sido arrancadas, provavelmente resultado dos frequentes tratamentos. Sua pele estava pálida demonstrando o tamanho da sua fraqueza. Suas pálpebras fechadas impediam-me de visualizar a luz que seus pequenos e redondos olhos tinham. Olhando pra ela daquela forma me fez sentir um arrependimento horrível. Eu deveria ter cuidado mais dela e lutado mais por ela.
Talvez com o diálogo da enorme recepcionista tenha a assustado, pois ela abriu os olhos e olhou pra mim. Um sorriso descorado surgiu em sua boca. Eu segurei o choro na garganta, não queria deixa-la pior.
– Você sabe como eu odeio esse moletom. – Ela me encarou e disse rindo.
– Não consigo evitar usá-lo, você sabe... – Corri para a cama dela e a abracei. – Senti saudades suas! – Senti seu corpo tão pequeno em meus braços e quase recuei.
– Não sei se é bom você ficar aqui Manuela! – Minha mãe interrompeu.
– MAMÃE! – Exaltou Maria. Minha mãe apenas observou e se retirou do quarto. – Ah Manu, também senti a sua. E aí me conta, quais são suas novidades? – Um pequeno brilho surgia no seu olhar. Isso me confortava de certa forma. Minha cabeça rodeou diversos pensamentos e decidi recuperar o tempo que restava com a minha irmã.
*
Depois de duas longas horas de conversa com a minha irmã, eu caminhava pelo hospital em busca da minha mãe. Achei-a escorada do lado de fora, na chuva. Ela chorava até soluçar. Fiquei meio sem reação ao vê-la daquela forma, me machucava saber o tamanho do sofrimento dela. Uma filha assassina e a outra na beira da morte, o quão difícil isso seria?
Em seguida, dei alguns passos em direção a ela e fiz algo que surpreendeu a nós duas. Eu a abracei. O mais incrível foi que ela aceitou o abraço, não que ela tenha correspondido, mas ao menos não me afastou pra longe dela. Ela simplesmente me deixou a abraçar. Abri minha boca desejando dizer algo que a consolasse... Algo como “vai ficar tudo bem”, mas nada parecia apropriado pra dizer naquele momento.
Alguns minutos depois, eu continuava abraçada a ela. Minha roupa havia se encharcado com os pingos de chuva que ameaçava ficar mais forte. Eu estava morrendo de frio e presumo que minha mãe também.
– Melhor irmos pra dentro. – Eu falei sussurrando e me desprendi dela. Quase duvidei de que ela teria escutado.
– Vai você, eu quero ficar aqui mais um pouco. – Ela respondeu secamente.
– Eu preciso fazer os exames de compatibilidade, pra saber se posso doar a medula... Provavelmente eu vá precisar da senhora pra isso. –
– Vamos então... – Ela respondeu ainda com uma carranca nos rosto.
Nós entramos novamente no hospital. Enquanto minha mãe preenchia a papelada dos exames, eu sentei em um dos bancos de espera. Minha cabeça girou por alguns momentos o fato de que eu estava prestes a fazer. Salvar a vida de alguém. No fundo, esperava que aquilo compensasse meu passado. Uma vida por outra.
Meus devaneios foram cortados quando meu celular vibrou no bolso da minha calça extremamente molhada. Havia me esquecido de retirar ele quando entrei na chuva, por tanto alguma coisa estava errada. O celular estava vibrando, mas na tela nada aparecia. Atendi mesmo assim.
– Oi? –
Notas finais
(Eu só estou colocando mais e mais fato, prometendo que vai acontecer muita coisa. Mas não se preocupem, eu cumpro minhas promessas ^^ )
Queria agradecer as minhas 2 recomendações *-* Eu Adorei! Fico muito feliz em fazer isso tudo com as leitoras. Até o próximo =*
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