Notas iniciais
Hm :3 Eu fiquei meio receosa de postar esse capítulo sabe? Fiquei com medo de vocês não gostarem da situação que coloquei pra Manu se sentir tão culpada. Bom, aceito criticas, muitas críticas ^^

- O que houve moça? – Disse André quando notou meus olhos ao levantar o rosto para encará-lo. Lágrimas rolavam pela minha face enquanto eu abria a boca para falar. Nenhuma palavra inteira conseguia sair, apenas alguns poucos gemidos.

- Eu... É, eu... – Fechei os olhos e pressionei com força. Mordi o lábio inferior tentando cessar o choro. Num ato desesperado talvez, senti seus braços envolvendo meu corpo. André estava me abraçando. Ele era calorosamente confortável e no meu alto estado emocional, não consegui deixar de abraçá-lo também. Senti que precisava disso. Um consolo. Um aconchego. Ficamos abraçados durante alguns minutos que pareceram horas.

Seria um completo silêncio se eu não escutasse as batidas do coração dele. Respirava lentamente sobre meu corpo e aquilo parecia estar me convidando a seguir seu ritmo de tranquilidade. Algum tempo depois, eu não chorava mais. Ele me soltou, afagou meu cabelo tirando uma mecha que havia caído no meu rosto sendo extremamente gentil.

- Você consegue me explicar o que aconteceu contigo? – Ele estava visivelmente corado, talvez tanto quanto eu. Era óbvio que não abraçava as pessoas com tanta frequência. Assenti com a cabeça. Ele se afastou um pouco, sentando-se do meu lado direito. Olhava para mim atento, esperando uma resposta. E eu pensava em como e onde começar toda a história. Eu o conhecia há pouco tempo, mas ele passava uma confiança enorme para mim, principalmente por causa da bondade que seus olhos possuíam. Por mais que eu tentava o evitar dias atrás, senti que precisava alguém comigo. Alguém não. Precisava dele. E ele estava ali, disposto a me escutar. Respirei fundo e decidi contar toda a verdade, mesmo que estragasse a possível amizade que poderia ter com ele.

- Bem, talvez você não queira mais falar comigo depois do que eu te contar. Tem certeza que quer saber disso? – Alertei-o. Eu queria contar, mas só se ele quisesse mesmo arriscar a ouvir.

- Duvido que seja algo tão cruel ao ponto de eu nunca mais falar contigo. – Levantou as mãos me pedindo pra prosseguir. Meus pensamentos rodearam várias histórias e fatos pairando sobre o que eu iria contar.

- Bom, não sei se percebeu, mas eu sou o tipo de garota que quase todos odeiam. Cerca de três anos atrás eu estudava em outra escola, um pouco longe daqui, mas não muito diferente. Todos os outros alunos me apelidavam de esquisita e estranha, mas eu não chegava a me importar muito com isso. Eu tinha outras duas amigas, que andavam sempre comigo e acabavam recebendo os mesmos apelidos. Isso tudo porque a gente era muito diferente de todos os outros. Eram todos estúpidos – Eu disse essa ultima palavra rispidamente – e nós não éramos. Mas eu perdi essas duas amigas depois de um fato que ocorreu dois anos atrás. Essas minhas duas amigas e eu, estávamos caminhando na rua de noite. Uma delas, a Alice, tinha brigado com a mãe e então eu e Amanda, resolvemos levá-la em algum lugar pra distrair. Por alguma razão, encontramos um barzinho numa esquina longe de casa e tivemos a péssima idéia de beber. Nenhuma de nós três éramos acostumadas a beber, por tanto no terceiro copo estávamos completamente fora de si. Eu me lembro de ter ido fora do bar, com uma garrafa de vidro na mão, vomitar num beco muito escuro. Eu estava tão tonta que não percebi que um cara havia se aproximado de mim. Ele me segurou pelo braço e me levou mais à fundo naquele local até eu não conseguir mais ver a entrada do bar. Eu nem sabia o que estava acontecendo. Só fui raciocinar o que acontecia ali quando ele começou a desabotoar minha calça e tentar tirar minha roupa. Foi aí que eu soube que ele queria me estuprar. Mas então eu o empurrei pra trás, só que como eu estava tonta acabei caindo no chão e garrafa quebrou em vários cacos. Só me lembro de que quando o cara se aproximou de novo, eu peguei um dos estilhaços e afundei no pescoço dele. Nunca tinha visto tanto sangue na minha vida. Eu fechei os olhos pra evitar olhar. Eu acho que desmaiei, porque quando abri os olhos estava em um hospital. Recebi a notícia de que tinha matado o tal cara e não me justifiquei. Eu não tive coragem de contar pra ninguém que ele havia tentado me tocar daquele jeito... Eu estava com vergonha de mim, nojo de mim. – Minha voz embargou com a última frase e respirei fundo para não começar a chorar de novo. – Então, todos me culparam por achar que eu matei o cara por estar tão bêbada. Passei só oito meses na reabilitação. Hoje meus pais me odeiam, perdi minhas amigas e ainda fiquei difamada por toda a cidade. Estou completamente sozinha, com as pessoas me xingando tanto pelas costas quanto na minha cara. Criam mentiras sobre mim e elas cruzam a boca e os ouvidos de todo mundo. Eu não me importava tanto com isso antes. Mas depois da briga com a minha mãe hoje, tudo piorou. Tudo veio à tona. – Revirei os olhos e encontrei com aqueles mesmo olhos castanhos, que me analisava docilmente. Sua expressão facial era de completa compaixão. Meus olhos encheram novamente de lágrimas, porém não deixei escorrer nenhuma. Ele não havia me questionado nada, nem ao menos sobre o fato de nunca ter contado a verdade para todos.

- Você não está sozinha, eu estou aqui! – Foi o que ele conseguiu dizer. Balancei a cabeça negativamente.

- Você está aqui agora, mas sei que também vai embora. – Meus lábios se colaram anunciando um possível silêncio.

- E se eu prometer que não vou embora? Você vai se sentir melhor? – Encarei seu rosto. Um sorriso pretendia se formar se eu dissesse sim.

- Tem certeza que depois de toda essa história você não vai sumir? – Remexi as sobrancelhas. Meus olhos não desejavam mais chorar e a minha boca brincava pedindo para sorrir pra ele. Ele tinha um jeito especial de me fazer sentir bem em apenas segundos.

- Você não é a culpada. O cara tentou fazer algo inaceitável contigo, repugnante até e você se defendeu. Você não tinha ninguém pra proteger você ali. Qualquer um teria feito o mesmo. Eu compreendo que não esteja pronta pra contar isso pro mundo, deveria contar, mas é bom fazer isso quando estiver preparada. Moça, você é doce e gentil, talvez um pouco teimosa, mas não merece passar por tudo isso. Principalmente sozinha. Você precisa de alguém pra conversar, pra se divertir... E se quiser – Ele olhou pra baixo como se disfarçasse a timidez – eu posso ser essa pessoa. Sei que não nos conhecemos há tanto tempo, mas você me passa confiança – Ele leu meus pensamentos a seu respeito – é divertida e muito interessante. E tem um sorriso muito bonito. – Percebi que ele se referia ao sorriso que minha boca havia se moldado. Eu senti um imenso peso sendo retirado das minhas costas. – E adoraria passar mais tempo contigo.

- Obrigada! Sério mesmo, muito obrigada! – Foi o máximo que consegui dizer. Em seguida fiz algo que surpreendeu a nós dois. Eu o abracei. Ele envolveu seus braços novamente em mim e eu instantaneamente me senti protegida e segura. Ficamos assim poucos segundos, quando comecei a perceber o que tinha feito. Bruscamente me afastei e virei o rosto tentando não demonstrar vergonha. Notei que ele fazia o mesmo que eu. – Eu gostaria que não contasse isso pra ninguém e que fingíssemos que você não saiba disso. Ficar remoendo o passado só tornam as coisas piores – Ele assentiu. Mudei a expressão do rosto tentando anular toda conversa que tivemos. Troquei totalmente de assunto para nos sentirmos mais confortáveis àquele momento.

– Bom, já que está tudo resolvido preciso te perguntar uma coisa... – Olhei seu rosto.

Notas finais
Bom, só não me matem okay? Fiz o capítulo pensando no futuro da história.
Espero que gostem *-*