Notas iniciais
Bom, devo dizer que estou agradecida aos atuais leitores, mas um pouco chateada pela pequena quantidade de reviews u.u Bom, eu não pretendo continuar se caso não tiver leitores. E poxa, vocês concordam comigo néah? A finalidade de postar aqui é você receber opiniões, e se isso não acontece o melhor que devemos fazer é não prosseguir com a história. Deixo claro que, eu continuando ou não a postar a história, vou permanecer acompanhando as histórias que já havia favoritado antes.
Talvez essa não tenha sido a melhor época para postar minha história, então quem sabe daqui um tempo ^^

Acordei tranquila. Uma noite sem pesadelos, talvez fosse um sinal de que meu dia iria ser melhor. Fui para o banheiro e me apressei em tomar banho. Escolhi outro short jeans, azul dessa vez e guardei-o dentro da bolsa. Vesti uma calça mais larga, coloquei o uniforme e decidi que naquele dia eu iria mesmo ficar de uniforme. Calcei um tênis qualquer. Um vento atravessou a janela do meu quarto me fazendo arrepiar a espinha, decidi por tanto vestir um casaco. Peguei o casaco mais fácil que encontrei. Uma jaqueta branca que não era realmente branca. Acho que estava velho demais, só que não me importei. Passei as mãos no cabelo e decidi passar apenas um lápis nos olhos. Fui até a cozinha.

– Estou pronta! – Gritei novamente. Minha mãe já estava acordada e me encarou na porta da sala. – Ah, me desculpe. Não sabia que a senhora já tinha se levantado.

– Vamos! – Ela disse sem nenhuma empolgação. Durante todo o caminho me ocupei com meus fones de ouvido, como sempre. De vez em quando, olhava discretamente pelo espelho do retrovisor os olhos de minha mãe. Órbitas vazias. Completamente sem luz. Um sentimento de culpa me inundou. Desviei o olhar para não começar a lacrimejar. Eu nunca gostei de chorar, principalmente na frente de outras pessoas e não era ali que isso iria acontecer. Quando chegamos ao meu colégio abri a porta e repeti as mesmas palavras do dia anterior. E a cena se repetiu. Ela apenas se foi.

Entrei na escola. Sussurros, cochichos e xingamentos. Alguns olhares atrevidos. Fui ao banheiro e troquei a calça pelo short. Agora eu me sentia um pouco mais confortável. Fui para a sala motivada a prestar atenção na aula. A primeira aula era justamente de história do Brasil e eu estava me sentindo ligeiramente mais inteligente por saber tudo aquilo que o professor estava falando. Procurei nos meus materiais a folha de anotações que estava usando antes e não encontrei.

– Argh! Onde está essa droga? – murmurei baixinho. Ouvi alguém que se sentava ao meu lado protestar, tecnicamente me mandando calar a boca. Fiz uma careta em resposta. Pensei um pouco em onde a folha estaria e cheguei à conclusão.

– Hum... Biblioteca! – resmunguei baixinho novamente. E a mesma pessoa, que eu não sabia o nome (e não sabia exatamente se era uma garota ou um garoto por causa do cabelo comprido), repetiu o gesto insinuando para eu fazer silencio. Dessa vez eu fui um pouco mais grosseira e movi os lábios dizendo um palavrão nada leve. Pelo menos eu não fiz ruído nenhum ao soletrar aquilo.

Ao soar o alarme para o recreio invés de eu seguir em direção à sala dos armários, como todos os dias, eu subi as escadas seguindo até biblioteca. Eu sabia que não podia aparecer na biblioteca no intervalo de aula, mas era por uma boa causa não era? Afinal eu precisava muito daquela folha. Admiti para mim mesma que o motivo de eu realmente ir até lá era somente por causa da folha, mas não me dei muito por convencida. Abri a porta devagar procurando não fazer ruídos e observei lá dentro. Não havia ninguém. Soltei o ar dos pulmões, talvez aprovando a idéia embora aquilo parecesse mais um resmungo. Entrei sorrateiramente pela enorme sala e andei até o local onde eu estava no dia anterior. Observei o chão e não vi a folha. Ajoelhei-me no assoalho e procurei debaixo das prateleiras e acabei não encontrando nada. Ergui meu corpo ficando de pé e levantei as mãos até meus cabelos, onde meus dedos passaram a enrolar uma mecha cheia de fios. Provavelmente eu teria esquecido a folha em casa. Virei-me para sair dali e (in)felizmente tive outra surpresa.

– Ah! O-oi. Olha, eu sei que não pode ficar aqui no intervalo, mas é que... – Desesperei a falar. Meu coração acelerou, possivelmente por causa do segundo susto ou talvez não exatamente por culpa do susto.

– Veio buscar a folha que você esqueceu. É eu sei. – Interrompeu André completando minha frase. Respirei mais calmamente e minha face se moldou numa expressão de duvida.

– Como você sabe que eu perdi a folha? – Minha boca parou entreaberta, eu ainda estava usando-a para respirar melhor.

– Porque – Nesse momento ele enfiou a mão no bolso de trás da calça e retirou uma folha dobrada – eu a achei ontem quando fui fechar a biblioteca e guardei pra você. – ele estendeu a folha e quando eu peguei disse algo que me fez olhar para ele em reprovação – Não esquece a cabeça porque é colada no pescoço né? – Minha mente rodeou vários palavrões, mas o que simplesmente saiu da minha boca foi algo mais suave.

– Piadinha velha essa hein? Há-há-há! – Ri ironicamente.

– Eu sou velho, faço piadas velhas. – Arqueou as sobrancelhas e alterou a posição dos olhos. Era como se ele me olhasse com cara de ‘isso é óbvio’. Ele parecia ter sempre resposta para tudo e isso era curiosamente irritante. Tentei ser tão gentil quanto ele.

– Ah poxa, você não é velho. Não mesmo! Quantos anos você tem? – Porque eu tinha perguntado isso mesmo?

– Você acha que eu tenho quantos anos? – Impressionante, quando raramente alguém perguntava a minha idade eu respondia com essa mesma pergunta.

– Uns... Vinte e... – Observei seus lábios que soletravam o numero seis completei a frase – Vinte e seis.

– Ixi, errou. Tenho vinte e três anos. Está vendo? Você acabou de confirmar que eu pareço mais velho. – Ele esboçou um sorriso travesso no canto da boca e eu o olhei com aversão.

– AH NÃO VALEU. Você me induziu a dizer vinte e seis. – Minha expressão era cética agora. Eu confesso que estava gostando desse joguinho idiota dele.

– Eu não te induzi. Você disse por que quis. Eu acredito que a vida te dá às opções, mas você é que escolhe a correta. Eu te sugeri vinte e seis, mas você poderia ter dito outro número não é mesmo? – Lá estava ele com outra resposta rápida e dessa vez até que tinha lógica. Ponto pra ele.

– Talvez... – Eu tecnicamente não queria dar o braço a torcer.

– E então? Você tem quantos anos? – Ele parecia indiferente.

– Você acha que eu tenho quantos anos? – Respondi sem pensar.

– Copiona! Isso não vale! – Ele riu enquanto eu tentava justificar.

– Ah eu não copiei de você! Eu sempre respondi assim... – E de riso passou para gargalhadas – Ah quer saber? Dane-se você. Não adianta eu tentar explicar, por que... –

– Doze anos – Ele me interrompeu. Ok, agora ele forçou a barra.

– O quê? Você pirou? – Eu estava com uma vontade enorme de esganá-lo até ele tirar aquele lindo sorriso do rosto.

– Com essa altura, com esses olhos incrivelmente pequenos contrastando com sua bochecha enormemente grande formando um rosto lindo de bebê? Só pode ter doze anos. – Como ele conseguia sorrir ainda? Talvez sem os dentes parasse de sorrir daquela forma perfeita.

– Primeiro, não existe a composição de palavras ‘enormemente grande’. Segundo, eu sou baixinha. Terceiro, rosto LINDO de BEBÊ? Ah tá. Quarto, faço dezessete anos semana que vem. – Soletrei cada palavra como se doesse de tanto sarcasmo que eu utilizava. Percebi que estava ofegante e talvez um pouco corada por perceber que ele achou meu rosto ‘lindo’. Tudo bem que ele completou com bebê, mas não deixava de ser lindo pra ele.

– Eu não vou te dar um presente, se a sua intenção foi essa ao me dizer que faz aniversário semana que vem. – Cínico como sempre.

– Eu não pedi presente nenhum, eu disse apenas minha idade. – Ele abriu a boca querendo dar mais uma de suas respostas, mas o cortei – Quer saber? Eu vou voltar para as minhas musicas onde eu possa ter paz. Tchau! – Me virei e sai andando. Coloquei uma das mãos no bolso de trás do short e percebi que não estava com a folha. Girei o corpo e notei algo. A folha estava no chão, provavelmente tinha caído quando eu me desesperei em questionar alguma de suas respostas. E olhei para ele. Ele estava ainda mais lindo que o dia anterior. Vestia um casaco preto por cima do uniforme de trabalho e com os jeans da mesma cor. Sua expressão facial era de completo deboche. Seu sorriso largo convidava a minha boca para sorrir também. Eu me sentia uma burra por ele sempre ter razão e uma idiota por ter que voltar caminhando até a folha. Evitei contato visual ao me aproximar.

– Voltou para se despedir? – Disse ele abaixando e pegando a folha antes que eu pudesse fazer o mesmo. – Toma a folha sua boba. – Eu peguei a folha encarando-o feliz. Por incrível que pareça, não reagi mal àquela ultima palavra dita por ele. Apenas virei às costas e segui até a porta. Antes que eu pudesse sair por completo pela abertura abri a boca e deixei sair algumas palavras da forma mais doce que consegui.

– Até mais tarde André. -

– Até mais tarde, moça. – E ele respondeu com a mesma doçura.

O restante da aula continuou chata, mas eu resisti a todas elas ainda com um sorriso no rosto. Tentei prestar atenção, mas não tive sucesso. André me fez bem de certa forma. Por mais que eu fosse sombria e orgulhosa, eu precisava admitir que sentia muita falta de uma companhia e ele estava ocupando essa falta. Não sei por mais quanto tempo ele teria coragem de falar comigo. Aliás, não sei como realmente falou. Talvez passasse tempo demais naquela biblioteca para descobrir que eu era a garota mais estranha da escola. Mas estranha mesma era a alegria que estava fazendo meu coração dar pequenos saltos.

12:40 o sinal tocou e ansiosamente eu sai da sala. Corri os degraus acima e cheguei à biblioteca. Abri a porta e me deparei com o vazio. Não havia ninguém lá. ELE não estava lá. E pela primeira vez durante tanto tempo eu senti a falta de alguém.

Sentei no fim do mesmo corredor de sempre e escolhi qualquer livro. Dessa vez seria geografia. Peguei algumas anotações e tentei espairecer os pensamentos que ainda rondavam André, até conseguir me concentrar toda minha mente no meu estudo.

Algumas horas mais tarde, eu ainda resistia focada na matéria, até meu estomago roncar. Peguei novamente minha bolsa, procurando esperançosa por algo melhor que uma barra de cereal. Sem sucesso tive que escolher entre os sabores pêssego e morango. Tapei os olhos e misturei as duas a fim de pegar qualquer uma. Me senti uma perfeita criança ao fazer isso e retirei minhas mãos da minha visão. Olhei para o início do corredor e vi André passando.

Notas finais
Agradeço a todos que realmente perderam um tempinho lendo (: E sorry, se caso eu desistir de vez. Eu os manterei informados ^^
Ps: Escutem Creep - (cover) Daniela Andrade *-* Menina da voz perfeita!