Notas iniciais
Consegui! Pensei que não conseguiria postar um novo capítulo hoje, e lá estava eu essa manhã cedinho escrevendo e escrevendo. O Capítulo de hoje, é perfeito para as haters do Daniel :D - Não me matem! - e vamos ver um progresso com os pais da Manu *-* Finalmente um capítulo que não me faz querer tirá-los da história.

Levantei da cama e substitui meu pijama por um short com tachinhas, uma blusa mula-manca cinza e um all star. Peguei também uma bolsa onde coloquei alguns itens de sobrevivência para enfrentar aquele ‘encontro’.

Percebi que eram oito da noite e ninguém havia chegado ainda. Pensei em ligar para meus pais e perguntar como estava minha irmã, mas hesitei. Minha mãe não iria atender e eu tinha certeza disso.

Em exatos vinte minutos eu estava sentada na calçada esperando. Vi ele se aproximar. Ele estava andando cabisbaixo, chutando uma pedra. Não sabia ler bem sua expressão. Levantei-me da calçada quando ele estava apenas a dois metros de mim. Jurei a mim mesma controlar meu humor.

– Oi... – Disse timidamente.

– Que bom que você veio, pensei que ia me dar o fora de novo. – Ele sorriu. A jaqueta de couro, a camiseta branca e a calça preta o faziam parecer outra pessoa. Um cara muito bonito com um estilo de cara sexy.

– Daniel, porque me chamou? – Perguntei pra ele, calmamente. Eu tinha dito que daria uma chance e aquela era à chance que ele tinha. Ele brincou com os olhos e deu um sorriso diferente. Um sorriso que poderia jurar ser sincero.

– Primeiro, vamos a um restaurante jantar. Fiz uma reserva lá. E lá a gente conversa. – Assenti sem muita vontade. Eu estava me esforçando a ser educada com ele.

*

Fizemos todo o trajeto até os restaurantes completamente mudos. Daniel andava com as mãos no bolso chutando uma pedra na rua. Parecia meio inquieto ou ansioso e por essa razão desconfiei daquele jantar. Fiz questão de agarrar a alça da minha bolsa. Qualquer susto que ele pudesse ter planejado a mim, eu pegaria os meus dois itens de sobrevivência: Um spray de pimenta (clichê) e um canivete. Por-Deus eu não iria mata-lo se ele ameaçasse algo, apenas assustar já era o suficiente.

Ao chegar no restaurante, me odiei por ter vestido aquelas roupas surradas. Sentamos em uma mesa com duas cadeiras. Era um restaurante noturno tipicamente romântico e caro. Perguntei-me quais eram as intenções dele ao me convidar para aquele lugar. Tentei me encolher o máximo que podia sobre o assento e evitei chamar atenção, já que feia, era apelido pra mim ali. Um garçom nos trouxe os cardápios. Tentei não fazer careta às comidas estranhas e absurdas que havia ali. Fizemos os pedidos e enquanto esperávamos a comida (E eu cruzava os dedos para que não estivesse escolhido algo semelhante a lesma), ele se aprontou a falar.

– Bem, eu quero dizer primeiramente que, eu sinto muito sobre a sua irmã. –

– Como ficou sabendo que era a minha irmã? Foi você que espalhou pela escola sobre ela né? – Prendi a respiração. Imaginei como ele havia conseguido aquela informação. Ele sabia do hospital, mas ninguém que se preze sabia da minha irmã.

– Eu ouvi por ai... E eu contei a um amigo e parece que alguém escutou e começou a espalhar. Desculpe por isso também. – Bufei. Tentei ainda manter a calma. O ‘eu ouvi por ai’ me fez estreitar os olhos.

– Tudo bem, agora não tem como voltar à atrás. Minha irmã está melhor, então eu não me importo com o que é que você tenha feito. – Coloquei minhas mãos em cima da mesa e bati meus dedos impacientemente e dei de ombros fingindo desinteresse.

– Outra coisa que eu queria te dizer – Ele pegou minhas duas mãos e observou meus olhos. – era que eu realmente... – Gaguejou – Estou sentindo algo por você. – Soltei as minhas mãos dele.

– Daniel... Peço minhas sinceras desculpas, mas eu realmente não acredito em você. – Disse rispidamente. Cada palavra que saía da boca dele só me fazia repugnar mais aquela história mal contada.

– E eu entendo que não acredite. Eu te machuquei demais algumas vezes e sempre fiz muita merda. No seu lugar, estaria agindo da mesma forma – Estaria não, você estaria agarrando o garoto. Imaginei. Ele percorreu os olhos da mesa até chegar aos meus. – Mas eu vou fazer de tudo para você um dia acreditar em mim. –

– Daniel, eu... – Suspirei.

– Não precisa dizer nada! – Ele me interrompeu. Calei a boca submissamente e me questionei de onde havia surgido toda aquela paciência com alguém que eu simplesmente ‘odiava’. – Você vai confiar em mim um dia. – Duvidei disso, mas não quis dizer nada.

A comida chegou e por sorte não havia nada muito gosmento. Enquanto comíamos, jogávamos conversa fora. Perguntei para ele sobre as mensagens misteriosas e ele negou a possibilidade de ser dele. O que eu não acreditei muito, mas deixei por isso mesmo.

Quando terminamos de comer, ele se ofereceu para me levar em casa. O trajeto de volta também foi silencioso o que me deu certo medo. Estávamos os dois sozinhos em uma rua totalmente escura e o único som que ecoava eram dos nossos passos. Por sorte não demorou muito para chegarmos em casa. Quando me dei conta, já estávamos em frente a porta de casa.

– Bom... Obrigada pelo jantar! – Agradeci, já que ele tinha oferecido para pagar tudo. Ele se aproximou de mim subitamente.

– De nada. – Sussurrou me fazendo sentir seu hálito quente próximo a minha boca. Corei ao perceber que ele estava se preparando para me beijar. Virei o rosto e estiquei um dos braços tentando manter a distância entre a gente.

– DANIEL... – Quase berrei. Ele sorriu sarcasticamente.

– Boa noite linda! Te vejo depois. – E ele virou as costas. Entrei em casa e fiz menção em vomitar. Como aquele garoto tinha coragem de tentar me beijar? Ele parecia desesperado demais pra mim.

Parabenizei-me por ter mantido a calma durante todo o jantar. Eu estava dando a chance que ele tinha pedido (E que tinha desperdiçado) e me pareceu conveniente ser gentil. Decidi jamais contar aquela noite para alguém, inclusive André. E decidi também esquecer tudo o que tinha acontecido na porta de casa. Por mais que eu não gostasse nenhum pouco de Daniel, ele havia me feito uma companhia essa noite e teria que agradecer por isso.

*

Meia noite meu celular vibrou novamente. Imaginei que poderia ser Daniel querendo fazer mais uma de suas gracinhas. Mas a tela havia avisado outra pessoa: Pai.

– Oi? Minha irmã está bem? –

– Seus resultados saíram você é compatível e vai fazer a cirurgia amanhã. – Ele disse ignorando minha pergunta. Certo alivio me percorreu corpo ao saber que minha irmã iria se salvar graças a mim.

– Mas ela está bem? – Tornei a perguntar.

– Ela está melhor, consciente agora. Te aconselho dormir um pouco, amanhã cedo passo aí pra te buscar. Eu e a sua mãe vamos passar a noite aqui com a Maria. –

– Ok... Tchau então. – Fiz menção em desligar o telefone, mas fui interrompida.

– Minha filha, espera... – Escutei sua respiração algumas vezes. – Obrigado, por tudo. Você sabe que o que está fazendo é muito importante, tanto pra mim quanto pra sua mãe. Só que ela é orgulhosa demais para admitir. Você vai fazer a Maria se recuperar e eu te prometo que ela volta pra casa quando tudo isso acabar. Depois de tudo o que você está fazendo, você merece uma segunda chance. – Vibrei. Minhas mãos começaram a tremer quando ele citou as duas ultimas palavras.

– Papai... Eu te amo! – Uma lágrima brincou em meus olhos.

– Também te amo minha filha! Vou desligar. – E ele desligou. Meu coração ardeu e um alívio subitamente apareceu em mim. A possibilidade de tudo voltar ao normal e de realmente formar uma família de novo parecia estar tão perto naquele momento. Meu sorriso se misturava com as minhas salgadas lágrimas. Era uma alegria que eu esperava há tanto tempo e que jamais pensei que alcançaria.

Depois de um tempo, percebi que estava deitada olhando o teto e imaginando minha vida daqui pra frente. Eu, minha irmã, meu pai e minha mãe. E foi pensando nisso que finalmente consegui dormir em paz e sem pesadelos.

*

Na manhã seguinte, ouvi batidas fortes na porta.

– Já vou! – Gritei esfregando os olhos e massageando as têmporas devido a terrível dor de cabeça que estava sentindo.

– Só se apronte e vamos! – Era a voz do meu pai. Recordei que ele dissera que me buscaria bem cedo para me levar ao hospital. Olhei a janela e o sol nem havia surgido direito ainda, apenas alguns raios clareavam o céu. Caminhei até guarda roupa e peguei um conjunto estranho. Um macacão azul, uma blusa vermelha e uma sapatilha colorida. De quem são essas roupas? Perguntei-me. Dei de ombros e vesti aquelas roupas estranhas. Eu precisava me apressar ou meu pai mudaria todo aquele rumo da conversa que tivemos por último. Papai nunca foi paciente o suficiente para esperar.

Enquanto me vestia, disquei o número de André e coloquei no viva-voz.

– Alô? – A voz dele estava rouca, como se ainda estivesse dormindo.

– Bom dia dorminhoco! – Disse sorrindo de lado.

– Espero que tenha um bom motivo para me acordar a essa hora da manhã. – Ele bocejou.

– Bom, na verdade queria avisar que o exame de compatibilidade saiu e deu tudo certo! – Exaltei a voz claramente animada. – Eu vou operar hoje. –

– Sério? Ah moça, você não imagina como eu fico feliz em ouvir isso! – Ele se acalorou. – Você quer que eu te leve até o hospital? Te acompanhe na cirurgia? –

– Não vai ser preciso... Meu pai vai me levar. Ah, André, vai dar tudo certo! Eu estou tão feliz.- Sorri de orelha a orelha.

– Eu imagino que esteja. Bom, me liga quando tudo der certo ok? Não me deixe de dar noticias. – Ele se preocupou.

– Pode deixar! – E desliguei a ligação.

Notas finais
Estou tãaaaaao agradecida aos meus +400 reviews e as minhas duas novas recomendações *-* A cada dia supero as metas que imponho a mim mesma. Quando vejo uma nova recomendação, é tão gratificante. Penso comigo 'Poxa, eu realmente consegui fazer a minha história mexer com tal pessoa.' E isso me deixa contente. Enfim, chega de blablabla. Vocês perceberam que estou tentando postar todos os dias, como sempre fiz. Mas hoje vai ser meio tenso de escrever, vou estar ocupada a tarde toda, então não garanto capítulo amanhã. Enfim :D Espero que tenham gostado. Tô precisando de alguém para revisar meus erros no capítulo '-'