Notas iniciais
Gente, desculpa mesmo, mas eu não consegui postar antes!! D:
Mas aqui está o capítulo, espero que gostem!

Ao acordar, no dia seguinte, Alana sentiu o corpo todo doer e sua mão latejar. Tivera que inventar uma bela desculpa para os pais por estar toda machucada daquele jeito. Disse que, durante a aula de laboratório de química, acabou tropeçando no próprio pé, o que a fez cair e quebrar o béquer que carregava, cortando a mão e o rosto. Agradeceu o fato de os demais hematomas não estarem visíveis por conta da roupa que usava.

Tirou o pijama e vestiu uma calça e uma camiseta regata e foi lavar o rosto, era um pouco difícil fazer tudo usando apenas uma mão. Quando desceu para o café-da-manhã, não encontrou seus pais na cozinha, mas sim no jardim. Alana estranhou aquilo e foi até eles para ver o que estava acontecendo.

Bichinhos de pelúcia estavam todos destroçados e espalhados pelo jardim e, em volta de cada um deles, havia uma poça de um líquido vermelho. Alana sentiu as pernas bambas e durante breves segundos o ar faltou. Para todos os lados que ela olhava, a cena se repetia.

Seu pai se aproximou do líquido e passou o dedo, cheirando-o logo em seguida. Ele fez careta e depois, voltando-se para ela e para a mãe, disse:

-Tinta.

Um bichinho em especial chamou a atenção de Alana. De todos os que estavam ali, ele era o único na cor azul e que não estava esmontado.

-Mas quem faria uma coisa dessas? – perguntou a senhora Campbell. Ela, o marido e o filho se juntaram aos seus pais.

Alana caminhou até o ursinho e o pegou nas mãos. Havia um corte enorme na região da barriga, por onde saía o algodão. Ela colocou a mão ali e sentiu algo em seu interior. Tirou o que parecia ser um bilhete de lá de dentro. “Você é a próxima.”

Sentiu o sangue gelar e as mãos tremerem. Olhou para todos os lados, em pânico, esperando encontrar a tal pessoa que a perseguia, mas não havia ninguém ali além de sua família e dos Campbell.

-Achou alguma coisa, Alana? – assustou-se com a voz da mãe. Guardou o papel no bolso da calça e virou-se para onde os demais estavam.

-Nada. – tentou fazer com que a voz não saíssem trêmula – Apenas uma brincadeira de mau gosto.

-Mas que absurdo! – reclamou a mãe.

Ela e a senhora Campbell começaram a conversar, indignadas, enquanto seu pai e o senhor Campbell discutiam para ver o que fariam com todos aqueles bichinhos e a tinta. Alana encontrou o olhar de Marcos na sua direção, ele estava quieto e parecia irritado.

Ficou alguns segundos olhando para ele até perceber que ela não era seu alvo. Voltando-se para trás na direção que ele olhava, Alana viu a velha na janela. Um clima esquisito se formou e, pela primeira vez, sua vizinha fechou a janela.

-Alana, — sua mãe a chamou – vamos até a delegacia.

-O quê? Para quê? – perguntou enquanto se aproximava das outras duas.

-Ora, olha como está o nosso jardim! – seu pai e o senhor Campbell se dirigiam para o carro.

-E o que vocês pretendem dizer aos policiais? “Um bando de adolescentes rebeldes atacou nosso jardim com ursinhos de pelúcia e tinta vermelha”. – imitou a voz do pai, que olhou feio para ela – Qual é, foi uma brincadeira, de mau gosto, mas uma brincadeira.

-Brincadeira ou não, temos que informar a polícia. Não podemos deixar esses adolescentes acharem que podem fazer o que quiser. – falou sua mãe.

Alana suspirou. Primeiro, aquilo era um exagero, não havia a necessidade de envolver a polícia naquilo. Segundo, temia que, se o fizessem, a pessoa se irritaria ainda mais e aí sim algo poderia acontecer mais depressa.

-Que exagero. – resmungou.

-Bom, se quiser ficar em casa, pode ficar, mas eu e seu pai vamos à delegacia.

O primeiro pensamento de Alana foi dizer que ficava, mas a ideia de ficar sozinha em casa a assustava. Antes de ir até o carro, foi para perto da senhora Campbell.

-Conhece a nossa vizinha? – perguntou e apontou para a casa da velha.

-Ah! Aquela é a Margarida. Não liga para ela, não, ela não bate bem da cabeça. – sussurrou a última parte – Diz coisas sem nexo.

-Entendi... Obrigada.

Foi até o carro se lembrando das poucas palavras que a velha lhe dirigira, e embora realmente não fizessem sentido, ela parecia bastante confiante ao pronunciá-las.

Enquanto seus pais tentavam dizer ao policial o que tinha acontecido sem que parecesse algo estúpido, Alana viu Gabriel tomando café na padaria do outro lado da rua. Sua vontade era de ir até lá e pedir para ele não falar nada sobre o que vira no dia anterior, mas tinha receio de que ele a chantageasse com aquilo.

Quando ouviu sua mãe ficar brava porque o policial nada quis fazer sobre o ocorrido, revirou os olhos e foi para fora da delegacia. Atravessou a rua e só parou quando estava de pé na frente da mesa de Gabriel.

-Oi... – tentou parecer confiante. Sempre que estava perto dele ou de Pedro ela se sentia diferente, mas não sabia dizer exatamente o que era. Ele nada disse, apenas apontou a cadeira à sua frente e tomou seu café.

-Já sei, veio me pedir para não contar nada sobre ontem. – a voz grossa e carregada dele soou familiar em seu ouvido e ela quase se esqueceu de prestar atenção no que ele dizia.

-Isso! – sorriu nervosa – Afinal, não aconteceu nada! Quero dizer, o André só cuidou de mim, me pegou no colo... Não! Não era isso! Ele se preocupou comigo, me deu carona e fez carinho em mim! Espera! – ela falava rápido e toda vez que tentava consertar o que tinha dito, acabava por falar algo pior. Ficou em silêncio por alguns instantes, tentando adivinhar se Gabriel tinha ou não entendido algo. Como ele apenas a olhava de maneira indiferente, achou melhor explicar tudo de novo,
dessa vez mais calma. Tomou fôlego.

-Não! – ele a impediu de falar – A vida é sua, Alana, e o que você faz ou deixa de fazer é problema seu. – não sabia se deveria acha-lo grosso por aquilo ou não, mas o importante era que ele parecia não ser do tipo que fazia fofoca.

-Então... Não vai contar nada, certo? – perguntou, ainda um pouco insegura.

-Não. – sorriu aliviada.

-Obrigada.

Viu seus pais saindo da delegacia e, com uma rápida despedida, juntou-se a eles. Enquanto voltavam para casa, sentiu seu celular vibrar e seu coração descompassou. Um e-mail.

“Vá para o cemitério e procure pelo túmulo de Adriana Golveia.”

Alana ponderou seriamente se devia ir ou não. Falar o nome na sala era algo que julgava simples e acabou espancada, se alguém a visse no cemitério, não queria nem pensar o que poderia acontecer. Por outro lado, era uma oportunidade de descobrir algo, gostava de acreditar que Elvira não a mandaria para lá sem um propósito. Tomou uma decisão.

Assim que chegaram em casa, Alana procurou na internet onde ficava o cemitério da cidade e, com a desculpa se que estava com vontade de dar uma volta, saiu.

Não era longe de sua casa. Apensar de ter muitas árvores, o lugar tinha um clima sombrio, e os muros de concreto não cuidado não ajudava a melhorar o visual. Logo na entrada, havia um mural com a informação de onde ficava o túmulo de cada família. O da Adriana era um dos mais distantes.

Estava detestando andar ali, o silêncio era absoluto e sufocante, e o fato de não ter mais ninguém naquele lugar, fazia Alana se sentir extremamente ameaçada. Olhava para todos os lados, torcendo para não encontrar nada desagradável e não via a hora de voltar para casa.

Já estava profundamente arrependida de ter ido, quando achou o túmulo da família Golveia e, além disso, viu uma figura diante da lápide. Escondeu-se atrás de uma árvore e, a menos que estivesse vendo coisas, Marcos estava ajoelhado e de cabeça baixa.

-O que ele está fazendo aqui? – sussurrou para si mesma.

O menino se encolheu e ficou ali por pelo menos quinze minutos. Ele não fazia nada a não ser ficar olhando para a lápide com ar desolado. Naquele momento, o e-mail de Elvira fez sentido, Marcos e Adriana deviam ser amigos.

“Marcos e Adriana tinham uma ligação?” mandou e, cinco minutos depois, a resposta veio.

“Mais do que você imagina. Adriana era uma das melhores alunas do colégio. Dê um jeito de pegar, no quarto de Marcos, um caderno de capa marrom toda desbotada.”

Aproveitou o fato de que Marcos continuava focado no túmulo e saiu do cemitério, voltando correndo para casa. Durante todo o caminho, perguntou-se como faria para pegar o caderno. A solução veio quando chegou, seus pais e os Campbell tiravam os bichinhos do jardim, colocando-os em uma caçamba, e sua mãe disse que jantariam na casa dos vizinhos naquela noite.

Todos estavam sentados à mesa comendo sanduíche e torta de frango. Marcos não falava absolutamente nada, tinha seu olhar no nada e parecia estar bem longe em seus pensamentos.

-E o que o policial disse? – perguntou o senhor Campbell.

-Que foi apenas uma brincadeira e que ele infelizmente – seu pai debochou – não podia fazer nada.

-Estamos bem arranjados com uma polícia dessas! – indignou-se sua mãe.

-Senhora Campbell, onde fica o banheiro? – Alana perguntou, não aguentando mais aquele assunto.

-Segunda porta à esquerda. – respondeu com um sorriso no rosto.

-Obrigada.

Foi na direção do banheiro e, quando olhou para trás e viu que ninguém estava prestando atenção nela, subiu as escadas. Sem pensar duas vezes, entrou no quarto de Marcos e olhou o cômodo, nada de caderno marrom.

Perguntou-se onde ele poderia estar guardado e procurou nas gavetas. Sem encontrar nada, foi para os armários e, por fim, embaixo da cama. Lá só tinha uma caixa e, quando Alana a abriu, estava repleta de revistas de mulheres nuas. Lembrou-se de que Marcos era homem, afinal, e que era um tanto óbvio que ele tivesse aquilo.

Já estava achando que Elvira a tinha mandado procurar no lugar errado quando, sem querer, pegou a caixa de mau jeito e a derrubou. Um objeto marrom surgiu no meio de todas aquelas revistas e Alana sorriu. Sem hesitar, pegou-o e colocou dentro do casaco exagerado para o clima, guardou o restante e recolocou a caixa embaixo da cama.

Quando foi se levantar do chão, sentiu uma presença atrás de si. Respirou fundo para tentar manter a calma e, lentamente, foi se virando.

Notas finais
E então, o que acharam?? Alguma sugestão??