Não Conte Nossos Segredos
27 Capítulo 27
Notas iniciais
Espero que gostem!!
–André! – Alana gritou, não aguentando ver aquela cena. Ao ouvir seu nome, ele parou imediatamente, e quando a viu, pareceu congelar.
–Alana... – balbuciou, em choque.
Ele soltou Victória e, no momento que fez isso, ela deixou seu corpo escorregar pela parede, acabando sentada no chão, chorando e com as mãos cobrindo o rosto.
–Não...
–Se afasta dela. – Alana o interrompeu.
–Espera, Alana... – André estava pálido e Alana viu que suas mãos tremiam.
–Se afasta dela, agora! – gritou
–Mas...
–Sai! – Alana procurou por algo que pudesse usar para ameaça-lo. Encontrou um pedaço de madeira na calçada, vinda, provavelmente, da marcenaria que havia ali do lado – Se afasta. – ela disse com o objeto na mão e dando um passo à frente.
–Alana, se acalma! – ele elevou a voz também, o que fez com que Victória se encolhesse – Não é bem assim!
–Ah, não?! – foi sarcástica – E vai me dizer o quê? “Foi consensual”! – ela imitou a voz dela com desprezo – Pois não parece! – ele abriu a boca para dizer algo, mas Alana não deixou que ele falasse – Você é um monstro! – cuspiu as palavras – Agora, sai daqui, antes que eu faça um verdadeiro escândalo. – disse o mais calma que conseguiu, mantendo seu tom frio.
André ainda tentou dizer algo, mas Alana continuava segurando o pedaço de madeira e o olhava com raiva e desprezo. Ambos sabiam que, se ele quisesse, deixava Alana toda machucada com apenas alguns golpes, ele era bem mais forte do que ela. Entretanto, ele estava apavorado e não sabia o que fazer, e se aproveitou exatamente disso.
Com passos rápidos, André passou por elas e saiu do beco. Alana esperou até que ele estivesse longe para correr até Victória, ajoelhando-se na frente dela. Ela não sabia o que fazer, a outra estava em prantos e tinha receio de assustá-la.
–Victória... – sussurrou.
Ela não disse nada, apenas se jogou nos braços de Alana e chorou ainda mais. Seu corpo tremia e o pesar que tinha no choro era tão grande que fez o peito de Alana doer. Envolveu-a com os braços e afagou de leve os cabelos dela.
Ficaram embaixo da chuva, em silêncio, por longos minutos. Aos poucos, Victória começou a se acalmar, o chorou diminuiu e, enfim, ela se soltou de Alana. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, e ela tinha uma expressão cansada.
–Obrigada, Alana. – falou com voz fraca.
–Imagina, nem tem o que agradecer... Era o mínimo que eu podia fazer... – Victória encostou seu corpo na parede e abaixou seu olhar, ficando em silêncio novamente – O que vai fazer agora?
–Como assim? – ela olhou para a Alana, confusa.
–Sobre aquele desgraçado... Você vai à polícia, não é? – a outra arregalou os olhos.
–De forma alguma! – falou alto e rapidamente.
–E por que não?! – Alana perguntou, estranhando – Ele foi um cretino com você!
–Não! Alana, presta atenção. Se eu contar para a polícia, vai ser pior! Ele vai tornar minha vida um inferno! Sem contar que essa é uma cidade pequena! A notícia vai correr rápida e eu vou ficar mal falada! – ela disse tudo correndo, com afobação, e Alana quase não entendeu o que ela disse.
–Eu... Eu entendendo os seus motivos, de verdade, mas não pode ficar assim! Isso é pedofilia, ele tem que ir preso! – Alana estacava achando um absurdo ela não querer denunciar o André.
–Não, Alana, por favor! Não vou contar para a polícia! – ela disse com convicção – Até porque... Essa não é a primeira vez que ele faz isso... – ela disse em voz baixa, desviando, mais uma vez, o olhar.
–Como é?! Victória, então, isso é ainda pior! Mais um motivo para você entrega-lo! – ela colocou as mãos nos ombros dela, fazendo Victória olhá-la.
–Não! Eu não quero, Alana! Não quero mesmo! – lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela – Acredita em mim, Alana, vai ser pior se eu fizer isso! De verdade. Então, eu te peço, te imploro, não conta nada para ninguém! Por favor, Alana. – ela conseguia ver o desespero estampado no rosto de Victória, mas não conseguia entender por que ela estava tão relutante em não dizer nada.
–Mas ele foi um filho-da-puta com você! – ela argumentou.
–Eu sei! Mas, por favor, Alana, deixa isso para lá... Por favor! – ela segurou as mãos de Alana e olhou fixamente para seus olhos. Alana ficou em silêncio durante algum tempo, tentando encontrar algum sentido naquele pedido, mas ao ver o estado de Victória, desistiu.
–Tudo bem... Eu não vou dizer nada... Você deve ter os seus motivos... – suspirou – Só acho que ele não podia sair impune desse jeito...
–Obrigada, Alana. – Victória sorriu um pouco – Bom... Acho melhor voltarmos para casa.
–É...
Alana se levantou e ajudou Victória a fazer o mesmo. Com alguma dificuldade, ela caminhava ao lado de Alana.
Ela pensou em perguntar à Victória o que ela estava fazendo na rua àquela hora da madrugada, mas temeu que a outra devolvesse a pergunta, não conseguia pensar em nenhuma desculpa para aquilo, então achou melhor esquecer aquilo.
Caminharam em silêncio até se aproximarem de outra praça. Alana teve a sensação de já ter estado naquele lugar, ainda que nunca tivesse ido para aquele lado da cidade. Pararam em frente a um prédio bege e marrom, mas não era nele que estava focada a atenção de Alana, era no prédio ao lado.
–Está tudo bem, Alana? – Victória perguntou.
–Sim... – a ideia de que já estivera em algum daqueles apartamentos parecia ridícula, mas conseguia imaginar exatamente como eles eram – É aqui que você mora? – com dificuldade, voltou seu olhar para Victória.
–É. – ela sorriu – Mais uma vez, Alana... Muito obrigada.
–Imagina. – respirou fundo – Bom, vou para casa...
–Toma cuidado.
–Pode deixar.
Enquanto anda, Alana tentava entender tudo o que tinha acontecido. André sempre fora muito gentil com ela, nunca imaginou que ele seria capaz de tamanha maldade. E ainda tinha o fato de Victória ter ficado apavorada com a ideia de entrega-lo para a polícia. Aquilo parecia não ter sentido. E ainda tinha que pensar em um suspeito para o assassinato de Adriana.
Assim que chegou em casa, foi para perto da árvore por onde tinha descido e, com certa dificuldade, escalou-a, segurando-se no parapeito de sua janela. Ouviu um barulho e, quando olhou para trás, viu Margarida.
–Estava aproveitando a oportunidade. – comentou baixo. Não era mais preciso gritar, já que a chuva tinha diminuído de intensidade, tornando-se apenas uma garoa. Margarida sorriu e fechou sua janela.
Assim que entrou, Alana foi direto para o banheiro e tomou uma ducha rápida, deixando as roupas molhadas penduradas no box. Colocou o pijama e deitou na cama. As imagens do que acontecera não saíam da sua mente, e junto delas havia a sensação de que conhecia André o suficiente para ficar absurdamente chocada com a atitude dele. E aquilo era estranho, afinal, sua relação com ele nunca tinha passado de professor-aluna.
Com esses pensamentos correndo pela sua cabeça, o sono foi chegando aos poucos, e sem ao menos perceber, Alana acabou dormindo.
–Por que você fez isso? – ela perguntou para uma figura embaçada à sua frente. E, apensar de não conseguir saber quem era, tinha a impressão de que a conhecia.
–Você fez isso comigo, Alana. – uma voz feminina e familiar respondeu – Me torturou até não poder mais... Sabe o que é passar por tudo aquilo?
–Acho que agora eu sei... – respondeu constrangida.
–O que você fez foi maldade, Alana. – a voz saiu fria e seca, acusadora. Aquelas palavras perfuraram a pele de Alana a atingiram em cheio no peito, fazendo-a se sentir a pior pessoa do mundo.
–Me desculpa. – pediu, sentindo as lágrimas escaparem dos olhos – Me desculpa... – o borrão que era a pessoa à sua frente começou a tomar forma, revelando aos poucos as curvas que Alana conhecia muito bem – Me desculpa... Carolina. – implorou assim que viu o rosto dela.
–Não sou Carolina, Alana... – ao dizer isso, o coração de Alana disparou e ela sentiu seu sangue congela. A fisionomia da outra começou a mudar, assim como o corpo, e, de repente, Alana se viu diante de outra pessoa.
–Adriana.
Alana acordou sobressaltada, sua garganta estava seca e uma quantidade razoável de suor cobria seu rosto. O toque estridente do despertador não parava, deixando Alana ainda mais atordoada.
Com um pouco de tontura, ela foi até a escrivaninha e desligou o aparelho. Seu corpo parecia mais pesado do que o normal e uma sensação de moleza a dominava. Aqueles sintomas só podiam significar uma coisa: estava com febre.
Tomou outra ducha, dessa vez bem morna para que a febre baixasse e se agasalhou bem. Lembrou-se de pegar um guarda-chuva e pegou o restante do seu material, seguindo para a cozinha em seguida.
–Está tudo bem, Alana? – sua mãe perguntou.
–Está... É só o cansaço. – mentiu. Se dissesse a verdade, sua mãe a impediria de ir para o colégio, e se tinha algo que Alana realmente não queria que acontecesse, era ficar sozinha naquela casa enquanto seus pais estavam no trabalho.
Pegou algumas uvas e foi para a calçada. Certificou-se de que não havia ninguém a espionando e começou a andar na direção do colégio.
O tempo estava péssimo, o céu estava encoberto por nuvens carregadas e o vento era frio. Alana pensou que aquele era o cenário ideal para um filme de terror, só faltava a pessoa que a perseguia aparecer naquele momento.
Arrependeu-se de ter pensado naquilo, olhou para todos os lados, tendo a certeza de que estava sozinha, e apressou o passo. Só quando chegou no colégio foi que soltou a respiração, a qual nem percebera que havia prendido, e relaxou um pouco.
–Que tempo de merda! – Mila brigou, andando ao lado de Alana no corredor.
–Realmente achei que aqui não chovia muito. – admitiu.
–É difícil chover, mas quando isso acontece, parece que não acaba mais! Sem contar que esse dilúvio está fora de época. – comentou mal-humorada.
Assim que chegaram na sala de aula, cada uma foi para o seu lugar. Alana não estava se sentindo muito melhor e resolveu ficar sentada e com a cabeça baixa. Estava quase dormindo, quando sentiu uma mão acariciar seus cabelos.
–Está tudo bem? – Pedro perguntou, enquanto Gabriel brincava com o cabelo dela.
–Você está um pouco pálida. – encostou sua testa na dela e lhe beijou os lábios – E quente também.
–Acho que foi aquela chuva que eu tomei ontem... Mas não é nada sério, só uma pequena indisposição.
–Pelo visto, você vai ficar resfriada. – Pedro comentou.
–Não devia ter vindo hoje. – Gabriel estava preocupado.
–Imagina. Não é nada demais. – sorriu um pouco.
A garota que Pedro beijara no dia anterior passou no corredor e Pedro logo ficou em alerta. Esperava que ela olhasse para dentro da sala à sua procura, mas ela simplesmente passou reto.
–Por que ela fez isso?! – ele parecia inconformado.
–Acho que você babou demais na boca dela. – Gabriel comentou com indiferença e Alana riu um pouco, enquanto ele recebia o olhar furioso do irmão.
–Vou falar com ela. – e saiu em disparada para a porta da sala.
–Como está a Margarida? – Gabriel perguntou.
–Bem... Parece que realmente não foi nada.
–Que bom. – ele começou a brincar com a blusa azul que ela vestia – Sabia que ela é considerada... Esquisita?
–Por quê? – mesmo que tivesse perguntado, Alana podia imaginar alguns motivos para essa imagem dela, como, por exemplo, o fato de ela ficar espiando da janela.
–Não sei, na verdade... Nunca perguntei...
Gabriel colocou a mão na nuca de Alana e a beijou novamente mais três vezes.
–Eu não faria isso. – Alana falou.
–Por quê? – perguntou confuso.
–E se eu realmente estiver ficando resfriada? – Gabriel revirou os olhos e sorriu.
–Não ligo para isso.
No mesmo instante, tomou seus lábios, mas dessa vez ele pediu passagem com a língua. Sem pensar duas vezes, Alana permitiu, querendo sentir um toque mais íntimo dele. Enquanto ele brincava com sua língua de uma maneira um tanto bruta, ela se agarrou à camiseta que ele usava, puxando-a mais para si.
O sinal bateu e eles se afastaram, lembrando-se de que estavam em uma escola. Gabriel continuava ao seu lado, e de onde estava, conseguia ver Pedro tentando conversar com a tal menina, que parecia não estar muito interessada.
De repente, Victória entrou na sala. Alana sentiu seus músculos ficarem um pouco tensos ao repassar as cenas da madrugada pela sua mente. No fundo, esperava que ela faltasse à aula, afinal tinha sido uma noite conturbada.
Seus olhares se encontraram e Victória esboçou um pequeno sorriso simpático, o que levou Alana a retribuir o gesto. Logo em seguida, André entrou, parecendo bastante intimidado.
Alana não podia acreditar no que via, era simplesmente detestável o fato de ele ter coragem de aparecer perto de Victória depois do que tinha acontecido. Olhou-o com raiva e ele, notando, fez questão de ignorá-la.
–Para o laboratório, classe. – ele falou – O professor de química faltou e eu vou substituí-lo.
Alana detestou aquilo, mas ele continuava sendo seu professor era melhor não arrumar confusão com ele na escola. Contrariada, pegou seu material e foi até a outra sala, tendo Gabriel como companhia.
Sentou em uma das bancadas e pegou o caderno. Conforme o tempo passava, André passava mais e mais números na lousa e mostrava como se fazia os experimentos, mais distante ficavam os seus pensamentos.
O pesadelo ainda a fazia se sentir amedrontada, tentava desvendar as palavras de Margarida e, para completar, ainda tinha que achar algum suspeito, o tempo estava passando. Aquela confusão e pressão fazia com que se sentisse ainda pior, e por um momento, a tontura aumentou, forçando-a a fechar os olhos e apoiar a cabeça nas mãos.
–Alana? – Gabriel chamou-a.
–Acho que preciso ir para a enfermaria. – respondeu com voz fraca.
Sem hesitar, Gabriel se levantou e ajudou Alana. Fez com que ela se apoiasse nele e os dois foram para a porta.
–Algum problema? – André perguntou.
–Vou leva-la à enfermaria. – Gabriel respondeu e, sem esperar por uma resposta, saiu da sala.
O corredor nunca parecera tão grande e confuso, sentia seu corpo pegar fogo e sabia que, se não estivesse apoiada em Gabriel, sequer conseguiria ficar de pé. Mas, apesar de todo o mal estar, era bom sentir o corpo dele tão próximo ao seu.
–O que aconteceu? – Karla perguntou assim que abriram a porta da enfermaria.
–Ela está com febre. – Gabriel a fez sentar em uma cama. Karla colocou um termômetro embaixo do braço de Alana e sentou-se ao lado dela, examinando-a.
–Poder voltar para a aula, Gabriel.
–Certo... Mais tarde eu volto. – ele disse e beijou a testa de Alana, retirando-se depois.
Depois de cinco minutos, o termômetro apitou, constatando trinta e oito graus. Karla se levantou e depois de alguns instantes, voltou segurando um copinho plástico com um líquido transparente dentro.
–É um antitérmico, deve baixar a febre. – ela entregou-o para Alana, que tomou e fez uma careta por conta do gosto amargo – Agora deita e tenta descansar um pouco. – Karla sorriu.
Alana deitou e ficou olhando a enfermaria. Quando o remédio começou a fazer efeito, ficou sonolenta, estava quase dormindo, quando uma espécie de sirene começou a tocar, e logo em seguida houve confusão nos corredores.
–Vem, Alana. – Karla chamou-a depressa.
–O que está acontecendo? – Alana perguntou confusa.
–Alarme de incêndio.
Karla pegou a mão de Alana e as duas foram para fora. Os corredores estavam cheios de alunos com suas respectivas mochilas, e os professores tentavam acalmá-los. O barulho era ensurdecedor, deixando Alana com ainda mais tontura.
Quando, enfim, saíram do prédio, Alana avistou Gabriel e Pedro próximos à Mila e Marcos. Ela se separou de Karla e foi até eles, foi recebida pelos braços de Gabriel e apoiou a cabeça no peito dele.
Todos os alunos estavam do lado de fora, apreensivos. Logo o corpo de bombeiros chegou e invadiu as construções, procurando pelo foco do incêndio. Foram longos os minutos que se passaram, e tudo o que Alana mais queria era dormir um pouco.
Os bombeiros foram até a Ana e, depois de algumas breves palavras, a mulher ficou vermelha de raiva. Eles trocaram mais algumas palavras e foram embora, deixando Ana sozinha. Ele colocou as mãos nas têmporas, respirou fundo e se voltou para os alunos.
–Muito bem, eu quero saber quem foi o engraçadinho ou a engraçadinha que disparou o alarme de incêndio! – os alunos fizeram silêncio e uma tensão ficou no ar – Anda, fala! – Ana só faltava soltar fogo, de tão irritada que estava – Não vão responder? Ótimo! Então, enquanto ninguém se pronunciar, não vamos embora!
Ela se sentou em um muro e ficou quieta. Minutos foram passando e os alunos começaram a ficar impacientes, assim como o corpo docente.
–Isso é ridículo! – Ana continuou – É inadmissível uma atitude dessas! O que vocês têm na cabeça?! Alguém podia ter se machucado gravemente! – novamente silêncio – Anda, fala! Não teve coragem de fazer? Então, agora assume!
E, mais uma vez, ninguém falou nada. Incomodados, os alunos começaram a perguntar uns para os outros quem tinha feito aquilo, e como nenhuma pessoa se pronunciava, Ana ficava ainda mais irritada.
–Quem seria o idiota que faria algo do tipo? – Pedro perguntou, mais para si mesmo do que para os outros.
–Fala logo! – um aluno reclamou.
–É! – o outro apoiou. E a partir disso, começou um murmurinho, que logo se tornou em vozes altas e irritadas pedindo para que o culpado aparecesse para que pudessem sair dali o mais rápido possível.
–Fui eu... – um garoto falou, envergonhado.
–E eu... – o outro confessou ainda mais baixo.
–Vocês dois? – Ana perguntou, seca.
–Sim... – responderam.
–Para a minha sala, agora. – voltou-se para os demais – E o resto está dispensado, acho que não temos mais clima para aulas. – e foi para dentro do prédio.
Aos poucos, os alunos começaram a dispersar. Alana se soltou de Gabriel e esfregou os olhos.
–Como se sente? – perguntou.
–Morrendo de sono. – e sorriu um pouco.
–Então é melhor irmos embora. – e beijou-a.
–É. Deixa só eu pegar meu material.
–Quer que eu vá com você?
–Não... Não precisa.
Ela entrou de volta no prédio com as pernas bambas, não via a hora de deitar e dormir um pouco. Seguiu de modo automático até o laboratório de física e foi direto para onde estavam suas coisas.
Ocorreu-lhe a ideia de mandar um e-mail para Elvira, tinha algumas perguntas em mente. Pegou o celular e, quando já estava quase saindo da sala, mandou:
“Por que Margarida é considerada... Estranha?”
Usou as palavras de Gabriel. Assim que enviou a mensagem, um barulho ressoou pela sala, fazendo Alana parar quando estava no corredor. Estranhou aquilo e deu alguns passos para trás, voltando para a sala. Deu uma olhada para a sala, mas não achou nada.
O fato de ter ouvido aquilo assim que enviou a mensagem, fez com que Alana ficasse intrigada com aquilo. Resolveu fazer um teste. Pegou o celular e enviou:
“Como sabia que Victória e André estavam naquele beco?”
E, mais uma vez, assim que enviou o e-mail, outro barulho apareceu. Alana procurou com os olhos de onde vinha aquele som, deparando-se com um celular caído no chão. Olhou para trás para ter certeza de que estava sozinha e se aproximou do aparelho. Ao tê-lo na mão, ficou nervosa. Com cuidado e ansiosa, começou a procurar pelo menu, até que achou o que queria, e mal acreditou. Suas mãos tremiam absurdamente e ela não sabia o que sentir ou pensar, apenas uma coisa passava pela sua cabeça: provavelmente tinha descoberto o assassino de Adriana.
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