Não Conte Nossos Segredos
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Bateu uma curiosidade, então resolvi perguntar: Quem vocês preferem com a Alana, o André ou o Gabriel?? Ou o Pedro??
Eu gostaria de saber!
Bom, aqui está mais um capítulo, espero que gostem!!
“Depois de tudo, a última coisa que queria fazer era prestar atenção em mais uma daquelas palestras chatas e repetitivas sobre sexo. E o que melhor para passar matar tempo, senão dizer que precisava ir ao banheiro? Andava pelo corredor vazio de modo automático, após anos de estudo naquele lugar, conhecia cada canto daqueles três prédios que compunham o colégio.
Estava completamente imersa em seus pensamentos quando abriu a porta que tinha uma placa escrita ‘feminino’, e então, de um segundo para o outro, seu mundo desabou. A partir daí, as imagens passaram a ser borrões que quase não faziam sentido, como se tudo o que estivesse à sua volta começasse a girar enquanto ela permanecia no mesmo lugar.
O sangue, o grito, as pessoas correndo, mais gritos horrorizados, choros, o som da ambulância e, enfim, o silêncio sufocante.”
Alana abriu os olhos rapidamente e puxou o ar para seus pulmões como se há muito não o fizesse. Seu coração estava tão disparado que ela temeu ter algum tipo de ataque, e sua garganta estava tão seca, que ardia quando engolia a saliva.
Aos poucos, foi percebendo o que estava acontecendo ao seu redor. Estava em um quarto branco, sozinha, deitada em uma cama, com alguns aparelhos conectados ao seu corpo e um irritante bipe que diminuía a velocidade, conforme ela se acalmava.
A angústia que sentia durante o pesadelo continuava e Alana sabia que ela jamais passaria. Ela encolheu-se na cama, apoiando a cabeça nos joelhos e permitindo que algumas lágrimas caíssem.
–Você acordou... – ao ouvir aquela voz aveludada e familiar, enxugou os olhos e se endireitou, olhando para André ao lado da sua cama e sentindo um aperto ainda maior no peito. Por que ele tinha que estar ali? – Como se sente?
Ela voltou-se para o lençol azul. Não sentia absolutamente nada além da segurança que sentia com ele por perto, era extremamente difícil pensar que tinha passado tão mal a ponto de desmaiar.
–Bem... – limitou-se a dizer. André suspirou e sentou na beirada da cama.
–O que aconteceu? Mila encontrou você desmaiada no bosque! – Alana voltou seu olhar para ele – Ela entrou em desespero, como Gabriel era quem estava mais perto, ele te trouxe para cá, enquanto ela me chamava. – ele parecia preocupado.
Alana se imaginou nos braços de Gabriel e perguntou a si mesma se seria tão bom quanto estar nos de André. Balançou levemente a cabeça, tentando afastar aquele pensamento absurdo e se repreendeu em seguida.
–Não sei... Apenas saí para dar uma volta... E desmaiei...
Ele não pareceu se convencer muito com aquilo, mas não disse nada. Durante um momento, ficaram apenas se olhando. André se aproximou e acariciou suavemente a bochecha dela. Alana fechos os olhos de leve e ficou arrepiada. Naquele momento, concluiu que gostava mesmo dele, e o que acontecia com Gabriel devia ser apenas uma pequena atração física. Enquanto pensava nisso, sentiu os lábios de André encostarem nos seus.
–Para... – foi a única coisa que conseguiu dizer.
André se afastou abruptamente, assustando um pouco Alana, e a encarou de maneira irritada.
–Está acontecendo algo entre você e o Marcos? – ele cuspiu as palavras, pegando-a de surpresa. Alana ficou breves instantes sem reação diante da pergunta.
–N-não! – falou com a voz um pouco mais trêmula do que desejava.
–Sei. – ele se levantou da cama – Eu percebi a troca de olhares entre vocês no colégio!
–Está com ciúmes? – perguntou com a voz um pouco mais baixa, sentindo-se feliz por aquilo.
–Alana! – ele a repreendeu.
–Não é nada disso! Eu jamais teria alguma coisa com o Marcos! – sentiu nojo ao pronunciar aquele nome – Até porque, ele gosta... – deteve-se antes de falar o que não devia. André continuava a olhando, esperando a continuação — ... Da Mila. – falou, por fim.
Ele arqueou uma das sobrancelhas e voltou a se sentar na cama. Alana percebeu que ele analisava o que ela tinha acabado de dizer.
–Da Mila?
–É... Eu acabei descobrindo sem querer...
–Então, o que foi aquele olhar que ele lançou para você? – sua voz saiu dura.
–Um... Aviso. – disse aquela palavra com certo receio. Só de pensar em Marcos, já sentia seu estômago embrulhar de medo.
–Que tipo de aviso? – André franziu o cenho – Alana, ele está te ameaçando? – sua fala saiu entre os dentes.
–Não! – apressou-se em responder, ficando com raiva de si mesma logo depois por ter falado tão rápido. Ele abriu a boca para falar algo, mas ela não deixou – Foi um aviso para que eu não contasse nada para a Mila. – tentou fazer com que sua voz saísse natural – Disse que ainda não tem certeza se o sentimento é recíproco.
André pareceu ponderar cada palavra que tinha saído de sua boca, por fim, ele suspirou e revirou os olhos.
–Coisa de adolescente. – soltou e Alana ficou aliviada por notar que ele tinha acreditado, mas logo o alívio foi embora – Vamos falar sobre a gente.
Seu coração acelerou diante daquelas palavras, fazendo o bipe soar freneticamente. Irritada e envergonhada por André ter percebido aquilo, arrancou todos os fios que estavam ligados no seu corpo.
–Não sei se... – ele começou a dizer, mas ela o interrompeu.
–Não existe a gente. – murmurou. Ele parou e a encarou por alguns segundos.
–Como?
–Eu disse que... – respirou fundo – Não existe “ a gente”. – um silêncio pesado tomou conta do quarto.
–Como não? – ele perguntou, atônito – Alana, e o que aconteceu lá em casa? Aquilo não...
–André! – ela o chamou e ele se calou – Vamos pensar um pouco, por favor?! – sua voz saía trêmula e suas mãos começavam a suar – Aquilo que aconteceu na sua casa foi porque eu estava fragilizada, assustada, precisando urgente de alguém com quem eu me sentisse segura! E você apareceu! E se solidarizou com o meu estado! – ela arfou – O que aconteceu no banheiro foi só porque nos deixamos ser levados pelo momento, você sabe que, se aquilo não tivesse acontecido, não teríamos nos beijado. – ele continuava olhando para ela. Alana sentia algumas lágrimas nos olhos, mas as impedia de sair – André... Você é meu professor...
–Não me venha com essa merda de “professor-aluna”, Alana! – ele se exaltou – Eu gosto de você desde o primeiro dia que te vi! E discordo de você, mais cedo ou mais tarde, os beijos teriam acontecido sim! Como eu já disse, eu gosto de você, e sei que você sente o mesmo por mim! Então, estou pouco me fudendo para essa porcaria!
–Mas eu não! – falou com raia, deixando as lágrimas escaparem – Caso não tenha percebido ainda, tem alguém atrás de mim! E se essa informação cair nas mãos dessa pessoa? Já pensou como ficaria? Eu quero colocar um fim nessa história! Não estou nem um pouco a fim de pagar para ver do que ela é capaz! – fechou os olhos e encostou a cabeça no travesseiro, tentando se acalmar. Sentia o peso do olhar de André em si, mas não queria encarar aqueles obres castanhos, seria pior. Era horrível saber que tinha que se separar do seu único refúgio, mas não tinha jeito.
Sentiu o colchão afundo com o peso de André e o cheiro amadeirado a envolveu. Sua respiração de misturava com a dele e era possível sentir o calor de seu corpo, bem próximo ao seu.
Ela abriu lentamente seus olhos, André passou a mão delicadamente em sua face e se aproximou ainda mais, fazendo com que os lábios se roçassem de leve, assim como as línguas.
–Pensa, Alana. – disse com a voz rouca e repetindo o beijo, fazendo-a se arrepiar – É isso mesmo o que você quer?
Aproximou-se dele e mordeu de leve seu lábio inferior, procurando por sua língua logo em seguida. Aproveitou o beijo calmo e doce antes de se separar com um nó na garganta e responder.
–É.
André se afastou com raiva e se mostrou decepcionado. A expressão de dor dele a fez se sentir a pior pessoa do mundo. Assim que foi desviar seu olhar, encontrou duas figuras na porta. Uma estava com os lábios separados e parecia surpreso. O apenas encarava-a de volta.
Seu corpo ficou tenso e percebeu que o de André também. Um silêncio constrangedor pairou no ar e Alana tentava pensar no que dizer.
–Bom... – Pedro começou – Eu não vou sair por ai...
–Tanto faz. – André falou seco – Não tem nada acontecendo mesmo. – lançou um último olhar para Alana e se dirigiu para a porta – Vou chamar alguma enfermeira e dizer que você acordou. – e saiu.
Ainda durante alguns segundos ninguém falou nada. Os dois entraram no quarto e se aproximaram da cama. Pedro variava seu olhar entre a porta e ela, pensando em como faria a pergunta.
–Você e o... – apontou para trás.
–Não. Não temos nada.
Gabriel voltou-se para Alana com uma expressão fechada e irritada. Ele a olhava nos fundo dos olhos, como se quisesse ver sua alma. Parecia não ter gostado muito do que tinha visto, mas Alana descartou a hipótese de ciúmes, tinha quase certeza de que Gabriel
não gostava de ninguém, nem mesmo de seu irmão.
–Bom... Então tá. – Pedro falou e logo em seguida sorriu – Como se sente? Você deu um belo susto na gente! – e bagunçou o cabelo dela.
–Melhor. – tentou sorrir um pouco.
–Sério, eu nunca tinha visto Gabriel ficar tão assustado! – ele riu. Gabriel deu um tapa na cabeça dele e bufou em seguida, fazendo Pedro parar de rir e olhar feio para ele – Hey! – Alana riu um pouco com aquilo.
–Obrigada, Gabriel. – sua voz saiu doce. Ele deu de ombros.
–Só não faz de novo, tudo bem? Você é pesada. – Alana e Pedro abriram a boca, não acreditando no que ele tinha dito.
–Grosso! – falou irritada, e então, o que parecia impossível aconteceu, Gabriel sorriu para ela. E que sorriso! Alana sentiu seu coração descompassar e agradeceu o fato de que já não tinha mais nenhum aparelho conectado a si.
–E... A Mila? – perguntou, tentando não corar mais do que já estava.
–Foi embora... – Pedro respondeu – Ela estava aqui até agora há pouco, mas teve que ir para casa. – ele parou e pensou – Ah, o Marcos também foi!
–Por quê? – franziu a testa.
–Parece que tinha algo importante para fazer. – Gabriel falou com sarcasmo. A ideia de Mila e Marcos terem ido embora fez com que Alana engolisse em seco. Temeu pela garota e torceu para que ela ficasse bem.
–As outras pessoas continuam no Pátio. – Pedro continuou – Só passamos aqui para saber se você estava bem! André já ligou para seus pais e eles estão vindo.
–Ótimo. – sorriu fracamente.
–Bom, é melhor a gente ir, ainda temos muito o que arrumar. – Pedro se aproximou e beijou o topo da cabeça dela, surpreendendo-a e fazendo com que ficasse sem jeito – Até amanhã!
–Até... – olhou para Gabriel.
–Tchau. – e deu um quase sorriso.
Assim que os dois saíram do quarto, Alana voltou a deitar. Estava distraída prestando atenção no silêncio, quando seu celular vibrou, anunciando uma mensagem.
“Qual era mesmo o nome da menina...? Ah, é.... Carolina.”
Notas finais
Ah, e só para lembrar da pergunta... Quem vocês preferem com a Alana, o André, o Gabriel ou o Pedro??
Beijos!!^^
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