Não Confie em Dicionários
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acontece que eu começo a escrever com uma ideia e no meio da historia eu mudo o rumo das coisas. Nessa, por exemplo, eu mudei 3 vezes !
Eita pessoa mais indecisa x_x
Mas é isso, espero que tenha ficado boa, senão eu edito e talz.
Amigo. Nunca cheguei de fato a me perguntar o peso desta palavra. Um dia decidi pesquisar no dicionário*¹ : 1. que é ligado a outrem por laços de amizade. 2. V. amigável • sm. 3. homem amigo. 4. companheiro; protetor.
Ah. Então é por isso que eu me sinto tão mal. Perder uma pessoa que você considera seu amigo , no sentido de companheiro, realmente é deprimente.
Procurei, então, por amizade : sf. Sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes; apreço.
Fiquei indeciso ao ler essa definição. “...ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes...”. Repetia essas palavras até elas penetrarem na minha mente. Mas mesmo assim, para mim, não fazia sentido. De fato, Aoi-kun era meu amigo. E eu o amava. Mas isso queria dizer que, se somos amigos, não poderíamos ficar juntos e que já estávamos predestinados a dar errado ?
Um impulso fez-me abrir uma ultima vez o livrão. “Amor: 1.sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. 2 sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa. 3 inclinação ditada por laços de família. 4 inclinação sexual forte por outra pessoa. 5 afeição, amizade, simpatia. 6 o objeto do amor ( 1 a 5).”
Oras ! ele diz que geralmente os amigos não são amantes, mas colocou a amizade como exemplo de amor... Que dicionário sem noção!
Taqueio-o em cima da cama, peguei minha jaqueta de couro preto, as chaves do carro e saí.
Ao pegar no volante, aquelas imagens vergonhosas invadiram meus pensamentos. Já havia saído da garagem quando uma onda de flash-backs me atingiu e me fez sentir culpa. Muita culpa. Desde aquele ‘incidente’ Aoi passou a me tratar mal, quase não falava mais comigo e evitava ficar perto de mim. Também não lembro mais quando foi a última vez em que ele olhou para a minha cara.
Eu não queria mais isso, claro que não ! Nunca ficamos tão distantes quanto agora, tudo por causa do Miyavi ! Se ele não fosse tão ávido por satisfazer suas fãs, nada disso teria acontecido ! Meu Deus, e nós temos sofrido esse tempo todo por causa dele ! Eu realmente fui um idiota, não devia ter aceitado acompanhá-lo no ultimo show em São Paulo... Muito menos de ter deixado ele me beijar no palco. Burro ! Burro ! Kai, seu BURRO !
A imagem da rua ficou embaçada. Será que eu ia começar a chorar? Pisquei várias vezes e reparei que não era isso. Ah. Nossa. Estava chovendo esse tempo todo e eu nem percebera. Liguei o pára-brisas, e logo o sinal à minha frente fechou. Tentei relaxar no banco. Era agosto. Verão . Chuva de verão. Reparei que, no céu, raios riscavam as nuvens negras e a chuva caía forte, fazendo ruídos insuportáveis no carro. Não, obrigado, minha mente já estava abalada o suficiente. Então estiquei meu braço para ligar o rádio.
Estava tocando ‘Chizuru’*² na última vez que eu estava ouvindo. Droga. Tinha que ser. Exatamente no final, a pior parte. “Nós não poderemos ficar juntos.” Era impossível pra mim. Desliguei o maldito aparelho e o sinal abriu. Segurei com força o volante, quase rasgando-o, e pisei fundo no acelerador. Ele nunca iria me desculpar. Jesus, o que foi que eu fiz?! Magoei meu melhor amigo... não, pior que isso, perdi um amor! E agora, o que seria da minha vida?
O carro da frente mal tinha saído do lugar, e quando vi eu estava me aproximando cada vez mais da sua traseira. NÃO! Eu ia bater ! Desci o pé no freio, o que fez o carro estacar e a minha testa bater no painel.
- FILHO DA...
- Ei, cara ! Qual é o seu problema ?! – o motorista saiu, batendo a porta e vindo prestar contas comigo.
Levantei a cabeça, suspirei e respondi:
- Olhe, me desculpe senhor, mas eu não tive a intenção de... – observei-o analisar o carro para saber se havia danos. Tudo inteiro.
- Hum, pelo menos não amassou nem arranhou nada... vê se presta mais atenção, hein ?
Eu o olhava com uma cara de quem não precisava de mais sermões. Ele pareceu perceber e voltou para o carro, seguido de várias buzinadas dos outros atrás de mim.
- Dá pra acreditar nisso ? Podia ter sido pior ! – falava sozinho enquanto passava a mão na testa que estava ardendo. Uma parte da pele estava levantada, eu tinha ralado um pouco.
Voltei a dirigir. Dessa vez com mais cuidado. Mas não demorou muito até eu cair no passado de novo. A expressão triste e confusa de Aoi, também transparecendo muita dor, ficou marcada em mim, quase como um trauma. Eu nunca iria esquecer isso.
Será que pedir desculpas adiantaria ? Tem coisas que só o tempo cura, mas demonstrando meu arrependimento, talvez, ele me perdoaria e se sentiria melhor também ? Ah, Aoi, eu criaria a maquina do tempo para voltar ao passado e não fazer o que eu fiz. Assim nós ainda estaríamos juntos e felizes como antes...
Eu não iria aguentar mais. Nada conseguia aliviar a minha dor e a angústia. Precisava acabar com tudo logo, de qualquer maneira. Teria sido melhor se ele tivesse me xingado, me batido, me tacado pela janela, do que ficar me ignorando e me evitando; tortura é cruel, é pior que tudo. Prefiro morrer logo a passar por isso.
Olhei para fora do carro. Estava subindo um pequeno viaduto. Fiquei medindo as distâncias. Se eu encostasse mais um pouco dava pra cair lá embaixo, com certeza eu capotaria e bateria com a cabeça (de novo), mas dessa vez seria fatal. Olhava para baixo e para frente; para a vida e para a morte; para a vergonha e para o descanso eterno. Não, eu não mereço viver enquanto uma pessoa querida sofre por mim. Sabia que ele sofria, sim, porque sabia que ele também gostava de mim. Mas e se... ele não gostasse mais ? E se já estivesse interessado em outro ou esquecido completamente de mim ? Não ! A vida sem ele não teria a menor graça. A morte é definitivamente valida neste caso. Resposta encontrada.
Virei o volante.
De repente ouvi uma voz. Era suave, mas ao mesmo tempo ríspida, chamando meu nome. Reconheci de imediato, era Aoi. Ele me chamava como que preocupado com algo. Abri os olhos. Estava ele, todo de branco à minha frente. Teria eu já chegado ao céu ?
- Kai !
Não, espere, há algo errado. Ele não deveria ter uma aréola, estar segurando uma harpa e me guiar até o Portão ? E eu também não lembrava de ter visto o filminho da minha vida. Não era o que diziam que aconteceria depois da morte?
- Kai ! Ele está acordado ! Kai, você esta me vendo ?
Procurei focar-me nele, enquanto outros vultos faziam uma estranha sombra ao redor dele.
- S-sim...- tentei pronunciar.
- Ah, graças a Deus ! – ele disse aliviado, enquanto comemorava abraçando os outros. Eu não entendi, achei que ele não ficaria feliz em saber que eu estava vivo.
- Com licença rapazes, deixe-me ver nosso paciente...
Pelo visto eu estava em um hospital. É, eu sobrevivera. E não era febre de tanto tocar bateria, dessa vez. Fechei os olhosnovamente e dormi.
Carne. Sentia cheiro de carne. Estava quente também, e eu podia ouvir risadas ao fundo. Onde eu estava afinal ? Procurei pelas imagens em minha memória e logo me encontrei no churrasco. Estávamos todos nós e mais o Yune-san. Era o dia em que eu acabara de entrar no Gazette, consequentemente, a despedida de Yune.
- Ao novo baterista ! – disse Ruki, levantando seu copo com cerveja. Os outros repetiram sua frase.
- Ao Kai ! – disse Yune, adotando meu apelido que surgira nesse mesmo dia.
Eu ri, sem graça, e brindei também.
- Ao Gazette ...
- Ah, Uke-san, pare de ser certinho ! Bota álcool nesse copo, tu parece criança, só bebe refri ! – foi Uruha quem me criticou, rindo bêbado como ele só.
Eu corei um pouco e olhei para o meu copo. Realmente, precisava ficar um pouco mais... gazetteano.
No mesmo dia entrei em coma alcoólico, mas dois dias depois sai inteiraço do hospital. Esse povo daqui já deve me conhecer bem, pelo número de vezes que fui internado.
Ah, bons tempos, esses... Eu era meio loiro e Aoi, como sempre, moreno. Nossos visuais eram bizarros, mas com o tempo a gente pegou a prática. E também com o tempo fomos nos aproximando cada vez mais. Com os outros também foi assim, claro, mas foi com ele que fiquei mais íntimo.
- A-Aoi-kun?
- Diga.
- Eu... posso te pedir uma coisa? – estava meio tímido.
- Claro, o que quiser. – disse ele, sentado na cama, tirando seus sapatos e deixando-os ao pé da mesma.
Hesitei, observando seus movimentos, pensando em como iria pedir. Estava quase desistindo de abrir a boca; aquilo talvez fosse ainda inconveniente, talvez cedo demais. Apesar de ter ensaiado o diálogo inúmeras vezes, ainda tinha medo da resposta.
Ele não ouviu palavra nenhuma vinda de mim, então procurou meus olhos com os seus. Ao me ver, pareceu que tinha decifrado algo, pois comentou :
- Você está vermelho. Kai, você quer me dizer algo muito importante ? – levantou uma das sobrancelhas, como se estivesse apostado na resposta.
- Eu só ... estou com vergonha... – desviei o olhar para a parede. Era melhor deixar pra lá.
- Ah vamos, me conte ! Você sabe que sou curioso!
- Hm... – droga, agora não tinha nem como voltar atrás. Quando ele queria saber algo, ele acabava sabendo. Eu poderia pelo menos inventar outra história, ainda havia tempo.
- Sem enrolação! Se acha que vou te dar tempo para pensar em uma desculpa, está muito enganado. – então ele se levantou da cama e veio até mim. Eu já estava suando e devia estar da cor de um tomate. Ele apoiou a mão na cintura, num gesto de impaciência, e me apressou – Como que é?! CONTA LOGO !
Só faltava ele me estrangular.
- Tá, tá, tudo bem, EU FALO! – disse, me afastando alguns passos e tomando coragem – me dá um beijo ?
Ele ficou olhando pra minha cara durante uns três segundos sem alterar a expressão, e de repente, do nada, começou a gargalhar.
- AHAHAHAHA! Era isso que você queria ? AHAHA...
Eu fiquei tenso, sem entender a reação dele, se estava me zoando ou falando sério, se para ele a ideia era normal ou se ele estava achando graça por eu ter pedido um ato homossexual.
- Ai, ai, Kai ... só você mesmo, brother...
Continuei parado olhando para ele, até que ele me agarrou com força e me jogou na cama, subindo em cima de mim.
- É como perguntar se macaco quer banana.
E dizendo isso, me afundou num beijo feroz, que me surpreendeu. Esse foi o nosso primeiro beijo, e também o meu primeiro com um homem. Depois dele, só o Miyavi.
Ah não.
Agora as luzes do show estavam sobre nós no palco. Miyavi me puxara pela cintura como um brinquedinho e me beijou como se eu fosse um prêmio de uma competição. Só reparei isso agora, parecia que ele fez de propósito, para mostrar ao Aoi que ele também tinha me beijado, que ele não era o dono do pedaço.
Então... isso faz do Miyavi o vilão ! Sim, com certeza havia um toque de ‘viu, eu consegui!’ naquele beijo. Era como se ele soubesse de minha relação com Aoi e quisesse afundar tudo. Por inveja ? Não sei, talvez. Mas também poderia ter acontecido algo entre os dois que eu não saiba. Bom, mas aí isso é assunto deles dois, o que eu preciso e quero é ter o meu Aoi de volta. Sem brigas, sem desentendimentos, deixar tudo claro.
- Aoi... Aoi...
Já chega disso tudo, meu amor não pode mais ficar preso. Não posso mais ficar com essa sensação de que ele acha que eu combinei tudo com o Miyavi para atingi-lo, EU é que fui enganado nessa sacanagem, o Miyavi é que se meteu no meio, estragando tudo.
- Aoi... A...o...i.
Mas que homem cruel, eu que o considerava meu melhor amigo fora da banda, eu até já dormi na casa dele e ele na minha... AH NÃO ! Será que o Aoi acha que a gente também... NÃO! NUNCA! Eu nunca faria isso !
- AOOI!
Pulei da cama do hospital, meus olhos arregalados logo procuraram por ele. Ele estava entrando no quarto, ao lado de Uruha, que tinha uma xícara de café nas mãos.
Senti uma dor aguda no braço esquerdo se espalhar até ficar insuportável e eu olhei o que havia acontecido. Estava todo engessado.
- Ele não parou de gritar teu nome. – disse Uruha olhando para Aoi.
Ele me olhou de cima a baixo, avaliando o meu estado, e se aproximou. Uruha saiu, fechando a porta.
Nos olhamos. Eu ainda ofegava com a súbita saída do transe. A maquininha ao meu lado fazia um apito irritante. Ele falou primeiro:
- Você ... está bem ?
Havia tanto para se resolver, porque não eliminar as preliminares?
- Sim.. só.. – pensava em como começar – Aoi, olhe só, preste bem atenção. Eu nunca tive nem vou ter nada com o Miyavi. Eu sei que foi idiota eu ter subido no palco com ele, e mais ainda ter deixado ele me beijar, mas acredite, não foi por mal, eu não sabia ... ! Não, e pra começar que eu nem deveria ter aceitado o convite dele de acompanhá-lo no tour, mas eu te garanto que não passou nada entre nós dois ! ... – eu respirava, pegando fôlego, para continuar a falar.
- Kai... – ele disse, cabisbaixo – Kai, isso... isso é verdade mesmo ?
- Claro que sim ! Você sabe que eu nunca faria uma coisa dessas, imagina ! ... Você é a única pessoa que importa pra mim, Aoi. De verdade. Eu te amo.
Ele levantou um pouco o rosto e pude ver uma linha brilhante em sua face, riscando o provável caminho de uma lágrima. Meus olhos se encheram de água também.
- M-me ama mesmo ?
- Sim, claro – reforcei – desde o dia em que nos beijamos, meu coração só continuava batendo porque tinha ao meu lado você. Sei que não havia declarado abertamente, mas é isso que eu sinto. A nossa relação era um pouco indefinida porque não era um namoro oficial, mas eu sempre considerei como um, e nunca te traí... bem, não com a intenção, né...
- É, eu também. Sempre quis que os outros soubessem de nós, mas como você não propunha nada, ficava sem saber o que fazer. Porque afinal, namoro é um compromisso, e eu não sei se você estaria disposto a manter relações só comigo ou se queria mulheres...
Eu estiquei meu braço direito e enxuguei uma lágrima que escorria do rosto dele.
- Aoi, eu só preciso de você. Não preciso de mulheres só porque... são mulheres. Eu preciso de quem me faz feliz, ontem hoje e amanhã. É com você que eu quero viver o resto da minha vida, e acredite, se eu pudesse viver para sempre, viveria para sempre com você. E só com você.
Ele escondeu o rosto nas mãos e soluçou.
- Kai, você... – fungou – diz todas essas coisas lindas para mim ... e eu sou tão horrível com palavras...
Dei uma risadinha descontraída.
- Acho que só me resta uma coisa. – olhou me intensamente nos olhos, afagando minha mão com as suas. – Uke Yutaka, você quer casar comigo ?
Casar. CASAR?
- Oh, meu Deus ! – caiu a ficha – Casar com você? JESUS! – olhei direito para ele, desconfiando. – Tem certeza? Casamento é coisa séria !
- Claro que sim, eu sei né ?
- Mas tipo... a gente não faria festa nem nada assim né? Fala sério.
- É, tudo bem, só uma comemoraçãozinha mesmo, pros amigos.
- É ... – ponderei.
- É. – confirmou ele com a cabeça.
- ... espere ai, o que aconteceu com o carro ?
-Ah ... deu perda total...
- Droga!
- Porque ?
- Eu queria ir pra lua-de-mel arrastando latinha.
- AHAHAHAHAHAH!
- Hehehehe ..
- Não faz mal, a gente vai no meu. E aproveita que é mais espaçoso e aconchegante! – disse ele, dando uma piscadinha com um ar safado.
Eu sorri. Então alguns minutos se passaram em silêncio e eu disse, me forçando a ideia de que ele acabara de me pedir em casamento:
- Porque não chama os outros pra contar ? – minha voz era animada, eu estava numa vibe de festa, mal podia me conter a alegria.
- A-Agora?! Não quer esperar se recuperar?
- Hum... tudo bem né... – baixei a cabeça, fitando meu braço esquerdo. Iria ficar sem tocar por um tempo. Bom, isso é o que o médico vai pensar, mas eu sei muito bem tocar bateria com uma mão só, dependendo da musica.
- Ah, sim, eles amputaram a sua perna também.
- O QUÊÊÊÊ???
- AHAHAHAH, brincadeirinha, amor, você só está aleijado.
- ‘Cê ta me zoando, né ? Porque você pediria um aleijado em casamento ?
- Bobinho, independentemente de ser aleijado ainda é você. Ou pelo menos parte de você...
- Não, essa historia é seria ?
- É , ué, num tá vendo a cadeira-de-rodas ali ? – apontou ele para um cantinho da parede.
- NÃÃÃÃOO !
- Kai, algum problema ? – perguntou Aoi.
- Hãã, onde eu tô ?
- Aff, você dormiu de novo ? Mas que consideração, hein ? Pô, a gente ta na boa conversando e daí você não me responde mais!
- Ah, foi mal, amor... é que eu to muito cansado.
- É, percebi.. – ele fez bico – mas poxa, essa é a nossa lua-de-mel, você podia me dar mais atenção né ?
- Hum... então vamos ali atrás no banco que eu vou te dar toda a atenção... – disse, enquanto soltava o cinto da calça dele e tirava a minha camisa.
Ao pularmos para o banco de trás, as latinhas presas no pára-choque estalaram no chão, e eu agradeci por ainda ter as minhas pernas inteiras.
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