Um ano depois...

O quarto tinha um espelho de corpo inteiro e as cortinas claras esvoaçavam com a brisa gostosa que adentrava o cômodo e também fazia balançar a copa das árvores da floresta que cercava a casa de campo. O gramado aos fundos da casa, próximo à piscina, estava todo decorado, repleto de cadeiras brancas em frente a um altar com uma pérgola repleta de flores.

Aiolia se olhava nervosamente naquele espelho, tentando arrumar a gravata. Saga estava ali com ele, assim como Shaka, Camus e Milo.

“E não é que depois de três anos vocês vão casar mesmo?” Milo perguntou, sentado – ou seria estirado? – na cama, com um tom trocista. “Camus, o que você acha de casarmos também? Afinal, já namoramos faz o quê...?” Milo começou a contar nos dedos.

“Oito anos.” Camus falou, revirando os olhos, e sua fala interrompeu a contagem confusa do loiro.

“Não são nove?” Milo torceu os lábios num bico confuso.

“Nós ficamos pela primeira vez quando tínhamos quatorze anos... Mas eu te pedi em namoro aos quinze.” Camus falou, empertigando-se.

“Não fui eu quem te pediu em namoro!?” Milo entreabriu os lábios, pasmo.

“Não, fui eu. Era teu aniversário, estávamos no terraço da cobertura do Aiolia, nós recém tínhamos o conhecido mas mesmo assim ele quis te preparar um aniversário surpresa... Você estava emocionado, bebeu demais... Mas mesmo assim te pedi em namoro quando subimos para pegar um ar.” Camus contou, jogando uma sensação de nostalgia em todos ali. A maioria deles havia se conhecido quando tinham quatorze ou quinze anos. “Você voltou correndo para a festa e gritou a novidade para todo mundo.”

“Eu lembro disso. Depois ele correu pro vaso mais próximo e vomitou nas plantas da mãe do Aiolia. Se bem me lembro, aquelas eram as plantas favoritas dela.” Saga sorriu torto. “Bastante romântico, de fato.”

“Eu lembro depois que o Milo acabou adormecendo no sofá, com a cabeça apoiada no colo do Camus até o final da noite. Acho que foi a noite em que te vi com a expressão mais boba do mundo, Camus.” Shaka sorriu para o amigo, e Camus acabou corando e pigarreando.

“O QUÊ? E ninguém tirou foto disso? Do meu amorzinho zelando meu sono?” Milo perguntou, chocado. Camus soltou uma risadinha. Milo falava como se ele não houvesse feito aquilo centenas de vezes depois... Mas a primeira vez tinha um toque de especial, realmente. Ainda conseguia lembrar-se do júbilo que sentira naquela noite.

“Eu acho que tirei.” Aiolia agradeceu internamente pelos amigos estarem ali, para aliviarem sua tensão. “Mas não sei se ainda tenho.” Riu.

“É bom que tenha!” Milo se sentou na cama. “Vou emoldurar e colocar na nossa sala. O que você acha, bizunguinho?”

Bizunguinho?!?” Todos perguntaram ao mesmo tempo, antes de caírem na gargalhada e Camus corar um pouquinho mais.

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Espera aí um pouquinho.” Milo segurou Camus antes que esse seguisse para fora do quarto onde os dois terminaram de se arrumar para o casamento que aconteceria nos jardins. Isso já depois de deixarem Aiolia com os outros, que já estavam completamente prontos.

“O casamento já deve estar para começar, Milo.” Camus disse, indo espiar pela janela. “Já tem um monte de gente lá embaixo.” Informou, mas soltou um gemido quando Milo o abraçou por trás com força e, aproveitando que os cabelos rubros estavam presos, beijou-o na nuca, com uma mordida na sequência. “Milo... Nós vamos perder... O casamento.” Começou a dizer com dificuldade porque, abusado como era, Milo logo enfiou a mão para dentro das calças de Camus e tratou de colocar uma ereção entre as pernas deste.

“Mas olha o seu estado, amor.” Sussurrou contra a orelha do ruivo. “Não posso deixar você nessa situação.” Falou, descendo as calças de Camus, que se apoiou na janela e tratou de fechar um pouco as cortinas, afinal, não poderiam ofuscar um casamento com um show na janela.

Assim que as calças de Camus caíram, Milo o virou e se ajoelhou. Camus nem teve tempo de impedi-lo antes de o loiro colocar tudo na boca. Mordeu a mão, para não gemer alto demais, e ficou com medo de cair da janela. Milo ainda parecia o mesmo adolescente cheio de hormônios, insaciável, que queria sexo a todo momento. Não que Camus não o buscasse para aquilo com frequência, mas com a mesma empolgação de Milo... Era difícil encontrar, ou acompanhar o ritmo. E isso que o ruivo tivera anos de ‘treinamento’.

Depois de Milo lambê-lo inteiro lá embaixo, inclusive erguendo uma das coxas do ruivo para lambê-lo na fenda entre os glúteos, deixando Camus bastante relaxado e maleável, ele se ergueu rápido, erguendo Camus junto pelas coxas. Camus, assustado, segurou-se à borda da janela e passou um braço ao redor dos ombros de namorado.

“Milo, eu vou cair... Ah!” Abraçou-se mais a Milo quando ele o penetrou de uma maneira que só ele sabia, que não causava dor nenhuma, apenas um ligeiro desconforto que logo passava quando ele entrava inteiro e mexia o quadril num movimento circular, que sempre fazia Camus agarrar os cabelos loiros e ofegar.

“Você não vai cair, ruivo. Estou te segurando bem firme.” Milo sorriu predatório e capturou seus lábios, junto com uma estocada violenta que sacudiu todo o corpo do ruivo e fez ambos gemerem em união em meio ao beijo empolgado. Milo foi aumentando o ritmo, segurando Camus com cada vez mais força. O ruivo já sentia a região lombar, que se comprimia contra a borda inferior da janela, doer, mas era tão ínfimo frente ao prazer que sentia... Só esperava que ninguém se interessasse demais pela maneira estranha com que as cortinas deviam estar se movendo.

“Casa comigo também.” Milo pediu quando Camus já se sentia prestes a gozar, ainda mais quando o loiro o tirou da janela e o prensou contra a parede, para ter mais segurança em manipular também seu membro, no ritmo com que movia a pele, sempre atingindo o ponto G do namorado. A mente atordoada e afogada de Camus mal conseguiu processar o pedido... Olhou para o loiro, vendo-lhe os olhos cintilantes cravados nos seus, ansiosos por uma resposta. “Já que você quem me pediu em namoro, eu te peço em casamento.” Estava decidido, com aquela expressão que Camus conhecia muito bem: ‘ele não desistiria até ouvir o que queria’.

“E você pensou que esse era o melhor momento para propor?” Camus riu e gemeu, ou talvez tivesse feito os dois. Certamente teria de tomar um novo banho depois. Sentia o suor escorrendo pela pele por baixo da camisa branca e smoking. Camus já se sentia casado com Milo... Moravam juntos desde os vinte anos e, em bem verdade, nunca vira razão para existência de casamentos – o que importava mais para si era o sentimento, e viver com a pessoa que amava. E isso tudo já tinha.

“E não é?” Milo pareceu inseguro. “Achei que seria bom propor quando estou te matando de prazer.” Deu outra estocada violenta ao acariciar também a glande do membro do ruivo, arrancando-lhe uma exclamação que beirava o grito, tudo para comprovar o que dizia.

“Convencido...” Camus conseguiu falar e o abraçou, puxando-o para um beijo no momento em que gozou, com múltiplos espasmos atravessando seu corpo. Milo teve o membro contraído no interior do ruivo, e acabou derramando-se no interior dele. “Se você quer casar comigo... É claro que eu não me nego.”

Milo abriu um sorrisão empolgado e o levou para cama.

“Ótimo! Agora o sexo de comemoração!” Disse, já querendo arrancar o resto das roupas de Camus, e tocar todo o corpo do ruivo.

“Milo! Não! O casamento!” Camus se debateu, mas era difícil fugir quando Milo estava tão empolgado.

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“Então, preparado?” Dite perguntou para Mu, que assentiu, bastante sereno, com um sorriso no rosto. Dite o abraçou e beijou na bochecha. “Você é tão novinho e tem esse jeitinho todo maduro... Sabe, vocês podiam esperar mais um pouquinho para casar, né? Você tem só 21 anos...”

“E que diferença vai fazer eu ter vinte e um, ou vinte cinco, ou trinta? Se é para ser, será, independente do momento. Eu já estou morando junto com o Aiolia há um ano de qualquer maneira.” Mu deu de ombros. Os dois ficaram com tantas saudades pelos dois anos que ficaram separados, que não conseguiram se desgrudar durante todos os últimos doze meses. Até que decidiram seguir com a ideia de três anos atrás, e casar logo de uma vez. “Você e o Aiolia são toda a família que me resta... E você já tem o Saga, agora que saiu da prisão...”

Dite franziu o nariz. Alguns ainda o olhavam torto por saberem a verdade sobre seu passado.

“Eu não o tenho coisa nenhuma, ainda não o perdoei por ter me deixado apodrecendo naquela prisão.” Dite fungou e foi para frente do espelho, ajeitar os cabelos. Tivera de mantê-los curtos na prisão, e agora eles mal cobriam suas orelhas. Dite ainda não se acostumara com aquilo.

“Ele te visitava umas quatro vezes por semana...”Mu lembrou, mas Dite apenas torceu o nariz. “E a prisão era mais um hotel de luxo, Dite. E lembre-se que foi ele quem conseguiu isso. Você tinha uma sela só sua, com uma cama boa, televisão e DVD, ele te levava livros toda hora, e filmes, seriados... E você comeu melhor do que durante os três anos em que estivemos fugindo.”

“Não precisa me lembrar de nada disso. Fui eu quem ficou preso lá, não você, ou será que se esqueceu?” Dite voltou-se para Mu e o mandou sentar, para que trançasse os cabelos dele. Estava um vento chato lá fora e o noivo não deveria ficar descabelado. Mu sentou obedientemente.

“Eu não esqueci de nada. Você quem esqueceu... O Saga fez tudo por você. Te procurou por dois anos, te perdoou por tudo, depois fez de tudo para destruir a Frame junto com a Interpol, e ainda moveu mundos e fundos para que você não tivesse uma pena muito ruim. E agora todos teus pecados foram perdoados perante a justiça. Não tem mais nada do que fugir graças a ele. E ainda está reclamando?”

Dite mordeu a língua para não retrucar. Mu estava certo... No fim estava só fazendo drama, sabia disso. Suspirou, sabendo muito bem que, de qualquer maneira, acabaria se derretendo assim que Saga o pegasse de jeito. Já amava aquele idiota há um bom tempo. E se ele o visitava quatro vezes por semana na prisão, o sexo acontecia umas sete vezes por semana...

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Aiolia perdeu o ar quando Mu apareceu e subiu também no pequeno altar, em frente ao pequeno palanque onde estava o homem que os casaria. Aiolia segurou as mãos de Mu, sorrindo especialmente para ele, e Mu sorriu em retorno, mal aguentando a vontade de jogar-se logo nos braços dele...

Dite olhava os dois pombinhos com tédio, sentado numa das cadeiras da primeira fileira, com Saga ao seu lado.

“Você vai ficar emburrado comigo até quando, hein?” Saga se inclinou e sussurrou bem colado ao seu ouvido, só porque sabia que Dite tinha as orelhas extremamente sensíveis e sempre se encolhia quando alguém sussurrava contra elas – um dos motivos porque gostava dos cabelos compridos.

“Até meus cabelos alcançarem novamente minha cintura, quem sabe.” Dite sussurrou em retorno, evitando olhar para o moreno. Mas tomou um susto quando olhou por cima do ombro e viu Hyoga lá na última fileira, ao lado de Shun. O coração disparou antes de se acalmar por lembrar que aquele russo de expressão estóica não estava mais atrás dele e de Mu. Não haveria nenhum assassinato ao final do casamento.

Mesmo que Giovanni estivesse sentado também ao lado de Hyoga, junto com Misty.

“O que houve?” Saga perguntou, olhando para trás também, e Dite percebeu que havia segurado a mão dele no momento do susto, apertando-a com força. “Ah, Hyoga? Não se preocupe, Shun o domou direitinho para mantê-lo quietinho durante todo o casamento. Mas deve ser estranho ver o homem ameaçava vocês de morte nesse casamento.” Saga balançou a cabeça. O mundo conseguia ser estranho.

Shun e Hyoga estavam juntos há três anos, e o loiro chegara ao ponto de livrar-se dos negócios mais... cruéis graças aos apelos do mais novo, agora com dezoito anos. Mas claro que nem por isso o russo era um exemplo de bom cidadão. Mas todo mundo fingia ignorar isso, e vê-lo apenas como o namorado apaixonado de Shun. Ikki já desistira de tentar afastar o irmão do russo; era uma missão impossível.

“Sei disso.” Dite fez-se de indiferente, e cumprimentou Giovanni com um aceno de cabeça, mas voltou a se arrepiar inteiro quando, ao virar-se para o altar, Saga mordiscou sua orelha.

Naquele momento Camus e Milo chegaram aos jardins, sussurrando um para o outro. Na verdade, Camus xingava Milo por tê-los atrasado tanto. Mu e Aiolia já estavam na metade da troca de votos... Os dois se sentaram lado a lado mais ao fundo, tentando não chamar atenção, mas atraíram alguns olhares quando Milo abraçou possessiva e apaixonadamente a cintura do namorado, apoiando o queixo no ombro dele e suspirando, preguiçoso depois de dois orgasmos intensos...

Já Ikki estava animado. Já estava com vinte anos, era hora de mostrar a Shaka que não era mais um moleque. Iria cobrar o que o loiro lhe falara: Cresça alguns anos e quem sabe eu deixo você ficar por cima. Bem, Ikki crescera esses anos. Agora já era mais alto que o loiro, mais forte, um homem feito. Shaka na verdade voltara recentemente para o país... Ele tivera de ir para os Estados Unidos a trabalho durante quinze meses! E ficara tão atarefado que não haviam conseguido se ver nenhuma vez naquele tempo; viviam de emails, telefonemas, Skype, sexo por telefone, sexo por vídeo apenas algumas vezes, porque Shaka sempre parecia desconfortável ao fazer aquilo. E agora ele voltara no dia anterior, exausto, e capotara na cama depois de alguns beijos saudosos. Ikki percebera o olhar de surpresa dele ao vê-lo pessoalmente, com toda a musculatura bem trabalhada, os ombros largos, o porte de homem, a beleza feroz de seus traços, sem mais nenhum indício de menino. Ah, ele que o esperasse depois da festa...

“O que você tanto sorri?” Shaka quis saber, olhando de esguelha para o mais novo. Em bem verdade, tinha uma boa ideia do motivo, e estava internamente nervoso com isso, ainda que não demonstrasse. Nunca havia sido passivo de ninguém e sabia que Ikki iria cobrar as vezes que falara que o deixaria ser ativo quando ele fosse mais velho... Não que não quisesse dar esse prazer a ele, afinal, o amava o suficiente para entregar-se daquela forma – não era qualquer casal que conseguia passar tanto tempo separado e manter a paixão e o amor! Mas isso, claro, não impedia Shaka de ficar nervoso com o momento derradeiro.

“Estamos juntos depois de quinze meses, Shaka. Como eu poderia não sorrir?” Abraçou-o também, olhando para o altar. Shaka o olhou e achou-o tão... homem. O rosto maduro, vivaz, sem nada de infantil. Lhe dava arrepios, admitia em silêncio. Balançou a cabeça, acabando por apoiá-la no ombro do moreno, que agora ficava numa altura elevada em relação ao seu. Incrível como Ikki crescera nos últimos meses...

“Aceito.” Falou Mu, aceitando a aliança que Aiolia colocava em seu dedo. O padre voltou a tagarelar, mas Mu sequer prestava atenção, estava mais ocupado em olhar para Aiolia. Ele, segundo os amigos, deixara todo o ar sombrio e distante para trás, mas continuava com aquele porte másculo e maduro que todas as responsabilidades e provações haviam lhe trazido. O emocional estava estável, não mudava mais de humor de um momento para o outro de quando o conhecera e havia algo em seu olhar que deixava Mu com as pernas bambas. Mu sentia-se estúpido, pois sempre achava que se estatelaria no chão assim que Aiolia o tocasse – e uma vez chegara a acontecer, nas primeiras semanas após Aiolia sair do hospital e o devorar inteiro, para matar toda a saudade. Hoje em dia Mu doutrinara a mente para não acontecer de novo.

“Aceito.” Aiolia disse, sorrindo, e Mu piscou acordando dos devaneios para também colocar a aliança no dedo dele.

“E eu os declaro, marido e esposo.” O padre disse, seguindo as indicações dos dois que, rindo, se aproximaram para o beijo, ambos lembrando-se de um dia distante na piscina daquela casa de campo:

Marido e marido soa tão estranho... Acho que deviam inventar um novo termo. Ah! Tem marido e esposo, até que não fica tão ruim. Ou marido e homem, mas esse também fica estranho.

“Eu te amo.” Aiolia sussurrou contra os lábios de Mu, que já tinha algumas lágrimas escorrendo por suas bochechas. As pessoas se levantaram para aplaudir. Depois vieram os cumprimentos, os abraços, o pessoal sacana que jogou arroz em cima deles. E então a festa que aconteceria ali mesmo, nos jardins e também no salão da casa.

“De alguma forma eu sabia que você ainda acabaria junto do meu irmão. Acho que foi isso que me fez tentar descobrir a razão de vocês terem fugido.” Aiolos falou para Mu, quando o abraçou, enquanto sua esposa cumprimentava Aiolia, e as crianças brincavam agitadas depois de terem de ficar sentadas e comportadas durante toda a cerimônia.

“Eu agradeço por isso, Olos.” Mu disse.

“HEI? Você não vai jogar o buquê, Mu?!!” Milo gritou de algum lugar. O loiro bem que gostaria de pegar o buquê. Afinal, queria casar.

“Eu não tenho nenhum buquê.” Mu fez biquinho. “E por que eu seria a noiva?”

“Porque você é muito mais bonitinho e gracioso do que eu.” Aiolia o abraçou por trás, beijando no pescoço. Mu não se convenceu, mas acabou convencido a tocar um buquê quando a mulherada – e Milo – insistiram para que jogasse. Quem capturou o buquê, claro, depois de Milo quase atropelar duas solteironas em sua obsessão de conseguir o buquê e casar também, foi...

Shun.

O garoto de macios cabelos castanhos deixou o queixo cair, enquanto Milo soltava um impropério e depois ia se desculpar vivamente com Camus, pois não poderiam casar (Camus apenas rolou os olhos). Shun olhou para Hyoga que, bebendo uma taça de champagne, acabou engasgando-se, com algumas tossidas.

“Nem olhe para mim.” Ele avisou.

“Você ficou louco se acha que eu vou deixar você casar com esse mafioso.” Ikki se meteu.

“Você ouviu seu irmão.” Hyoga disse, ao ver o biquinho gracioso – que definitivamente queria morder – que Shun abriu.

Shun acabou suspirando. Ao menos Ikki e Hyoga concordavam em alguma coisa uma vez na vida.

De qualquer forma, a festa transcorreu com muitas risadas, danças, brincadeiras, beijos, conversas e bebida...

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Os amigos mais próximos dormiriam na casa de campo, já que ela era grande suficiente para acolher os vários casais que compunham aquele grupo de amizades.

“Quem diria... Temos o primeiro casal a casar, quem será o próximo?” Saga provocou, olhando sugestivamente para Dite que, sentado de pernas cruzadas num dos braços do sofá, ergueu uma sobrancelha, como se perguntasse se aquilo fora uma indireta.

“Eu e o Camus, é claro. Eu até propus hoje enquanto a gente transava antes do casamento, e ele aceitou. Eu não peguei o buquê, mas o Camus me falou que a gente pôde casar mesmo assim.” Milo falou naturalmente, conseguindo, como sempre, deixar as bochechas de Camus mais quentes que o normal.

“Então por isso vocês se atrasaram!” Ikki apontou e trocou um olhar significativo com Shaka. Pois Ikki tentara também agarrar Shaka, mas o loiro se negara a transar antes do casamento porque não queria se atrasar e chegar lá todo ‘fora do lugar’. Os dois riram baixo.

“Eu estou exausto.” Mu ronronou, aconchegando-se a Aiolia. Havia bebido demais. “Alguém deveria ter me avisado que organizar casamentos e casar era tão cansativo.”

“Mas valeu à pena, não é?” Aiolia quis saber, o que abriu um sorrisinho no rosto de Mu, que se aconchegou mais a ele, de olhos fechados. “E é bom que não esteja assim tão cansado, ainda temos nossa noite de núpcias pela frente.” Lembrou-o com um sussurro malicioso, que estremeceu o ariano.

“É legal estarmos todos reunidos aqui de novo.” Camus comentou, casualmente, mas todos assentiram efusivamente, e começaram a lembrar de fatos daqueles dias naquela casa, há três anos. Até tiravam sarro do fato de Dite e Mu estarem lá por dinheiro, e acabarem se apaixonando, o que deixou ambos com as bochechas ruborizadas.

Saga puxou Dite para seu colo quando Kanon apareceu, mesmo que ele estivesse acompanhado de outra namorada qualquer. Kanon ficou olhando provocativamente para Dite, apenas para implicar com o irmão. E Dite ainda provocou Saga dizendo que deveria trocá-lo pelo irmão, por causa do ano que passara na cadeia. Por essa razão os dois foram os primeiros a se retirar: Saga arrastou Dite para um quarto e mostrou ao loiro porque não deveria, nem iria trocá-lo pelo irmão.

Depois foram Camus e Milo, seguidos de Kanon e a namorada. Por fim Shaka e Ikki, deixando Aiolia e Mu se curtindo como marido e marido no sofá.

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Ikki abraçou Shaka assim que entraram no quarto, estreitando-o contra seu corpo, deixando o rosto afundar no pescoço para capturar aquele cheiro do qual sentira tanta falta.

“É tão bom ter você de volta.” Ikki disse. “Eu quis ir te visitar tantas vezes, mas com faculdade e estágio foi impossível.” Disse o moreno. Estava fazendo jornalismo, algo que quisera durante um bom tempo da vida. Depois tivera uma época em que achava que não escrevia bem o suficiente para isso, mas Shaka o incentivara ao dizer que tinha um talento enorme nessa área. Então entrara na faculdade e não se arrependia, agora também estagiava no jornal da cidade.

“Eu também queria te ver, mas eu trabalhava o dia inteiro, sem folgas...” Shaka passeou as mãos pelas costas do primo, sentindo todos os músculos das costas dele. Sentiu-se envergonhado com isso. Não havia cuidado do corpo tão bem quanto o moreno, só conseguia ir à academia às vezes e desejou estar mais bonito para o namorado...

“Eu também estava cansado de só usar a mão.” Ikki abriu um sorriso safado e começou a tirar as roupas do loiro, dessa vez de uma forma tão decidida e firme, que impedia Shaka de tomar as rédeas da situação. Aquela noite Ikki queria render o loiro a si. Despiu-o inteiro e parou para admirar aquele corpo que tanto desejava, desde que podia lembrar-se.

Shaka mordeu o lábio, perguntando-se se Ikki o olhava assim por achar que ele já não era mais tão atraente, porém Ikki acabou com sua insegurança quando o puxou, voltando a abraçá-lo.

“Tão lindo quanto eu lembrava.” Sussurrou contra a orelha de Shaka, descendo então os lábios para o pescoço dele, arranhando os dentes, marcando a pele alva do loiro. Shaka sorriu e começou a livrar Ikki das roupas também, até tê-lo completamente nu.

Para surpresa de Shaka, assim que estavam ambos sem nenhuma roupa, Ikki o agarrou pela parte posterior das coxas e o ergueu para seu colo, denunciando o quanto havia crescido e se tornado mais forte e másculo.

“Você cresceu...” Shaka murmurou, com o coração retumbando, seus cabelos loiros caindo numa cascata dourada por suas costas. Ikki sorriu convencido e predatório.

“Eu sei.” Falou, deitando-os na cama. Ficou por cima de Shaka, encaixando-se entre as pernas do primo. Moveu-se para atritar as ereções, despertando gemidos incontidos de ambos. “Mas não se preocupe, eu também não sou mais o moleque afoito de antes. Vou ir com bastante calma.” Sussurrou a última parte para Shaka, que segurava os braços musculosos de Ikki, um pouco tenso.

“Eu confio em você.” Admitiu, admirando o sorriso largo e contente que Ikki abriu. Segurando o rosto um do outro, beijaram-se, começando a redescobrir o corpo um do outro, curtindo e aproveitando sem pressas e sem afobações aquela nova experiência.

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Mu resmungou, meio rindo, meio emburrado, quando Aiolia o ergueu do sofá, levantando-o no colo feito noiva até o... banheiro? Mu franziu a testa quando foi colocado no chão e Aiolia trancou a porta às suas costas.

“Você não deveria ter me levado para o quarto?” Mu perguntou, aturdido.

“Eu estava lembrando... Que sempre quis fazer amor com você nessa banheira. Mas por algum motivo, nós nunca fizemos.” Aiolia começou a retirar as roupas por si próprio. A banheira já estava preparada. Havia pedido para a senhora que cuidava da casa para deixá-la preparada. Quando Mu se virou, levou um susto ao já vê-lo nu. O coração se agitou, como se fosse um virgem pronto para ser desvirginado na noite de núpcias que aconteceria no banheiro.

Acabou rindo com aquilo e, andando lentamente de costas, começou a retirar também as roupas, numa espécie de strip-tease. O que Mu não sabia é que o chão estava escorregadio perto da banheira, porque a senhora que preparara a banheira havia derramado um pouco de água no chão.

“Mu, cuidad-!” Aiolia tentou avisar ao ver o pé do ariano indo de encontro ao piso escorregadio, mas Mu não parou a tempo e, com um forte escorregão para trás, caiu de bunda dentro da banheira, com ainda metade da roupa posta.

Aiolia se aproximou rápido, segurando a risada. Mu havia entreaberto os lábios, as pernas projetadas para fora da banheira, a bunda dentro da água quente. O rosto atarantado do ariano não deixava de ser cômico, ainda que adorável.

“Você está bem?” Aiolia perguntou, agachando-se em frente à banheira.

Mu piscou e soltou uma risadinha infeliz.

“Nunca vou conseguir ser sexy.” Desabafou, abaixando a cabeça. Os dois acabaram soltando algumas risadas.

“Não importa. Eu sou sexy por nós dois.” Aiolia falou, convencido, começando a tirar a roupa de uma maneira bastante... sexy, realmente. É claro que não falava a sério. Achava Mu a coisinha mais sexy do mundo.

“Bobo.” Mu xingou, mas mordeu o lábio olhando para o strip-tease do leonino, que pouco a pouco mostrava o corpo definido e másculo na medida certa, e os olhos verdes queimavam de desejo e promessas. Assim que nu, Aiolia deu um jeito de arrancar as roupas molhadas de Mu, e entrou na banheira, apoiando as costas numa das bordas. Puxou Mu para seu colo, deixando as costas esguias do mais novo apoiadas contra seu tórax, e beijou-o no ombro.

“Enfim sós... e pelados.” Aiolia brincou, acariciando as coxas de Mu, aos poucos agitando a respiração do menor.

“Não acredito que estamos mesmo casados.” Mu sussurrou, fechando os olhos e deixando a cabeça repousar no ombro de Aiolia. “Estou tão feliz. Depois de tudo... finalmente...” Segurou as mãos de Aiolia sob a água, deixando os dedos de ambos entrelaçarem enquanto o esposo deliciava-se com sua nuca, pescoço e ombro.

“Segundo as revistas de fofocas, somos um dos casais mais ricos do país.” Aiolia comentou, apertando as mãos de Mu. “Mas eu vou ser sincero, mesmo que você ainda estivesse pensando em me roubar dinheiro, eu não iria importar. Aliás, pode gastar toda nossa fortuna, eu não me importo. Só me interessa ter você dessa maneira.” Mordeu-o no pescoço e soltou uma mão para tocar-lhe a ereção.

Mu gemeu e moveu o quadril, fazendo o falo de Aiolia roçar-se entre seus glúteos.

“Idiota...” Murmurou. “Você sabe que nunca me importei com dinheiro dessa maneira.” Fez bico. “Porque...” Sussurrou. “Com nenhum dinheiro do mundo eu poderia comprar o teu amor.”

“Você não precisa de dinheiro nenhum para tê-lo.” Aiolia disse e riu e, quando Mu virou o rosto, os lábios se encontraram, apaixonados.

Em meio ao beijo, preparou-o e então puxou-lhe os quadris, e seu membro deslizou para dentro da cavidade apertada do mais novo. Mu ofegou, buscando novamente a mão de Aiolia, enquanto movia a pelve, querendo sentir o atrito em seu interior. Os dois se afogaram em gemidos, deixando a água mais quente. Aiolia segurava Mu, e acariciava tudo que podia alcançar, e Mu dobrava e esticava as pernas, esfregando-se o máximo que podia ao leonino.

Aproveitaram ao máximo os momentos na banheira, trocando novas juras de amor, rindo, redescobrindo um ao outro.

Nada parecia poder separá-los agora.

Notas finais
É isso, amores! Acabou! Agradeço IMENSAMENTE a todos que acompanharam, sim, e especialmente a quem comentou, e ainda mais a quem recomendou. Todos vocês são extremamente especial para mim, e eu sempre me emociono demais cada vez que recebo algum comentário, porque é maravilhoso ter alguém lendo o que a gente escreve. Eu agradeço de coração mesmo, e espero que tenham se divertido lendo, e também curtido o epílogo! ♥ Adoro-os profundamente! E muitos beijos a todos! *Mila sendo promíscua e beijando todo mundo* ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!