Não Chore mais (cry no More)
1 Capítulo 1 : Lágrimas
É noite . Até pouco tempo ouvia-se muito alvoroço nas ruas da Cidade Central , mas agora não se escuta mais nada , todas as pessoas desapareceram como num toque de mágica. Sinto meu ombro úmido , acho que começou a garoar nas ruas iluminadas da grande cidade . Minha única companhia é a luz da Lua que iluminava a calçada de pedras um tanto gastas demais. Ed e Al... saíram correndo desesperados em busca de alguma coisa que não consegui entender muito bem , novamente...eu fiquei para trás, esperando-os , sem poder fazer nada para ajudar.
Meu nome é Winry Rockebell ,estou na cidade Central faz uma semana , vim aqui a trabalho. Sou uma protética de uma cidadezinha do interior e meu principal e relevante paciente baixinho e teimoso, Edward Elric,o Ed, me chamou para cuidar de suas próteses no braço esquerdo e perna direita ,que troquei mês passado ou nem isso, e a esta altura já estão trincados e muito gastos. Por ele ser muito cabeça dura e claro, se meter em confusão toda hora e não saber usá-las direito...tsc. Ele não valoriza o trabalho que tenho com estas próteses mas mesmo assim eu ... gosto dele....
Ele e seu irmão Alphonse Elric , ou Al, como o chamamos, estão sempre metidos em alguma coisa perigosa,confusões são algo muito normal pra eles, para poder recuperar seus corpos. Eles perderam tentando ressuscitar sua mãe morta. Falharam. E eu... não posso fazer nada além de cuidar das próteses do Ed e olhar... eles nunca me falam nada... me preocupo tanto com eles... isso me machuca por dentro.Muito.
Vou voltar para minha cidadezinha amanhã bem cedo , vou pegar o trem das 8:30 e provavelmente não me despedirei dos meninos. Não voltaram a tempo, mas tudo bem, só espero que estejam inteiros, ou quase.
------------------------------------------------
Dia seguinte
-
Dentro do Trem
---------------------------------------------
Estou dentro do trem, na quarta fileira de trás para frente e sentada na terceira cadeira,a perto da janela.”Tô” comendo um pedaço de pão com queijo e bebendo o leite que o Ed esperniou até não poder mais ontem para não beber, não entendo o que ele tem contra leite.Olho pela janela e vejo,ou melhor, não vejo ninguém.Eles não vieram. Eu sabia.Dou um pequeno sorrisinho sínico.
Eu disse que não viriam . Olho triste para a garrafa de leite..depois do “caso” que o Ed fez...eles foram...novamente embora.
-Idiotas...
Disse fraquinho, para mim mesma. Não consigo dizer mais nada.Não consigo parar de pensar neles, e estas perguntas não saem de minha mente:
“será que estão bem? Estão inteiros?”
“ Por que não me contam nada? Por quê não posso ajudá-los?Sou um estorvo tão grande assim??”
Depois de um longo período me debatendo no meu psicológico para me livrar dessas perguntas sem respostas , sinto certo cansaço.Encosto minha cabeça na janela com intuito de dormir por alguns poucos minutos. Escuridão.
Bati a cabeça. Acordei assustada e com dor,com o som do freio do trem e da cancela se fechando lentamente , derramei o resto do leite no chão ,fiquei desesperada , peguei minhas bagagens e sai pela porta quase correndo,acho que estavam olhando pra mim. Quando desci do trem e olhei para a vastidão de minha terra, vieram a minha mente lembranças boas e ruins, meu olho começou a lacrimejar e os limpei com a manga do casaco. Peguei a estrada que levava para a casa de minha avó.
------------------------------
Porta da Casa
-------------------------------
Bati na porta duas vezes, logo minha avó abriu a porta e me deu as boas vindas. Depois que meus pais morreram em guerra ela quem cuida de mim. Sou muito grata a ela , mas...
Ao entrar em casa reparo que ela deixou tudo bagunçado, devia estar cheia de serviço. Ela também é uma protética, me ensinou tudo que sei.Nem liguei muito.
- Arrumo depois !
Pensei comigo mesma. Vou direito para meu quarto, mas antes passo pela porta entre aberta de um outro quarto. Ao olhar para as duas camas existentes nele, arrumadas e... vazias...minha cabeça se encheu de lembranças e não consegui pronunciar outra frase se não esta :
- Ed...Al...
Acho que uma lágrima começava a cair sobre meu rosto, mas não consegui perceber direito, logo estava correndo direito para o meu quarto, tranquei a porta e fiquei por lá o resto do dia. Apesar dos diversos chamados de minha avó, eu não respondi, fiquei ali, sentada na minha cama, apenas olhando pela janela o campo verde e vazio que estava a minha frente, que um dia, já teve mais uma casa, mas esta foi queimada pelos seus donos. Ed...
Logo o sono me acertou como uma bala e deitei com os braços sobre meu rosto, na esperança de esquecer ,pelo menos por um momento, todas as tristezas que passei e as dúvidas que tenho agora e que os dias felizes de nossa infância voltasse. De noite, com o barulho de algo parecido com um trovão, acordei assustada. Mas não era nada, nada tinha mudado, continuava tudo do mesmo jeito, mesmas dúvidas e lembranças no meu coração e aqueles dias não tinham voltado. A casa não tinha voltado ao lugar, perto da colina , lá no horizonte, apenas destroços queimados. Novamente.
Levantei-me da cama, calcei meus sapatos, fui até a porta , destranquei-a e antes de sair do quarto dei uma última olhada na janela,nada novamente. Jantei um resto de bife com ovos fritos que minha avó tinha deixado numa tigelinha de plástico verde para mim, imagino que já tenha ido dormir. Comi com um copo de leite e novamente lembrei-me deles. Depois corri para o telefone na esperança que eles atendessem no quartel general do exército, mas foi em vão. Quem atendeu foi o Major Armstrong , ele comunicou-me que eles não aviam voltado ainda e desligou. Fiquei parada por um tempo com o telefone no ouvido, apenas ouvindo o “Tuuu Tuuu” . Coloquei-o de volta no gancho e fiquei parada mais alguns segundos ali com olhos mareados, observando a parede amarela da sala. Fui até a porta , abri-a e sai.
---------------------------------------
Lado de fora da casa
-----------------------------------------
Estava escuro, a luz da lua estava fraca naquela noite, ela estava quase toda coberta por nuvens muito densas, apenas um pequeno pedaço dela estava brilhando. Estava iluminando indiretamente um velho e gasto muro de pedras, meio quebrado a esta altura, quase destruído sendo bem honesta.
Ao olhá-lo me deu uma vontade, vinda de não sei onde, de sentar nele apesar da tamanha sujeira existente ali. Limpei-o um pouco com a palma da mão e depois sentei-me, levantei as minhas pernas para perto de mim e as cruzei,coloquei as mãos em cima delas e comecei a olhar o imenso e vazio campo escuro .Começou a ventar, fechei os olhos e apreciei com vontade aquele maravilhoso vento, levantei minha cabeça para o céu nublado e abri novamente os olhos , entrou um pouquinho de terra no meu olho direito e comecei a lacrimejar. E de repente ouvi :
- Já ta chorando de novo sua feia? Vai ficar mais feia ainda hein?!
Olhei em disparada para o lado, morrendo de medo daquela voz tão familiar mais também tão misteriosa que do nada, começava a me chamar de feia. Claro que eu não gostei do comentário. Mas me virei tão rápido que me desequilibrei e cai do muro de pedras de costas na grama, que mais parecia um pedaço de concreto naquela hora. Nem consegui ver de onde vinha aquela voz, só vi um vulto preto do meu lado oposto do muro.
Cai.Gemi um pouquinho e quando abri os olhos novamente eu vi. Um rosto familiar , tinha uma mecha de cabelo caia no meio do rosto e algo parecido com uma trança estava caída sob o ombro esquerdo,parecia ser loira. Roupa toda preta, se bem que naquela escuridão tudo era preto, estava sentado no muro me olhando com uma cara que dizia “ Cê ta legal sua desastrada ?!”. Eu fiz uma cara de espanto e consegui, com um pouco de força ,dizer:
- Ed...?
-------------------------------------------------------------
Continua............(?!)
Notas finais
comentem por favor!
se gostarem eu continuo...se não apagarei e finjo que nujnca aconteceu..(credo..o.o)
Obrigada!
Fale com o autor