Nárnia Além Da Vida Parte II
11 Sentimentos Parte II
Notas iniciais
Depois de conversar com Caspian, Susana teve duas grandes ideias, a primeira era de pegar uma maça dourada na árvore, já que Edward só tinha ficado doente, pois os novos herdeiros nunca comeram do fruto por já terem nascido lá, mas graças a Aslam esse plano foi descartado pela rainha já que seria mais trabalhoso, a segunda ideia era de pegar com Lúcia o elixir, assim Edward se curaria rapidamente. A rainha gentil não perdeu tempo e foi a casa da irmã, mesmo sem saber o péssimo estado em que Lúcia se encontrava, com a ajuda de Ben e seu grifo chegou rapidamente na casa da irmã.
Foi Lúcio quem atendeu a porta, já que sua mãe estava na cama e a irmã mais nova estava fora, o garoto queria dar um fora bem feio na tia, pois pensou que ela falaria sobre Robert, mas ao ver o irmão Benjamim mudou de ideia.
– Luck sua mãe está?
– Claro tia – falou com um ´´ânimo´´ espantador.
– Não vai entrar Benjamim? — perguntou ao único irmão que aceitava.
– Querido o Benjamim tem uma missão super importante, O Edward está muito doente.
– O Ed está doente? — indagou preocupado com o primo. — Foi por isso que não o vi mais.
– E muito doente, queria pedir a sua mãe o elixir para que ele possa tomar e se curar.
– É claro que minha mãe vai ajudar tia. Ela está no quarto.
Lúcia não tinha vontade de fazer nada, queria até que Lúcio saísse para que ela pudesse chorar em paz, coisa que ela não queria fazer perto do filho, mas cabeça dura do jeito que ele é, jamais a deixaria sozinha. Susana pediu licença e entrou no quarto da irmã que, era divido por uma bela cortina púrpura, Lúcia não queria ver ninguém, mesmo não tendo raiva de Susana, a ultima pessoa que ela queria ver era ela, mas precisou ser gentil para não desabar perto da irmã, ou diria coisas que não queria.
– Não vai me dizer que também está doente Lu? — disse depositando um beijo na testa de Lu
– Não, mas por que? Alguém está?
– Sim, o pequeno Edward, soube por Caspian, que ele está muito doente. Faz dias que não come nada e arde em febre. Pelo que sei, Edmundo não sabe mais o que fazer, e então vim te pedir o elixir da flor de fogo para o nosso pequeno.
– Claro Su, peque ali naquela mesinha, está envolvido em um pano azul. — respondeu apontando para a mesinha.
– Obrigada Lu, o Ed vai ficar agradecido, tenho que ir logo pois o Edward não pode esperar.
– Adeus Susana.
– Até mais Lu. — despediu-se
…
Enquanto aguardavam o anoitecer para que Tirza entrasse em ação, no castelo construído por Lúcio, Tirza, Jadis e Miraz viam se existia alguma falha no plano.
– Tem certeza que já temos tudo o que precisamos? Ou melhor, que eles precisam? — perguntou Miraz as companheiras.
– Acho que ainda falta algo – balbuciou Tirza.
– Acho que já sei o que é.
– Então está esperando o que para agir, não temos muito tempo – reagiu Miraz
– O elixir, é claro, como não pensei nisso? Eles precisarão e logo, se é que já percebram.
– Então vá logo, e impeça que ele se cure! — advertiu a dama de verde.
Jadis partiu discretamente, com a ajuda de um traidor, para a tenda de Edmundo.
Jill e Edmundo não saiam mais de perto do filho, e em sua extensa tenda se despediam, já que o deixariam sozinho para procurar ajuda, resolveram ir atrás do professor Cornélius, pois sabiam que ele entendia de medicina.
– Não permita que ninguém entre, entendeu filho?
– Certo mãe! — disse o garoto que mal conseguia falar.
– Tome um pouco de água Ed – disse Edmundo colocando o odre na boca do filho.
– Estou com muito frio, e fome também.
– Nos vamos te ajudar filho. Já já voltaremos com a solução – respondeu Edmundo colocando mais um cobertor em Edward.
– Filho você está coberto de suor, acho melhor deixá-lo sem todas essas cobertas. Adeus amor – disse Jill Pole dando um beijo no pequeno que ardia em febre. A pior coisa do mundo é ver um filho doente e não poder fazer nada, para Edmundo e Jill Pole, era pior que qualquer guerra que já haviam enfrentado. Ver um filho passar fome também não é nada fácil, mas de que adiantava eles serem podres de ricos se seu filho não conseguia comer nada? É uma pena que tivessem saído antes da chegada de Susana.
Edward não ficou nem 5 minutos sozinho, já que sua bondosa tia tinha chegado com seu primo. Susana entrou rapidamente na tenda e viu o assutado estado de seu sobrinho. Edward estava muito mais magro que o normal, seus olhos estavam fundos, sua boca pálida, e suava bastante. O garoto contou a tia que os pais tinham acabado de sair para procurar ajuda com o tutor de Caspian, e a rainha achou melhor que o garoto esperasse o regresso dos três antes de tomar o remédio, já que ela não sabia que efeito poderia ter depois de longos e longos anos, além de estarem no paraíso. Susana e Benjamim queriam ficar, mas Edward insistiu que eles poderiam voltar para casa, alegando que já estava bem, mas na verdade o garoto queria comer sua trufa, a última trufa mágica. Depois de um tempo Susana e Benjamim se despediram de Ed e foram embora, a rainha ficou muito tranquila ao achar que o menino logo ficaria são e salvo. Mas infelizmente a maldita feiticeira branca, estava espionando garoto por fora da tenda, Jadis vibrou ao ver que Susana foi embora sem que Edward tomasse o elixir. O menino guardou o elixir na gaveta, e puxou de lá o pote de trufas, com a última que havia restado, Edward queria chorar ao perceber que não tinha forças para ir atrás de Jadis pedir mais doces, foi quando a maldita entrou na tenda para tirar as poucas chances do menino.
– Jadis! — Edward quase saltou da cama quando a viu, foi como se suas forças tivessem sido renovadas.
– Senti tanto a sua falta querido. Eu soube quando você está dodói, e queria até te trazer alguma coisa para comer, mas estou quase sem poderes.
– Então não tem mais trufas? E nem doce nenhum.
– É sobre isso que vim conversar com você Ed. Vim te fazer uma proposta.
– O que você quer?
– O que acha de trocar essa garrafinha que tem dentro dessa gaveta, por todos os doces e trufas que você quiser?
– Esse elixir?
– Isso mesmo anjo!
– Eu... eu não posso, estou muito doente e preciso disso para me curar. — disse Edward e Jadis teve vontade de matá-lo ali mesmo.
– Eu perdi meus poderes e você só voltará a comer trufas de novo, se me der esse elixir. Querido eu não queria te pedir nada em troca, mas é por você mesmo. Ou você entrega o elixir, ou é bem capaz desse remedinho não funcionar e você nunca mais poder provar as delícias dessa vida.
– Poderei ter quantas trufas eu quiser?
– Todas!
Edward não pensou mais, e como estava viciado e morrendo de fome, pegou o elixir na gaveta e os olhos de Jadis brilharam. Através do garoto ela conseguiria alcançar seu verdadeiro objetivo. Edward deu o elixir a ela, e a bruxa inventou uma desculpa para o garoto.
– Bom Ed, eu não posso te dar tudo o que te prometi agora, mas depois de um tempo, quando o elixir tiver efeito, eu vou te recompensar com rios de doces, bolos e trufas. Mas agora posso te adiantar apenas um pote. — Um lindo pote agora idêntico ao que ela deu a Edmundo se formou em suas mãos, e com toda satisfação, a feiticeira o entregou ao pequeno.
– É mais que suficiente, perfeito! Muito obrigado minha senhora. — disse contentíssimo.
– Você fez um ótimo negócio Edward, você nem imagina o quanto fico feliz por sua escolha. Mas você que é um garoto esperto, precisa guardar segredo, não que seja errado, mas se seus pais souberem desses presentinhos, vão te proibir de comer essas trufas para sempre.
– Eu não vou dizer nada, eu prometo.
– Adeus meu garoto, vou antes que eles voltem.
– Pode me dar um beijo? — pediu todo sem graça
– É claro meu amor, você é como um filho para mim. Talvez algum dia eu te leve para morar comigo.
– Sério?
– Você ficará tão preso, que nunca conseguirá escapar, mesmo que queira.
– Então vou esperar.
...
Roberta voltou para casa e logo foi ver a mãe, a menina tinha esperanças de que seus pais se reconciliassem então tinha como plano pedir a mãe que a deixasse morar com o pai, para que Robert desistisse desse absurdo de ir embora.
– Mamãe, eu quero morar com o papai. — disse decidida
– Como assim Roberta? Eu nem tinha certeza de que seu pai me deixaria de verdade, e você me diz que quer morar com ele? Onde?
– Foi você que o afastou mamãe. Me desculpe, mas é a verdade, papai e eu moraremos com meus avós Joseph e Helen.
– Até meu pais estão contra mim! É claro eles sempre preferiram a Susana.
– Não tem nada a ver mamãe, e o papai está aqui, ele veio buscar suas coisas. Por favor não fique com raiva de mim.
– Eu não tenho raiva de ninguém Roberta, me sinto apenas traída, por todos.
Robert chegou um pouquinho depois de Roberta, e passou por Lúcio sem dizer nada pois queria falar com ele depois de falar com Lucy, aliás o garoto nem quis olhar para ele, Lúcio pensava que seu pai tinha voltado para ficar e quando Robert passou ele sorriu com uma grande esperança no peito.
– Roberta será que posso falar com sua mãe sozinho?
– Claro pai, eu vou sair para conversar com uma nova amiga. — A menina se levantou da cama da mãe, pegou sua capa e saiu.
– Além da minha paz, você quer tirar a minha filha também? — disse em um tom bem duro.
– Como assim tirar ela de você? Não entendo.
– Roberta que disse que vai morar com você na casa de meus pais.
– Não se preocupe isso não vai acontecer. Eu já disse para Roberta que não vou morar com seus pais.
– Então você vai fic...
– Só vim buscar minhas coisas, e falar com Lúcio.
– Ah então você vai mesmo – falou balançando a cabeça como se concordasse.
– Vou ficar com seus pais, mas é por pouco tempo. Vou atravessar o oceano do leste e ir... de volta para o meu mundo. — falou com um pouco de dificuldade, e Lúcia não pôde acreditar no que ouviu, por isso ela não esperava. Tudo bem que eles estavam se separando, mas ir embora para outro mundo era radical demais.
Ela virou o rosto com a mão na boca para tentar conter suas emoções, mas não queria ceder, a raiva por ser abandonada tomou conta de si e ela foi dura com seu amor. — Você já devia ter ido a muito tempo, pena que decidiu isso tão tarde. Anda Robert, pegue suas coisas e saia daqui de uma vez, mas ao menos despeça-se de seu filho, o que você rejeita.
– Eu sabia lá no fundo, que era isso que você queria, e tenho certeza de que o Lúcio também ficará aliviado. Mas antes de partir vou esperar pelo perdão dele e – Bob sentou-se ao lado de Lucy e segurou suas mãos – o seu também.
– Se pede perdão é porque está errado, confessa sua traição?
– Se peço perdão é porque sou superior a isso, e também porque sei que te magoei.
– Vai Bob, vai logo e não volte mais.
– É uma pena que esteja tudo terminado.
– Não devia nem ter começado.
Quando Robert atravessou a cortina, Lúcio se assustou ao ver malas nas mãos do pai. Ele se levantou da cadeira e protestou.
– Então você vai embora não é? — esbravejou
– Sim, eu vou, mas antes eu queria pedir...
– Não que ouvir nada, saia daqui agora mesmo – foi apressado até a entrada para abrir a porta, mas tropeçou no tapete e caiu machucando a perna.
– Lúcio, Lúcio você está bem? — disse segurando a perna do filho.
– Me solta, tiras essas suas mãos de mim, está me machucando ainda mais. — disse gemendo
– Me perdoe por tudo, e por não ser o pai que você queria e merecia...
– Mas é você, e nada pode mudar isso.
– Lúcio eu quero que você olhe para mim e me responda sinceramente. Você me odeia?
– Eu prefiro não responder – disse fixando o olhar no chão.
– Mas eu quero que você me diga.
– Sua consciência saberá te responder.
– Ela não me diz coisas boas. Essa era a resposta que eu precisava para deixar vocês em paz de uma vez. Adeus Lúcio – disse pegando as malas – Eu espero que um dia você me entenda, não, não me entenda, mas me perdoe.
Quando Bob saiu o garoto quebrou um vaso valioso que foi presente de Trumpkin, ele sentia raiva, raiva por ter certeza de que seu pai não o amava, assim pensava ele.
...
Liliana após ouvir a conversa de seu avô e sua prima, resolveu seguir os conselhos de Tumnus: deixaria Alvaro ir, deixaria que ele fizesse o que quisesse, pois não queria o seu mal, sabia que se contasse algo sobre ele, o jovem correria um alto risco, não só pelos narnianos como também pelo pai dele. E deixá-lo ir, significava também ajudá-lo a ficar com Anna, o que fosse preciso para fazê-lo feliz. A jovem resolveu então que não conversaria com ninguém, apenas com Alvaro e esperava que a consciência dele falasse mais alto. Uma coisa intrigava Liliana, o fato de o castelo não ter sido destruído como disseram, assim como o Lúcio, Lili achava um desperdício de criatividade e materiais sem contar que várias deles poderiam morar ali. Ela não sabia que os inimigos moravam ali, só o amado. Ao chegar lá Liliana pode ver Alvaro da sacada e ele também a viu, o jovem se preocupou um pouco ao perceber que Tirza, Miraz e Jadis poderiam ver Liliana, já que estavam hospedados lá e se Tash e seu pai descobrissem que ele era amigo do tal William e que ele sabia dos planos de Alvaro, certamente matariam Liliana. O jovem desceu rapidamente para conversar com a jovem.
– William o que está fazendo aqui? — o rapaz ainda não tinha percebido que William era uma moça, já que a garota estava suja e com os cabelos bem presos propositalmente.
– Esse é o meu mundo, tenho todo o direito de estar aqui.
– Ainda está chateado comigo? — perguntou ao amigo, e Liliana viu um estranho anel em seu dedo
– Que anel é esse Alvaro? É muito parecido com o anel da primeira crônica, e esta eu conheço muito bem. Seu anel é idêntico ao anel que o André inventou, o mesmo que trouxe lord Digory à Nárnia antes mesmo desta existir.
– Que isso William, esse anel é só um anel normal, comum, não tem nada de mais.
– Você não é daqui, e não parece ter boas intenções, de onde veio Alvaro? De que país você era príncipe?
– Qual o motivo desse interrogatório? Não confia em mim?
– Não. Nem você confia em si mesmo. Quem é essa rainha que você tanto odeia, e que seu pai tanto ama?
– Isso não é assunto seu.
– É assunto meu sim! E o que você quer com Anna?
– Você é apaixonado por ela William? — perguntou preocupado
– Não é claro que não. Eu gosto muito dela, mas defenderia qualquer outra. Quais são suas verdadeiras intenções Alvaro? É melhor não fazer nada de errado ou então não poderei te ajudar.
– Não me pergunte William, não quero mentir e também não posso ser franco.
– Então adeus alteza.
Não demorou muito para que Anna chegasse, a jovem fazia seu passeio diário e adorou encontrar seu príncipe. Alvaro não esperava vê-la ali e ficou muito incomodado com a presença dela.
– Alvaro o que você faz aqui? Aliás onde você mora? Em que parte do acampamento?
– Querida precisamos conversar, sério.
– Claro, eu já estava com saudades, quando você vai...
– Você me ama Anna? Sinceramente me ama?
– Sim mas é claro meu amor, você sabe disso, eu já te provei, e sabe Alvaro... eu fico meio sem jeito de dizer isso, não quero que você pense mal de mim, mas eu queria ser sua de novo. — Alvaro sentiu-se pior ainda.
– Bom amanhã meu pai pedirá a sua mão em casamento, então não diga nada aos seus pais, amanhã minha família virá falar com seus pais, mas antes eu queria te dar isso. — Pegou um lindo anel de brilhantes e deu a ela, a jovem ficou muito emocionada com o gesto de seu amor.
– Alvaro é pra mim? Meu sonho finalmente se realizou, eu vou me casar, com a pessoa que conquistou meu coração. Finalmente eu serei feliz de verdade Alvaro, serei completa, como meus pais.
– É claro. — disse triste, pois percebeu que seria a última vez que a teria para si.
– E você me ama? — disse com o sorriso mais iluminado que tinha.
– Acho que sim.
– Acha?
– Tenho certeza Anna.
– Vamos entrar no catelo.
– Não, lá não, vamos a outro lugar. Conhece algum lugar mais reservado? Alguém pode entrar aí.
– Tem sim, um lugar muito lindo, uma cachoeira, mais bonita do que aquela onde ficamos pela primeira vez. Nessa cachoeira que vou te levar, foi um lugar muito especial para os meus pais, foi lá que eles se reencontraram e ele a pediu em casamento, minha tia teve sua lua de mel lá. Tenho certeza de que você vai gostar, o lugar é o mais lindo desse país.
…
Rilian não conseguia mais viver sem Sunamita, ele sabia que não era comum, nunca viu um humano com uma sereia, seria uma relação difícil já que ela só podia ficar na água, mas ele já tinha um plano: morar em um barco como seu pai e sua musa. Rilian pegou o anel que Caspian deu a Liliandill, sua mãe, quando ela morreu essa foi a única lembrança que ele teve dela, e agora passaria para a mulher amada, isso, ele tinha certeza que a amava.
Já era por do sol quando ele decidiu ir atrás dela. Rilian sentia que Sunamita também estava apaixonada e certamente aceitaria o pedido dele, a ansiedade e o nervosismo tomou conta do rapaz, Rilian nunca quis se casar, só quando estava sob feitiço, o que esse garanhão queria mesmo era curtir todas as damas e paixão, se é que podemos dizer, ele só sentiu talvez por Susana. O jovem tirou sua camisa e entrou na água, ficou esperando um bom tempo, até ela apareceu. Rilian tinha colocado o anel no dedo para que não perdesse. Bom como sempre o fim da tarde foi maravilhoso, tudo era maravilhoso para Rilian quando ela estava presente, ele acha que o que o fez se apaixonar por ela foi o fato de a jovem esnobá-lo e não se render facilmente aos encantos dele, as outras jovens já eram mais atiradas e suspiravam por ele, por isso Rilian não achava muita graça nas outras. Mas finalmente chegou o momento de se declarar, a cada segundo Rilian ficava mais nervoso, o rapaz nem se reconhecia.
– Sunamita – dizia com um pouco de dificuldade e chegava a gaguejar – sei que não faz muito tempo que te conheci, mas posso te garanti que nunca senti o mesmo por ninguém. Nenhuma mulher conseguiu fazer comigo o que você faz, mesmo sem me tocar.
– É claro, sou uma linda e encantadora sereia, isso acontece com todos os homens.
– Pode ser, mas nenhum homem te pediu o que quero te pedir agora. Perdoe meu jeito de falar, eu ensaiei várias e várias horas o que ia dizer, mas não sai. Espero que entenda que o que sinto é sincero. — os dois estavam quase submersos pela água, que chagava a cobrir a boca de Sunamita, mas não passava do pescoço de Rilian.
– Diga logo! Pare de enrolar, o que você quer afinal?
– Você Sunamita. Eu quero você. É só por isso que eu estou aqui, por que quero te entregar esse anel. — disse tirando-o do dedo e mostrando a jovem sereia.
– Por que quer me dar isso?
– Porque estou te pedindo em casamento. Quero muito que se case comigo, quero que seja minha esposa, o que me diz? — perguntou com os olhos brilhando de esperança.
– Você está louco? — perguntou rindo. — Rilian como você é engraçado. Casar comigo? Por que?
– Eu disse que era sério. Eu realmente quero casar com você. Eu te amo Sunamita. Quero me casar pois te amo. — disse Rilian e a sereia ficou séria. Ela não sabia se Rilian era tão inocente ou estava brincando.
– Que brincadeira é essa? Me amar? Como assim Rilian?
– Não é nenhuma brincadeira Sunamita. Qual é o problema de dizer que te amo? Sei que você sente o mesmo por mim, sei que me ama.
– Sentir? Como sentir? Você acha que eu te amo?
– Sunamita não estou entendendo o motivo de tanto espanto. Eu sei que você também me ama, eu enxergo isso em seus olhos.
– Então está enxergando errado, está cego. Rilian, eu não te amo, e nunca vou amar você.
– O que? Por que está dizendo isso Sunamita? Você me ama eu sei. Porque não poderia me amar.
– Eu não te amo, e nunca sentirei nada por você.
– Por que droga? — gritou nervoso e com medo da resposta
– Porque não tenho sentimentos! — gritou, mas logo acalmou a voz. — Rilian eu nunca senti nada por você e nunca vou sentir porque não tenho sentimentos. Sou uma sereia e todo mundo sabe que sereias não tem sentimentos.
– Eu... eu não posso acreditar nisso! Como você nunca me disse isso? — deixou lágrimas grossas escaparem – Como pôde me enganar por todo esse tempo? Por que me iludiu?
– Rilian não estou afim de responder interrogatórios. Mas saiba que nunca te enganei, nunca te iludi, nunca disse que sentia algo por você e nunca corri atrás de ti. Não tenho culpa se me persegue, se sente-se atraído e seduzido por mim, é porque sou uma sereia, e todos se apaixonam por sereias. Na verdade ninguém aqui sente nada por ninguém, você não me ama de verdade, só está encantado.
Rilian se desesperou e agarrou os braços de Sunamita – Não Sunamita, não diga isso, você me ama, essa coisa de não ter emoções não existe. Vamos nos casar, e ser felizes juntos, essa coisa de não sentir está em sua cabeça, mas no seu coração...
– Rilian eu sou como um animal selvagem que não pode ficar preso a ninguém. E como eles não tem sentimentos eu também não tenho, e não sou culpada por isso. Nos conhecemos a pouco tempo, logo você me esquece.
– Mas eu não quero te esquecer, não quero me conformar, não quero viver sem teu amor.
– Mas ele nem existe Rilian!
– Você não é um animal Sunamita, você é humana...
– Não confunda as coisas alteza, não sou humana, sou um ser mágico, como qualquer outro. As árvores, as dríades, as fadas conhecem e entendem os sentimentos, mas não os sentem, não como vocês.
– Você tem sentimentos sim, é claro que tem, por exemplo: você ri, me acha engraçado, diz que é solitária, solidão, solidão é um sentimento e a forma que você compõe, a música que você fez pra mim, dizia que me amava, era cheia de sentimentos, linda. E a emoção em sua voz, no seu canto. Sunamita quando estamos juntos tudo é tão... fantástico e eu sinto que sou seu e você é minha, nossas vidas se cruzaram e por isso nunca amei ninguém. Eu poderia dizer que não tenho sentimentos por nunca ter amado mulher nenhuma, por isso você também diz isso, eu tenho família e amigos, você não tem ninguém por isso não entende seus sentimentos, mas vou fazer você descobrí-los.
– Não Rilian por favor não quero te magoar nem te iludir...
– Viu você sente pena de mim, isso é um sentimento. E sobre seres mágicos, o sr. Trumpkin é um anão e sente as coisas, o sr. Tumnus também, dizem que ele até se apaixonou...
– Pare. Me deixe te explicar. Como os outros seres, eu entendo os sentimentos, tudo bem que os outros sentem, mas não sou um fauno, um anão, ou uma árvore. Eu não posso, infelizmente não posso sentir, é da minha natureza Rilian. Olhe aquela pedra... sou como ela, fria e vazia, sem objetivos.
– Eu não entendo – respondeu chorando amargamente.
– A verdade é que se sorrio e fico brava, se tenho ambições, é porque sou diferente das outras sereias, eu posso sentir... um pouco, muito pouco... é muito limitado, no máximo pena. Se sorrio é porque tenho pena dos homens que morrem por mim, que enlouquecem por mim. Mas no fundo gosto disso,é como uma vingança Rilian, as sereias são a vingança das mulheres normais, por serem enganadas e iludidas pelos homens. É como se fosse seu castigo... pense em quantas mulheres você já conquistou, e quantos corações você partiu, por pura vaidade, para dizer que é o super-macho. Agora está provando de seu veneno e a culpa não é minha, por isso sempre fui rude com você, mais rude do que com os outros, pois sabia que seria a sua perdição e seu sofrimento. Por isso as outras sereias não ficam comigo, pois sou diferente delas, pois sou especial, posso entender as coisas e raciocinar.
– Isso já é um começo, quer dizer que seus sentimentos podem evoluir...
– Você não desisti não é mesmo? Me esqueça ou só vai sofrer e se martirizar com isso. Já ouviu a história de Eco e Narciso? Do rapaz que se apaixona por si mesmo e definha e até a morte. Eu não sou Narciso, não posso me apaixonar por mim mesma, por ninguém. Não te levarei para o fundo do mar, não faço isso. Mas você sofrerá tanto a ponto de desistir da vida e definhar como Narciso, por um amor que nunca será correspondido.
– Eu sou muito insistente, e não me darei por vencido. Eu vou te conquistar. — disse chorando e sua voz expressava sua dor.
– Guarde o seu anel alteza, e é melhor não me procurar mais. Isso é o máximo que terá de mim. A minha pena.
Agora Rilian pôde sentir o que Pedro sentiu, quando sua mãe o rejeitou. Era a pior do mundo, a pior angustia, muito pior do que os dez anos que aquela prisão a maldita cadeira lhe causou. Ele se recusava a acreditar, não podia aceitar aquilo, não assim. Faria como seu padrasto, lutaria até conseguir conquistar sua amada.
Rilian se aproximou bem do rosto de Sunamita, deu a sua olhada mais profunda, o mesmo olhar imensamente azul que conquistava todas, segurou o delicado rosto de Sunamita e a beijou. Rilian deu seu melhor beijo, o mais profundo, mais emocionante, mais intenso, o melhor beijo de sua vida, ele tremia e se sentia como um garotinho inexperiente que dava o primeiro beijo, Sunamita não o desprezou, até aceitou e por isso o beijo se tornou longo. Quando Rilian o interrompeu por falta de ar, deu um forte suspiro e acariciando o rosto da amada disse:
– E então... vai me que não sentiu isso?
– Não Rilian, eu não senti.
– Pare de mentir Sunamita, como pode não ter sentido? O melhor beijo de nossas vidas. Vai me dizer que uma forte emoção não percorreu por seu corpo, e você não o sentiu arder? Por que eu senti, e te garanto que foi o melhor beijo da minha vida.
– A única coisa que sinto é a água fria batendo em minha pele. Quando se curar disso, aí sim volte e seremos amigos, e vê se fica longe das sereias.
…
Isso foi pior que um golpe de espada e Rilian desejou nunca ter nascido. Nem a dor da perda de sua mãe, de seu pai, nem nos anos que ficou preso, Rilian sofreu tanto. Ele nunca sentiu isso por ninguém, jogou o anel no rio e vestiu sua camisa que vestiu automaticamente. Ainda todo molhado começou a caminhar, tentava voltar para casa mas sua cabeça girava, o rapaz nem pensava direito, quando uma mulher cruzou seu caminho. Seu antigo tormento, a dama de verde Tirza.
– Mas o que... o que você está fazendo aqui? Não estou bêbado, será que estou louco?
– Eu voltei só para você amor. — A cínica disse com a voz mais doce do mundo.
– Tirza... eu não entendo, como você veio pra cá? — perguntou atordoado.
– Eu te amo Rilian, te amo muito.
– Pare de falar de amor, vocês mulheres não prestam. Você me enganou, me prendeu naquela maldita cadeira de prata e me enfeitiçou, roubou minha identidade por anos.
– Eu sei que errei querido, mas estou arrependida, percebi o quanto te amo. Rilian eu também fui enfeitiçada, fui enganada, me prometeram fortunas e poder e eu inocente aceitei. Recebi aqueles malditos poderes, mas na verdade era marionete de um espírito mal que me dominava. Na verdade não era eu, que queria te dominar e dominar Nárnia, era uma força maior.
– Pare de inventar mentiras! Não sou mais aquele bobo que caiu em sua armadilha. Você não presta é uma feiticeira ordinária que acabou com a minha vida.
– Rilian será que você não vê? – caminhava atrás dele, tentando acompanhá-lo – Se estou aqui é porque meu coração está limpo e puro e só por isso pude entrar aqui. Porque sou inocente, e te amo de verdade, só fui uma vítima como você. — disse segurando o braço dele, e o rapaz a empurrou com força.
– Volte para o lugar de onde nunca deveria ter saído.
– Eu não tenho culpa se essa sereiazinha te magoou, ela não tem sentimentos, mas eu sim, e muito profundos e verdadeiros só por você. Eu não sou como ela amor, e vou esperar por você.
– Faça como quiser mas me deixe em paz. — disse furioso, Rilian nunca se sentiu assim, tão frustrado e colérico, mas o que acabara de acontecer foi a pior experiência de sua vida, e agora chegava o seu pesadelo mais assustador para assombrá-lo novamente. A malvada bruxa ajoelhou-se aos seus pés, e derramou rios de lágrimas para ver se o comovia. Mas Rilian estava muito magoado, triste, confuso e desesperado para ligar para as encenações dela.
Ela continuou lá, ajoelhada e Rilian partiu para sua casa, agora morava sozinho e isso para ele era bom, pois poderia chorar e extravasar a sua dor a vontade. O rapaz que pensou que teria a melhor noite de sua vida, teve a mais dolorosa, e não conseguia engolir isso, não podia aceitar. Quando chegou em casa, tirou a roupa e se jogou no chão, queria pegar alguma bebida e com dificuldade se levantou, o rapaz estava arrasado. Seu padrasto passou pelo mesmo, mas pode conquistar sua mãe, teve essa chance, mas o que seria dele se a mulher que roubou seu coração jamais poderia sentir algo, jamais o corresponderia, só em pensar nisso o coração de Rilian doía, como se conquista uma pessoa que não pode ser conquistada? Essa sim era uma verdadeira história de amor impossível.
Quando a na dispensa de bebidas, pegou a bebida mais forte que tinha em casa. Encheu o copo, deu um gole e não conseguiu beber o resto, jogou o copo no chão e resolveu que talvez um banho bem gelado o traria para a realidade. Rilian afundou-se na banheira e pôde relaxar um pouco, mas só um pouco, pois uma pequena cobra coral havia entrado em sua banheira, e o príncipe a pegou pela cauda e mesmo assim não foi picado, ele nem desconfiou de quem se tratava pois a cobra era pequena e diferente da bruxa disfarçada de serpente que ele conhecia. O objetivo de Tirza era o seguinte: se conseguisse fazer Rilian cair em tentação e deitar-se com ele, Tash e Rabadash finalmente teriam acesso ao país de Aslam e o objetivo do clã estaria completo.
Rilian não estava entendendo nada, a cobra conseguiu se soltar de sua mãe e caiu dentro da banheira novamente, só que agora lentamente se transformava em humana, ou melhor, feiticeira. Tirza rapidamente o agarrou e lhe deu um beijo forçado e ousado.
– O que está fazendo sua louca? — perguntou confuso e fora de si.
– A questão não é o que estou fazendo, é o que vou fazer.
– Você vai sair daqui. — disse tentando empurrá-la, já que Tirza estava enlaçada em seu pescoço.
– Por que Rilian? Você precisa tanto de mim, e eu de você. Sei o quanto está carente e podemos nos divertir juntos. Vem amor, a noite é só nossa.
– Me solte agora ou quer que eu te machuque?
– Você pode fazer de mim o que quiser – disse com um sorriso debochado.
– Sai daqui!
– Eu sei que você me deseja, me quer, ainda me ama e tem medo de não resistir a mim – falou alisando o corpo sarado dele – não precisa ter medo do que os outros vão dizer, ninguém precisa saber disso, ninguém.
– Eu não quero te machucar Tirza, então saia daqui antes que minha paciência acabe. — disse quase gritando, e a feiticeira ficou em pé revelando seu escultural corpo nu. Rilian ficou sem reação e não conseguia parar de olhar para as curvas dela.
– Eu sei que eu mexo com você Rilian, e sei que você me quer, sei que quer me levar para aquela cama e matar a saudade dos velhos tempos. Amor confia em mim, se estou aqui é porque me arrependi do que na verdade nem fiz.
Ele se levantou e saiu da banheira tapando-se com uma toalha, e Tirza riu ao ver o quanto ela mexia com ele. Se o rapaz continuasse ali não resistiria, ela era bonita demais, sensual demais, e simplesmente irresistível. Mas ela viu que estava ganhando e não desistiu, o agarrou por trás e mordiscou sua orelha.
– Sai daqui anda!
– Eu sei que você me quer, mas não precisa resistir Rilian, não é proibido se entregar a ardente paixão com a mulher amada. — disse beijando as costas do rapaz, que não conseguia fugir das investidas dela.
– O que você está fazendo comigo? Que feitiço é esse? — perguntava respirando com dificuldade.
– Feitiço nenhum amor, já disse que não tenho mais aqueles poderes amaldiçoados. Isso é o amor que você sente por mim. — ao terminar a frase retirou a toalha dele
– Ahhhhh Tirza me solta, sai daqui ou eu vou cometer uma loucura.
– Eu quero enlouquecer com você. Rilian não resista, por favor! Quer provar fidelidade a quem? A uma criatura que não te ama, enquanto tem uma mulher em sua frente pegando fogo?
– Você só quer me enganar não é? Para que eu sofra, como estou sofrendo por ela.
– Eu quero te provar o quanto te amo e te quero. Eu não vou te enganar, confia em mim, eu jamais te trairia, não em sã consciência.
– Eu não sei... estou muito confuso. — disse de olhos fechados, enquanto ela tinha acesso para beijar seu pescoço.
Tirza não perdeu tempo e pegou uma garrafa de vinho, Rilian não entendeu nada, mas seu corpo ardia por ela, e a rejeição de Sunamita só colaborava para tudo isso. A feiticeira veio fazendo a dança do ventre completamente nua, apenas com a garrafa na mão. Rilian ficou hipnotizado com a dança dela, a forma de como seu ventre se movimentava lenta e sensualmente, a dama de verde abriu a garrafa e derramou um pouco do vinho gelado em seu ventre, o que fez Rilian morder o lábio inferior. Ela sentou-se na cama dele e o convidou.
– Sei que quer beber meu formoso rei, então venha se deleitar desse vinho e de meu corpo.
Rilian fechou os olhos e passou as mãos nos cabelos como se quisesse arrancá-los, a vontade dele era sair correndo dali, mas seu corpo queria ela, parecia que a paixão que ele pensou ter matado, voltava como um raio. Rilian não queria ir ao mesmo tempo que queria, aquele corpo, aqueles lábios eram terrivelmente perfeitos, e ao ver uma gota de vinho escorrer pelo umbigo dela, Rilian não pôde mais aguentar e se entregou a ela. O jovem foi desesperadamente ao encontro dela, se ajoelhou e secou a gota de vinho com os lábios, ao encostar a boca na barriga dela, seu corpo estremeceu e ele rapidamente foi incendiado. Suas mãos apertaram a cintura dela e ele foi de encontro aos seus lábios como se quisesse devorá-los. Então cegamente, mais uma vez o príncipe se entregou aos encantos dessa mulher, que ele novamente acreditou que podia amá-lo. Naquela noite Rilian a amou ardentemente e Tirza nunca havia se sentido daquela forma. Mais uma vez nosso príncipe foi enganado e por consequência abriu caminho para que Rabadash e Tash tivessem livre acesso ao país de Aslam deixando o lugar mais vulnerável ainda.
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