Nárnia Além Da Vida Parte II

26 Revelação da princesa Anna


Notas iniciais
ótima leitura!

– Olá Edmundo, qual o motivo da visita? — cumprimentou Caspian com um aperto de mão.

– Vocês nem sabem o que aconteceu.

– Não me diga que é coisa ruim tio.

– Negativo Carlos, dessa vez é coisa boa. Posso me sentar na mesa com vocês?

– Claro Edmundo! Anna querida, sirva um café para seu tio.

– Sim pai. Mas tio me diz logo o que aconteceu. Estou ficando aflita. Não me diga que vão libertar minha mãe.

– Não fale bobagens Anna – repreendeu Caspian ríspido – Susa... sua mãe está onde deve estar. — terminou a frase deixando todos confusos e um clima pesado no ar.

– Você está estranho desde que leu aquela carta pai. — dizia Carlos pegando um pão.

– Que carta Caspian?

– Nada Edmundo, nada – Caspian estava evidentemente aborrecido, seria difícil fugir do assunto: Susana. — Você não disse que tem notícias.

– A boa-nova é que... — parou de falar, e deu um grande sorriso olhando todos a sua volta. — O Edward está fora de perigo. Meu filho já está bem e saudável de novo.

– Nossa Edmundo, você não sabe o tamanho da alegria que estou sentindo. — Celebrou Caspian sinceramente, levantando-se para abraçar Edmundo.

– Foi a maior luta da minha vida. Nada é pior que perder um filho, ou uma pessoa amada.

Caspian ficou sério e fechou a cara novamente. Não queria pensar em Susana, mas era difícil, tudo em sua volta o fazia lembrar dela.

– E podemos visitá-lo agora tio?

– Vim aqui pra isso mesmo Anna. Ed vai adorar receber visitas.

– Acho que vou chamar o Lúcio, ele vai vibrar quando souber que o melhor amigo está bem.

– Vá filho, faça isso, e você Victor? Vem com a gente?

– Ah Caspian, eu vou sim, mas antes vou preparar algumas coisas gostosas para o Ed comer.

– Quase tudo está voltando ao normal, a Lilian, a cura do Ed, a morte de Jadis. Só falta a mamãe ser solta.

– Vamos logo Anna! — pediu Caspian perdendo a paciência.

...

– E agora Tirza? O que devemos fazer?

– Você Sunamita deve sair da água.

– Quer que eu suba em uma pedra?

– Não, quero que venha para a areia. E fique deitada completamente fora da água.

– Como? Eu posso até respirar sem água, posso ficar semanas em cima de rochas, mas preciso ter alguma parte de meu corpo na água, principalmente a parte de peixe.

– Vai desacatar minha ordem? Quer ou não quer mudança? — exasperava.

– Claro que sim senhora, mas é que...

– Obedeça! E a garota, deverá ficar debaixo d´agua até não poder respirar mas.

– O que? Assim eu vou morrer, já te disse que sou humana?

– A senhora quer nos matar? Só pode ser, as sereias de Nárnia não podem ficar sem o contato com a água, posso até não precisar de água em minhas narinas, mas na cauda sim. E a menina não respira dentro de água.

– Exatamente. Se quiserem ter uma nova vida, precisam abandonar essa.

– Por mim, está tudo certo.

– Também aceito. — terminou Robert estendendo a mão para que Sunamita saísse da água.

– Agora é minha vez, deixem-me utilizar meus poderes. — Tirza estendeu seu cetro que continha uma esmeralda na ponta, a tal esmeralda abriu-se ao meio liberando um líquido grosso e esverdeado. Com Sunamita de fora do rio, o líquido foi jogado na água.

– Entre menina, mergulhe e não saia mais de lá. Até que a hora seja chegada, até que deixe de ser menina.

– Tem certeza Roberta? — perguntava Sunamita que estava sentada no chão.

– É isso que eu quero. Sempre achei que fizesse parte da natureza, sem quis ser um ser especial.

– É um caminho que não tem volta – alertou Tirza. Em seguida a feiticeira deu três passos para trás e despejou o líquido no chão. Sunamita entendeu o recado e deitou-se em cima do líquido que se espalhou por grande parte da areia. Mas havia algo errado, e quando Sunamita percebeu Roberta já entrava na água. Uma grande dor a deixou imóvel como se um ácido queimasse sua pele.

– Roberta sai daí. — gritou olhando para a menina que se debatia gritando dentro da água, mas não conseguia sair e afundava aos poucos.

Quando chegaram na casa de Edmundo, Caspian, Anna e Edmundo encontraram Pedro, Liliandill e Liliana. As duas ajudavam Jill no preparo de alimentos, Edward sentia muita fome.

– Essa enorme tenda ficou pequena para todos nós. — disse Caspian.

– É verdade – falou Edmundo pegando uma garrafa de vinho e algumas taças. — E o Cornélio? Ele foi embora?

– Ah já foi sim Ed, mas deixou várias recomendações não é Jill? — disse Pedro deixando Edmundo encher a taça.

– Que bom, devo muito ao Cornélio.

– Acho que esquecemos de avisar a Lúcia e aos meus pais.

– Bom, sobre seus pais não sei, mas o Carlos foi procurar o Lúcio, acredito que ele deva contar pra Lúcia também.

– Mas e aí Ed, nos explique direito como o Edward se recuperou, nem parece que elee esteve doente.

– Nem eu sei explicar, mas acho que foi... coisa de Aslam.

– Será? Porque se for, espero ele me ajude com meus problemas.

– A Susana não é mesmo? — perguntou Pedro, e Caspian sem responder engoliu todo o vinho de uma vez.

– Bom vamos ver o Edward, afinal viemos aqui para isso. — disse mudando de assunto.

– Antes disso – interrompeu Liliana – Caspian, o Victor virá? — perguntou envergonhada.

– E por que a senhorita quer saber disso? — provocou Lilian com sorrisinhos.

– Oh ela tá apaixonada – brincou Jill deixando as bochechas da garota coradas, de raiva.

– Ai que ideia de vocês, só perguntei porque se aquele chato vier eu quero estar bem longe daqui.

– Acho bom – disse Pedro não gostando nada do assunto – Lili ainda é um bebê, está muito nova para pensar em namorados, olha só o que aconteceu com a … — e Pedro parou de falar quando percebeu a besteira que dissera, recebeu olhares incomodados de Caspian e Anna, que brincava com Edward. Pedro nem imaginava que Liliana amava o mesmo canalha que destruiu sua sobrinha.

Tirza observava Sunamita completamente inerte no chão, Roberta tinha afundado e permanecia debaixo da água por um bom tempo. A feiticeira tinha outros planos, mas vendo que as duas estavam mortas pensou que fosse melhor deixá-las assim. Lembrou-se de seu plano anterior e percebeu que Rilian sofreria bem mais, ele e a família da garota.

Depois de alguns minutos refletindo sobre o que seria melhor, Tirza viu que Sunamita começava a se mover, e reparou também que da metade para baixo, a sereia também era humana. A cauda de Sunamita havia desaparecido, sendo substituída por lindas pernas, e a jovem parecia radiante.

– Onde estou? — perguntou a jovem abrindo os olhos lentamente.

– Não sabe onde está? — indagava analisando a moça.

– Não faço a menor ideia de onde estou e muito menos de quem sou. — disse tentando se levantar, mas uma forte tontura não deixou. Tirza vibrou por dentro ao saber que a sereia estava desmemoriada.

– Não se lembra de nada que aconteceu?

– De nada! Pode me ajudar?

– Mas é claro minha querida, venha comigo, somos muito amigas se você não lembra. Venha, temos muitas coisas para fazer.

Tirza levou Sunamita para o castelo, pois já tinha planos para ela. Após saírem, poucos minutos depois, Roberta surgiu a superfície do rio, também desmemoriada, agarrou a uma pedra, mas também estava mudada: agora era uma sereia.

Carlos chegou à tenda de Lúcia e chamou por ele.

– Acho que é o Carlos, devo atender?

– Não mamãe, não quero ver esse menino. Quero ele bem longe da minha casa e dos meus filhos.

– Posso saber o que está acontecendo Lúcia? Por que está agindo desse jeito?

– Livre-se dele e lhe contarei.

– Tudo bem. — Helen saiu da cama e foi atender Carlos.

– Vovó você por aqui. — disse dando um beijo na senhora.

– Vim visitar sua tia, ela está indisposta agora, o que você quer?

– Estou a procura do Lúcio. A senhora não sabe o que aconteceu.

– O que meu filho? É coisa ruim?

– Não vovó, coisa boa, muito boa. O Edward está curado, tio Edmundo disse que ele já está bem.

– Ah que maravilha – respondeu Helen dando um suspiro de alívio.

– O Lúcio não está, mas avise ao Edmundo que mais tarde passarei por lá.

– Pode deixar, vou continuar procurando e aproveito para avisar ao vovô.

– Isso querido, faça esse favor.

– O que foi mamãe? O que ele queria? Sei que ele não tem culpa mas... não posso evitar.

– Culpa de que Lucy? Ah deixa pra lá, mas tenho uma boa notícia, Edward está fora de perigo – dizia com lágrimas de emoção.

Caspian chegou em casa foi ao bar do navio, pegou uma garrafa de vinho e foi se trancar no quarto. Jogou-se na cama e não sabia se chorava ou bebia, fez os dois, sentiu-se orgulhoso por se conter por tanto tempo, não queria mais pensar nela, mas precisava desabafar. Ainda não podia acreditar no que estava acontecendo, refazia toda aquela cena de novo em sua mente, lembrava de cada palavra dela, cada reação que teve diante dos cruéis fatos. Pensava em que rumo daria para sua vida, mas era difícil imaginar a vida sem ela, estava sendo muito duro encarar aquela verdade.

– Majestade. — chamou Drinian do lado de fora do quarto.

– Eu quero ficar sozinho Drinian.

– Senhor, é que... chegou uma correspondência anônima para o senhor.

– Coloque por debaixo da porta.

– Claro senhor, perdoe o incomodo.

Um pouco cambaleante Caspian ajoelhou-se no chão e apanhou a carta.

“Encontre-me perto daquela cachoeira maravilhosa em que você costumava a se encontrar com certa pessoa. Antes do pôr do sol estarei te esperando por lá, não me decepcione. Creio que você não se arrependerá.”

– Era só o que me faltava. Quem deve ser? Se for o Robert ou o Rabadash eu os mato, acho melhor levar minha espada. Não custa nada ir até lá, já não tenho mais nada para fazer da minha vida mesmo.

Victor chegou na casa de Edmundo e viu Liliana que estava sozinha com o menino. Liliana o recebeu logo com uma careta. Vendo que a cama de Edward estava cheia de comidas, Victor foi jogando tudo no chão e colocando sua cesta nas pernas de Edward.

– Ei ei o que é isso? Que abuso é esse?

– Quem foi que fez essas porcarias? — perguntou com desdém.

– Fui eu que fiz, e não são porcarias.

– Viu Edward devem ter sido essas comidas estragadas que te fizeram tão mal. Cuidado com o que come.

– Minha comida não é estragada. — respondeu Liliana dando um murro no ombro dele.

– Ah não é? Como não são estragadas se você está sempre imunda? Não acredita como você pode ser tão porquinha se aqui tem rios e cachoeiras tão maravilhosas.

– Ninguém te perguntou nada, e vá embora o Ed não quer sua comida e nem sua visita.

– Que isso Victor, eu quero sim.

– Ah viu Liligatinha é você que está enchendo o saco. — disse pegando uma rosquinha feita por Liliana.

– Não me chame nunca de gatinha seu abusado. E por que está comendo minhas rosquinhas? Não disse que minha comida é estragada?

– É que eu já me vacinei docinho.

– É impressão minha ou tudo isso é amor? — se intrometeu.

– Não diga loucuras Edward, você se curou do estômago, mas ficou mal da cabeça.

– Gente meus pais saíram e não sei quando voltam, não quero dormir sozinho.

– Pode deixar meu amiguinho, eu durmo aqui com você – Victor empurrou Liliana para fora da cama, deitando-se ao lado de Ed.

– Mas você é um grosso, me jogar da cama desse jeito. Eu é que vou dormir com o Ed, eu sou da família, ele é meu primo e você não é nada.

– Não sou da família por enquanto. — dizia se espremendo na cama junto com Liliana e Ed.

– Chega mais pra lá Victor, você é muito espaçoso.

– Não vê que é uma cama de solteiro. Você só quer dormir aqui pra me agarrar quando eu estiver dormindo.

– Tira esse sorrisinho bobo da cara, quem quer me agarrar é você que eu sei.

Caspian chegou no lugar no horário combinado. Esperou por um bom tempo, no lugar onde reencontrou Susana, que também foi o local da sua lua-de-mel. Por um momento ele se esqueceu da dor e ficou nostálgico, quando os passos de alguém interrompeu seus pensamentos.

– Tem alguém aí? — perguntou sacando a espada. Percebeu que alguém se aproximava por trás e virou bruscamente quase ferindo o indivíduo.

– Vai ferir uma moça indefesa? — perguntou Sunamita admirada com a beleza de Caspian.

– Me desculpe por ter apontado uma espada contra seu pescoço, é que eu pensei que fosse...

– Fica muito bonito quando está nervoso. — dizia encarando-o.

– Que isso – sorria tímido – A única beleza extrema que vejo aqui é a sua.

– Como se chama? Acho que nunca te vi antes.

– Eu também nunca tinha visto tanta beleza em uma mulher. Nunca vi alguém como você por aqui. Me chamo Caspian – disse estendendo a mão, mas Sunamita foi além e lhe deu um beijo no rosto, o deixando desconcertado. Caspian abaixou a cabeça um pouco sem graça.

– Te aborreci não é... — perguntou triste.

– Não... de jeito nenhum. Você não me incomoda. — falou rapidamente.

– Que bom. Estou adorando cada segundo aqui.

– Foi você que me chamou aqui?

– Não eu não esperava uma companhia tão agradável. Mas se tem compromisso.

– Não, não, já que estamos aqui, podemos conversar um pouco.

– Sim claro. Podemos fazer um lanche, eu trouxe uma cesta.

– Vamos ficar bem perto da cachoeira então, é tão bonito ali. — disse dando a mão para ela, auxiliando-a a caminhar pelas pedras.

– Lúcia não posso acreditar no que está me dizendo. — dizia Helen com a mão na boca.

– Acredite mamãe, a Susana e o Robert foram capazes disso, por todo esse tempo.

– E por que só agora foram contar isso.

– Ela, ela contou, porque ele negou até a morte. Mas eu sempre desconfiei. Eles nunca contaram nada antes porque não prestam e queriam brincar comigo e com Caspian.

– Caspian é um genro excelente, deve estar sofrendo tanto, eu o tenho como um filho.

– É, ele deve estar mais arrasado que eu. Ele viu tudo e amava Susana cegamente.

– E o Robert, eu nunca pensei que ele fosse capaz de uma coisa dessas, ele que era o genro dos sonhos. Seu pai vai ficar muito decepcionado com sua irmã quando souber disso.

– Não mamãe, por favor, não diga nada ao papai. Ninguém mais precisa saber.

– Está certo meu amor. — disse envolvendo Lúcia em seu braços.

Liliana, Edward e Victor dormiam juntos quando alguém os acordou.

– Victor parece que é para você. — Disse Liliana mal-humorada, odiava ser acordada.

– Ai não, agora que eu estava sonhando. Quem é?

– Vim te buscar, para ver alguém. — dizia a voz lá fora.

– Quem quer me ver?

– Pare com essa gritaria Victor, vai acordar o Ed.

– Tudo bem sua chata. — respondeu fazendo questão de passar por cima de Liliana.

– Ai ai você pisou em minha barriga com seu joelho, seu idiota.

Depois de uma boa cavalgada, Victor chegou junto com a ninfa Danielle no acampamento onde estava sua mãe.

– Posso saber porquê a boneca me trouxe até aqui?

– Você logo saberá.

– Ah Dani, se você queria ficar comigo era só ter falado, não precisava me trazer pra tão longe. Eu pego a Liliana mas ela não é ciumenta.

– Você só sabe dizer besteiras hein garoto. É outra pessoa que quer te ver.

– Aposto que é uma gatinha. — disse descendo do cavalo.

– É uma gatinha sim meu amor. — gritou Alice chamando a atenção de Victor.

– Mãe! — Victor foi correndo até Alice e lhe deu um abraço bem apertado.

– Que saudades meu filho querido.

– Sabia que era uma gatinha, a mãe mas gata de todas.

– Você não tem jeito hein Victor.

– Não mesmo, seu filho me cantou durante o caminho todo.

– Conheço muito bem essa figura. — respondeu Alice sendo pega no colo por Victor.

– Poe sua mãe no chão garoto. Alice o Robert ainda está aí?

– Está sim Danielle.

– Diga à ele que pode ficar o quanto quiser, vou dormir em outro lugar.

– Minha mãe vai dormir sozinha com outro homem? Nem pensar.

– Não é outro homem Victor, é um amigo, o pai do Benjamim.

– Agora eu já sei, o Benjamim me disse.

– Vamos entrar, você vai adorar o Bob.

– Sabe mãe... — dizia ficando um pouco sério e cabisbaixo – faz muito tempo que não vejo você tão, como digo, empolgada, animada.

– Não estou empolgada Victor, é que estava me sentindo muito sozinha, e o Robert me faz companhia, a companhia que eu precisava. — olhava inexpressiva.

– Já está tarde – disse Caspia, se levantando do chão – mas adorei passar a noite com você.

– É, essa noite foi muito agradável, nunca vi estrelas tão grandes e bonitas.

– A vista daqui é ótima. É sempre bom ter alguém especial por perto.

– E você sempre traz alguém especial aqui? — perguntava Sunamita.

– Sempre trazia, mas nunca mais pensei que tivesse coragem de voltar aqui.

– E por que veio?

– Porque eu sabia que algo especial me aguardava. — Depois disso o silencio pairou entre eles.

– Bom, como eu faço pra te ver novamente Sunamita?

– Acho melhor você me dizer onde devo encontrá-lo. Não quero te perder de vista.

– Pode procurar pelo Peregrino da Alvorada. Fica ancorado no mar, todos sabem onde é.

– Posso te visitar amanhã?

– Com toda certeza. Posso te levar pra sua casa? Já está muito tarde.

– Não precisa se incomodar, fica bem pertinho daqui.

– É que está muito escuro e...

– Estou de cavalo, são se importe.

– Está certo.

Rabadash mancando, entrou no quarto de Miraz e o encontrou conversando com Tirza.

– Parece que a noite foi muito boa. O que é isso em sua virilha? — perguntou Miraz irritanndo Rabadash.

– Não faça gracinhas! Isso foi a Susana, ela me atacou com uma tesoura. Isso dói demais – disse fazendo uma cereta.

– E por isso está com gelo no seu material? — zombou Tirza. — Se Jadis estivesse aqui poderia cuidar disso.

– Agora deu para fazer palhaçadas? — reclamou sentando-se na cama com dificuldade.

– Você é um incompetente mesmo, foi atacado por uma mulher em um momento sensível.

– E você também não pode dizer nada Miraz. Esqueceu que está de cama até agora por causa de um menino? E não é a primeira vez que um menino te detém.

– Oh não me diga, e você Rabadash? Esqueceu que foi derrotado por causa de uma grade?

– Tirou o dia para me aborrecer – bufou Rabadash.

– Acalmem-se rapazes, eles devem se separar, nós não.

– Tem razão, estamos conseguindo, aos poucos, mas estamos conseguindo.

– E o que vai fazer para se vingar de Susana?

– Nada Miraz. Ao contrário, vou libertar Susana.

– O que? — perguntou Tirza horrorizada. — Depois de tanta dificuldade que enfrentamos para conseguir isso, vai deixá-la.

– Sei o que estou fazendo. Confiem em mim.

– Essa mulher feriu suas genitais, mas parece que foi o seu cérebro.

– É verdade, me sinto até menos homem. Tirza será que tem como usar seus poderes pra me ajudar?

– Posso até te ajudar sim, mas prefiro te ver assim hahaha.

– Maldita!

Depois de passar o fim da tarde e a noite ao lado de Sunamita, Caspian percebeu o quanto era difícil tirar Susana de sua cabeça, ainda mais ter ficado tanto tempo em um lugar que trás muitas lembranças dela. Chegando no navio, encontrou Anna e Carlos à mesa, ambos com a expressão preocupada, mas antes de tudo ele queria saber de Carlos.

– Onde esteve esse tempo todo meu filho? Encontrou o Lúcio?

– Encontrei sim. Ele estava com Tumnus.

– E foram ver o Edward? — perguntou se servindo com uma sopa.

– Não. O Lúcio estava meio abatido, parecia ter chorado bastante quando o encontrei. Ele disse que descobriu uma coisa terrível, mas não quis me contar.

– Ah entendo... — disse Caspian sabendo do que se tratava. — E você Anna? Por que está com essa cara.

– É que recebi uma intimação. Para mim e para você.

– Intimação? Para que? O que foi dessa vez.

– É sobre a mamãe... — Caspian estremeceu, iria se retirar da mesa, mas esperou para saber do que se tratava.

– O que tem ela? — perguntou tomando a sopa como se não se importasse.

– Pelo que parece, acho que vão libertá-la. — Ao dizer isso, Caspian ficou paralisado, e abandonou o prato.

– Como assim? O que está escrito aí?

– Estão pedindo para nós dois comparecermos amanhã no castelo. Disse que a libertação da mamãe vai depender de mim.

– Depender de você?

– Não sei papai. Só indo amanhã para sabermos. — Depois disso Caspian se retirou e foi para o quarto.

– Estou achando o papai muito estranho Anna.

– É verdade. Ele evita falar dela o tempo todo, e nem se animou com a possibilidade dela ser solta.

– Acho que tem haver com a carta.

– É, deve ser isso.

O dia amanheceu de pressa. Mas Caspian continuou na cama, pensou a noite toda em tudo o que acontecera.

– Não pensei que ela escaparia tão fácil. Até esse Rabadash deve ter visto que ela não presta. Tenho certeza que hoje mesmo ela vai correndo para os braços de Robert, eu não me importo, mas se eles acham que vão tirar meus filhos de mim, estão muito enganados. Eu ainda não estou preparado para te ver Susana, minha sorte é que as feridas ainda estão muito recentes, ou teria medo de ter uma recaída, mas tenho certeza de que sua presença não me abalará. Não mais.

– Amorzinho abre essa porta! — pediu Rabadash assustando Susana.

– Fique bem longe de mim.

– Não vou te machucar meu anjo, prometo.

– Não acredito. O que você quer?

– Vim te avisar que hoje você terá visitas.

– Visitas? De quem? — perguntou estranhando a conversa dele.

– De seu amado esposo e de sua adorada filha. Ah Alvaro também estará presente, será um encontro de família.

Uma hora depois Caspian e Anna adentravam no castelo. Foram conduzidos até o pátio, e lá encontraram Rabadash, Susana, Tirza, André e Alvaro. O pobre coitado do Alvaro estava acorrentado com os braços suspensos para cima, estava muito machucado, magro, e doente em um estado realmente deplorável, mas aquilo não mexeu com Anna, a moça estava irredutível sobre uma possível reconciliação.

– Posso saber o motivo de estarmos aqui? — perguntou Caspian frio, percebendo o quanto Susana o olhava.

– Estão aqui para levar Susana de volta, mas com uma condição.

– Que condição? — perguntou Anna. — Estamos dispostos a tudo.

– Tem certeza? Bom, não é nada difícil Aninha, nada que você não possa fazer. Estou te dando um prêmio.

– Como assim? O que quer dizer com isso?

– Quero dizer que para que Susana seja liberta, você mesma Anna, terá que matar Alvaro. Se matar meu filho com suas próprias mãos, liberto sua mãe. — Disse Rabadash deixando Anna chocada e Susana intercedeu.

– Não minha filha, não faça nada do que ele está pedindo, não suje suas mãos, eu não mereço isso.

– Viu Anna sua própria mãe reconheceu que não merece o sacrifício.

– Anna eu... eu não me importo, se isso for te fazer feliz. — disse Alvaro.

– Nada disso, minha filha não é uma assassina, não tem que fazer isso. — Falou Caspian.

– Aqui está a espada – dizia Rabadash entregando uma espada nas mãos de Anna.

– O que fazer pai? — procurava o olhar de Caspian com lágrimas nos olhos.

– Para mim tanto faz. Sei que esse rapaz te machucou muito, mas se ainda o ama, não faça isso.

– Filha eu estou bem, Alvaro não merece isso, e quem garante que Rabadash cumprirá com sua palavra. — rogava Susana.

– Essa é a única chance que sua mãe terá Anna, a única chance de ficar livre de mim. O que você prefere salvar essa miserável que destruiu sua vida, ou sua mãe que te gerou? — incentivava Rabadash.

– Anna olha pra mim – pedia Alvaro – ele tem razão, eu mereço estar aqui, sua mãe não. Você deve fazer o que é certo, morrerei de qualquer jeito, estou muito fraco e cansado. Tash destruirá minha alma de qualquer maneira. E além do mais, eu estaria pagando uma dívida com você, eu te fiz sofrer muito, devo pagar pelo que fiz. De que adianta viver se você me odiará para sempre.

– Você ainda ama esse rapaz Anna? Não tenha medo de responder, não se importe com minha opinião.

– Não pai, eu não amo mais o Alvaro. — Dizia Anna voltando a encarar o rapaz.

– Então Anna... não tem motivos para me deixar livre. Sua mãe é uma anjo, se fosse a minha mãe eu teria feito qualquer coisa, pode me matar, vai estar fazendo um favor para mim. Eu sei que nem se eu vivesse mil anos teria o seu perdão, então acho que está na hora de você se vingar de mim.

– Já se decidiu Anna? — perguntou Rabadash.

– Sim. Eu quero a minha mãe de volta.

– Mas antes de qualquer coisa Anna... eu quero um abraço. Me abrace e crave a espada em minha costas, seu calor é a última coisa que quero sentir.

Alvaro que estava com os braços estendidos para cima, sentiu o coração parar quando Anna o abraçou envolvendo seus braços quentes em seu tronco. Anna repousou a cabeça no peito de Alvaro, sentindo o coração dele disparar, posicionou a espada nas costas dele preparando-se para pressioná-la contra o corpo dele, e quando ia cravar a espada nele, desistiu.

– Não, eu não posso fazer isso, não consigo. — disse se afastando de Alvaro.

– Por que não? — Caspian e Alvaro perguntaram juntos.

– Porque... porque eu não posso matar o pai do meu filho.

– O que você disse Anna? — perguntou Caspian tão espantado quanto Susana e o próprio Alvaro.

– Eu não posso matar o pai do meu filho. Eu estou grávida papai, e o pai da criança que eu carrego no meu ventre é o Alvaro.