Nárnia Além Da Vida Parte II
3 Passado Presente no Futuro
Notas iniciais
Os anos fizeram muito bem a Benjamim que agora se tornara um grande guerreiro, mesmo que na verdadeira Nárnia não houvesse guerra. O jovem que agora tem 19 anos, é muito amigo de sua prima Liliana, a estrela que é filha de seu tio Pedro. Liliana é uma jovem princesa de Nárnia que apesar de ser uma estrela não é nenhum pouco vaidosa, ao contrário, a moça não liga para os belos vestidos que suas primas e tias costumam a usar, Liliana vive suja e sempre usa as armaduras de seu pai Pedro. O que os dois jovem mais gostam de fazer juntos é treinar com a espada, mas ultimamente Benjamim vem treinando o arco e flecha com Liliana.
— Devagar Liliana, assim você vai errar a pontaria.
— É que você me deixa nervosa falando o tempo todo.
- É claro que eu falo, você está quase quebrando o arco da minha mãe.
- Ei esse arco é do meu irmão Rilian, o Caspian deu a ele.
- Mas o Rilian deu a mim, e este artefato é muito precioso.
- Para de encher e vamos continuar logo com esse treinamento. — disse dando um tapinha no ombro do primo.
- Liliana, Liliana! — berrava Roberta atônita.
- Pra que tanto escândalo guria?
- Isso não é linguajar apropriado para uma princesa. — disse Roberta arfando.
- Para com esse papo, parece até a minha mãe. Parece até que o próprio Tash invadiu Nárnia hahaha.
- Credo Liliana, vira essa boca pra lá. — disse Ben.
- Sabe Lili, é que a festa é hoje e até agora você não escolheu o seu vestido, aí sua mãe tomou a liberdade de escolher um para você e quer que você vá experimentar.
- Aff minha mãe sabe que não sou nenhuma bonequinha, e que não tenho jeito para usar vestidos de menininha. Diga para ela que já vou.
- Não reclama Lili, você vai ficar linda.
- Tá tirando uma com a minha cara Ben? E pare de me chamar de Lili, odeio quando vocês fazem isso.
…
Rilian gostava de dar suas voltas por aí, o lugar era calmo e o rapaz sentia falta das aveturas vividas no passado, então o jeito era cantarolar para passar o tempo, coisa que o príncipe adorava fazer. Havia um rio perto do castelo aslânico, e era para lá que Rilian se dirigia, mas uma voz... uma bela voz, de uma mulher o despertava de todos os seus pensamentos e o atraía para o rio. Chegando perto do destino a voz parou e o príncipe ficou decepcionado, pois era a voz mais linda que ele já ouvira em sua vida e faria qualquer coisa para cantar com a dona da bela voz.
- De onde vem essa voz? Que frustração! Mas já que estou aqui, vou aproveitar para tomar um banho. — Rilian se despiu e entrou no rio usando apenas a calça.
O jovem nadava alegre na água fresca, mas depois de meia hora o rapaz se cansou e foi deitar-se a margem do rio, quando de repente alguem com uma movimento brusco na água o molhou. Rilian que estava quase adormecendo não gostou da brincadeira, e já ia protestar – Quem foi o responsável por... isso... — mal conseguia terminar a frase devido a estupenda visão que estava a sua frente.
Uma bela jovem sorria para ele, e logo começou a cantar deixando o príncipe com cara de bobo, não só por sua beleza, mas também por sua voz perfeita, era a mesma voz que o conduziu até o rio. Ela era tão linda que nem parecia real, para Riliam sua musa Susana não significava nada em frente a jovem, ela era negra, tinha olhos verdes, cabelos cor de mel e voz de anjo.
- Hei, hei rapaz – tentava tirar Rilian do transe. — Te incomodei?
- Ah... é... é eu – gaguejava o príncipe. Rilian nunca deu um vexame desses na frente de uma donzela, nem parecia aquele conquistador.
- Engoliu água? — disse a sereia rindo, mas Rilian não percebeu pois sua calda estava em baixo d´água.
- Não, não é que você tem uma voz maravilhosa e essa música é hipnotizante.
- Sim ela é senhor...
- Rilian, príncipe Rilian, filho de Caspia X. Como a senhorita se chama?
- Sunamita.
- Belo nome Sunamita. Você vem sempre aqui?
- O que? — disse a sereia rindo.
- Que idiotice minha, quero dizer, você sempre vem nadar aqui? — Era impressionante a forma como essa mulher deixava o Don Juan sem jeito.
- Sim alteza. — ao dizer isso Sunamita levanta sua calda, revelando a Rilian sua identidade,
- Ah meu deus, você é uma sereia... por isso canta tão maravilhosamente bem.
- E você é um principe.
- Será que algum dia poderei cantar com você? Será que... — antes de terminar a sereia deu um salto e mergulhou no rio desaparecendo.
- Espere! Eu nem... quando te verei de novo? — foi em vão pois a sereia já havia ido embora. Rilian ficou decepcionado, mas não conseguia parar de pensar no que acabara de acontecer.
…
Já era noite e em menos de uma hora a festa começaria, a última vez que uma festa dessa grandeza aconteceu foi no grande casamento dos reis e rainhas de Nárnia e enquanto arrumava a filha, Susana se lembrava daquele dia tão especial em sua vida.
- Rosa cai muito bem em você. — disse Susana melancólica.
- Obrigada mãe. — disse Anna agradecida olhando-se o espelho.
- Nessa vida eu recebi muitos presentes valiosos, e hoje quero dar o mais especial de todos à você. — Susana pegou em cima da cama um objeto embrulhado com um tecido de veludo vermelho. — Abre amor.
Anna lançou um olhar agradecido e abriu o presente. — Sua trompa mãe... não precisava, ela é tão importante.
— Meu presente mais importante tem que ficar com o meu bem mais importante, você.
- Tenho certeza que esta noite te reservará muitas surpresas.
- Apesar do castelo, do vestido, da festa e dessa trompa eu ainda não ganhei o que realmente queria.
- E o que você queria princesa?
- Um amor! — disse Anna convicta.
…
Em sua tenda Liliana não tinha a mesma animação de Anna e Roberta.
- Mãe eu estou ridícula com isso! — disse Liliana olhando-se no espelho.
- Esse vestido é lindo Lili. O que você queria vestir? Uma armadura suja?
- Tudo bem, o problema não é o vestido, sou eu. Ele é lindo, eu não.
- Não diga isso meu bem, você é uma linda estrela, não reclame da vida apenas brilhe. — disse Liliandill ajeitando os cabelos da filha. — Branco é a nossa cor. O que acha de um colar?
- Não mãe!
- Tudo bem, aí já é querer demais de você. — Lilian se vira para sair. E Liliana pega seu cinto com a espada em cima da cômoda.
- Nada disso mocinha! — disse Lilian, vendo o desastre que seria se Liliana com um vestido daqueles, aparecesse com uma espada na cintura.
O baile começa a rolar, e Rilian encanta o povo com sua voz, mas sem deixar de pensar na sereia.
- Lilian seu filho está bem inspirado hoje, será que é pra mim? — comentou Susana com a cunhada.
- Rilian sempre foi galanteador mesmo, se não o conhecesse acharia que ele está apaixonado. O que você deu para Anna e o para Carlos?
- Meu filho só quer saber de embarcações, por isso Caspian deu para ele uma bússola mágica, que pode transportá-lo com o navio para qualquer lugar. Claro que este presente foi cortesia de Aslam. E Anna... para ela eu dei minha trompa mágica, é muito especial para mim, pois foi ela me fez conhecer Caspian, e me trouxe de volta pra cá. Mas Anna disse que o que realmente queria era um amor.
- Bom então estamos no lugar certo para isso. — aproximou-se Lúcia que ouviu o que a irmã disse. — Uma festa é uma ocasião perfeita para arrumar um casamento.
- Você não entendeu Lu, eu disse que a Anna precisa de um amor, e essa decisão quem deve tomar é o coraçãozinho dela. E como está a Roberta?
- Adorou o vestido amarelo dela, essa menina vive no mundo dos contos de fadas, literalmente.
...
- Mas depressa Lúcio! — reclamou Edward, que ajudava o primo a caminhar.
- Vai com calma Ed, você sabe o quanto a minha perna dói. Se ao menos o meu cetro fosse mágico.
- Eu sei que você tem dificuldades, mas não precisa andar tão devagar.
- Pra que tanta pressa? É alguma garota? — disse Lúcio dando um de seus raros sorrisos.
- Que garota o que, eu quero mesmo é trufa com cobertura de chocolate.
- Você e seu pai só pensam em doces. Pelo menos os dois gostam de alguma coisa em comum, diferente de mim e meu pai.
- Não começa Lúcio. Vamos logo procurar comida.
...
- Tá linda prima! Será que terei a honra de dançar com você? — disse Benjamim a Liliana.
- Eu não vou pagar esse mico Ben!
- Vai me dizer que não quer dançar com algum rapaz? Eu arrumo alguém pra dançar com você.
- Não me enche, se eu tivesse conseguido trazer minha espada desafiava você agora mesmo.
- E quem disse que nesse enorme castelo não tem um lugar especial cheio de armas que podemos usar?
- Então estamos esperando o que? Vamos.
Todo mundo para ao ver a linda Princesa Anna descendo as escadas de braços dados com Caspian. Tumnus assobiava entusiasmado e todos aplaudiram a jovem debutante. Logo atrás dela veio Carlos acenando para os convidados acompanhado de Roberta. Ao descerem as escadas os avós e alguns convidados foram parabenizar os aniversariantes, Caspian deixou Anna, e foi ver Susana.
O rei girou sua esposa no alto e depois lhe deu um beijo.
- Anna está tão linda quanto você.
- Esses são os frutos do nosso amor...
- Lúcia acho melhor sairmos daqui, pois não quero segurar vela para o casal. — disse Liliandill zombeteira.
Em outra parte de um mundo qualquer...
- Jadis é com você!
- Afastem-se meus caros. Tash tem certeza que é este...
- Não questione. — murmurou o abutre.
- Ouvir é obedecer meu mestre. — ao dizer isso a rainha estendeu sua mão ao rio que imediatamente descongelou.
- E agora? — perguntou Rabadash.
- Pelo o que eu sei, só é possível com o anel. — respodeu Miraz. — É o que dizem as velhas histórias, e eu pensava que elas não eram necessárias.
- Tirza sabe o que fazer. — Tash fez um sinal para a Dama de Verde, que já estava bem instruída.
- Espero que isso dê certo! Estou com tanta saudade do meu cavaleiro negro. — disse com um sorriso diabólico.
A Dama de Verde passou por entre seus companheiros e parou em frente a Alvaro.
- Estenda a mão meu belo rapaz. — ordenou. Alvaro mostrou-lhe a mão e a feiticeira soprou uma fumaça verde para dentro da pedra vazia do anel de Alvaro.
- E o que eu faço meu pai?
- Agora já tem o que precisa, é só mergulhar nesse rio. Mas antes de tudo, não se esqueça de roubar-lhe não apenas o coração como também a alma.
O príncipe megulhou e como não retornou, seus companheiros perceberam que o plano deu certo.
- Estamos apenas a um passo da derrota. — rosnou Tash. — Da derrota deles.
…
- Agora eu quero que cada cavalheiro convite uma dama para dançar. — disse Rilian que a esta hora já estava acompanhado de Tirian, mas seu pensamento ainda estava nela, em Sunamita.
- Vem amor estendendo a mão. — disse Caspian à Susana, e se retiraram para o meio do salão.
- Licença mas será que posso dançar com minha namorada? — chegou Pedro arrancando um risinho de Lilian.
- Por que demorou tanto amor?
- O banho estava tão relaxante que quase dormi.
Vendo que quase todos já tinham formado um par, e que Edmundo o deixou para dançar com Jill Pole, Robert viu que era sua vez de convidar sua dama. Ele pegou uma rosa e foi até Lúcia.
- É pra você amor.
- Obrigada querido.
- Vamos dançar.
- Estou muito cansada para dançar agora Bob.
- Então quer uma bebida? Posso pegar um vinho e...
- Acho que já vou pra casa, já estou com sono.
- Mas já? A festa mal começou.
- Pede perdão aos outros por mim.
- Eu vou com você Lu.
- Não, fica e peça para a Roberta e o Lúcio se divertirem.
- Então tchau.
- Adeus amor nos vemos em casa.
Anna olhou para todas as direções e quase todos tinham um par, quase todos que estavam no baile dançavam e ela que era a protagonista da festa não tinha um par.
- Acho que não tenho nada para fazer aqui. — pensou Anna tristemente indo em direção a porta principal do castelo para ir embora. Mas quando levanta seu vestido e ameaça ir, eis que surge uma miragem na porta, alto, todo de preto, espada na bainha e uma máscara que cobria boa parte de seu rosto. Mas não era uma festa à fantasia, então para que tanto mistério? Anna queria dar um passo para sair dali, mas suas pernas eram desobedientes e tudo o que ela conseguiu fazer foi fitar a figura que se aproximava e que na verdade não era uma miragem, mas era Alvaro, um antigo Tisroc que era filho de Rabadash o ridículo.
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