CAPÍTULO UM — OLHARES

No meu tempo, e sou uma das únicas pessoas que pode realmente falar isso, nada disso existia. Não tínhamos tecnologia para nos comunicarmos à distância no instante que bem entendermos, o mais próximo de fotos que tínhamos eram pinturas que demoravam a ficar prontas, vestuário para mulheres era bem escasso (vestidos, vestidos e, ah, vestidos!) e não tínhamos faculdades para mulheres, eram somente os homens que desfrutavam desse prazer de se tornar especialista em algo. Devo admitir que fico muito feliz com o direito que as mulheres ganharam com o tempo, tantas lutas que passamos, acredito que nossa valorização ainda passará por períodos difíceis, mas tenho fé!

Mesmo admitindo que amo muitas dessas melhorias a melhor ainda vai ser a invenção das calças para mulheres e, acima de tudo isso, os shorts. Shorts, quem diria que mulheres vestiriam algo que não fosse um vestido bufante e quente que só era favorável em tempos frios? Uma roupa onde as pernas se separam, cada uma em seu devido lugar, as tornando mais visíveis e poderosas. E os shorts curtos e saias curtas são minha paixão, foram muito bem aceitas por mim essas criações as quais minhas primas e tias iriam corar, e até mesmo desmaiarem, e meu pai riria se me visse assim, terminando por dizer que sempre soube que eu seria a mudança na vida de todos.

Parando para pensar, se eu recapitular tudo que vivi desde 1655 até 2016, eu poderia até dizer que estou vivendo em outro planeta. E eu posso pensar assim, em planetas, graças aos vários cientistas que viveram e, principalmente, a Nicolau Copérnico, que montou o gatilho para todas as teorias de astronomia, ao dizer que o Sol era o centro do universo. Esse fato foi bárbaro (essa expressão eu realmente amo e nunca entendi porque saiu de moda!).

E (por eu amar as calças e o mundo que vivo hoje) é por isso que estou enraivecida pela escolha de roupas para as fotos da Bazaar desse mês. A revista estará completando 148 anos de existência e eles escolhiam o tema anos cinquenta para sua comemoração, o que não fazia o menor sentindo já que Fletcher só decidiu iniciar a revista feminina em meados dos anos sessenta mesmo eu o importunando desde muito antes.

Os anos cinquenta foi uma época boa realmente, mas vestidos com cauda de sereia? Qual é! Tivemos as mulheres finalmente usando calças, calças!, e eles preferem deixar uma mulher usando a droga de um vestido colado até um pouco abaixo dos joelhos para depois se abrir. Esse vestido foi feito para as mulheres desfilarem e as que não estão usando uma cauda de sereia ficarem sussurrando “cai, cai, cai, cai!”, isso é patético. E o mais patético é eu estar servindo de modelo para essa vergonha.

— Vanessa, continue na mesma pose, mas levante um pouco mais o queixo e deixe a boca entreaberta – Juan, o fotógrafo, disse e eu demorei um pouco para perceber que a tal Vanessa era eu.

Fiz o que me pediram tentando não bufar com a risadinha que escutei vir de Charlotte, ou Cora, como se chamava atualmente! Ela que havia conseguido me convencer a mudar a inicial do meu nome tão drasticamente, eram nove letras de distância, nove era muita coisa! Meu nome de batismo era Marjorie McGinnis e eu sempre mudava meu nome para alguma letra com M, sempre, durante 321 anos (após meus 40 anos de idade) eu cumpri com isso, pois se tornava muito mais fácil aprender meu novo nome (mesmo eu nunca conseguindo esquecer os meus anteriores!). Mas me deixe levar pela ideia de Charlotte de que se eu mudasse totalmente meu nome para Vanessa Dean eu estaria mudando meu coração. E eu tento cada vez mais a mudança de meu coração, de meus sentimentos, mas se torna difícil quando seus sentimentos sempre foram direcionados para uma única pessoa.

Especialmente quando essa pessoa é seu par imortal. Fomos feitos em tempos específicos para fatos específicos. A cada 100 anos três pares nascem, seis homens e seis mulheres, cada um com o seu papel. Somos a inspiração para cada ação do mundo, por exemplo, eu fui a inspiração para escritores do mundo todo, mesmo que eles não saibam disso. Minha missão era fazer os seres humanos se expressarem de uma forma romântica, seja publica ou não. Só que, bem lá no fundo, eu já sabia que os humanos eram muito orgulhosos e exibicionistas para escreverem algo romântico e não quererem espalha-la para os outros, fosse para a sua amada se gabar ou para ele mesmo se vangloriar. Dentro de mim eu sabia que o sentimento de glória era maior que qualquer coisa, eu sabia que os livros nasceriam e que eu mesma poderia sair desse mundo em paz, contudo, não é assim que as coisas funcionam.

Nós, os imortais, somos peças chaves do universo e cada um tem sua missão que sentimos que devemos fazer, depois de nós nascem mais pares feitos para realizarem outras glórias usando os humanos como meros piões. Mas nós não morremos, não envelhecemos e muitos nem querem morrer mesmo. Já outros querem, mas apenas seu par pode te matar, apenas aquele homem ou mulher que nasceu no mesmo dia que você, que assim como você é um imortal, pode lhe tirar a vida. E isso é tão impossível quanto você mesmo tentar tirar sua vida, ou até pior. Os acidentes não nos atingem, somos invisíveis para eles, não fomos feitos para morrer, então porque morreríamos em um acidente de carro ou em um simples incêndio? Nossos pares são os únicos que podem nos matar, mas como tirar a vida de algo que você ama mais que a si mesmo?

— Muito obrigada, por hoje é só, pessoal – Judy, a responsável pela capa de outubro da revista anuncia para toda a equipe que com um suspiro em conjunto sinaliza o alívio por serem finalmente liberados do trabalho.

A movimentação começa, pessoas recolhendo materiais, alguns indo até a mesa de lanches que foi armada no jardim do Castelo de Bran para nos alimentarmos durante aquelas quatro horas de ensaio fotográfico e outros correndo para os banheiro dentro dos trailers que estavam estacionados ali perto. Charlotte começou a vir em minha direção com um sorriso no rosto e carregando nos braços um trench coat negro que me entregou assim que me alcançou.

— Ainda não se acostumou com o novo nome? – sussurrou entre risos para mim.

— Calada – falei entre dentes tentando controlar meu maxilar para não tremer. Ela só sorriu mais ainda, ela estava adorando me infernizar por causa do nome, do frio que eu estava odiando e pelo fato do vestido que eu usava ser muito bem odiado por mim.

— Só não entendi o porquê deles decidiram fazer a sessão de fotos na Romênia – Charlotte perguntou enquanto eu ajeitava meu agasalho.

— Decisões de pessoas estupidas que nunca chegaram a conhecer a família do fundador da Bazaar— resmunguei conseguindo já controlar meu maxilar com o calor que começava a invadir meu corpo e com as esfregadas que eu estava dando nos braços – Se tivessem conhecido saberiam que eles adoravam o Sul da Califórnia e não o Castelo de Bram Stoker – disse apertando mais um pouco meu agasalho contra meu corpo e iniciando a caminhada para o meu trailer.

— Você teve sorte de ser chamada – Charlotte, que começou a me acompanhar, falou com ironia e depois deixou uma gargalhada escapar. Ela dizia que isso era o mais divertido nos tempos de hoje, poder se expressar, gargalhar ao invés de dar um sorriso de lábios contido, gargalhar sem ninguém te repreender por isso.

— Claro que sim, chamarem uma modelo pouco conhecida para aparecer na capa da revista não tem nenhuma relação em eu ser a cara da primeira modelo da Bazaar — eu disse abrindo um sorriso, o que a fez estreitar os olhos para mim.

— Claro que não senhorita musa inspiradora da Bazaar— ela falou e eu terminei deixando uma risada escapar – Como era mesmo que Fletcher gostava de te chamar? – ela perguntou se referindo ao fundador da revista que viu em mim sua inspiração.

— Bazaarina— eu respondi ao mesmo tempo em que ela, terminando por lembramos juntas.

— Stephano não suportava como ele te olhava – ela falou rindo ao contrario de mim que fiquei rígida e arrepiada, apenas com a pronúncia de seu nome, seu nome – Me desculpe, eu não queria... – ela mesma se interrompeu percebendo minha reação.

— Tá tudo bem – eu terminei sorrindo, levantando as bochechas ao máximo e fechando levemente os olhos no meu modo nervoso que eu sempre demonstrava sorrindo tentando esconder meus sentimentos que normalmente eram visíveis ao extremo.

— Eu sei que você não enfrenta a separação como nós – ela falou, quase como uma reclamação, para mim – Sabe, às vezes te confundo com uma humana – ela falou repuxando os lábios e dando com um ombro só.

— Sabe, eu sempre achei que fosse uma – falei ainda caminhando com ela e em cada passo tendo mais dificuldade para andar com o maldito vestido “cai, cai, cai, cai!”.

— Você entendeu – ela me cutucou na costela com o cotovelo -, uma humana normal e não imortal.

Eu revirei os olhos bufando para Charlotte e, por ser mais velha que eu sete séculos, ficou séria imediatamente.

— Você um dia tem que aceitar que servimos de inspiração para tudo e todos – resmungou para mim e eu trinquei o maxilar, não por frio, mas por nervoso mesmo.

Eu odiava ser lembrada sobre isso, não porque não gostava do meu papel no mundo e sim porque eu queria um dia morrer. Queria envelhecer, ter meus cabelos branquinhos e rugas nos cantos dos olhos com cada uma elas contendo uma lembrança dos sorrisos que eu dei com meu marido. Até cheguei a acreditar que poderia viver nova contanto que eu tivesse lembranças ao lado de alguém importante, do meu par, do meu amor. Que fossem lembranças felizes e empolgantes!

Também acho que se pelo menos ele estivesse ao meu lado para eu poder olhar naqueles olhos maravilhosos todos os dias eu já estaria mais que satisfeita. Ele nem precisava me amar, só me olhar.

— Bem – ela disse e olhou em seu relógio no pulso esquerdo —, já estou ficando atrasada para encontrar Carmichael, estou com saudades e faz um tempo que não nos vemos.

Tempo, era engraçado como eles o tratavam. Séculos eram anos e anos dias, enquanto para mim um dia longe de Stephano era desgastante e aterrador.

— Claro, passarão a próxima década juntos, não é? – perguntei ao alcançarmos meu trailer.

— Talvez – ela falou rindo —, sabe como é, Carmichael gosta de se aventurar na selva e eu na cidade!

— E como você consegue sobreviver sem...— eu engoli em seco e antes de segurar na maçaneta da porta do trailer eu tive coragem de terminar minha pergunta –... sem ele, assim, todas as noites?

— Querida, ele está em mim o tempo inteiro e não é como se não nós visitássemos de vez em quando – ela disse rindo e eu terminei deixando uma risada escapar, pelo menos uma de nós duas estava feliz com sua situação atual – Vou indo – ela me abraçou dando um beijo estalado em minha bochecha e eu entrei em meu trailer.

Joguei o casaco no pequeno sofá que havia no canto direito do pequeno trailer e fui para trás de um provador para retirar aquele vestido que já incomodava cada centímetro do meu corpo. Enquanto ele descia pelo meu corpo direto para o chão eu só conseguia recordar as palavras de Charlotte ontem à noite, quando contei o quanto eu e Stephano havíamos brigado antes de eu me decidir definitivamente sair da Inglaterra e ir para os Estados Unidos definitivamente.

Nós havíamos brigado apenas porque eu gostaria de viajar e viver com ele cada aventura possível por toda a eternidade e quando nos cansássemos, talvez pudéssemos ter filhos. Eu já ouvira histórias sobre pares que tiveram uma família, que são felizes até hoje tendo filhos que guardam seu segredo, por que eu e ele não poderíamos ter uma vida assim?

Por que ele precisava continuar tentando resolver problemas no mundo, a missão dele já tinha terminado há anos. Ele já tinha conseguido ajudar o desenvolvimento dos remédios, ele já havia conseguido resolver o problema ao qual ele foi criado para resolver. Ele precisava mesmo era resolver o meu problema, meu coração que se rachava mais a cada dia.

As lágrimas chegaram à borda, eu fechei os olhos sorrindo forçadamente e engolindo cada grito que eu gostaria de ter dado na cara dele, cada xingamento que eu guardei para mim mesma ao sair do quarto que compartilhamos noites incríveis que eu guardava em minha memoria e que eu relembrava todas as noites em meus sonhos. Seus olhos ao me ver lendo algo que eu mesma havia ajudado a escrever, como sua blusa ficava justa em seu corpo musculoso ao sair do banho ou quando ele olhava para meus lábios e dizia terem sido feitos especialmente para ele.

Escutei uma batida na porta que considerei ser de alguém da equipe da revista querendo buscar o vestido que retornaria para a nossa galeria de roupas. Dei um grito ordenando a pessoa a entrar enquanto vestia meu short jeans e uma camiseta qualquer.

— Aqui está o vestido – anunciei saindo de trás do provador ainda ajeitando a capa que protegia o vestido —, só não sei se o coloquei corretamente nessa... — foi então que eu perdi a fala por encontrar os olhos dele. Olhei para o chão no mesmo instante.

O ar de meus pulmões saiu em uma baforada alta e incontrolável. O que ele estava fazendo aqui? Era a coisa que minha mente gritava e em contra partida meu coração implorava para que eu o beijasse e o arrastasse para a primeira cama que víssemos por ali. E a única coisa que meu coração e minha mente concordavam é que eu não poderia olha-lo nos olhos, nunca! Se eu cometesse esse erro eu sabia que nunca conseguiria fazer o que eu queria, faria o que ele desejasse mesmo não gostando, porque os olhos dele tinham uma rebeldia intensa que invadia cada parte do meu ser, me tornando incontrolável e vulnerável a ele.

— Olá – Stephano me cumprimentou com seu sotaque irlandês se desenrolando em sua língua travessa. Eu sentia seu olhar em mim, por todo meu corpo, e só de imagina-lo assim senti um arrepio gostoso me invadir.

— Oi – eu disse dando de ombros e me dirigindo para a parte de trás do trailer onde uma pia pequena e improvisada se encontrava, assim conseguindo me afastar totalmente da porta e dele —, o que faz aqui?

— Para a sua informação – eu escutei um barulho, parecendo algo caindo no chão, mas não ousei olhar – estou muito bem, obrigado.

— Tive informações por meio de Ingrid – expliquei e ele suspirou aliviado.

— Ela nunca me disse que havia falado com você – ele reclamou com sua voz subindo um tom, me deixando novamente arrepiada. Era uma droga não conseguir controlar nem o próprio corpo na presença dele.

— Era um acordo, Ingrid ficou me devendo isso quando completou 120 anos – eu disse dando de ombros —, longa história.

Ingrid, uma imortal, tinha uma intimidade com Stephano bem engraçada, por eles terem nascido na Irlanda ela se considerava sua irmã mais velha. Sempre o protegeu mesmo antes dele saber o que era e sentir o que deveria fazer para o mundo. Ela me manteve informada durante todos esses sete anos em que nos mantivemos afastados e em troca eu a manteria informada sobre Roger, que era seu par, que estava em uma viagem aos Estados Unidos. Nunca entendi exatamente o que ela queria vigiando-o, mas eu é que estava no lucro e não reclamei (penso que isso era só uma troca nada justa, ela queria me ajudar, só estava me mantendo ocupada para que eu não percebesse isso!).

— Claro, eu imagino que sim — ele falou e eu terminei sorrindo ao escutar as letras se transformando em vogais com seu sotaque, ele forçava tanto para falar em um inglês perfeito que chegava a ser engraçado — Eu estava com saudades – ele diz suavemente, mas dessa vez em irlandês, aumentando seu charme em cada palavra.

Ele sabia que eu havia entendido perfeitamente ainda mais porque fechei os olhos apertados quando escutei seus passos vindo em minha direção, lentamente. O toque de suas mãos em meus braços terminou de me despedaçar, as minhas pernas tremeram visivelmente, eu sabia. Segurei-me com força em seu peito forte e deixei minha cabeça pender para o lado ainda mantendo meus olhos bem fechados.

— Tanta saudade – senti ele se aproximar mais e minhas mãos não tinham força e nem vontade de afasta-lo. Ele encostou os lábios em minha testa devagar dando um beijo e deixando seus lábios repousados ali por um tempo indeterminado, já seu corpo continuava a se aproximar e me esmagar. Os braços contornaram meu quadril o agarrando e firmando meu corpo ao seu como há tempos eu queria fazer novamente.

— É para isso que você veio até aqui? – perguntei abrindo os olhos e observando seu peito se movimentar rapidamente assim como o meu também fazia – Me seduzir para eu voltar?

— Te seduzir com certeza é um dos pontos pelos quais vim aqui – ele disse voltando a falar em inglês. Puxando levemente minha nuca, me fazendo olhar para cima e encara-lo pela primeira vez desde que ele chegou aqui, e lá eu os vi, olhos castanhos escuros que fizeram meu coração se acelerar. Rebeldia, intensidade e uma nova coisa, que eu não sabia reconhecer, brotavam ali – e te seguir para onde quer que você vá é o outro ponto a ser abordado.

— O-o q-quê? – gaguejei antes de ser anestesiado com o sabor de seus lábios. Nirvana!

Meus olhos tremeram até se fecharem contentes por terem visto os olhos de Stephano se fecharem primeiro. Seus lábios nunca foram ferozes ou brutos, mas dessa vez ele estava usando todos os artifícios possíveis contra mim. Os lábios envolviam os meus e quando ele se interrompia era apenas para me deixar respirar enquanto seguia uma trilha de beijo em meu pescoço, mas ele não tinha muito tempo para explorar mais do que isso, porque eu o puxava de volta para mim e ele vinha, sem hesitar!

— Por favor, me diga por que está aqui – implorei segurando seu rosto e impedindo a mim mesma de continuar beijando-o —, eu preciso ter certeza que não vou me arrepender de me entregar novamente a você – dessa vez não segurei minhas lágrimas, não com ele me olhando daquele jeito, não quando eu descobria que aquela outra coisa que brotava no olhar dele era o amor genuíno que eu sentia por ele.

— Eu estou aqui porque não quero viver a eternidade como um imortal — ele falou segurando meu rosto com uma mão e a outra envolvendo minha nuca —, quero viver intensamente, com você! Quero sair da tranquilidade e ter tudo que alguém queira, mas tem que ser ao seu lado — ele encostou a testa na minha -, me perdoa?

Um sorriso nasceu nos meus lábios e não ficou só nisso, ele se abriu, se estendeu mostrando meus dentes. Stephano finalmente tinha entendido o que eu queria, sair do mundo acomodado e viver tudo. Ser várias pessoas, viver em várias épocas com estilos diferentes não era o suficiente, eu tinha que ver com meus próprios olhos como tudo funcionava e não tentar resolver algum problema, eu queria viver de verdade.

— Todos os dias – eu choraminguei o abraçando pela cintura -, os que ficamos separados eu não conseguia pensar em não estar com você — eu anunciei e ele se desculpou novamente – Eu só quero que você viva comigo se me amar tanto quanto eu te amo, porque eu não suportaria viver séculos sem você e achar que só foram dias.

— Não, eu nunca te deixaria assim – ele negou me abraçando —, eu te amo, meu amor, eu te amo tanto. Eu respondi a sua declaração da melhor forma possível, o amando e o desejando.

Após descobrir que o barulho que havia escutado há pouco tempo tinha sido causada pela mala dele caindo no chão eu fiquei mais animada ainda, ele veio preparado para tudo, seja qual fosse minha decisão sobre nós. E talvez, só talvez, nós brigássemos de novo. Quem saberia o motivo afinal, iriamos viver em cada cantinho daquele mundo, iriamos conhecer coisas e pessoas novas a cada dia e nunca saberíamos se conseguiríamos ter a paz eterna. Porém, eu sabia que o amava eternamente e não importava qual nome eu usasse os olhos dele sempre iriam me convencer de que ele também me amava e seu coração iria me amar do jeito que eu sabia que ele podia.

Notas finais
O próximo capítulo é só um extra, algo que queria muito escrever, nada demais.