— Banida?! Como assim banida? — meus olhos vermelhos se elevaram até o juiz, que também era meu pai.

— Você já me trouxe muitos problemas mocinha. É a quinta vez que você aparece nesse tribunal esse mês.

— Mas... para onde eu irei?

— Que tal lá pra cima?

— O que? Você querem me banir para a Terra?! Só podem estar de brincadeira... Lá é nosso armazém de comida... Vocês querem que eu olhe para aqueles humanos suculentos sem devora-los? Isso é tortura!

— Não se preocupe, ficará apenas por um tempo. Até terminarmos de construir uma nova Academia de Treinamento para Demônios.

— Mas isso levará séculos!

— Então era melhor ter pensado duas vezes antes de destruir aquela escola!

Fechei a cara e dei de ombros para aquele comentário.

— Ah, quase me esqueci. Seus poderes só poderão ser usados com minha autorização, caso contrário será punida.

— O que? Como assim?! Isso é ridículo! — admito que ser banida foi ruim, mas não poder usar meus poderes era algo bem pior.

— Faça o que quiser, mas se matar um humano ou usar seus poderes sem minha autorização não sairá impune.

— Isso não pode ser verdade... — me lamentei — E pra onde eu vou hein? Posso ao menos escolher um lugar decente? De preferência que seja frio e escuro.

— Nem pensar... isso fará parte da sua punição. — disse meu papai ranzinza.

— Mas pai, você é praticamente o cara que manda nessa merda toda, você pode aliviar minha barra.

— Não quero ouvir mais nada, você vai para São Paulo.

— Arregalei os olhos. \"São Paulo? Ele vai me mandar para a cidade mais populosa da América do Sul?! Toda aquela comida, quero dizer, pessoas andando para lá e para cá e eu não poderei fazer nada?! Nem mesmo uma mordidinha?! Isso realmente era uma tortura, mas o pior é não poder usar meus poderes, eles são tudo o que eu tenho e ainda me tiram isso?!\", pensei. Naquele momento se eu já não estivesse morta, cometeria um suicídio.