Nyx, a Demônio Banida
7 A oferta
— Acorda ela... — ouvi uma voz grossa.
— Eu não, e se ela me atacar... — disse uma voz mais fina em resposta à outra.
Abri os olhos. Olhei em volta, minha conclusão: Não estou mais em casa.
— Olha lá, ela ta acordando. — disse um gigante, dono da voz mais grossa.
Logo vi também um Sátiro (ou Fauno, se preferir) se esconder atrás do gigante, este chegou mais perto e olhou no fundo dos meus olhos. Se pudesse teria lhe dado um tabefe e saído dali, mas notei que estava presa a o que muitos chamam de cama ou leito de ferro. Percebi então que o gigante na verdade era Procusto.
— Olá belezinha... — disse Procusto com um sorriso malicioso no rosto.
— Olha aqui o seu gigante de merda, só vou falar um vez, é melhor você me soltar agora, do contrário vamos ter problemas por aqui, está me entendendo?
— Olha só, ela é durona. Mas isso não basta, você não me da medo não, então fica quietinha ai e quem sabe eu não deixo seus osso no lugar em que eles estão.
O.k. ele tinha me irritado.
Puxei com toda a minha força meus pulsos e meus pés até arrebentarem a corrente de aço que os prendia. Minha transformação ocorreu rapidamente.
— Ah droga! Eu sabia que isso ia dar merda! — disse a voz fina, pertencente ao Sátiro, este ainda se protegia atrás de Procusto.
Estávamos dentro de uma provável sala de tortura, alta o bastante para caber um gigante em cima do outro. Voei para o ponto mais alto da sala. Procusto resmungava enquanto pulava tentando me alcançar. Infelizmente ele conseguiu, pegou meu pé e me jogou para longe, muito longe mesmo, atravessei a parede de pelo menos umas cinco salas até parar em um salão enorme, luxuoso, parecia a entrada do lugar. O chão, antes coberto por um macio carpete vermelho, agora estava sujo de poeira das paredes e sangue de demônio.
— Vai logo pegar ela... — disse Procusto para o Sátiro. O gigante se virou e correu para fora do lugar, teve de se espremer para passar entre as portas mas conseguiu.
O Sátiro se aproximou se mim e me pegou no colo apesar de ele ser bem pequeno não era tão fraco quanto parecia. Resisti bastante, mas estava muito fraca por conta de ter sido lançada uns 800 metros. Depois de chegar a uma sala de jantar cheia de \"gente\" não vi mais muita coisa, apenas apaguei. Nunca dormir foi tão bom.
Acordei em um quarto muito chique e arrumado, não tinha ninguém nele além de mim, não havia janelas e a unica porta que tinha era de chumbo e parecia bem trancada e vigiada. No quarto havia um guarda-roupas enorme, mas não maior do que a cama, ele estava vazio, a única peça que tinha dentro era um vestido longo, cheio e aparentemente muito caro. Ele era tomara-que-caia e ia até os pés, parecia um vestido de noiva, mas era preto. Fazia conjunto com um sapato de salto alto e algumas jóias de cristal.
Vesti todo o conjunto e fiquei me analisando no espelho por um bom tempo. Até eu ver que estavam abrindo a porta. Era o Sátiro. Ele estava bem arrumado, apesar de ser um homem baixo com pernas de bode.
— Meu nome é Onésimo. Vejo que já está pronta. Vim informar que estão a sua espera no grande salão, e devo lhe dizer que é bom não demorar muito. Há pessoas impacientes lá embaixo e elas não são muito compreensivas se é que me entende.
Fiz que sim com a cabeça.
Ele deixou a porta aberta e saiu. Eu não sabia bem o que estava acontecendo mas queria muito saber quem estava a minha espera. Fiz o que Onésimo sugeriu e desci logo.
O salão estava cheio, mas muito cheio mesmo, algumas figuras eram conhecidas, outras não.
Desci as escadas laterais e Procusto apareceu. Ele também estava com uma roupa bem elegante, todos lá estavam, ele ficou apenas me observando, abaixou-se o máximo que conseguiu e me disse:
— Tente não estragar tudo, Lúcifer está aqui, imagino que não queira irritá-lo.
O gigante continuou a falar algumas coisas, mas não prestei a atenção, estava interessada em saber quem estava lá. E logo vi meu papaizinho querido. Fui em sua direção.
Ele se virou pra mim e disse:
— Olá Nyx.
— O que é que está acontecendo aqui? Onde é que eu estou?
— É bom te ver também! Se comporte, eu mandei te trazerem aqui porque este, provavelmente, vai ser um dos bailes mais polêmicos do submundo.
— Polêmico?! O que quer dizer com...
Fui interrompida por um barulho de sino super alto. Uma harpia voou até a ponta da escada e gritou:
— Silêncio seus mentecaptos. O lorde dos lordes está vindo nos dar a honra de sua presença.
Todos ficaram em silêncio a espera do rei do Inferno. Olhei em volta e além de meu pai também achei Gadrel. Fui em sua direção.
— Tá fazendo o que aqui? — sussurrei.
— O mesmo que você.
— Mas eu nem sei como eu vim parar aqui.
— Exato. — ele se voltou para a escada, assim como todos.
O lorde supremo do submundo estava lá. Parou no topo da escada e levantou os braços. Todos se curvaram, inclusive eu.
— Sejam bem-vindos ao meu humilde castelo. Criaturas, nós, por anos fomos banidos, julgados e humilhados. E alguém sabe por quem?!
— Deus! — gritou alguém do meio da multidão.
— Exato! Nós construímos esse mundo, nosso lar, e esse lar chamamos de Inferno. Céu e Inferno. Dois lugares distintos. Mas porque, porque meus amigo, nós somos obrigados a ficar aqui? Por que Deus, assim quis! Enquanto ELE fica lá no Paraíso, nós temos que aturar essa merda! Nós vamos permitir isso?
Gadrel e eu nos entreolhamos.
— Hoje, chamei aqui, todas as criaturas, consideradas por mim, as melhores, mais fortes, mais inteligentes e mais odiáveis para ouvirem minha proposta. Formar um exército. Vamos tomar o Paraíso para nós! Quem está comigo? — continuou Lúcifer.
Todos gritaram como se estivessem concordando, com exceção de mim.
— Isso é ridículo. — disse baixinho para mim mesma.
Mas parece que Lúcifer ouviu. Ele veio até mim num salto nada surpreendente e disse:
— Ridículo?
Todos olharam pra mim com cara de \"ela disse mesmo isso?!\".
— Olha, me desculpe senhor, mas para mim, tanto faz, Céu, Inferno, que se dane tudo.
— Você, é Nyx, certo?! Filha do Caos.
— Eu mesma.
— Esperava mais de você. Por ser filha do grande Caos achei que staria interessada em uma revolução.
— Pois é, que pena que o decepcionei, agora se me dá licença, tenho mais o que fazer.
— Não tem não. — disse ele segurando meu braço.
— Me solta.
— Não, você fará parte do meu exército, caso recuse, será mandada para o Tártaro.
Me virei lentamente em sua direção e me aproximei. Cuspi em sua cara e disse :
— Vá se fuder.
Todos fizeram \"óóó\", o que acho não ter sido um bom sinal.
Lúcifer limpou a cara e disse:
— Se eu fosse você correria daqui o mais rápido que pudesse.
Mandei um sorriso e acenei que sim com a cabeça, segui seu conselho e sai voando.
Ele se virou para um ciclope que estava ao seu lado e disse:
— Peguem ela, torturem-na e joguem no Tártaro, quero que essa peste seja caçada e sofra tanto que irá se arrepender de ter recusado minha oferta.
O.k. talvez tenha sido burrice fazer aquilo, agora eu estava mesmo muito ferrada.
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