*Toc toc toc*

— Senhorita Adrik... você precisa pagar sua estadia no hotel, já está duas noite atrasada.

Me virei na cama.

*Toc toc toc*

— Senhorita Adrik, abra a porta por favor. — o carinha que tentava arrancar dinheiro de mim a qualquer custo aumentou o tom de voz.

Me virei novamente e cobri minha cabeça com o travesseiro.

— Senhorita Adrik, se a senhorita não sair do quarto e não pagar o que deve até as 14 horas teremos que chamar as autoridades.

Era mais ou menos umas 11 horas da manhã. O cobrador desistiu de me chamar depois de uns quinze minutos reclamando e me avisando sobre as consequencias e bla bla bla. Quando o relógio marcou 12:37 adivinha quem aparece para me acordar.

— Nyx, abre aqui. — disse Gadrel.

— O que um demônio tem que fazer pra dormir em paz, hein?!

— Para de reclamar e abre logo essa porta.

Levantei e abri, fiquei encarando-o com cara de \"te odeio por me fazer levantar a essa hora\", claro que não deu essa impressão, pois estava com cara de sono.

— Ow, o tiozinho la embaixo tá irado porque você não pagou a diária de ontem e anteontem.

— É to sabendo.

— Como você vai fazer pra pagar?

— Sei lá. To pouco me lixando pra isso.

Ele colocou as mãos dentro dos bolsos de seu jeans surrado olhou para o teto e depois para o resto do quarto. Deu um longo suspiro e disse:

— Vai poder ficar aqui mais alguns dias.

— Não, ele vai me \"expulsar\".

— Não foi uma pergunta.

— Han?

— Eu paguei pra você ficar aqui, você tem mais uns cinco dias.

Enruguei a testa.

— Por que você fez isso?

Olhou para a parede que estava ao nosso lado voltou o olhar para mim.

— Olha eu trouxe um jornal. Vê ai os empregos e quando encontrar um comece a trabalhar, e tente ficar lá por mais de uma semana.

Virei os olhos.

— Onde ta o jornal?

— La fora.

— Por que deixou la fora?

— Porque eu não sou seu empregado. Então vai logo pegar. Tenho que ir.

— Pra onde você vai?

— Sei la.

— Vou junto.

— O que? Por que?

— Eu to entediada. E não vão suspeitar que quem me caça está me ajudando.

— É mas é que eu ia...

— Ia...

— Bom, lá na pedra.

— E dai?

— E dai que precisa ir voando pra chegar lá. E bem, você não pode, porque vai que alguém te ve...

— Ué, é só você me levar.

Ele coçou a nuca e olhou para os lados.

— Tá legal.

Não entendi o por quê de todo aquele drama e nem queria entender.

— Vamos! — falei.

— Agora?

— Não, daqui a cinco anos. — disse ironicamente — Claro que agora. O barulho desse lugar está me dando dores de cabeça.

— Tá, então... você não vai se trocar?

Eu estava de \"pijamas\". Virei os olhos.

— Ah, mas que saco hein. Espera lá fora.

— Ok.

*toc toc*

— Nyx, é melhor você se apressar.

— Foi você quem falou para eu me trocar, então agora espera.

*toc toc toc*, dessa vez as batidas foram mais rapidas e altas.

— Nyx!

— Já estou indo.

* toc toc toc toc toc*

— Anda logo.

— Caralho! Espera um pouco!

*toc toc toc toc toc toc toc toc... silêncio*, um estranho e repentino silêncio.

Terminei de vestir minha blusa e fiquei quieta, me aproximei da porta a espera de ouvir algum barulho lá fora. Cheguei mais perto. Olhei para a janela, que estava fechada. Encostei minha orelha na porta, olhei para o chão. Vi uma sombra, passando para um lado, logo eram duas sombras, estas passavam para o outro lado, o lado da janela.

Barulho de vidro quebrando, sim, é minha janela sendo estraçalhada pelo corpo de um anjo caido. Em seguida entra algo/alguém, não vi direito, o sol estava contra mim, o que fez com que eu só visse a silhueta do sujeito. E devo acrescentar, que sujeito enorme!

Os dois continuaram \"brigando\". Coloquei entre aspas porque Gadrel estava na verdade, mais apanhando do que batendo. Ele estava sendo segurado melo pescoço contra a parede. Fiquei apenas observando, até que vi que ele precisava de uma ajudinha, cheguei mais perto e meti um soco no bicho-papão, o que não foi muito inteligente, pois ele parecia ser de pedra.

— Ahhh — dei um grito — minha mão!

Gadrel olhou pra mim, e sem dizer meu nome gritou:

— Corre moça! Corre!

Eu não ia correr, ia ficar ali e bater um pouco mais naquele bichão, mas me lembrei que não podia fazer isso, aquele monstrengo podia ser um demônio que me caçava, e podia ter acabado de descobrir que Gadrel estava me ajudando. Claro que eram só suposições, mas eu não poderia arriscar. Corri pra fora do hotel bem rápido e fiquei escondida atrás de uma caçamba de lixo que havia do outro lado da rua. Fiquei lá durante uns dez minutos e então vi o bichão sair voando do quarto em que eu estava. Corri para ver o que tinha acontecido.

Entrei no quarto, Gadrel estava jogado no chão encostado na parede.

— Eles sabem. — lutou para dizer isso.

Agachei perto dele.

— Droga! — exclamei.

— É melhor você ir.

Fiz que sim, fui em direção a porta mas parei antes de passar por ela.

— Você vai ficar bem? — perguntei com indiferença.

Ele fez que não com a cabeça. Estava mais pálido que o normal e sangrava muito, com uma expressão séria e calma no rosto me chamou para perto.

— Não deixe que eles a encontrem. — disse ele.

— Não vou.

Com muito esforço se levantou e ficou de pé escorado na parede.

— Qualquer coisa, eu estarei lá.

— Eu sei. — dito isso me virei e fui embora.

Pra onde? Eu ficaria surpresa se soubesse.