Notas iniciais
Olá, pessoinhas! (Leitores gritam: "OLHA ELAAAAA!!! POSTANDO DUAS VEZES EM MENOS DE 24 HORAS!") Desculpa. Mas o que posso fazer quando inspiração vem e eu não durmo pensando em quando coquinhos vou postar de novo? ("Todo mundo erra sempre, todo mundo vai errar..." ♫♩♫) Mas enfim, postei por que "ta tranquilo, ta favoravel" ♫♩♫ #taparei #chegadememe Boa leitura! ♥

DAREL

Hermione e Rony – sim, tinha começado a chamar o rapaz pelo apelido, o que era uma surpresa – passaram o resto do dia no quarto. Com Granger enfraquecida pelo ataque do bunyip, compreendi perfeitamente que eles haviam decidido tirar o resto do dia de folga.

No dia seguinte, acordei cedo, já preparando as coisas para prosseguirmos viagem para Adelaide.

No entanto, o jornal que a coruja de Beatriz me trouxera momentos depois pôs todos os nossos planos por água abaixo.

A manchete do Diário da Poeira, o jornal bruxo da Austrália, estampava uma enorme foto de um Ônibus turístico em chamas. Encabeçando a página, uma manchete garrafal dizia "Bruxos das Trevas Causam Vinte Mortes de Trouxas no Interior Australiano — Adelaide em Alerta".

Franzi a testa, preocupado.

Ali estava um imprevisto que eu não esperara. Com a agitação descrita na matéria, provocada pelos bruxos das Trevas citados, devia haver uma guarda inteira de funcionários do Ministério australiano patrulhando a cidade.

E seria uma péssima ideia arriscar uma travessia por Adelaide com dois bruxos estrangeiros que estavam fazendo de tudo para não chamar a atenção.

Olhei de soslaio para os três frasquinhos em minha maleta, revirando os olhos.

O Destino devia estar fazendo aquilo de propósito. Não era possível.

Pisquei, percebendo que minha ideia descabida nos colocaria justamente na direção do deserto Tirari-Sturt... na direção de Tokonga, no centro da Austrália do Sul.

A pé – ou, no nosso caso, uma locomoção bem diferente — eram quatro dias de viagem até Alice Springs, nosso próximo ponto de parada. Deixaria meu carro segurado em Melbourne, e havia comunicado Beatriz e Russel antes de decidir ir, avisando-os que só os contataria novamente na nova cidade.

Suspirei, ajeitando os frasquinhos.

Bom, se não tinha jeito...

Um frio atravessou minha barriga. Se eu decidisse, finalmente, encontrar os Tokonga durante nossa travessia... eu reencontraria Nyree.

Uma sensação de ansiedade e animação pareceu me envolver. Não sabia se ficava feliz ou apavorado com a perspectiva de revê-la.

Havia se passado tanto tempo...

Quando Rony saiu com Hermione – mancando, mas aparentemente bem melhor, em todo o caso – eu já os esperava no corredor, para acompanha-los até a lanchonete do hotel.

Hermione pareceu perceber meu semblante pensativo, aparentando confusão, mas não disse nada.

Esperei que terminassem de comer para revelar nossa inusitada mudança de planos, e minha ainda mais inusitada ideia.

— Não poderemos ir até Darwin passando por Adelaide – finalmente disse, bebericando meu cappuccino.

— Como assim? – vi Rony erguer o rosto, surpreso.

— Tem alguns funcionários do Ministério da Magia australiano fazendo rondas em quase toda a região por causa da manchete de ontem.

Inclinei o Diário da Poeira para Hermione, ao que ela o apanhou, mostrando-o á Rony e começando a ler.

VI seus olhos estremecerem enquanto varriam a manchete.

— Que saco. Olha só isso... Maldições lançadas a esmo, um ônibus capotado na estrada, sangue pela pista... meu Deus... eu pensei que não houvessem tantos bruxos ruins na Austrália.

— Mas existem – bufei, lançando um olhar zangado para o vulto mínimo de um dos criminosos, que corria de uma ponta para a outra da foto de capa — e de vez em quando, eles se reúnem para causar essas pequenas balbúrdias, já que é tudo que podem fazer contra os não mágicos. Se um bruxo das Trevas realmente poderoso surgir para liderar esses idiotas, nós estamos fritos. O Ministério já tem muito o que fazer para amenizar essas visitinhas deles ao mundo trouxa.

— Então – Hermione suspirou pesadamente, decepcionada — Adelaide está fora de questão.

— Eu diria que sim, Granger – comentei, sem graça — eles estão procurando qualquer um que não esteja onde deveria estar. E se o Ministério da Magia britânico contata-los para falar sobre vocês ou vice e versa, nosso passeio acaba. Os dois estão muito ocupados, sim... mas não para prender mais uma... ou duas... pessoas.

Eles se entreolharam, tensos.

— E agora? – Rony guinchou — o que faremos?

Finalmente, um sorriso serelepe brotou em meu rosto.

— Eu acho que vamos ter que passar o mais longe possível da rodovia principal e cortar caminho em direção ao Deserto Tirari-Sturt.

— Um deserto? – Hermione piou, com uma expressão mista entre o humor e o desespero — tipo, vai ficar mais quente do que já está aqui?

Ri baixinho.

— Bom, digamos que sim.

— Ah, bem... – Granger lançou um olhar assustado para Rony, que aprecia compartilhar seu espanto. Segurei para não rir — é uma boa ideia... mas acha que vamos aguentar passar pelas partes áridas no caminho? Ou é só um boato o que dizem das temperaturas de quarenta graus?

— Quarenta graus??

— Cala a boca, Rony.

Meu sorriso aumentou ainda mais. Parecia que tinha chegado a hora de revelar meu plano completamente maluco.

— Claro que não. Nenhum humano poderia sobreviver a pé e andando devagar até lá. precisaria repousar ao longo do caminho... e estar fisicamente preparado para andar pelo deserto.

— Bom, somos humanos – Hermione falou, num tom tão desesperado que estragou completamente sua falsa ironia — o que faremos então?

— Ora essa, Granger – brinquei, dando risada, e achando graça de ver Hermione piscar indolentemente em minha direção — vamos lá... me disseram que você era inteligente...

Podia ver cada engrenagem formidável de sua mente girando e trabalhando, procurando desesperadamente pela resposta de sua própria pergunta.

Ela finalmente me olhou, estarrecida.

— Você está sugerindo... que... mudemos de forma?

Rony deu uma guinchada engraçada com o corpo, como um ganso recuando.

— Não qualquer forma – apanhei os três frasquinhos de meu bolso, agitando-os na direção de Hermione — uma forma resistente, veloz, que se adapta bem às temperaturas daqui. Consegue pensar em alguma?

Perdi a conta de quantas vezes Granger piscou em seguida, se boquiabrindo e, por fim, dando uma risadinha nervosa. Foi hilário de se ver.

— Um cavalo? – Weasley chutou, estreitando os olhos.

Ele me olhou, como se gritasse “brincadeirinha, não é?”, mas seu rosto murchou quando assentimos.

— Pois é – suspirei, aliviado pela ideia não ter sido rejeitada logo de cara.

— Isso é...

— Loucura. Completa. – Hermione completou, gargalhando — ah, vamos lá, Rony. vai ser interessante.

— Interessante? Eu nunca achei que ter quatro cascos seria interessante... por que agora?

— Desistiu de me acompanhar? – Hermione lançou um olhar indulgente para Rony, quase me fazendo cair na risada.

Rony fechou a cara para ela, revirando os olhos.

— Touché — ele resmungou.

— Bom, é um frasquinho para cada um – dei um dos frascos á Rony, e o outro para Hermione — mas o encantamento não é de uma poção de animagia – avisei — vamos ter que achar logo um lugar bom para ficar no deserto, pois só vai durar uns dois dias..

— Dois dias? – não pude deixar de reparar o gemido de “cala a boca, Rony” que Hermione deu — dois dias inteiros como um pangaré? – ele a olhou, revirando os olhos para o céu como se pedisse paciência — céus... o que não fazemos pelas namoradas...

Hermione beijou o rosto dele, aparentando uma ternura contagiante.

— Meu herói – Rony riu quando ela o abraçou.

— Está tudo pronto lá fora. Água, mantimentos, as coisas de vocês na bolsa enfeitiçada da Hermione... é só pôr o pé... digo, a pata... na estrada.

— Então vamos – Hermione assentiu, levantando devagar da mesa, e já bebendo do conteúdo de seu frasco, enquanto Rony encarava a poção com uma expressão exasperada, enquanto o acompanhava para o lado de fora.

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Desde que deixara Tokonga, minha transformação em lobo parecia ser só mais uma de minhas muitas e saudosas lembranças maoris.

No entanto, quando finalmente me transfigurei outra vez – mesmo que só por efeito de uma poção – senti uma sensação familiar me acobertar. Era maravilhoso estar num corpo animal outra vez, dissociado de toda e qualquer limitação de um corpo humano. Era uma sensação de liberdade indescritível.

Apesar de temer a forma que tomaria, fiquei satisfeito ao me encarar numa poça de água, que revelou o reflexo de um musculoso e negro frísio.

Estava curioso para saber se tudo correra bem com a transformação de Rony e Hermione, então fui verificar o beco em que ela se escondera minutos antes.

Vi uma sombra estremecer quanto entrei ali. Mas era só Hermione, já transfigurada numa bonita égua árabe de cor achocolatada.

Meneei a cabeça, tranquilizando-a.

VI o focinho dela se retrair de surpresa quando algo surgiu detrás de mim, pateando nervosamente o chão. Rony havia tomado a forma de um robusto puro sangue ruço.

Ele empinou levemente quando viu Hermione se aproximar, trotando suavemente no chão de pedra.

Os dois estavam se encarando daquele jeito que eu já parecia conhecer. Balancei a cabeça, relinchando humorado.

"Ei, parem de namorar, vocês dois. Temos trabalho à fazer".

"Caramba, Hermione", Rony fungou, enquanto saíamos do beco.

"Obrigada”.

"Como é?".

"Rony, faz uma caridade, pelo bem da Humanidade? CALA A BOCA!"

Funguei, rindo da briga boba entre os dois. Era impossível não ver que, por baixo de todas aquelas provocações, estava escondido um carinho indisfarçável que um tinha pelo outro. Era realmente fantástico de se ver.

Começamos a cavalgar lentamente rumo á estradinha de terra que iria em direção ao deserto de Tirari-Sturt.

Senti nossas bolsas e suprimentos chacoalharem em minha sela improvisada, e pareci ligeiramente ansioso quando coloquei minhas patas na areia.

Enquanto andávamos, ergui minha cabeça para o horizonte, resfolegando, absorvendo o ar quente e maravilhoso do deserto.

Meu coração bateu mais rápido, como se eu já visse, ao longe, as cabanas, a savana... minha aldeia. E toda a magia que, por mais que pudesse não parecer, ainda residia dentro de mim.

“Estou indo, Nyree”, pensei, fechando os olhos e prosseguindo. “Vou cumprir minha promessa... estou voltando para casa”.

Notas finais
Darel acha Romione fofo #ENoisDarel *-* Então? Comentários? Beijinhos e até o próximo capítulo :D