NYREE

Acordei sobressaltada com os gritos de Hermione.

Levantei o corpo, confusa e sonolenta, vendo Darel correr em direção ao corredor.

— Darel! Espere!

Fui ao encalço dele, saindo do quarto e vendo-o tirar algo parecido com um baú de dentro da bolsa enfeitiçada, enquanto corria para o quarto deles.

Entramos num átimo no quarto, e arfei, escandalizada, quando vi Hermione sustentando o corpo inconsciente de Rony.

O que havia acontecido?

Darel aparentava estar concentrado demais na montagem de um estranho aparelho para estar apto a responder minha pergunta muda, e ainda menos Hermione, que sacudia Rony, soluçante e desesperada.

— Darel... eu... ele ficou inconsciente do nada... – ela choramingou, deitando o garoto de volta na cama, enquanto Darel afixava um tipo de tubo em seu rosto — ele... ele vai ficar bem?

— Calma, Granger – ele ofegou, segurando o ombro dela, enquanto apertava algo no bizarro baú — ele vai ficar bem... foi só um ataque de Maldição de Ondine – Darel franziu o cenho, ainda arquejante com a corrida — mas realmente é estranho um único ataque acontecer de repente. Normalmente a pessoa demora alguns segundos para desmaiar...

Não compreendi o que seria aquele tal ataque. Na verdade, não entendi nada do que havia acontecido. Mas fosse lá o que fosse, coisa boa não era.

Um suspiro alto nos interrompeu, quando Rony finalmente voltou a respirar.

Suspirei, aliviada.

— Pronto – vi Darel se afastar da cama, se pondo ao meu lado — ele vai acordar logo... — surpresa, vi-o morder o lábio como quem reprime o riso na verdade, não culpo Rony por ter perdido o ar – ele riu — você provavelmente o matou de susto com isso aí...

Entendi o que ele dissera. Hermione estava vestida com dois tecidos separados de uma cor escura, que exibiam quase todo seu corpo. Perguntava-me por que diabos-da-tasmânia ela se vestira com aquilo.

— Só quis... fazer um agrado... – ela piou, sem graça.

— E que agrado... – Darel falou, rindo ao ver minha interpretação indignada — pra ele, eu quis dizer, minha canguruzinha... quem precisa dessa branquela se eu tenho você... – brincou, estalando um beijo na minha bochecha, que fez meu rosto esquentar de satisfação.

Darel, o bobalhão. Mesmo numa situação tensa, conseguia fazer todos se sentirem á vontade outra vez.

— Branquela, hein? – Hermione chiou, fingindo estar magoada.

Uma tossida alta, vinda da cama, nos fez pular de susto. Rony estremeceu no colchão, fungando e piscando os olhos.

— Rony?

— Senhor Weasley? – chamei-o, preocupada.

O rapaz piscou de novo, tateando o tubo em seu rosto, aparentando confusão e sonolência.

— H-hermione? O que ac-conteceu?

— Síndrome de Ondine – repeti o que Darel dissera, embora nem soubesse o que era aquela tal doença.

— Que s-saco – Rony bocejou, fazendo Hermione dar uma risada nervosa. Tirou o tubo de sua cabeça.

No entanto, vi seu olhar se arregalar ao olhar de Hermione para Darel, e, para meu choque, num movimento desesperado, lançou á Hermione uma roupa grossa de faixa na cintura.

Hum... alguém ali estava bem ciumento.

— Homens... – resmunguei, achando graça.

— Já chega, vocês dois – Hermione fungou — Darel, suma daqui e arrume as coisas para amanhã.. ah, e obrigado – ela acrescentou, vendo Darel fingir aborrecimento — Nyree, vai junto com seu namorado... e você... – se virou para Rony, arregalando o olhar — vai dormir... direito, dessa vez.

Darel assentiu. Embora guardasse toda aquela aparelhagem que trouxera aos resmungos de "de nada, inglesinha", via o como ele parecia estar se divertindo com a brincadeira de Hermione.

Esperei que terminasse de guardar tudo, e, finalmente, saímos do quarto, deixando aqueles dois sozinhos outra vez.

— Maldição de Ondine? – indaguei, quando já havíamos voltado ao quarto.

— Ah, sim – ele falou distraidamente, aparentando preocupação – é transmitida por fungos mágicos. A pessoa pára de respirar por algum tempo, mas se recupera depois. Não acontece outra vez durante a vida, depois que se contrai – Darel baixou os olhos – mas ainda assim, é muito estranho. Nunca vi nenhum destes fungos no deserto.

Vinquei a testa. Darel também achava aquilo inusitado. Não era apenas eu que estranhava aquela desagradável manifestação da tal doença.

— Sim. È estranho.

Darel voltou a olhar para mim, e, para meu divertimento, abriu um sorriso, guinchou-me para seus braços e me jogou na cama, enquanto eu gritava,

— Mas não importa mais por hora – segurei sua mão, que ameaçava fazer mais cócegas em mim – melhor irmos dormir. Já tivemos bagunça demais por hoje.

— Também acho – estapeei seus dedos, fazendo-o rir – faça o favor de dormir também, pulguento.

Ele riu, me abraçando.

Aquela pequena dúvida ainda me importunava, mas, como Darel havia dito, não importava mais por enquanto.

Amanhã seria um novo dia. E eu havia decidido que não me atormentaria por nada que pertencesse ao passado. Ia aproveitar o agora, cada momento com Darel. Quanto ao futuro, quando chegasse, já seria presente.

Quando fechei os olhos, adormeci com isso em mente, sentindo meu coração finalmente em paz.

—_____________O______________

Já arrumada para prosseguir viagem, sentada na cama, ouvi, rindo, o berro exasperado de Hermione no quarto ao lado.

Como costumava dizer minha mãe, alguém devia estar fazendo coisas nada apropriadas e acabara de ser pega em fragrante. Conseqüentemente, outro alguém deveria estar mais do que recuperado da doença da noite passada.

Até cheguei a aparecer na porta, segurando o braço de Darel e encarando aqueles dois. Mas, quando voltei ao quarto, percebi que a abordagem de Darel não dera certo, já que o ouvi exclamar no corredor logo depois.

— Caramba, gente! Dêem um tempo, vocês dois! Vamos embora!

E eu achando que estava definitivamente grudada em Darel. Rony e Hermione me faziam parecer a maori mais comportada do mundo.

E, por algum motivo, eu achava muita graça naquilo.

Quando finalmente deixamos o hotel, encontramos uma coisa estranha, sustentada por rodas, que se encontrava parada ao lado de várias outras naquele local.

— Me bota dentro do guarda-roupa que eu estou passado – guinchou Rony.

— Pare de babar, Weasley. É só por um dia – Darel riu, me dando uma piscadela — andem, entrem logo, vocês dois...

Entramos naquele cubículo bizarro, enquanto eu sentava ao lado de Darel.

Todos riram quando piei, exaltada, sentindo o que quer que fosse aquilo se movimentar e começar a deslizar pelo chão, para fora dali, estremecendo ao nosso redor.

— Se acalme, Nyree – Darel sorriu, humorado – é só um carro.

— Mas é assustador – dei uma risadinha tensa.

Viajamos por um bom tempo em silêncio.

Depois de alguns minutos, ouvi Rony perguntar, atrás de mim.

— Está ansiosa? Para ver seus pais?

Ouvi a garota murmurar,

— Ei... vai dar tudo certo... vamos encontrá-los... vamos reverter o Feitiço de Memória e vamos voltar para casa. Você vai ver só...

Darel me contara sobre o tal Feitiço de Memória que Hermione lançara nos pais, o real motivo de toda aquela viagem estar acontecendo. Senti um aperto de compaixão no peito.

Hermione falou, hesitante.

— Eu... eu... queria falar... Rony... agradeço muito... por tudo que você tem feito. Acho... que nunca vou poder retribuir...

— Você já retribuiu, Hermione... você me deu você. O melhor e maior presente que alguém poderia ganhar na vida.

Encolhi-me, refreando a vontade de abraçar aqueles dois. Como um casal podia ser tão imperfeito e, ao mesmo tempo, tão perfeito?

Darel parecia compartilhar de minha admiração, enquanto víamos, pelo espelho adiante, Hermione deitar a cabeça no ombro de Rony.

Ele movimentou uma alavanca entre nós, que fez o carro acelerar.

No entanto, na vez seguinte, segurou minha mão. E eu sabia muito bem que não fora por engano.