Notas iniciais
Olá, humanoides *-* Aqui está o capítulo novo da Nyrel. Tentar pular logo essa parte mais - hã - burocrática da fic, por que, pra quem já é da casa, sabe que tem MUITA emoção ainda esperando os leitores ♥ Boa leitura!

DAREL

O tal pacote que eu havia recebido era uma solicitação sigilosa de uma garota inglesa. Devia ter desconfiado assim que tinha colocado os olhos na letra cursiva elegante do endereçamento. E aquilo nunca havia acontecido antes.

Só entendi por que de tanto segredo quando abri a encomenda. Assim como ela solicitara, fiz isso longe dos olhares curiosos dos novatos, na minha sala particular.

Nele, havia um cartão de visita do Hotel Rydges Sydney Airport, no centro da cidade, uma foto trouxa de um casal de meia idade e uma carta, apressadamente dobrada, que se abriu quando retirei as coisas do envelope.

Havia lido a carta mais cedo, sentindo meus olhos saltarem de surpresa a cada linha que lia.

Prezado Superior da ST,

Devo primeiramente explicar por que o assunto sobre essa solicitação é tão sigiloso. Imagino que esteja se perguntando por que não usei os meios mais simples de comunicação, e irei dizer o motivo. Procurei uma agência com um contingente de pessoas bruxas justamente para que o senhor compreendesse a natureza do meu pedido.

Como deve ter recebido notícias pelos meios de comunicação, há algumas semanas, houve um confronto entre bruxos das Trevas e alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Irei acrescentar quaisquer outros detalhes quando conversarmos pessoalmente, mas, em resumo, durante os acontecimentos recentes, acabei me afastando de meus pais, que encobri com um Feitiço da Memória. Eles assumiram outras identidades e, consequentemente, se mudaram da Inglaterra para a Austrália.

No entanto, não tenho nenhuma ideia de onde poderia localiza-los, e tenho um conhecimento muito básico do território australiano (embora tenha lido todos os livros sobre a Oceania).

Diante disso, gostaria de pedir a ajuda de um guia que soubesse tudo sobre o lugar para onde viajarei, e que também pudesse me ajudar a colher informações sobre meus pais. Talvez, neste caso, um bruxo seja o mais prudente, mas deixarei ao critério do senhor.

O problema é que farei isso sem o conhecimento do Ministério da Magia britânico – muito menos com a autorização deste, ou qualquer aviso ao Ministério australiano — e, sendo assim, não posso chamar a atenção das autoridades. Por isso necessito manter a viagem e quaisquer registros dela em sigilo absoluto.

Pode parecer um tanto ilegal, mas, infelizmente, devido ás condições da organização do Ministério britânico á essa altura, percebi que o envio de buscas no encalço de meus pais seria muito demorada, e tenho ciência de que um Feitiço da Memória lançado por muito tempo possa ter graves consequências.

O cartão em anexo é do hotel onde me hospedarei nos próximos dias. Sinta-se á vontade para contatar-me por este endereço ou com meu nome para mais informações. Caso aceite minha solicitação, peço para, por favor, responder á esta carta por correio aéreo.

Espero que, após entender minha situação, não deixe que as meras formalidades da legislação mágica o façam decidir sobre meu destino.

Grata desde já,

Hermione J. Granger

A primeira coisa que fiz foi achar graça na exagerada suntuosidade da carta. Aquilo parecia demasiado com as solicitações oficiais, o que me fez deduzir que a tal moça tinha um conhecimento bem admirável das leis e comunicações dos Ministérios da Magia.

Era perceptível que não estava vendo a carta de uma pessoa qualquer. Isso eu podia apostar.

Mas então surgia a questão mais importante. Granger assinalara que estava fazendo aquela viagem sem o conhecimento do Ministério britânico. E, mais sério ainda, estava no encalço de pessoas com memórias alteradas pela própria Hermione.

Uma rápida revisão das notícias que haviam chegado á Austrália me fez imaginar que aquilo fora uma precaução que ela adotara durante o rebuliço que o bruxo denominado Voldemort causara no país, o que era razoavelmente justificável diante da situação. Porém, procurar ela mesma os pais, debaixo do nariz do governo... isso seria bem complicado.

Não que eu já não estivesse arquitetando todos os modos possíveis de ajuda-la. Isso eu já havia decidido, assim que havia lido sobre sua família.

Mas aquilo exigiria que o guia que os acompanhasse tivesse uma decisiva cautela, e definitivamente não fosse franco com Stuart — que era o elo mais próximo que a agência tinha com o Ministério da Magia australiano.

E eu não poderia confiar aquilo á qualquer estagiário.

Nãos sabia dizer por que, de repente, me pareceu vital dar toda a atenção ao caso de Hermione Granger. Era como se, por alguma razão, eu fosse absolutamente necessário naquela incursão. Como se ela já tivesse, mesmo sem estar ali, escolhido quem desejava que a guiasse.

De uma coisa eu sabia. Perder os pais doía demais. E, se me fosse possível, faria de tudo para que alguém ao meu alcance não passasse pelo que eu passei.

Olhei para o cartão de visitas, franzindo o cenho.

Por fim, apanhei um papel de carta de minha escrivaninha e respondi á carta de Granger, ponderando todas as minhas dúvidas e concordando em acompanha-la pessoalmente em sua viagem.

Mal sabia eu que, naquela pequena assinatura em papiro, eu havia acabado de selar um destino do qual não poderia fugir.

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A conversa com Stuart foi rápida e sucinta.

Embora ele tivesse decididamente ficado desapontado em ficar sem seu superior da divisão por tempo indeterminado, aceitou tranquilamente minha decisão de entrar em campo, e assegurou que colocaria alguém provisoriamente em meu lugar. Não questionou nada acerca da tal solicitação, o que foi um alívio.

Alguns minutos mais cedo, havia recebido a resposta de Hermione, onde ela explicou que estaria acompanhada, e que provavelmente chegaria a Sydney em algumas horas. Respondi assim que terminei de ler, dizendo que estaria no hotel no dia seguinte.

Quando vi Beatriz entrando com uma espécie de samba em minha divisória, eu não segurei o sorriso. Devia ter adivinhado.

— Já sei – resmunguei, segurando o riso – chefe da divisão, imagino.

— E – ela agitou as mãos dramaticamente no ar, sambando de novo – sua principal ligação com quaisquer pesquisas adicionais do escritório.

Ouvi alguém pigarrear ao nosso lado.

— Tá bom – Beatriz encarou paranoicamente a parede da divisória – segunda ligação. E por que— ela ganiu, gesticulando agoniada — o Stuart te botou no caso também, Russel?

— Por que ninguém resiste ao meu charme. De repente o Stuart joga no outro time.

Tampei o nariz para sufocar uma risada.

— Quando o Stuart virar gay, eu vou cantar com o Roberto Carlos – vi Beatriz revirar os olhos – abaixa essa bola, garoto. Mas enfim – ela apanhou o envelope de Granger – vamos ter que pesquisar sobre os pais da... – vi-a se inclinar para ler o endereçamento – Hermione? Caramba, que nome esquisito.

— Não mais do que Be-a-truis— Russel chilreou, rindo, soletrando em inglês o nome dela.

— Dá um tempo, Russel – funguei – mas encurtando... sim, principalmente isso.

— Deve ser um caso bem interessante pra te fazer deixar o conforto do escritório – Beatriz sentou em minha mesa, sorrindo – mas é bom ver que quer voltar á ativa.

Senti-me grato por ver a genuína compaixão no rosto de Beatriz. Sabia que estava havia tempos tentando me animar para seguir minha vida, depois da morte dos meus pais. E eles pareciam realmente contentes por me ver tão envolvido e empolgado.

— È interessante sim – dei de ombros. Contara aos dois sobre a situação de Hermione, mas á mais ninguém – vou ajuda-la.

Beatriz assentiu, descendo da mesa e, para meu humor, pegando uma bolinha de papel e tacando-a na divisória de Russel.

O nome dela me era estranhamente familiar. Hermione Granger... tinha certeza que havia visto-o em algum lugar recentemente.

Contudo, decidi pesquisar sobre isso depois.

Naquele momento, eu finalmente estava decidido á fazer algo realmente bom. Queria fazer com que Hermione e sua família se reencontrassem. Voltar á focar em algo acima de qualquer outra coisa que eu tinha feito até então.

E, mais importante ainda...

Queria, se fosse possível, também me reencontrar.

Notas finais
Comentários? Beijinhos e até o próximo capítulo!