Nychtas Aeterna - Entre Deuses e Reis
6 Capítulo III - Parte 3: Tempos de Paz - Chaise
Notas iniciais
ENTRE DEUSES E REIS
Capítulo III — Parte 3: Tempos de paz — Chaise
~Alguns dias atrás…~
A situação finalmente estava normalizada no quartel do 2° Batalhão. Aparentemente não haveriam avanços imperiais no distrito de Bashkiria. Alguns dos membros do batalhão estavam reunidos em um dos pátios do quartel, mas apesar de tudo, um homem chamava certa atenção em meio a tantos outros. Ele vestia apenas a parte inferior de seu uniforme militar e uma camiseta cinza comum. Um rapaz de cabelos azulados e olhos esmeraldinos, marcado por várias tatuagens, sendo os crucifixos tatuados em seus pulsos uma espécie de marca registrada do mesmo, assim como vários piercings em suas orelhas e em seu rosto, permanecia em silêncio, junto com todos os outros membros de sua infantaria. Entediado, Chaise estava em um canto, fazendo manobras e truques com um canivete simples.
Do outro lado da sala, um grupo de quatro outros soldados o encaravam intrigados, mas o mesmo não se importava com isso.
Então de repente, uma voz bastante conhecida se fez presente no local, chamando a atenção de todos os presentes.
—Em posição! Se apresentem todos! Comunicado importante. — Era o tenente-coronel Killean Yates, um homem de traços negros e de cabelos pretos longos, marcados por longos dreadlocks em um moicano, raspado dos lados. Sua superioridade e aparência imponentes marcavam a presença e a autoridade do capitão do segundo batalhão. Todos os soldados no recinto se posicionaram em frente ao mesmo, e então, pôs-se a passar a mensagem. — Como devem saber, nós recebemos ordens para nos reagruparmos. Bom, não trouxemos todos vocês até os quartéis por diversão. Recebemos um comunicado diretamente de nossa majestade. Yohtunheim e Synesthia entraram em um acordo e logo assinarão um tratado de paz, neste caso, ouso dizer que esta guerra chegou ao fim.
Todos se surpreenderam com o que foi dito, e grande parte dos presentes comemoraram entre si o fato de que finalmente as guerras cessariam mais uma vez, mas ainda assim, alguns não se contentaram com o que lhes foi dito.
—Não, não, um instante. Eu duvido que Yohtunheim tenha simplesmente aceitado um tratado de paz, tenente.
—Pois passe a acreditar, soldado. Foi Yohtunheim que veio até nosso rei propor termos de paz. — Respondeu prontamente o capitão.
—Vieram para que? Exigir nossa rendição? — Outro soldado logo em seguida questionou o tenente.
—Exigiram parte do nosso território, e pelo que eu soube, grande parte dos bens minerais. Todo o extremo leste de Synesthia será entregue a Yohtunheim em troca de paz.
—Extremo leste? Significa que o distrito de Bellatrix será entregue a Yohtunheim?!
—Exatamente, soldado. Você tem algum questionamento quanto a isso?
—Mas isso é loucura! A minha família vive lá! O rei vai simplesmente nos entregar pra Yohtunheim? Por quê?!
—Por que isso acabará com a guerra, soldado. Sem mais perguntas quanto a isso!
—Não… não pode ser! Nosso rei não pode ter feito isso! Não posso acreditar que ele fez todos nós lutarmos pelo nosso país para depois entregar nosso povo como um maldito covarde!
—Você não pode falar assim do nosso rei, Evel! — o repreendeu outro soldado que estava presente em meio a discussão.
—Ele está nos entregando para Yohtunheim, ele não é mais o nosso rei! Ao menos, não o meu!
—Escute. — Killean se aproximou do homem que estava retrucando consigo. — Mais um ataque de Yohtunheim e provavelmente Bashkiria seria completamente destruída ou tomada, e sua família executada. Seu rei concordou com esse tratado para evitar que mais vidas sejam levadas, goste você disso ou não. Sua majestade está fazendo um grande sacrifício entregando seu povo ao inimigo, apenas para salvar essa sua bunda ingrata, então cale-se antes que seja detido por blasfemar contra o seu rei!
O homem engoliu seco, e abaixou a cabeça, em sinal de desistência.
—Sim senhor, tenente. — podia-se sentir a tensão no ar entre aqueles dois.
Chaise pode ouvir tudo de onde estava posicionado. Ao ouvir o questionamento do outro soldado, se perguntou também se aquela era realmente uma decisão de sua majestade, mas pode compreender o por que de tal atitude vinda de seu rei. Então, as guerras iriam finalmente acabar. Finalmente voltaria para Somnium depois de tantos anos fora de sua cidade natal.
—Ótimo. Bem, mais uma mensagem vinda do palácio real. Chaise Dellacrux, apresente-se imediatamente.
—Eu? Mas por quê? — Questionou a si mesmo o azulado, já se preparando para ir em direção ao seu capitão.
—Estou aqui, capitão. — seguiu em direção ao tenente, ficando em posição ao alcançá-lo.
—Dellacrux, devido a positividade do seu status disciplinar e de seu desempenho, além de seu título como franco-atirador de elite, você foi convocado para fazer parte da guarda real synesthiana.
Chaise não pode deixar de se surpreender. Certamente não era o que estava esperando. Havia mesmo sido convocado para fazer parte mais alta patente da guarda de Synesthia?
Corona era uma equipe de guerreiros dos mais variados tipos, escolhidos a dedo pelo seu soberano, para defender a família e a cidade real, sob as ordens diretas do rei. Era a equipe de elite mais próxima de sua majestade. Não podia acreditar que estava sendo convocado.
Com a informação dada, e por ser bastante conhecido por todos os presentes, principalmente por sua amizade com o príncipe coroado de Synesthia, pode ouvir murmúrios vindos de todos os lados, provavelmente seus colegas de batalhão se questionando sobre sua convocação ser pelo fato de ser próximo da realeza. Chaise tentou ignorar o que quer que estivesse sendo discutido em sussurros, mesmo que já tivesse ideia do que teria causado tanto furdunço.
—Sua majestade aguarda sua resposta. Mais informações, estarei no meu escritório, no norte do quartel.
—Sim senhor, tenente-coronel.
—Agora, todas dispensadas, mocinhas. Se organizem e arrumem suas tralhas. Hora de voltarem para casa.
E assim, todos se separaram e se dirigiram aos seus dormitórios, para se organizarem para retornar aos seus lares.
Assim que se vestiu adequadamente, Chaise foi logo em direção ao escritório do tenente-coronel, também capitão de seu batalhão, para tratar da proposta que recebera de seu rei. Bateu na porta do escritório de Killean, entrando logo em seguida.
-Boa tarde, Killean.
-Sem essa, rapaz. Aqui você tem que me chamar de capitão, tá sabendo? — respondeu o capitão prontamente, mesmo que estivesse de alguma forma brincando com o azulado a sua frente.
-É bom poder conversar com você sem todas aquelas cerimônias, Killean.
-Hum. Já falei que não é porque eu te vi crescendo que vou pegar leve com você.
-É, esses quatro anos deixaram isso bem claro! — respondeu Chaise, sarcasticamente, por mais que sua frase tivesse um fundo de verdade. — Então, e essa proposta…
-É exatamente o que eu te disse. Friedrich convocou você oficialmente para fazer parte da Corona.
-Eu espero que isso não tenha haver com o Lucian.
-Na verdade, não tem.
-E como você sabe?
-Por que fui eu e o general Zachary Yates quem te indicamos. O rei e a Corona observaram os relatórios de todos os soldados, um por um. Você foi o novato que teve um dos melhores desempenhos no exercício da sua função, o único que recebeu um título e seu relatório disciplinar foi impecável. Não me surpreende que a Corona tenha se interessado em você, principalmente em um lugar com tantos oficiais problemáticos como no nosso batalhão.
-Quantos foram convocados, além de mim?
-No segundo batalhão? Só você. Uma van vai partir amanhã de manhã para a cidade coroada. Se aceitar, terei de enviar você para que comecem o seu treinamento. Profissionalmente, você começará assim que você voltar pra Somnium. E então, como é que vai ser?
-Bem… Por que eu diria não, não é mesmo? — respondeu o mais jovem demonstrando animação.
-Muito bem, Chaise. Você embarca amanhã, direto para Somnium.
-Valeu, Killean. — dito isso, cumprimentou seu capitão e futuro parceiro de trabalho, estendendo-lhe a mão.
-Dê meus cumprimentos ao príncipe e ao rei por gentileza, Dellacrux.
—Pode deixar, senhor.
~Dias atuais~
Mesmo que talvez esperasse por isso, aquela mensagem pegou o príncipe de surpresa. Seu amigo logo voltaria para casa. Depois de quatro anos no exército, mal podia esperar para vê-lo denovo.
O dia seguinte havia chegado, e consequentemente a cerimônia para o tratado de paz viria logo a seguir. Lucian precisou tratar de muitos assuntos nos últimos dias, e no dia seguinte teria de viajar novamente para resolver os assuntos finais sobre o acordo que seria oficializado logo em breve.
Estava preocupado, mas ao mesmo tempo feliz. Ao menos, poderia ter aqueles a quem tanto amava ao seu lado novamente.
Ocupado com tantas preocupações, e na tentativa de se livrar de tamanho peso em sua mente, foi interrompido por uma chamada de seu celular, vinda dos portões do palácio.
—”Vossa alteza. Seu amigo está no portão central e solicita falar com o senhor, imediatamente”.
Não pode segurar um sorriso leve ao receber a informação. Rapidamente respondeu ao porteiro informante.
—”Mande ele entrar, já estou a caminho!” — Saiu velozmente de seu quarto, indo em direção a estrada do palácio.
Todos em seu caminho observaram a sua pressa ao percorrer seu trajeto, sem saber exatamente o porquê, até que encontrou sua irmã no caminho.
—Ei, para que essa maratona? — perguntou, visto que quase foi derrubada por seu irmão.
—Chaise voltou, Keira. Você não vem falar com ele?
—Ah droga, meu pesadelo… — respondeu seu irmão, com certo desânimo em seu tom. — Bom, divirtam-se com seu reencontro. Se ele perguntar, estou no banho.
—Pode deixar, apaixonada. — disse Lucian, rapidamente adentrando o elevador, direto para o andar que levava à entrada principal. Sabia que sua irmã não iria gostar do que foi dito, mas achou divertido provocá-la.
—Ora, seu...!!! — a princesa só conseguiu ver a entrada do elevador de fechar a sua frente, sem que pudesse seguir seu irmão. — Argh, homens...
~Na entrada do palácio~
Chaise estava na entrada do palácio, estacionando sua motocicleta, quando pode ver Lucian no alto da escadaria que levava até a entrada do palácio. Sem cerimônia, começou a subir a escadaria, até se encontrar com seu amigo bem à frente da entrada.
-E aí, Luce. — disse Chaise, fazendo uma espécie de continência para seu amigo. Não podia evitar demonstrar que estava feliz em ver seu amigo de novo.
-E aí? Ficou fora por quatro anos, volta e só diz um “e aí? — estendeu a mão, chamando o amigo para um aperto de mão informal, seguido de um abraço rápido, sendo correspondido pelo mesmo.
—Desculpe, devo ter perdido os bons modos.
—Alguma vez você já teve? — respondeu, irônico o príncipe. — Bom, já sabe. A casa é sua.
—Aí, a Keira está em casa?
—Ah, está fugindo de você, como sempre.
—Hahah, clássico! — disse o azulado, seguindo seu amigo até o interior do palácio.
—Vem, vamos tentar falar com o meu pai. Aposto que ele vai ficar feliz em te ver.
~No salão real~
O rei estava em seu trono, no centro do salão principal, esperando para tratar de todos os assuntos relacionados ao tratado, até que ouviu seu mensageiro passar dos portões.
—Vossa majestade, o senhor tem alguns minutos?
—Temo que sim. Posso saber o porquê?
—Bom, é que o senhor tem visita.
—Visita? De quem seria? — logo em seguida, o rei pode ver seu filho, junto de seu melhor amigo, adentrarem o salão real, logo após seu mensageiro, que em seguida se retirou do recinto.
—Com sua licença, senhor. Alguém veio nos visitar.
—Ora, então já está de volta, meu jovem.
—Boa tarde, vossa majestade. — disse Chaise, fazendo uma reverência informal, como forma de descontrair o ambiente.
—Confesso que já estava implorando por um pouco de animação por aqui, Chaise.
—Heheh, senti saudades do senhor, rei Friedrich. — disse o jovem, sorrindo um pouco seco, dando um abraço rápido em seu rei, visto que eram muito próximos e não necessitavam de muita formalidade para dialogarem.
—Teve notícias de seu pai?
—Não… Me perdoe, senhor, mas eu não quero ouvir falar dele por enquanto.
—Entendo, Chaise. Bom, mudando de assunto, vejo que se adaptou muito bem nos campos de batalha.
—Não foi nada fácil, senhor. Fico feliz de ter voltado vivo para casa! — disse o jovem com certo exagero em suas palavras, mas não deixava de estar falando a verdade.
—Não exagera, Chay. Ninguém consegue se livrar de você tão fácil. — brincou o príncipe, dando um soco leve no ombro de seu amigo.
—Hahah, talvez! — concordou, irônico. — Ah sim. Majestade, posso roubar seu filho por umas horas?
—E por qual razão?
—Bem, sabe… Dar uma volta, relembrar os velhos tempos…
—Hum… Devo alertá-lo que possui responsabilidades de total importância amanhã bem cedo, príncipe Lucian?
—Não senhor. Eu prometo que estarei pronto a tempo, majestade. — respondeu prontamente o príncipe.
—Acho que não teria problema. Contando que não se esqueça de seus afazeres.
—Eu vou cuidar dele, senhor. — brincou Chaise com o amigo, convidando-o para se retirar logo.
—Não se meta em problemas novamente, Dellacrux. Corona está esperando por você.
—Pode deixar, senhor! — respondeu o loiro, reverenciando sua majestade mais uma vez.
-Conto com isso, filho. — se despediu o rei, vendo os dois rapazes que estavam em sua presença se retirarem. -Ele não mudou em nada mesmo…
~Não muito longe dali…~
Assim como o informado a seu irmão, Keira estava se banhando tranquilamente em sua banheira de hidromassagem, até que teve seu sossego interrompido por uma entidade já bastante conhecida.
—Ah… Keira? — perguntou o príncipe, adentrando o local onde sua irmã se banhava, silenciosamente.
—O que foi, Luce?
—Então, pode me emprestar seu carro? — percebeu sua irmã o olhar, confusa.
—O que houve com o seu?
—Sem combustível.
Keira arqueou a sobrancelha, desacreditada.
—Liga para o posto, eu vou com vocês.
—Mas você não… — foi interrompido pela irmã, que já sabia muito bem qual seria seu questionamento.
—Acha mesmo que eu vou deixar vocês dois com o meu carro? Conheço o Chaise, sem chance.
—Tudo bem… Vem logo então, não podemos ficar muito tempo fora.
—Já vou, Luce. — respondeu seu irmão com ar de desinteresse, mergulhando ainda mais na banheira.
~Algum tempo depois~
A princesa se encontrava com Lucian e Chaise em seu carro, andando pelas longas avenidas da cidade, enquanto ambos conversavam e trocavam brincadeiras e piadas entre si, mesmo que a morena não estivesse muito interessada nos assuntos tratados pelos mesmos. Estavam seguindo para o seu lugar favorito desde que eram bem jovens. Era uma simples lanchonete, um lugar até mesmo questionável para os futuros representantes de Synesthia, mas aquele era o único lugar onde podiam por alguns instantes se esquecerem de todos os seus deveres, de todas as preocupações e serem apenas eles mesmos.
—Aqui está, senhoritas. Chegamos. — disse a infante, logo após estacionar seu carro voador, anunciando que já haviam chegado ao seu local de destino.
—Puxa… Nem acredito que reformaram. — observou o príncipe ao ver aquele lugar tão diferente de alguns anos atrás, mas ainda assim, era o mesmo lugar.
—Pois é. A gente não vem aqui desde a faculdade. Nem é mais só uma lanchonete, está mais para uma praça de alimentação.
—Vão ficar aí de bobeira? Vamos logo. — apressou a morena que ia na frente.
—Okay! — gritou Chaise.
—Então, você voltou anteontem? — perguntou o príncipe para o azulado ao seu lado.
—É, sim. Você não foi, mas eu tive que participar da “cerimônia” de retorno. — disse, fazendo aspas com as mãos durante a frase. — Nomear os “heróis” e coisas do tipo, e como eu recebi um título, tive que participar.
—Você recebeu um título? Não acredito.
—É sério! Brasão dourado de franco-atirador de elite. A “águia” do segundo batalhão. Tavam me chamando de demônio atirador, acredita?
—Huh, então a magia que nós te demos realmente te ajudou muito, não é? — perguntou Lucian ao seu amigo.
—Oh… É verdade. Me lembra de agradecer ao rei depois, okay? Obrigado. — respondeu com ironia o azulado.
Quando perceberam, já haviam adentrado o local em que planejavam passar as próximas horas juntos. Assim que entraram, logo procuraram uma mesa para se sentarem. Muitas das pessoas que estavam no local estranhou a naturalidade do príncipe e da princesa naquele lugar, porém os funcionários já os tinham como clientes a muito tempo, então sua presença não os surpreendia. Apenas acomodaram-se e esperaram o atendimento, como de costume.
~Dystophilia~
Ainda em seu isolamento, a ex-princesa de Dystophilia permanecia em silêncio, até que teve seu sossego interrompido por uma certa mulher vestida com um manto religioso branco com detalhes em preto, usado pelos devotos de Nyx. Se tratava de Java, uma entidade enviada por Nyx para acompanhá-la durante sua jornada como avatar, assim como seu irmão Saga.
—Senhorita Stellaris, Etian me pediu para te acompanhar até o pátio. A imprensa deseja entrevistá-la.
—Certo. -levantou-se a albina. — Vamos, Java.
~Synesthia~
O grupo agora estava aguardando a chegada de seus respectivos pedidos enquanto conversavam tranquilamente sobre as coisas que haviam acontecido nos últimos anos. Realmente tinham bastante coisa para conversar.
—Mudou tanto desde a última vez que viemos aqui. — reparou o príncipe.
—É, mudou demais. Tiraram o fliperama de dança daqui. Sacanagem — reclamou Chaise.
—Você ainda gosta daquilo? — perguntou desacreditado o príncipe.
—Claro, só vinha aqui por causa disso. E você mandava muito bem okay? Não vem com essa de que agora é o rei da maturidade.
—Eu tinha 15 anos, não compare essas coisas com o agora!
—Vocês dois não tem nada mais interessante para discutir não? — reclamou a princesa.
—Você continua insuportável, Keira.
—É, e você continua...
—Enfim, é melhor vocês... — interrompeu o príncipe, já vendo no que aquele desentendimento causaria, porém durante sua intromissão, por uma fração de segundos, olhou o noticiário que passava na televisão logo a sua frente, no alto da estrutura na qual estava acoplada. Estavam transmitindo informações importantes sobre a assinatura do tratado que aconteceria no dia seguinte. — ... Espera aí, eu preciso ouvir isso…
Logo em seguida, Keira e Chaise também tornaram a prestar atenção nas notícias, que diziam o seguinte:
“...mas ainda assim, a situação foi normalizada e os manifestantes se dispersaram. Apesar das manifestações recentes, os estudos apontam que a opinião da população synesthiana geral é positiva, com 83,6% de aceitação, 14,5% contra e apenas 1,9% se manteve neutro quando a assinatura do tratado e divisão do território synesthiano, sendo Bellatrix, Bashkiria e Silentium os distritos mais extensos e importantes do leste de Synesthia, por conta de suas reservas naturais de liethriano, um dos metais mais preciosos e escassos do mundo”.
“A seguir, uma rápida entrevista exclusiva com lady Stellaris Lux Dystophilia, ex-princesa de Dystophilia, avatar e futura esposa de nosso príncipe coroado, Lucian Nyx Synesthia. É a primeira vez que o governo de Yohtunheim permite a presença da imprensa synesthiana em um de seus territórios, tendo sido Dystophilia o último grande território tomado pelo império em 16/03/219 em Ano Nyx, a cinco anos atrás.”
—”Boa tarde a todos. Aqui é Leona Saraza, e estou falando diretamente de Sylvia, a capital de Dystophilia e lar da nossa tão querida avatar e futura rainha, se me permite dizer. Boa tarde, princesa Stellaris. Qual é a sua opinião sobre o recente tratado proposto pelo vasto império de Yohtunheim e quais são suas visões para o futuro quanto a isso?” — perguntou a repórter a princesa.
—”Primeiramente, boa tarde a todos. E desde já gostaria de dizer que constantemente tenho rezado aos deuses para guardarem o povo de Synesthia e espero que minhas orações tenham chegado até vós. — a princesa uniu suas mãos em posição de oração ao proferir essas palavras. — Devo dizer que estou contente por saber que, depois de tanto tempo, poderemos renovar nossas relações com meu prezado povo synesthiano, que desde sempre se mostrou bastante hospitaleiro com a família real dystophilense e com nossos cidadãos. Estou honrada ao saber que meu casamento com o príncipe Lucian beneficiará nosso povo e trará paz aos nossos lares, e espero que ele sinta o mesmo que eu quanto a isso. Mesmo com suas divergências, posso ver Synesthia e Yohtunheim como grandes aliados em um futuro próspero e digno.”
—”E em relação a sua posição como avatar de Nyx e aos seus deveres em relação a disseminação do flagelo nyshtas aeterna?”
—”Meus deveres como avatar estarão suspensos temporariamente por conta dos assuntos relacionados ao meu casamento, mas se houver alguma urgência que tenha em consideração o alastramento da praga que assola nosso mundo, eu irei imediatamente deixar meus deveres para tratar da situação. Temos toda uma equipe preparada para emergências relacionadas ao flagelo, então não se preocupem quanto a isso.”
—”Muito obrigada pela sua atenção, lady Stellaris.
—”Não se preocupe, o prazer é todo meu”.
—”Tenho certeza que ao lado de nosso príncipe, a senhorita será uma notável regente! — a repórter cumprimentou a princesa ao seu lado. — Aqui é Leona Saraza, e estou passando a palavra para a emissora nesse momento. Boa tarde a todos”.
“Quaisquer novidades em relação ao tratado de amanhã serão exibidas aqui…”
—Pfff, o que eu tava pensando… — pensou alto o moreno.
—O que foi, Luce?
—Eu realmente não queria que ela levasse nosso casamento pelo lado político.
—Denovo essas merdas de casamentos arranjados. Pelo menos é a sua namorada, imagina se fosse outra pessoa? — questionou Chaise em relação a questão que estava em aberto no momento.
—Pois é, esse é o grande problema. — disse o príncipe, apanhando sua xícara de café que ainda se mantinha aquecido, nas mãos — E mesmo que fosse outra, eu não teria escolha de qualquer jeito. Meu pai dá as ordens. Eu só obedeço.
—É foda ser o príncipe assim. — afirmou o azulado, em seguida relaxando seu corpo de forma desleixada sobre a cadeira, como forma de demonstrar certo desinteresse. — Puxa, esse tratado está dando no que falar. Só espero que dê tudo certo, afinal.
—É o que todos esperamos. — disse a princesa. Logo em seguida, seus respectivos pedidos haviam chegado, e assim passaram o resto da noite conversando entre si, passeando pela cidade e contando todos os seus feitos e experiências dos últimos anos, mesmo que talvez precisassem de mais que uma noite para compartilharem tudo o que haviam vivenciado.
~Synesthia: Madrugada 15/05/224 A.N — Dia da Assinatura do Tratado de Somnium
—A hora esperada se aproxima. — disse o rei Friedrich aos dois homens diante de si. — Fidelis Consilea, Killean Yates, a vida de Lucian e Keira estarão em suas mãos.
—Sim senhor, majestade. Guardaremos nosso príncipe e nossa embaixadora durante essa viagem com nossas próprias vidas. — curvou-se Fidelis, um homem alto de cabelos ruivos e olhos acinzentados, designado pelo rei como tutor do príncipe Lucian desde muito jovem.
—Levaremos ambos em segurança até o prédio do conselho, não importa o que aconteça. — foi a vez de Killean de se curvar e mostrar seu compromisso com a missão que recebeu de sua majestade.
—É o mínimo que eu espero de vocês. Sei que cumprirão sua missão com êxito.
~Dystophilia: Madrugada do mesmo dia — Dia da Assinatura do Tratado de Somnium
—Lady Stellaris. Como sabe, seu casamento será o principal símbolo da paz que Yohtunheim propôs a Synesthia, e em compensação, permitiremos que você tenha liberdade de rodear toda a Somnium e visitar seus tão amados synesthianos como quiser. — dizia a chanceler Hyesdra Scayne, que se responsabilizou pelo deslocamento da princesa dystophilense até Synesthia. — Porém, se houver qualquer ação duvidosa por parte de Synesthia, qualquer ato que indique traição, e nós descobrirmos que você está envolvida… — se aproximou de Stella, como forma de impor sua autoridade. — … vamos destruir sua tão amada Sylvia, e antes que perceba, toda Dystophilia estará em chamas. Fui bem clara?
—Como a mais pura luz, chanceler Scayne. — respondeu calma, mas prontamente a albina, se preparando para a viagem rumo ao seu futuro novo lar.
Continua. . .
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