Nyah! Drag Race
7 S1E3- Herstory of Brazil
Notas iniciais
No último episódio de Nyah! Drag Race.
— Vencer uma dublagem é mostrar o quão feroz você é. Não vejo a hora de derrubar uma por uma! – O confessionário de Daphyne é mostrado.
— Para o mini desafio dessa semana, vocês terão que participar de uma audição para ser a primeira drag queen dançarina de fundo.
Os cortes mostram alguns dos melhores momentos do mini desafio.
— Daphyne Fine e Mika Gay, vocês são as vencedoras do mini desafio. Cada uma de vocês será uma capitã de time para o desafio principal dessa semana. – as mostra comemorando — Num pequeno evento que eu gosto de chamar Baile da Meia9.
Mostra-se os pontos altos do desafio. Lean montando a coreografia, Angie acompanhando. Mika olhando a coreografia de fora, enquanto Caprica ajuda Septika.
A seguir. O desafio, com Megan ficando atrás, Lean dançado até o chão.
Mostra-se Mika perdida e Paulinha fora do ritmo.
— Time Daphyne, estão todas salvas. – Nayh dizendo – Lean Dream “parabains” você é a vencedora desse desafio.
Lean, surpresa, agradece.
— Mika Gay. Paulinha Perigo. Chegou a hora que vocês dublam pela sobrevivência.
O lip-sync é exibido em alguns cortes, Mika se jogando ao chão, Paulinha trazendo a força. Alguns cortes e o momento que o fogo de Paulinha se apagou.
— Mika Gay, arrasou você ficou. Paulinha Perigo, ferrou, você flopou.
E o flashback se termina com Paulinha deixando o palco em preto e branco.
Blackout.
As queens estão retornando para a werkroom, Angie está devastada, sendo consolada por Megan.
— Paulinha se foi – Angie está muito emotiva – E a situação está péssima.
Da frente do espelho, Mika lê a mensagem de despedida.
— “Estou orgulhosa de mim, mas principalmente de vocês! Mamãe sempre ficará no coração! Paulinha”.
Lean tenta não deixas as lágrimas escorrerem.
As queens gritam mensagens positivas.
— Ouvir o que a Paulinha disse me tocou muito – Lean comenta – Perdi minha mãe pouco antes de entrar no show, ela estava tão orgulhosa!
O grupo segue aos sofás.
— E eu sei que ela continua aqui comigo, me protegendo.
A tensão está no ar. Daphyne puxa o assunto.
— Então... Como vocês estão?
— Eu me sinto ótima – Mika comenta – Ter conseguido vencer e mandar alguém tão forte como a Paulinha pra casa é muito satisfatório.
O silêncio constrangedor sobe.
— Então, Mika – Hella segura o riso no confessionário – Vencer por desistência é diferente de merecer a vitória.
— Ou vocês acham que não venci? – Mika sente que aquele silêncio foi uma direta para ela.
O grupo se entreolha, ninguém quer ser aquela. Mas alguém precisa ser.
— Honestamente? – Lean começa – Eu acho que não.
O clima esquenta.
— Olha, Mika – Caprica segue – Você se esforçou, mas, Paulinha dominou o palco na primeira parte da música, mas, desistiu depois e fogo apagou.
— Se ela tivesse seguido com o lip-sync, provavelmente você não estaria aqui hoje, Mika – Hella completa.
Mika se sente atacada.
— Se essas vadias acham que eu perdi, advinha? – Ela força uma expressão confusa – Eu ainda estou aqui? Né?
Ela se defende.
— Se Vocês acham, problema de cada uma, quem continua aqui sou eu!
Éshley ri da confiança de Mika.
— Mas, vamos ao que importa – Angie diz – Parabéns dona Lean, você foi demais!
— Trouxe tudo naquele palco!
Lean ri, agradecida.
— Dançar é o que eu faço – Ela diz – Se eu não vencesse um desafio de dança, o que mais eu venceria?
— Arrasou de mais! – Septika comenta.
Alguns clipes do desafio são exibidos. Lean dança como a profissional que é.
— Mas, eu quero mostrar e provar que sou mais que só dançar! – ela continua – Eu vou vencer essa competição e provar que sou mais que uma queen que dança!
O alarme soa, elas berram se direcionando ao televisor.
— Minhas rainhas! – Nyah diz através do televisor – Ser drag não é apenas sobre ser bela e poderosa, é também sobre fazer história e ensinar!
A confusão invade a mente de cada uma. Elas não estão entendendo.
— Então que tal voltar ao passado e fazer algumas descobertas? – ela ri.
— Eu não faço ideia do que vai ser – Septika comenta.
— Alguma coisa a ver com história, talvez? – Daphyne diz.
— Então eu tomei no rabo – Megan ri alto.
— Por mais que eu seja linda, poderosa e incrível – ela confessa – Eu larguei os estudos quando estava no colegial.
Nyah abre a porta. Ela está linda, mesmo fora de drag, seu look hoje é bem formal, um terno e gravata borboleta em estampas tropicais. Lindo. E certamente caro.
O grupo vibra.
— Miau, meninas!
— Miau, mamãe – algumas dizem.
Nyah desce as escadas, se juntando ao grupo.
— Como drag queens, a gente ama estar sempre bela e muito polida.
— Fale por si mesma – Angie comenta, levando o grupo às risadas.
— Mas, para o mini desafio de hoje, vocês estarão competindo num concurso que eu chamo de “a mais feia das feias”!
As gargalhadas rolam soltas.
— Vocês terão quinze minutos para entrar na drag mais feia que tiverem e se apresentar com o porque você é a feia das feias. A vencedora desse mini desafio receberá, além da vantagem no desafio de hoje, uma gorgetinha de mil reais.
Elas vibram.
— Eu ainda não ganhei nada – Caprica diz – Continuo pobre e não aguento mais! Preciso vencer alguma coisa!
— Preparadas?
As queens se posicionam.
— Vão! Vão! Vão!
Com as clássicas palmas de bandeira verde, as queens correm para suas estações de trabalho, maquiagens e perucas já começam a ser colocados.
Outras, preferem já escolher o pior dos looks para vestir.
— Eu não sou a única que quando começou, achava que arrasava mais a maquiagem era uma confusão, né? – Éshley puxa o assunto.
— Amiga, até hoje a minha continua assim – Angie diz rindo.
O grupo segue com os risos.
— Na última semana, Paddy me deu um conselho – Capri diz no confessionário.
É inserido uma parte não mostrada no último episódio.
— Caprica, sua maquiagem é muito boa – Paddy diz.
Elas estão no palco principal, logo depois que Caprica fora salva.
— Mas, me incomoda esses cantos pretos que você faz – Paddy completa – Eu gostaria de pedir encarecidamente que você possa esfumaçar essas laterais.
— Com toda certeza! – Caprica responde, confiante.
De volta ao momento.
Elas continuam correndo contra o tempo.
— Por isso, nesse mini desafio, eu vou deixar tão escuro que vão achar que eu não tenho olhos!
Ela ri.
— Mas não no palco principal, — ela conclui – Lá, a maquiagem vai estar impecável.
Nyah retorna.
— Baixem os pincéis, meninas! O tempo acabou.
O corte é feito, a primeira feia é Daphyne.
Ela está usando outro corset, dessa vez numa cor que, honestamente, não dá pra reconhecer. Aquilo talvez fora marrom, mas desbotou. Horrível. A maquiagem está estranha, ela segue com a pegada feminina, mas sem cobrir a marca da barba, que horror.
Seu discurso é um pouco clichê.
A próxima é Septika.
Não dá pra ver seu rosto de tanta maquiagem ali, mas, algumas falhas aleatórias que acabam com a magia. O look não é necessariamente feio, só não tem nada a ver com a maquiagem.
Seu discurso é um dos mais engraçados e idiotas.
Caprica tem a maquiagem parecida com a de Daphyne, mas, os olhos estão tão escuro que não é possível nem ver seus olhos. O look é péssimo, uma calcinha e sutiã e ela não está aquendada. O grupo faz cara de nojo.
O discurso é improvisado e muito engraçado.
Lean é a seguinte. Parece que não entendeu que era pra ser feia. A maquiagem está bagunçada e o look também, mas, estão todos conectados.
Até seu discurso não é tão impactante.
Hella é a seguinte.
Seu conceito é que o belo é feio, já que prefere as maquiagens creepy.
O discurso remete a isso.
Mika segue com um look que, por favor, devia ser queimado.
Ela usa um vestidinho tubinho todo amarrotado e numa cor verde vômito. A maquiagem está incompleta, propositalmente. Horrível.
Para o discurso, ela trás uma personagem bêbada e que não faz ideia do que está acontecendo, genial.
Sohaila é a próxima.
Uma personagem ranzinza e rude. A maquiagem e o look não são necessariamente feios, mas, não são nada bonitos.
Éshley fez uma maquiagem péssima, usa um look que é sua marca, mas os enchimentos estão todos fora do lugar, ela ficou horrível.
Seu discurso é meio tosco.
Angie entendeu muito bem o desafio, usa um look campy que praticamente está engolindo ela. A maquiagem, ironicamente, não parece mudar nada, mas fica longe de ser polido.
Seu discurso é engraçado, mas uma mistura entre o de Mika e Caprica.
Finaliza com Megan.
Ela arrisca com um rosto sem maquiagem e um look surrado e feio.
Ela engasga durante o discurso, levando o grupo aos risos.
O desfile terminou.
— Acho que vou ter pesadelos essa noite – Nyan ri.
O grupo acompanha na risada.
— Mas, uma de vocês mostrou que sabe ser horrorosa e cativou o júri.
Elas se entreolham.
— Mika Gay – Nyah diz, e a queen já começa a comemorar – Você é a vencedora desse mini desafio!
Ela vibra.
— Mais um pra conta, queridas – Mika esta orgulhosa – Abram o olho, suas vadias!
— Mika sabe ser feia...? – Hella ri – Quanta novidade...
Conclui em gargalhadas.
— Meninas, — Nyah segue falando, seria – Para o desafio principal desse semana, vamos dar um pouco de aula de história.
Elas não parecem nada animadas.
— Mas, claro, — Nyah continua – De uma maneira que só as drag queens conseguem!
O grupo se mostra interessado.
— Pela primeira vez na história desse país, vamos ter um musical chamado “Herstory of Brazil: A descoberta!”
Elas riem e vibram, outras, parecem nada felizes.
— Musical? – Caprica se incomoda – Mais que merda!
— Hora de enfim mostrar do que sou capaz – Hella diz – Hora de usar essa voz – ela conclui cantando.
— Queremos ver vocês usando seu talento de canto, dança e interpretação para contar a história de como Brasil se tornou Brasil. Mika, como vencedora do mini desafio, você irá designar os papéis de cada uma.
Várias das queens não parecem gostar da ideia.
— E pra ajudar, Mika vai dar os papéis – Caprica soa frustrada. – Tem como piorar?
— Vocês serão coreografadas e dirigidas pela multitalentosa Wal Paddy.
— Tem... – Capri continua.
— E claro, — Nyah pausa, levantando a tensão – Vocês irão cantar.... Ao vivo!
— Desisto! – Caprica joga os braços para cima, saindo do confessionário.
— Então lembrem-se de trazer os vocais e o talento e claro. Não caguem com tudo!
Nyah sai.
O grupo segue em direção às mesas. Mika divide o roteiro.
— Certo, vamos começar lendo o roteiro. – Ela entrega a todas – Leiam e nos encontramos aqui.
O grupo se dispersa.
Dividas e espalhadas, elas lêem o roteiro.
— Os papéis são engraçados, alguns parecem ter vocais complexos – Septika diz – Eu consigo cantar, mas, fazer isso dançando, esse é o desafio pra mim.
Alguns cortes mostram algumas interessadas por alguns papéis. Lean nota a frustração na expressão de Caprica e se aproxima.
— Que foi? – Lean questiona.
— Esse desafio – Caprica diz – Eu não consigo cantar.
— Desde muito nova já estou na área da atuação e interpretação – Caprica confessa – Uma vez, fui fazer uma audição num musical, papel pequeno, mas ainda tinha alguns vocais.
— Não se sinta assim, mana – Lean a abraça – Pensamentos positivos e você pode conseguir.
— Eu fiz o teste, mas, nunca tive uma boa voz – Ela soa incomodada – Os produtores me humilharam lá. Críticas construtivas, ou apenas um, “próximo” seriam melhor do que rebaixar uma pessoa daquela maneira.
Depois de mais alguns cortes entre as queens, elas retornam a estação.
Mika está no centro.
— Todas leram o roteiro, certo? Então vamos começar com a divisão de personagens.
Hella é a primeira a levantar a mão.
— Eu canto, faço isso muito bem – ela é a primeira a falar – Então acho que quero fazer a Pedrita Primeira. Se ninguém ter problema com isso...
Nenhuma se opõe.
Exceto Mika.
— Não. – ela diz seca.
— No show, — ela confessa – Sempre que alguém tem que designar o papel de diretora de elenco, colocam as queens nos papéis que elas querem. O que eu nunca vejo sentido algum. Qual o sentido de vencer o desafio se não usa o poder?
As queens se olham confusas.
— Como assim? – Hella estranha.
— Você não vai fazer a Pedrita, ué. – Mika é direta – Eu venci o mini desafio, então, eu seleciono quem vai fazer quem. Por isso, já escolhei os papéis. Caprica, você vai ser a Cabral!
— Como é que é?! – Caprica está incrédula.
— Paula Alvares Cabral é uma das personagens com mais tempo no palco, além de ter o único solo! – Caprica está em choque – Como essa vadia tem coragem?!
Caprica levanta a não, horrorizada.
— Mamada?! Desde o primeiro dia eu venho falando que desafios de canto são meu nêmesis e você me dá um papel assim?!
— Isso é uma competição, não é?! – Mika soa rude.
Caprica fica sem palavras.
— Existe uma diferença entre competição e falta de empatia, vagabunda! – Megan está irritada.
— Eu vou ficar com o papel de Indígena número dois. Junto com Megan e Angie. – Mika segue – Vocês vão fazer a três e um respectivamente.
— A indígena número três quase não fica em cena – Megan está absmada – Mika, você é uma completa filha da puta!
— Hella, pra você eu dei o papel ser a nerd narradora.
Hella revira os olhos.
— Sohaila, você fica como a escrava e Éshley, você vai ser a Pedrita Primeira.
Elas anotam seus papéis
— Lean e Daphyne vão ficar com a madres catequistas e jesuítas.
— Odiei – Daphyne diz na lata.
— Problema seu – Mika responde.
O ar está tenso.
— Septika, como a última, ficará como Dona Pedrita Segunda.
Septika não reclama, ela já queria esse papel de toda forma.
— Estamos todas bem? – Mika questiona, cínica.
— Não! – Caprica responde firme.
— Foda-se – Mika se levanta indo para o canto decorar suas falas.
As outras a observam, incomodadas com a atitude e Mika.
— Mika Gay, isso foi muito baixo da sua parte! – Hella está irritada – Você vai tomar tanto no cu por conta disso!
O grupo espera alguns segundos sentadas, tentando absorver tudo que acabou de acontecer.
Divididas em cantos, elas decoram seus papéis.
— Eu ainda estou tentando entender – Megan está confusa – Mika, literalmente não ouviu nada que o grupo se sentiria mais confortável e saiu dando os papéis como achou melhor? É sério?
Megan e Angie se encaram, enquanto Mika passa as falas.
— Sei que elas devem estar me achando uma cuzona por ter feito o que fiz – Mika comenta – Mas, isso é um jogo e a gente têm que fazer o que é necessário para vencer!
O corte mostra Caprica sentada em sua estação, frustrada. Hella e Setpika se aproximam.
— Você parece muito puta, Capri – Hella diz em tom cômico.
— Mamada, eu vou parar no bottom por conta de sabotagem – Ela está realmente irada – Vagabunda do caralho.
— Calma, mana – Sept tenta a confortar – Faz o seu, dê seu máximo lá e vai ter o pay-back.
Do outro lado, Sohaila e Ésh tentam decidir o que usar.
— Então, você é a escrava... – Ésh diz procurando alguns looks que podem servir.
— Um papel clichê para a negra da season – Sohaila rebate.
— Melhor do que alguma menina branca fazendo esse papel, né. – Ésh comenta.
— Por mais que seja meio óbvio as negras fazendo o papel de escrava, acho que é melhor que alguma das outras – Ésh confessa – Sabe, é sobre representar toda uma gente, uma comunidade, e sendo a Sohaila uma dessas pessoas, não tenho como sentir nada além de orgulho!
A produção avisa que elas devem ir ao palco principal, hora do ensaio com Paddy.
Elas colocam seus saltos, pegam seus roteiros e seguem ao palco.
— Bem-vindas, meninas! – Paddy diz animada.
Elas retribuem o saludo.
— Eu vou dirigir vocês hoje e dar as dicas necessárias para uma boa performance.
O grupo se organiza.
— Vamos começar com Pedrita Primeira e Segunda.
Éshley e Septika ficam no palco, o restante se senta no canto, aguardando sua vez.
Ambas possuem uma ótima voz, Ésh consegue acertar os passos, mas a voz não está lá. Setpika consegue acompanhar no vocal, mas, talvez não na execução dos passos.
— Sept não é boa na dança, digo pela última semana onde ela esteve entre as piores e quase dublou – Ésh confessa – Mas ela têm uma voz absurdamente boa, acredito que ela vá se sair bem.
Paddy repassa algumas vezes, Septka tem um avanço lento, mas que está lá.
— Septika, meu conselho pra você é ensaiar bem seu número – Paddy a pede – Ésh está fazendo um ótimo trabalho e você não quer ficar às sombras dela.
Sept aceita as críticas, elas seguem.
— Vamos com Caprica.
— Oi... – Ela se posiciona.
— Você tem a maior parte... Escolha arriscada – Paddy diz.
— Escolha? – Caprica ri ironicamente.
Paddy sente que há algo ali, mas não é hora de começar dramas.
Caprica realmente não tem uma boa voz, mas ela executa todos os passos com precisão. Tudo que Paddy vai passando, Caprica toma nota.
— Você tem uma performance forte, mas – Paddy faz uma cara de incômoda – Você precisa trabalhar um pouco nessa voz. Tente pedir uma ajuda pra Hella, ou pra Septika, talvez elas tenha algumas técnicas vocais para te auxiliar.
Capri olha para Hella de longe, a segunda faz um joia.
— Eu sinto pela Caprica – Mika diz sarcástica – Você pode interpretar bem, mas, sua voz... – ela ri
— Vamos com o trio, Mika, Angie e Megan.
E aqui uma bagunça.
Mika e Angie têm partes em sincronia e, sincronia não existe ali. A parte de Megan é bem curta, um pouco emocionante, mas ela logo sairá, e fica assim até o fim do ato.
Paddy tenta melhorar a sincronia, parece mal ter avanço.
Ela tenta puxar um pouco mais de Megan, mas, aquilo é o máximo que ela têm.
Elas têm o que trabalhar.
— Ver Mika e seu grupo ali me deixou tão satisfeita – Hella ri maléfica – Já dizia Mickey, quem com fogo queima, com fogo será queimado! – e conclui rindo.
Paddy as dispensa, Mika e Angie estão meio frustradas.
— Eu não estou feliz de trabalhar com a Mika – Angie diz – Mas, espero que eu consiga trazer o meu e não depender dela.
Paddy chama as próximas, Lean e Daphyne sobem ao palco.
A parte delas é uma música sobre catequização ao ritmo de Anaconda. Irônico.
Lean surpreende a todos conseguindo se manter nós vocais.
— Quem diria? – Éshley comenta – A vadia canta!
Ambas estão com uma forte energia. Paddy só aconselha que não exagerem tento para não perder a força na apresentação.
— Ouvir os concelhos da Paddy é incrível, — Lean está animada – Nunca pensei que pegar um papel que eu não queria me daria tanta alegria.
— Sohaila, você é a próxima! – Paddy a convida.
Ela se posicionam no palco.
— Você têm a minha parte favorita desse musical – Paddy comenta – Arrase!
Ela tenta. Mesmo que a voz não seja tudo aquilo, os graves de Sohaila combinam com a música. Ela dá tudo de si.
Talvez o tempo dos passos esteja um pouco distante, mas nada que alguns ensaios a mais não resolvam.
O tempo do ensaio acabou, Paddy dá alguns conselhos finais e as queens retornam para a werkroom.
Separando seus looks para a performance e para a categoria da noite, os grupinhos estão espalhados.
— O que tá achando? – Ésh questiona Sept e Daph.
— Acho que as piores serão Mika, Megan e Angie. – Daph responde baixo. – São as que mais tem o que trabalhar.
As outras concordam.
— Capri é a mais preocupada, eu diria – Septika comenta – Ela tem cenas comigo e com a Ésh.
— Mas ela dança muito, sem shade, Sept – Daphyne diz.
Septka não gostou. Ésh também não achou que fosse o momento.
— Por mais que eu não tenha tanta habilidade de dança – Septika confessa – Eu me garanto nos vocais, devia olhar pra si mesma, Daphyne, Lean canta e dança, e você?
Do outro lado, Hella tenta dar algumas dicas de canto. Mas sem avanço.
— Caprica é habilidosa – Hella diz – Mas, é tão difícil assim tentar dar uma afinada?
— Eu não consigo fazer isso! – Caprica está frustrada.
— Se continuar falando assim, não vai mesmo – Hella está ficando irritada.
Caprica continua sem acertar as notas. Hella revira os olhos, ela cansou.
— Aí, Capri – Hella se levanta – É isso, essas são as dicas, se esforça.
A atriz estranha a reação.
— Tenho que pensar em mim também, — Hella segue a sua estação – Se esforça.
— Mas...
— Dá um jeito, Caprica – Hella finaliza.
— Eu não tenho como ficar ficando só nela, tenho que ensaiar também!
Elas estão quase prontas para a performance do musical.
A produção as pede para interagir.
— Falar de história assim me lembra da época da escola – Megan quem começou — Uma das piores épocas da minha vida!
Todas a olham curiosa.
— Crescer como um menino gay, indígena e afeminado é muito difícil nesse país.
Algumas fotos de Megan são inseridas.
— Acho que todos os garotos assim devem passar pelo mesmo.
— Eu nasci em uma reserva indígena, mas estudava na cidade – Megan confessa – Já sofria muito preconceito desde pequena e durante o crescimento só foi piorando.
— Eu saí da escola – Ela conversa com as garotas. – Era muita pressão e eu não suportava mais.
As lágrimas invadem seus olhos.
— Tentei suicídio duas vezes durante essa época. – Megan chora – E eu não tinha nem treze anos direito. As pessoas podem ser cruéis.
O grupo envolve Megan, ajudando-a.
Angie também chora.
— Sendo adotada, também passei por maus bicados. – Mika diz.
Alguns cortes mostram a infância de Mika antes da adoção.
— Eu vivi num orfanato até meus dez anos – ela confessa – Era muito solitária por ser diferente das outras crianças, mas, naquela época eu nunca entendi o porquê.
As queens parecem mostrar empatia por Mika.
— Eu tive muita sorte com família que me escolheu, aprendi muito no circo, fui muito amada e respeitada e isso me tornou quem eu sou. Mas, as cicatrizes ficam para sempre.
Caprica se aproxima e abraça Mika.
Elas se desculpam por terem sido tão amargas uma com a outra.
— Eu acho incrível como as pessoas conseguem ser cruéis por motivo nenhum. – Hella soa inconformada – Porque eu sou afeminado? Porque eu sou de uma tribo? Porque eu prefiro ler a jogar futebol? Não faz sentido, não pra mim.
— Apenas não faz sentido, Hella – Sohaila comenta – São todos humanos, mas, nunca se lembram de ser humanos.
Os últimos preparativos e todas estão a postos para a apresentação.
A equipe guia o grupo em direção ao palco, onde todos os adereços de cena estão prontos.
Os jurados já estão ali, a cantora e empresária Alcione é a convidada da semana. Estão todos sérios e prontos para tomar nota.
— Nyah! Drag Race, Temporada Um, tem o orgulho de apresentar... – Nyah diz como um apresentador de peças – Herstory of Brazil: a descoberta!
O grupo está no palco. Cada uma em suas posições, preparadas para começar.
A música inicia. Hella narra.
“Vemos contar uma história
Sobre essa terra que é nossa
Voltando a milequinhetos
Quando a Europa fazia sucesso!”
Todas parecem estar indo bem, uma ou outra um pouco atrasada no tempo, mas, nada que não tenha sido editado fora do corte.
A maior parte delas sai do palco, ficando Éshley e Caprica. A batida se inicia, é uma versão de Work Bitch da Britney Spears.
Éshley:
Vai pra Índia. Vai pra Índia (You want a? You want a?)
Pega seu barquinho. Pega os produtinhos (You want a hot body? You want a Bugatti?)
Direto no mar negro. Vai pra Índia, sis (You want a Maserati? You better work, bitch)
Caprica:
Mas é perigoso, aquele canto (You want a Lamborghini? Sippin’ martinis?)
Prefiro dar a volta, mas vou pra Índia, sis (Look hot in a bikini? You better work, bitch)
Éshley:
Miss Paula Alves, eu confio em ti, segue teu rumo e, (You wanna live fancy? Live in a big mansion? Party in France?)
Ambas:
Vai pra Índia, sis. Vou pra Índia,sis. (You better work, bitch, you better work, bitch)
Vai pra Índia, sis. Vou pra Índia, sis (You better work, bitch, you better work, bitch)
Éshley:
Então vaza, sis! (Now get to work, bitch!)
A performance de amabas começa bem forte, surpreendentemente, Éshley revela uma boa voz dessa vez, diferente de Caprica que não consegue atingir as notas corretas, mas, elas ainda servem muito na coreografia.
Éshley deixa o palco, os membros da pit-crew entram vestidos como marinheiros, é o solo de Caprica, uma paródia de Tombei da Karol Conká.
Caprica:
Pra Índia aqui vou eu, mas me perdi (Baguncei a divisão, esparramei)
Onde é que tô? O que é isso aqui? (Peguei sua opinião, um, dois, pisei)
Olha quanto mato, terra estranha, que irado (Se der palpitação, não dá nada, conta até três)
Vou dar uma explorada, logo mais aviso o rei (Negrita de Lacaia Carla que samba no bass)
Quanta madeira da boa (Depois que o alarme tocar)
Vou pegar pra mim (Não adianta fugir)
Hora de colonizar (Vai ter que se misturar)
Isso tudo daqui, eu pego pra mim (Ou, se bater de frente, periga cair)
Já que eu achei (Já que é pra tombar)
Colonizei (Tombei)
Bang bang
Já que eu achei (Já que é pra tombar)
Colonizei (Tombei)
Bang bang.
Ela está se esforçando para atingir as notas, todavia, sua voz não está mesclando com a música, ela começa a se frustrar e deixa transparecer, enfraquecendo também os passos.
Angie e Mika entram em cena, confusas e estranhando as pessoas que avistam, a música agora é uma nova versão de New Rules da Dua Lipa.
Angie:
Quem é esse povo, o que faz na minha terra? (Talkin’ in my sleep at night, makin’ myself crazy)
(Cai fora, mana. Cai fora, mana) (Out of my mind, out of my mind)
Caprica:
Gostei dessa madeira, troca aí, me dá seu pau! (Wrote it down and read it out, hopin’ it would save me)
(O pau Brasil, ó pau Brasil) (Too many times, too many times)
Mika:
Meu anjo (My love)
Isso aqui é meu, então cai fora, vai e cai fora (He makes me feel like nobody else, nobody else)
Caprica:
Tarde de mais (But, my love)
Agora eu me instalei e vou roubar tudo, roubarei tudo (He doesn’t love me, so I tell myself, I tell myself)
Angie:
Ferrou, olha só a merda (One: Don’t pick up the phone)
Bando de ladrão, roubando meu madeirão (You know he’s only callin’ ‘cause he’s drunk and alone)
Mika:
Oh não, olha só quem vem (Two: Don’t let him in)
O rei tá a caminho, isso não acaba bem (You have to kick him out again)
Angie:
Já era, perdemos tudo (Three: Don’t be his friend)
Vamos ser escravizados e vamos perder nossa cultura (You know you’re gonna wake up in his bed in the mornin’)
Mika:
Ao menos que, a gente se revolte aqui! (And if you’re under him, you ain’t gettin’ over him)
Angie e Mika:
Meu Brasil, meu Brasil (I got new rules; I count ‘em)
O pau Brasil, pau Brasil (I got new rules; I count ‘em)
Roubados e humilhados (I gotta tell them to myself)
Meu Brasil, meu Brasil (I got new rules; I count ‘em)
Roubados e Humilhados (I gotta tell them to myself)
O primeiro ponto a destacar é que, ao que parece, Mika e Angie tiraram um tempo para ensaiar, elas conseguiram entregar a performance que foi pedida, mesmo que a voz de ambas também não seja tão potente.
Capri, por sua vez, ouvindo que não é a única desafinada do grupo, se sentiu mais confortável, tornando a entregar bem os passos, mesmo que a voz continue horrível de se escutar.
A próxima parte se inicia, Lean e Daphyne entram, elas estariam caracterizadas de jesuítas, Daphyne não parece saber ao certo o que isso era, pois, o look não entrega o que foi solicitado. A paródia da dupla é Anaconda da Nicky Minaj.
Éshley entra com a dupla, mesmo que ela não cante nesse trecho.
Lean e Daphyne:
Vamos cantar Jesus, vamos cantar Jesus (My anaconda don’t, my anaconda don’t)
Vamos cantar Jesus, ele é o nosso salvador! (My anaconda don’t want none unless you got buns, hun)
Daphyne:
Esse lugar é muito estranho, essa gente é selvagem (Boy toy named Troy used to live in Detroit)
Cadê Deus no seu coração? Parem com essa bobagem (Big, big, big money, he was gettin’ some coins)
Não falam nada com nada, bora dar uma culturizada (Was in shootouts with the law, but he live in a palace)
Ensinando o português e que só Deus é quem salva (Bought me Alexander McQueen, he was keeping me stylish)
Lean:
Mas o que? Quer o que? (By the way, what he say?)
Eu não dou a mínima pra você (He can tell I ain’t missing no meals)
Anda e trabalha, não reclama nem atrapalha (Come through and check him in my automobile)
Nem tenta essa revolta, a gente vai e te mata (Let him – with his grills, he keep tellin’ me to chill)
Eu te deixo passar frio, Deus é quem mandas no rio (He keep telling me it’s real, that he love my sex appeal)
Então respeita a verdade, a gente manda na cidade! (He say don’t like ‘em boney, he want something he can grab)
Escuta essa mensagem, Meu Deus não gosta de sacanagem (So I pulled up in the Jag’, and I hit him with the jab like)
Dun-d-d-dun-dun-d-d-dun-dun
Os passos são perfeitamente acertados por elas, Lean está arrasando, talvez apagando um pouco Dephyne, mas, ainda sim, elas fazem uma boa apresentação durante a interação com Mika e Angie, vestidas como indígenas, claro, de maneira respeitosa.
Como se tivesse sido maltratada e toda cheia de trapos, Megan entra como uma indígena que sofreu nas mãos dos portugueses. Sua paródia é cantada com Éshley e é uma versão de No tears left to cry por Ariana Grande.
Megan:
Eu choro, sofro, esqueço e apanho (Right now, I’m in a state of mind)
Queria que fosse como antes (I wanna be in like all the time)
Livre na mata a viver! (I got no tears left to cry)
Então, foge pra mata. Corre pra mata (So I’m pickin’ it up, pickin’ it up)
Pela liberdade eu fujo pra mata (I’m lovin’, I’m livin’, I’m pickin’ it up)
Foge pra mata, corre pra mata (I’m pickin’ it up, pickin’ it up)
Pela liberdade eu fujo pra mata (Oh Yeah) (I’m lovin’, I’m livin’, I’m pickin’ it up) (Oh, yeah)
Éshley:
Bela descoberta, amiga Paula (Ain’t got no tears in my body)
Eu adorei esse lugar, esse lugar, que grande (I ran out, but boy, I like it, I like it, I like it)
Tô pronta pra dominar tudo e, (Don’t matter how, what, where, who tries it)
Expandir o império, nosso império. O império (We out here vibin’, we vibin’, we vibin’)
Megan:
Vou fugir. Pra mata estou a seguir. (Comin’ out, even when it’s rainin’ down)
Sem parar. Não pára ou vão matar! (Can’t stop now, can’t stop so shut your mouth)
Sim, eles vão matar. Então me segue e foge (Shut your mouth, and if you don’t know)
Corre e foge, baby (Then now you know it, babe)
Foge baby! Yeah (Know it, babe, yeah)
Eu sofro, choro, esqueço e apanho (Right now, I’m in a state of mind)
Queria que fosse como antes (I wanna be in like all the time)
Livre na mata a viver! (Ain’t got no tears left to cry)
Então foge pra mata, corre pra mata (So I’m pickin’ it up, pickin’ it up) (Oh, yeah)
Pela liberdade eu fujo pra mata! (I’m lovin’, I’m livin’, I’m pickin’ it up)
Megan errou algumas notas, mas tentou se manter firme nos passos, ficando um pouco atrás de Éshley, mas, nada que tenha comprometido a apresentação até ali.
Na cena, Megan consegue pegar Mika e Angie e elas saem do palco, como se realmente tivessem conseguido escapar.
Éshley, Lean, Caprica e Daphyne continuam no palco. Éshley começa a próxima parte, paródia de Brisa da Iza.
Éshley:
Indígenas escravos, não funcionou (Sente a vibração que o som chegou)
Bota os barco na água e vai pra África (Bota o pé na areia e deixa a onda entrar)
Trás um bando deles e bota pra trabalhar (‘Tá geral na pilha, então, demorou)
Segue minha call que vai arrasar (Vem que é da boa e tu vai gostar)
Caprica:
Matando negros (Eu ‘to na brisa)
A viagem é longa, mas sei que vira (E nada me abala, que delícia)
Escravizar por anos, mais que brisa (E hoje eu ‘to de boa, ‘to na brisa)
A viagem é longa, mas sei que vira (E nada me abala, que delícia)
Negros escravos! (E assim eu canto)
Yeah, yeah, yeah, yeah
Abusando e humilhando até oitenta e oito (Se joga nessa brisa até o dia amanhecer)
Yeah, yeah, yeah, yeah
Abusando e humilhando até oitenta e oito (Se joga nessa brisa até o dia amanhecer)
Uma rápida transição e Sohaila entra, ela se veste como as mulheres escravas. Seu figurino é todo surrado, ela continua na mesma música.
Sohaila:
Me escuta então meu parça, você tá de palhaçada (Então passa lá em casa ‘to fazendo vários nadas)
Chega de maus tratos, quero ser livre na parada (Traz o isopor porque hoje a tarde vai dar praia)
Ouça com atenção, minha petição (Presta atenção que hoje a missão)
Chega dessa desgraça, hora da abolição (Então ficar suave, numa boa, tranquilão)
Matando negros! (Eu ‘to na brisa)
Centenas de anos de putaria (E nada me abala, que delícia)
Eu quero ser livre, quero vida! (E hoje eu ‘to de boa, ‘to na brisa)
Centenas de anos de putaria (E nada me abala, que delícia)
Negros escravos! (E assim eu canto)
Yeah, yeah, yeah, yeah
Abusado e humilhado até oitenta e oito (Se joga nessa brisa até o dia amanhecer)
Yeah, yeah, yeah, yeah
Abusado e humilhado até oitenta e oito (Se joga nessa brisa até o dia amanhecer)
E como se tivesse se cansado de lutar, Sohaila cai “morta”. A transição acontece com algumas queens saindo do palco, Saptika entra a um som alegre, uma narração rápida de Hella conta que o povo de Portugal pedia seu rei de volta.
Elas dançam um pouco, Septika tenta acompanhar os passos com dificuldade, mas, ainda consegue dar um jeito de não ser apagada por Éshley.
A próxima música se inicia, um tom melancólico, é uma paródia de Bring me to life do Evanescence.
Éshley:
O povo me chamou, eu vou voltar, pra Portugal (How can you see into my eyes like open doors?)
Mas, não tem perigo, a princesa ficou, filhinha controlou (Leading you down into my core where I’ve become so numb)
Septika:
Já deu ruim. O povo não mais confia em mim (Without a soul my spirit’s sleeping somewhere cold)
Mas sei como contornar a situação. Vou ser independente (Until you find it there and lead it back home)
(Vou ficar!) (Wake me up)
Vou ficar aqui! (Wake me up inside)
(É, eu vou ficar!) (I can’t wake up)
Diga ao povo que...! (Wake me up inside)
(Não saio!) (Save me)
Diga ao povo que eu ficarei! (Call my name and save me from the dark)
(Além de que) (Wake me up)
Vou dar duas escolhas (Bid my blood to run)
(No Ipiranga) (I can’t wake up)
Eu irei gritar! (Before I come undone)
(Morte!) (Save me)
Morte ou Independência, é você quem escolhe (Save me from the nothing I’ve become)
Independência ou Morte (Bring me to life)
Hella entra no palco, vestida como uma nerd clichê de filme adolescente. Ela segue na mesma música, de maneira mais agitada.
Hella:
A coroa, ficou irritada pra lá (All this time I can’t believe I couldn’t see)
Mas sem escolhas, decidiram aceitar (Kept in the dark but you were there in front of me)
O Brasil começou com a república (I’ve been sleeping a thousand years it seems)
Mas a continuação é outra hora (Got to open my eyes to everything)
O Brasil começou tipo assim (Without a thought, without a voice, without a soul)
Mas não foi nada assim (Don’t let me die here)
Estude história, irmãs! (There must be something more)
Independência ou Morte! (Bring me to life)
Septika:
(Vou ficar!) (Wake me up)
Vou ficar aqui! (Wake me up inside)
(É, eu vou ficar!) (I can’t wake up)
Diga ao povo que...! (Wake me up inside)
(Não saio!) (Save me)
Diga ao povo que eu ficarei! (Call my name and save me from the dark)
(Além de que) (Wake me up)
Vou dar duas escolhas (Bid my blood to run)
(No Ipiranga) (I can’t wake up)
Eu irei gritar! (Before I come undone)
(Morte!) (Save me)
Morte ou Independência, é você quem escolhe (Save me from the nothing I’ve become)
Independência ou Morte (Bring me to life)
Uma voz absurda nesses versos de rap. Além de fazer seus movimentos perfeitamente executados. Hella realmente tem uma voz incrível e sabe se virar dançando, talvez, uma pena seu papel ter sido tão pequeno.
A última transição ocorre, todo o elenco retorna ao palco, a última parodia é de Hallelujah.
Hella:
E assim termina essa nossa história (Now I’ve heard there was a secret chord)
Sobre nosso país, sobre nossa glória (That David played, and it pleased the Lord)
Mas sabe que não foi bem assim, né? (But you dont really care for music, do you?)
Você sabe bem, é só resumão (It goes like this, the fourth, the fifth)
Não use no seu simuladão (The minor falls, the major lifts)
O melhor então, é ir ler e estudar (The baffled king composing Hallelujah)
Grupo:
Pegue um livro, vá estudar! (Hallelujah, Hallelujah)
Pegue um livro, lá tem cultura (Hallelujah, Hallelujah)
Pegue um livro, vá estudar (Hallelujah, Hallelujah)
Pegue um livro, lá tem cultura (Hallelujah, Hallelujah)
Elas se juntam para a pose e a música termina. Os jurados aplaudem, fazem suas anotações e as queens deixam o palco, retornando para a werkroom, a runway começa em breve.
Todas se espalham por suas estações, procurando os looks e alterando suas maquiagens.
— O que acharam, meninas? – Hella puxa o assunto, está orgulhosa de si.
— Acho que ficou muito bom! – Angie também está animada e orgulhosa.
— Parece que os jurados vão ter trabalho essa semana – Angie ri fofa.
Mika se levanta e segue em direção a frente de todas, roubando a atenção.
— Gostaria, antes de tudo, pedir desculpas a cada uma – Mika parece honesta.
Caprica revira os olhos e ignora. As outras seguem com atenção, mas, focando em ficar prontas.
— Eu sei que agi de má fé, aos olhos de algumas – ela continua – Mas, no fim todas se saíram bem!
— Nem todas, Mika – Sohaila diz firme – Algumas poderiam ter feito um trabalho melhor se estivesse em outros papéis mais confortáveis.
Mika concorda, continuando a argumentar.
— Pode ser, Sohaila, mas o ponto de ser uma competição a essa escala é a gente tentar dar o máximo de si e sair da zona de conforto! Se a gente não se desafiar é o mesmo que jogar seguro o tempo todo, e todas sabem, safe não ganha jogo!
Elas concordam.
Mika retorna a sua estação.
— Mas é uma cínica – Daphyne soa incrédula – Tentando pagar de boa samaritana depois de fazer todo mundo se sentir pra baixo.
Um pequeno corte, todas estão avançadas em seus looks.
Os produtores solicitam interações.
— Falando em Brasil, — Lean é quem puxa – Vocês já conhecem o nosso país?
Caprica levanta a mão.
— Eu vivo num trailer – ela começa – Então vivo literalmente em todo lugar!
As queens olham, interessadas.
— Antes de tudo, preciso deixar claro que eu não sou gay – Caprica diz – Sou drag, sou afeminada, mas, sou pansexual.
— Depois de uma briga horrível com meus pais, usei todo o dinheiro da minha herança deixada por minha avó e comprei um trailer, onde eu saí viajando pelo país.
Alguns cortes de Caprica e seu carro em pontos turísticos por todo o país.
— Meus pais me expulsaram de casa, falaram muita merda e eu não tive paciência pra escutar – Caprica segue confessando – Desde então, conheço agora quase todos os estados do país.
Daphyne usa como gancho.
— Eu não conheço quase nada, mas, sei a sensação de não ter uma casa! – ela começa a comentar com o grupo.
As queens a olham curiosas.
— Eu sou asiática, meus pais vieram diretamente da Coréia e homossexualidade não é bem aceito por eles – Ela confessa com o grupo.
— Fui obrigada a sair de casa e tive muita sorte de encontrar uma casa de apoio a LGBTQIA+ na mesma situação.
Um corte insere as imagens da nova família de Daphyne.
— Foi lá que conheci a Ésh – Ela segue confessando – Eu morava com o namorado dela e a gente fez uma ótima amizade.
— Eu sou grata pelos seus pais, Daph – Ésh diz.
Isso soou estranho e ela sabe, dando uma risada no final.
— Porque a falta de noção deles me fez conhecer uma das melhores amigas que já tive na vida!
O grupo aplaude e elas se abraçam.
— Família a gente escolhe, meninas! – Sohaila diz firme
— Parente a gente tem – Lean completa.
O grupo concorda e o time Skip acontece. Hora da runway.
A música toca, Nyah está lindissima com um vestido em verde e amarelo, sua peruca azul completa e casa o look. Uma maquiagem extremamente polida, perfeição.
— Bem-vindos ao palco principal de Nyah Drag Race! – ela diz calorosa – Minha queria Wal Paddy, me diz, nossas meninas são patriotas?
— Adoradoras dessa terra, um orgulho! – Paddy diz sorrindo.
Nyah manda beijo.
— O hilário Mike Word, me fala, e você? É patriota?
— Eu não trocaria um pau Brasil por nada! – Mike diz.
Os jurados gargalham alto.
— E ela, — Nyah segue – Minha linda, a rainha e também minha madrinha no samba! Alcione, bem vinda!
— É um prazer estar aqui, meu amor! – Alcione manda um beijo.
Nyah retribui.
— Essa semana, desafiamos nossas rainhas a dar aula de história no Musical Herstory of Brazil: a descoberta! Na runway, categoria é: feito no Brasil!
O corte e Nyah já está no painel do juri.
— Começando por... Mika Gay!
Ela entra com um look bonito, usa uma roupa bem campy em coloração caramelo. As orelhas de cachorro e a maquiagem entrega sua referência.
— Estou servindo o clássico vira-lata caramelo! – Mika diz rindo – Esse espécime comum nas casas do nosso país.
Os jurados fazem piadas e tomam notas.
— Quer um amigo? Vira-lata caramelo. Quer um segurança? Vira-lata caramelo. Esse é o cachorro mais versátil do mundo! E claro que temos um no circo. Mamãe está com saudades, Mel!
Ela deixa o palco.
— Seguindo com Hella!
E é impressionante, ela entra com um clássico look zumbi de cangaço, maquiagem no ponto, look no ponto, detalhes no ponto. Ela até carrega a cabeça de um manequim.
— Maria Bonita está de volta para fazer justiça por seu amado, queridas! – Hella tem orgulho de seu look.
O gag moment dos jurados e os comentários são positivos.
— Eu peguei a cabeça dele para enfiar no rabo de quem ousar me desafiar! – Hella ri de maneira maléfica.
Eles realmente gostaram.
— A seguir, Lean Dream!
Ela entra com um vestido longo e bem cheio, além de muito colorido. Não só isso, ela também carrega uma bandeira com seu nome. Os jurados estão amando.
— Nessa noite estou servindo porta-bandeira! – Lean diz – Quando se trata de carnaval, as pessoas só pensam em poucas roupas e um monte de adereços, mas, isso também é carnaval!
Lean brinca na passarela usando sua bandeira, os jurados tomam nota.
— Seguindo com Sohaila!
Também com um belo vestido, Sohaila usa sua marca de concursos. Um belo e, aparentemente, caríssimo vestido em verde, amarelo e azul.
A maquiagem leva a mesma paleta, dando um contraste incrível em sua pele.
Em toda a extensão do vestido, vinte e seis estrelas bordadas a mão, a vigésima sétima ela usa na cabeça como uma head pice que funciona bem com sua peruca volumosa.
— Orgulho e patriotismo! – Sohaila brinca – Estou servindo eu mesma nas cores de nossa bandeira, afinal, eu fui feita aqui! – ela ri.
Os jurados tomam nota.
— Agora, Septika!
Toda a bancada fica boquiaberta.
Septika entra com uma segunda pele amarelada, os braços possuem uma longuíssima extensão. A maquiagem leva a mesma tonalidade. Arte.
— Sei que vocês estão todos em choque com esse look, queridos! – Septika diz com orgulho – É isso que eu sou, é isso que eu faço! Arte!
Ela brinca, se sentando na passarela em perfil para os jurados e câmeras, levando a mão até o queixo, chuvas de comentários.
— Abaporu, da Tarsila do Amaral! – Septika diz – E sei que você pegou a referência!
Ela sai ainda recebendo o feedback positivo.
— A seguir, Daphyne Fine!
Ela entra com um corset colorido em tons quentes. Usa uma head pice de plumas e elas seguem por diversas áreas do corpo.
— Não tem como pensar no Brasil e não pensar no carnaval! – Daphyne diz – Então é isso que sirvo, sexo, beleza, vulgaridade e cultura!
A expressão de Paddy parece não ser positiva, mesmo que os comentários sejam bem divertidos.
— Prosseguindo com Angie Sunshine!
Mal dá tempo dela colocar os pés na passarela e as gargalhadas iniciam.
É tanta coisa acontecendo que chega a ser cômico.
Angie usa um look que remete ao seu look de entrada, como uma bola, porém, dessa vez, são várias bolas vermelhas conectadas vão da cabeça aos pés.
Seu rosto está pintado em um preto escuro e uma moldura branca o envolve. Já ao redor, mais uma dessas bolas pretas.
— Eu sou um fruto de guaraná! – Angie gargalha.
Os jurados chovem em piadas e comentários.
— Não tem mais – Angie diz ainda rindo – Eu sou uma guaraná e é isso.
Ela brinca no palco, derrubando uma garrafa de refrigerante e parecendo entrar em desespero ao saber seu possível destino. Uma das passarelas mais engraçadas até o momento no show.
— A próxima é Éshley XXX!
Ela usa um vestido de época, clássico. O volume dos tecidos, a forma, a maquiagem, tudo está no ponto.
— Estou servindo ama de leite realness! – Ésh diz com orgulho – Caso você não saiba quem eram, elas eram as mulheres negras obrigadas a dar leite de seus seios para as crianças brancas dos patrões!
Os jurados tentam não fazer piadas, focam em comentários na estética e precisão aos detalhes.
Porém, ao dar a volta, os jurados ficam sem reação.
Éshley revela que a parte de trás do look está incompleta, rasgada propositalmente com marcas em relevo de chicotadas e sangue falso respingado.
— E claro, a escravidão foi real, vadias! – Ésh completa.
Ninguém sabe mais o que falar, a câmera foca no rosto de Alcione que está emocionada.
— Megan Byte!
Ela serve um tradicional look indígena, as pinturas pelo corpo, nudez coberta, adereços em palha e materiais naturais. Original e muito bem executado.
— Nessa categoria eu não podia vir de outra forma além de trazer minhas raízes! – Megan diz orgulhosa.
Os juízes tomam suas notas e comentam sobre o look.
— E isso não é apropriação cultural, cadelas, porque eu sou indígena! – Megan diz firme.
O quarteto aplaude a coragem de Megan.
— Fechando com Caprica!
Ela entra como uma boneca. A maquiagem está no ponto, ela ouviu as dicas de Paddy.
Seu look é um vestidinho em retalhos costurados, amarelo e vermelho, o nariz pintado de vermelho e o cabelo nas mesmas cores.
— Eu estou servindo Emília realness – Carpica diz – Essa bonequinha não sabe brincar! – ela completa, rindo.
Os jurados tomam nota em meio a piadas.
— Mas antes de tudo, a Emília e todo o sítio fez parte da minha infância, mas eu não compactuo com o racista que era Monteiro Lobato. – Capri deixa claro – Obra e artista, pessoal. Ou vão me falar que deixaram de gostar de Harry Potter só pela escrotisse da J.K?
Ela sai do palco.
O corte acontece, todas estão lado a lado, a tensão começa a subir.
— Miau meninas! – Nyah diz sorridente – As dez melhores!
Todo o grupo se alegra.
— Antes de tudo quero parabenizar o coletivo por essa semana, vocês todas foram incríveis!
As queens sentem o alívio.
— Mas, — Nyan torna a estar seria – Alguém precisa ir pra casa hoje.
A câmera salta o close entre algumas queens.
— Quando eu falar seu nome, um passo a frente, por favor!
A tensão sobe.
— Septika.
Assim ela faz.
— Angie Sunshine. Sohaila. Mika Gay.
As quatro estão a um passo a frente.
— Vocês estão salvas, podem deixar o palco!
Aliviadas elas seguem até a área vip.
As outras que continuam no palco se entreolham, apreensivas.
Nyah as olha, cima a baixo, uma a uma.
— Vamos começar com as críticas. Começando por Hella!
Ela acena.
— Vou começar com sua performance que, você sabe, foi o melhor vocal entre todas aqui presentes! – Paddy diz, com orgulho.
— Você tem uma técnica que é difícil de se ter – Alcione confirma – Eu amei te ouvir!
Em meio a alguns cortes com cenas de Hella no desafio, ela agradece.
— Esse loook – Word diz – Eu peguei a referência na hora! Você elevou o que seria o cangaço e o que seria um zumbi! Amei!
— Eu preciso dizer que a cada dia que passa eu fico mais impressionada com o quanto você sabe se vestir bem, essa foi uma semana bem forte para você, Hella! Parabéns.
O alivio e alegria de Hella são vistos a quilômetros.
— Seguindo então com Lean Dream!
— Oiê! – Lean diz com receio.
— Quero começar falando desse vestido – Paddy parece séria – Eu amei!
Lean parece descarregar um peso.
— Você conseguiu sair do clichê de carnaval e pouca roupa, isso é lindo! – Alcione.sorri.
A câmera foca em Daph, é o que ela veste.
— No desafio, você foi muito forte, você serviu voz...- Mike diz.
— Nem eu sabia que cantava! – Lean diz rindo.
— Foi lindo!
— A seguir, Daphyne Fine! – Nyah diz, fazendo uma pausa.
A tensão sobe.
— Vou começar com o desafio, — ela continua – Você viveu a jesuíta. Mas eu não vi jesuíta no seu look.
— Mas, você acertou cada um dos passos, não tem a melhor das vozes, mas, não desafiou. – Mike diz, feliz – Não vou mentir, fiquei surpreso.
Daphyne sorri, grata.
— Eu achei que você ficou um pouco atrás da sua parceira de cena – Alcione comenta – Mas, ao menos não desapareceu.
— Eu preciso dizer, — Paddy a encara – Você fica linda num corset!
Daphyne parece surpresa.
— Mas, no que mais?
Face crack.
— Semana três e você vem na passarela com mais um corset! – Paddy faz não com o dedo.
— Eu.... – Daphyne engasga.
Um curte rápido mostra os três últimos look das passarelas, Daphyne estava de corset em todos eles.
— A gente sabe que você fica linda em um corset, mas queremos mais, Daphyne, nós dê mais!
A bancada concorda com a cabeça.
— A seguir, Éshley XXX – Nyah diz sensualmente.
— Obrigada! – Alcione se levanta e aplaude a Éshley – Você contou uma história com esse vestido que me fez me emocionar.
A produção insere o momento em que Alcione enxuga as lágrimas durante a runway de Ésh.
— No desafio, — Paddy segue com a palavra – Você elevou o nível, você tomou notas do que eu disse e das dicas e realmente se esforçou.
— Eu quero agradecer às meninas, tanto Hella quanto Septika que deram alguns conselhos também!
— Essa foi uma semana ótima para você também, Éshley.
Ela agradece com um enorme sorriso.
— Megan Byte – Nyah diz calorosa – Quanta coragem e bravura usar um look que abrace sua cultura assim!
— É muito bonito – Mike concorda – Eu queria ter esse corpo e essa menalina para poder sair assim na rua!
— Cuidado com o cancelamento, Mike – Nyah rebate.
O grupo ri.
— Mas vamos para o desafio.... – Paddy interfere.
Megan fica receosa.
— Eu esperava mais... – ela completa.
— Você parecia avoada, — Nyah diz – Você fez tudo como devia, mas, parecia ser uma máquina ali, não você.
— Sobre sua performance eu coloquei apenas um ponto de interrogação. – Alcione finaliza.
Megan concorda com a cabeça, tentando segurar as lágrimas.
— E por último, ela, Caprica!
— Esse look – Mike diz – Eu adorei! É fofo, é uma referência que todo mundo conhece...
— Mas é básico – Nyah corta a frase de Mike e a finaliza.
Caprica se olha.
— Eu quero agradecer você ter ouvido minhas críticas e melhorado sua maquiagem.
— Esfumar é tudo! – Capri tenta quebrar seu próprio gelo.
— Mas, vamos falar do musical.... – Paddy parece agonizar ao lembra. – Vocêmal acertou uma nota.
— Nem todo mundo nasce com o dom do canto – Alcione diz – Mas, isso não foi nem razoável.
As lágrimas invadem o rosto de Caprica.
— Eu me sinto como quando era jovem – ela diz – Eu sei que não faço isso bem, mas, custa pegar leve?
— Mas ninguém aqui está te ofendendo, Caprica – Nyah a confronta – Afinal, vocês passou a maior parte do tempo em cena e mal errou passos.
— O único problema é sua voz – Alcione diz franca – Mas, pelo Que soube sobre você, isso já é de seu conhecimento!
Capri aceita e se cala.
— Acho que ouvimos o bastante – Nyah diz seria.
As queens esperam apreensivas.
— Estamos a caminho do top 9, — ela segue – Então, preciso perguntar.
Elas se entreolham, sabem o que vem.
— Quem vocês acham que deve ir pra casa hoje e porque? – Nyan faz o ultimatos.
Elas não parecem animadas para responder.
— Hella...?
A queen respira fundo.
— Com base nas críticas e no desafio, eu vou dizer Megan. – Hella diz – Eu te amo, sis, mas, é só pelo desafio de hoje.
Megan parece magoada.
— Lean, mesma pergunta.
— Eu acho... Daphyne... – Ela responde – Isso é uma competição de drag queens e precisa de mais que um corset para chegar até o fim.
Daphyne levou aquilo como shade.
— Daphyne Fine, mesma pergunta.
— Eu vou dizer Caprica – ela responde – Acho que ela não cumpriu bem o desafio essa semana e, acredito que o look está básico de mais.
— Fale por você, mamada – Caprica rebate.
— Éshley, mesma pergunta.
— Eu quero pedir muito perdão, mas, preciso dizer a Caprica – Ésh parece sentir o que diz – Eu conheço a Daphyne e sei o que ela tem a oferecer. Megan já venceu um desafio, talvez foi só uma má semana, mas, Capri está constantemente se salvando e acho que isso não é bom.
Caprica revira os olhos.
— Megan, mesma pergunta.
— Eu vou dizer a Daphyne – ela responde – Não acho que ela esteja no mesmo nível das de mais
Daphyne a encara, irritada.
— Caprica, mesma pergunta.
— Agradeço por me perguntar, — ela responde firme – Eu devo ser honesta e falar que, mesmo que seja inútil, acho que Mika devia ser eliminada hoje.
Todas se surpreendem com a resposta.
— Não acho que alguém que jogue tão baixo mereça o título de próxima Suprema! – Caprica soa irritada – Apenas meu ponto de vista.
Hella segura a risada.
— Ótimo.... – Nyah conclui – Enquanto vocês desaquendam na área vip, os juízes e eu vamos estudar história.
O corte é feito e as queens saem do palco.
Nyan olha para os lados, encarando os jurados.
— Só entre nós, peças de museu, — o grupo ri – O que acharam... Hella?
— Voz impecável, acertou os passos, um look forte – Word diz – Mas, achei o papel curto para tamanho talento.
— Pelo que pude ouvir dos bastidores – Paddy linka sua fala – Ninguém teve direito de escolha.
— Acho que ela teve uma presença muito forte, estou muito orgulhosa – Nyah conclui – Lean?
— A voz era tão boa quanto da Hella? Não. – Paddy diz – Mas foi a melhor na execução dos passos? Com certeza!
— Ela já possui técnica quando o assunto é dança – Nyah diz.
— Eu achei aquele visual dela tão inteligente – Alcione diz – Não é sempre que se consegue sair da caixinha de estereótipos e ainda entregar a referência.
— Daphyne Fine...?
— Por outro lado... – Mike diz irônico.
Os quatro riem.
— É a terceira vez que ela sobe nessa passarela com um corset! – Paddy está inconformada – Ela não reparou? Sério?
— Eu fiquei intrigada com o que a Éshley disse sobre conhecer ela – Mike diz – Eu quero saber o que seria esse a mais que ela tem a oferecer.
— Na verdade, — Nyah comenta – Éshley quem faz a maioria dos look da Daphyne, mas eu pergunto...
— A diferença no nível! – Paddy completa – Ela não deve costurar só aquilo par aa Daphyne e ficar com esses looks incríveis!
— E falando nela, Éshley – Nyah já puxa a outra como assunto.
— Eu me emocionei com aquela pegada de ama de leite – Alcione diz com orgulho – Uma história sendo contada na pele dessa artista negra!
— No desafio, — Paddy segue – Foi a que mais me surpreendeu, ela não parecia que ia fazer nada de grandioso e, no fim, se mostrou uma ameaça imensa.
— Ela já vem estando entre as melhores desde o início – Mika relembra – Silência, mas fatal!
— Megan?! – Nyah já responde – Pra mim foi lindo ter uma mensagem de amor a sua origem nessa passarela!
— Eu estou apaixonada nessa drag Queen – Alcione diz – Ela soa tão incrível e tão talentosa!
— Mas, não achei que ela se destacou no desafio – Paddy comenta.
— Como eu disse, — Nyah torna – Ela só parecia não estar lá, como se fosse uma máquina ali por ela...
— Faltou essa naturalidade que ela entregou na passarela – Mike termina.
Os três concordam.
— Fechando com Caprica!
— Passos? No ponto – Mike começa – Voz...
Todos concordam com a expressão de dor que Mike faz.
— Ela não canta, — Alcione segue – Ela sabe. A gente comenta e ela se ofende?
— Durante os ensaios ela foi a que mais parecia irritada com o fato de não poderem ter tido o poder de escolha – Paddy relembra.
— E no palco isso ficou nítido – Nyah aponta.
O grupo concorda.
— Bom, já chega! – Nyah bate palmas – Tragam de volta minhas patriotas!
O corte acontece, todo o grupo se encontra ali, as salvas ao fundo, as melhores e piores, seguem frente aos jurados.
— Os juízes e eu conversamos e chegamos a algumas conclusões.
A tensão está altíssima.
— Caprica! – Nyah a encara.
Ela engole seco e, por sua expressão, a área vip não parece o melhor lugar para relaxar essa noite.
— Na passarela você entregou a boneca, mas no desafio, você não soube brincar.
Elas se encaram.
— Desculpa, querida, mas você vai dublar pela permanência.
Todas ficam boquiabertas, de cara já mandando uma das queens para a dublagem.
— Eu já imaginava, né – Caprica confessa – Mas, é hora de mostrar o que essa atriz é capaz!
Nyah segue encarando o grupo.
— Lean Dream, você está salva.
Lean se alivia.
— Pode se juntar às suas irmãs.
E assim ela faz.
— Hella, você nos deu a voz dos Deuses e o look dos mortos!
Hella ri.
— Éshley, você nos deu uma performance de orgulho e o look não ficou para trás...
Ésh sorri agradecida.
A fagulha de tensão aumenta, elas se encaram, ansiosas.
— Hella...
A câmera foca na queen.
— Você está salva! Éshley XXX, “parabains”, você é a vencedora desse desafio!
Ambas garotas se abraçam, elas estão orgulhosas de si.
— Eu venci! – Ésh berra de alegria – Duas vezes entre as melhores e agora a vitória! Isso faz de mim a front runner! – ela grita animada.
— Podem se juntar às suas irmãs!
Ao fundo, Ésh e Setpika se abraçam alegres.
A tensão aumenta, uma está salva e a outra irá dublar.
— Daphyne Fine, você soube entregar uma boa performance, mas, seu gosto está caindo na mesmice.
A câmera foca na expressão abatida de Daphyne.
— Megan Byte, você nos deu orgulho na passarela, mas no desafio, você nunca esteve presente.
A câmera foca em Megan apreensiva.
— Daphyne Fine...
Pode-se cortar a tensão com uma faca.
— Me desculpa, querida, mas você vai dublar pela permanência. O que significa que Megan, você está salva!
Megan desaba em lágrimas grata.
— Pode se juntar às suas irmãs.
— É minha segunda vez entre as piores... – Daphyne relembra – Mas, isso não vai me parar!
— Eu não esperava dublar contra a Daphyne, sei o quão feroz ela pode ser num lip-sync – Caprica comenta – Mas, nada que eu não possa resolver!
As luzes dançam, a tensão só aumenta.
— Duas rainhas em nossa frente. Meninas, foi solicitado que vocês preparassem uma performance de lip-sync de “Você me Vira a Cabeça” cantada por essa rainha ao nosso lado.
A câmera foca no sorriso orgulhoso de Alcione.
— Chegou a hora em que vocês dublam pela sobrevivência!
A cor das luzes se altera. Todas estão muito tensas.
— Boa sorte e não caguem!
A música se inicia. Ambas trazem um mesmo estilo de lip-sync, emoção. É isso que essa música pede.
Elas andam pelo palco, deixando claro que os jurados percebam o sentimento que estão entregando.
O refrão chega. Ambas explodem em força, um lip-sync pau a pau. Não dá praa premeditar uma vencedora.
A cada batida da música os berros são ouvidos, tanto das queens ao fundo quanto dos jurados. Isso é um lip-sync!
Mas a música chega ao fim, ninguém desistiu, ninguém perdeu força, elas lutaram bravamente.
E em meio aos berros e aplausos das queens ao fundo, sabemos que esse é com certeza um dos melhores lip-syncs já assistidos. Alcione, inclusive, se emocionou novamente.
— Meninas, eu tomei minha decisão – Nyah diz as olhando.
A tensão torna a subir.
— Mas, gostaria de dizer às garotas ao fundo que não irei aceitar menos que um lip-sync nesse nível daqui pra frente!
Caprica e Daphyne correm a um abraço, orgulhosas.
— Mas, precisamos ficar sérias agora!
A câmera salta entre as duas queens.
— Caprica, arrasou você ficou!
Ela desaba no chão em lágrimas.
— Pode se juntar às suas irmãs.
Ela se recompõe, indo ao fundo do palco.
A câmera flagra Éshley no ombro de Septika em lágrimas.
— Daphyne Fine. Com F de fabulosa e futura estrela!
Daphyne seca as lágrimas, mandando beijos.
— Sinto em dizer, mas, ferrou, você flopou...
— Eu só quero agradecer a essa Incrível experiência e oportunidade, serei eternamente grata!
Ela segue até o fundo, as outras a abraçam antes que ela dê seu último recado.
— Não se preocupem, as gatas sempre caem de pé!
O grupo cai em risadas enquanto Daphyne segue dando seu último confessionário.
— Eu estou arrasada, mas ao mesmo tempo grata! – ela confessa – Fui idiota de usar um corset três vezes seguidas, quatro se contar o último mini desafio, mas, essa sou eu! – ela ri.
Ela está emocionada.
— Espero que Ésh consiga focar em si mesma e leve a coroa pro nosso clube! – ela ri.
— Daphyne Fine com F de.... Flopei!
Ela gargalha.
De volta no palco principal, as emoções estão a flor da pele.
— E lembrem-se: Sempre em Ordem e Foco no Progresso.
As queens berram.
A música toca e elas vão seguindo ao fundo do palco.
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