Nyah! Drag Race

3 S1E1 - Rainhas Sustentáveis


Notas iniciais
O primeiro episódio de Nyah Drag Race. Mini Desafio. Desafio Principal. Lip-sync. P.S: Falas em itálico representam Confessionários.

As luzes já estão acesas.
As câmeras ligadas.
A produção dá bandeira verde.
E a corrida, oficialmente começou.
Com passos largos, vestindo um corset em preto e branco com uma “gravata” que se estende de ombro a ombro, dando a ilusão de ombreiras, Éshley é a primeira a entrar.
Nas mão direita, uma bandeja repleta de camisinhas masculinas e femininas.
— Alguém pediu “sex” pra delivery?
Ela está belíssima, seus enchimentos estão muito bem localizados, as curvas estão muito bem desenhadas.
Sua peruca longa, lisa e profundamente preta torna todo um espetáculo de vulgaridade e estilo.
Éshley, então, olha ao redor. Ninguém.
— É... – ela conclui – Acho que não...
Sorrindo, ela caminha até as mesas enquanto ouvimos seu depoimento no confessionário.
— Meu nome é Éshley XXX, tenho dezenove anos e sou muito gostosa – Ela levanta a mão direita e estala os dedos.
Ésh caminha pela werkroom admirando.
— Eu sou uma fashion queen, costuro, performo... Sou o pacote completo – Ela ri – Me monto a pouco mais de um ano e meio, mas, desde os dezesseis estou envolvida no meio drag como costureira, então, já tenho uma experiência boa quando se trata de estar num palco com perucas e vestidos.
Éshley se senta, aguardando as próximas concorrentes.
E não demora muito para a próxima entrar.
Ela vira pelo arco da entrada dando um riso alto. Usa um vestidinho tubo verde limão, gritando em glitter da mesma cor.
A peruca e maquiagem seguem outra linha, mais neutra, nude.
— Bloquinho de notas na mão, pois é assim que se rouba um show, vadias!
Ela para e posa, aproveitando seu momento com a câmera. Acompanhamos seu depoimento.
— Bom-dia, boa-tarde, boa-noite, aqui quem fala é Mickey May e estou em chamas! – Ela gargalha – Tenho 28 anos e amo fazer comédia.
Mickey segue caminho em direção a Éshley, elas se cumprimentam com beijos. A primeira segue falando no confessionário.
— Eu não sou do tipo que liga pra moda e beleza, minha área é o entretenimento. Quero fazer as pessoas rirem e terem um bom momento sem precisar gastar rios de dinheiro com roupas!
A câmera flagra algumas expressões de estranheza em Éshley enquanto elas se apresentam.
— CHE-GAY!
Escandalosamente a próxima competidora chega. Ela veste um top com as cores do arco íris com um colete de penas de ganso brancas. Embaixo uma calça também branca e um par de saltos pretos.
O cabelo e a maquiagem contrastam com o top, muito coloridos e alegres.
— Meu Deus! – Ésh exclamou ao reconhecer quem chegou.
Posando para a câmera, a terceira competidora era Lean Dream. O corte é feito de seu confessionário.
— Lean Dream is in the house! Prontinha para arrasar! – Ela solta um gritinho animado – Tenho 23 anos, sou uma queen de performance, o que significa que eu danço muito! É o que amo na vida!

Ela torna para as duas já ali.

— Como vai, meninas!? – Lean ri.
— Lean! – Éshley grita animada – Meu Deus, garota, você é uma lenda da dança!
Ouvimos, então, Éshley no confessionário.
— Lean é uma lenda, ela dança desde os três anos e depois que começou com drag, as performances são incríveis! – Ela encara a câmera – Competição começou, vacas!
Enquanto as três conversam entrei si, a próxima concorrente se aproxima.
Os passos são fortes, o look é intenso e a beleza absurda.
— Não se soletra abundância sem “bunda”!
Sohaila usa um clássico vestido de concurso pingando em joias, a peruca é imensa e num chocolate agradável. Sobre a maquiagem, sem reclamações.
Aos berros das garotas atrás, elas já reconheceram quem chegou.
— Da gloriosa casa da Savana, a suprema rainha dos concursos e futura campeã desse show! – Ela levanta o braço direito e posa como uma miss – Sohaila é meu nome e não se esqueça disso!
A experiente rainha segue em direção às outras garotas. Todas estão exaltadas e excitadas com tamanha presença.
— Sohaila é sobre luxo, sobre beleza, sobre ser. – Sohaila continua em seu confessionário – Já estou nesse ramo a mais tempo que parte dessas garotas nasceram. E é bom ter esse prestígio e reconhecimento!
Mickey é uma das mais excitadas, talvez por já estar no ramo drag a mais tempo, tenha mais admiração por Sohaila que as outras duas.
Enquanto trocam informações, escuta-se uma buzina vindo de fora. É com toda certeza a próxima concorrente.
Correndo saltitante e usando um clássico macacão de palhaço, ela para ao encarar a câmera e aperta sua pequena buzina.
— Definindo dominância e marcando território – ela buzina – Mau dia, bichas! – Finaliza com uma risada maléfica.
As concorrentes ao redor riem.
É até cômico o contraste entre o palhaço e sua frase, isso é notado pelas queens.
— Circense, palhaça e toda cagada! Mika Gay, sua Queen de circo pronta pra arrasar! – Ela sorri.
Mickey parece ser a única que já conheça Mika, ambas vêm do mesmo mundo da comédia, mesmo que não tenham trabalhado juntas.
— Mika é agridoce, engraçado e ácida, fashion e largada, vulgar e tradicional, tudo é ambíguo sobre Mika! – Ela diz de maneira sedutora – Vinte e oito aninhos de pura arte circense amados. Isso é uma carreira!
Nada de relevante acontecendo até então. Até a próxima Queen chegar.
A próxima a entrar está usando um Lara Croft da Paris Fashion Week. O look têm uma inspiração direta na personagem de vídeo game, mas, muito mais refinado com uma cauda longa que se estende no mini short. As botas vão até os joelhos. A peruca em rabo de cavalo é quase uma Ariana Grande de extensão. Incrível.
No rosto das outras queens a reação é a mesma.
— New Mission Unlock: Acabar com essas vadias!
As queens ovacionam a entrada de Megan, sem dúvida uma das mais impactantes. Peruca no ponto, maquiagem no ponto, incrível.
— Meu nome é Megan Byte, tenho 23 anos e sou seus sonhos da infância se tomando reais! – Ela ri, um riso sexy – Minha drag é sobre futuro, tecnologia, sobre jogos e vídeo games. Tudo que eu amo.
Ela encara as outras queens e finge um susto.
Todas riem.
A interação entre ela é focada no look surpreendente que Megan usa, além da surpresa em saber que ela mesma costura seus looks.
A próxima drag passa porta a dentro. Ela usa um vestido longo preto uma fenda entre as pernas um pouco abaixo das partes íntimas. No rosto, a maquiagem leva a mesma paleta, porém o brilho sob o vestido suaviza o look e não o deixa tão sombrio, uma máscara cobre metade de seu rosto, uma referência direta ao musical “O fantasma da Ópera”. A peruca longa, lisa e preta é o casamento perfeito entre todos os elementos.
— Abram as cortinas, Caprica está prestes a dar um espetáculo!
Capri termina sua entrada posando para a câmera.
As queens ficam boquiabertas.
— Ah, o drama.... Meu nome é Caprica, tenho vinte e seis anos e vivo em todo lugar! – Ela ri alto – Antes mesmo de ser drag queen eu já sou atriz. Desafios de atuação e improviso são minha especialidade.
Ela se aproxima do grupo, cumprimentando suas concorrentes.
— Caprica é sobre choque, sobre surpresa e tudo ligado com um incrível plot-twist a nível “ O Sexto Sentido”. Sem spoilers. – Ela brinca – Meu defeito é a voz, não nasci pra cantar, então, sabem que em musicais eu nunca ganho papel. – Ela ri alto.
O grupo interage, algumas conversas sem muita relevância.
E logo, a próxima se aproxima.
Usando um bodysuit de estampa de onça, uma cauda de gatinho e uma espécie de touca que, além de cobrir todo o redor de seu rosto, é super justo, causando uma impressão de segunda pele, Daphyne é a próxima. Ela não usa peruca, mas sua maquiagem forte, cria a ilusão magnífica de um rosto feminino.
— F de felina, feroz e feminina! Miau, vadias!
As queens ovacionam a entrada de Daphyne, mas, em especial Éshley, ela sim faz um grande escândalo.
— Eu entro na werkroom e a primeira coisa que escuto é aquele grito agudo! – Ela diz em seu confessionário – Éshley está aqui! E isso é incrível!
Ambas gritam escandalosamente correndo para um abraço.
— Mas deixe-me me apresentar. – Ela foca em seu discurso de entrada – Eu sou Daphyne Fine, tenho 21 anos e sou performer!
— Você tá usando o look que fiz pra você! – Éshley diz entusiasmada
— Eu queria te homenagear na entrada, vadia, mentiu pra mim!
— Vocês já se conhecem, então? – Mika comenta – E você costura – Ela aponta para Éshley.
Elas fazem sim com a cabeça. A câmera foca em Megan, ela vira os olhos.
— Competição entre costureiras! – Caprica ri – Amo!
A próxima queen entra, roubando a atenção do grupo. E com razão.
Ela se veste como uma pintura viva, um fragmento de algum quadro de Picasso. O look é uma segunda pela que se mistura com a pintura no rosto.
A reação do grupo é a mesma: babar.
— Sinto cheiro de vitória.... Ah, sou eu!
— Isso é arte! – Sohaila sussurra com Caprica.
— Mamada.... Achei apelativo. – Ela responde no mesmo tom.
Ambas riem baixo.
— Artística, fashion, editorial. Septika, essa sou eu. – Ela levanta a mão direita num estalo confiante – Mas vocês já sabem disso!
Entre palmas e chuva de elogios, Septika se aproxima do grupo.
— Minha drag é sobre arte em sua pura essência. – Ela continua – Eu não me enquadro em padrões de gênero, dentro ou fora de drag, na minha cabeça sou uma tela em branco que se modifica conforme eu existo. – Ela sorri – Profundo, não?
Enquanto explica o conceito de seu look, a próxima queen entra correndo na werkroom.
Ela entra usando uma peça única. Uma bola de futebol imensa que envolve de seu pescoço aos joelhos. E é isso. Na cabeça uma peruca volumosa e alta em preto e branco. A maquiagem segue a mesma linha.
— Quê?! – Megan ri.
A face de estranheza é estampada no grupo.
Gritando animada, ela para frente às câmera.
— GOOOOOL! – Com uma risada calorosa ela continua — Estou tão animada de estar aqui! – Com uma voz fofa e aguda, Angie é a queen que acaba de entrar.
— Okay...? – Mickey diz, tentando digerir tudo o que acontece.
— Meu Deus! – Ela está muito animada em seu confessionário – Eu consegui! – Ela ri alto – Meu nome é Angie Sunshine, tenho 18 anos e não sei mais o que falar – A risada é fofa e contagiosa.
Ela corre até o grupo, saltitante e feliz.
— Quanta energia! – Mika se diverte com a loucura da jovem
— Eu faço drag a pouquíssimo tempo, mas, não me subestimem, eu sei o que estou fazendo!
Ela se une ao grupo.
— Pode explicar esse look? – Megan pede, tentando não rir.
— Eu sou uma bola! – Ela ri – Achei que seria legal fazer algo diferente, sabe!
— Inteligente, pra ganhar a atenção – Lean comenta em tom debochado.
— Quantos anos você tem, Angie? – Sohaila pergunta mostrando seriedade.
— Eu tenho dezoit- Ela é interrompida pelo grupo.
Todas ficam em choque.
— Dezoito?!
— Não leve como shade – Capri toma frente – Mas.... Não acha que entrou cedo de mais?
— Não, não! – Ela diz com timidez – Quer dizer, se a produção me chamo- Novamente cortada.
— Eu faço drag a mais tempo que você existe – Sohaila tenta argumentar com ela – Não acha que devia, sei lá, esperar um pouco mais?
Angie se retrai.
— Eu sou uma drag campy, mas posso ser fashion também eu acho – Ela ri alto – Eu tenho muita energia e acho que isso compensa minha falta de experiência.
As queens se entreolham enquanto Angie comenta sobre si e seu estilo.
— Sei que elas estão pensando “alguém tem que ir embora primeiro” – Ela comenta – Mas, é melhor não me subestimar, eu sou a nova geração de queens. Eu sou o futuro!
A câmera mostra Mickey e Mika rindo entre si. A impressão é comentários sobre Angie.
— Ai, ai... – De longe se ouve a próxima queen.
Usando um vestido clássico do século XVIII, ela leva uma bandeja na frente do corpo, sua cabeça está ali. Certamente uma referência à Maria Antonieta. O impressionante é o fato do vestido vender a ilusão de que sua cabeça realmente está fora do corpo.
— Vocês sabem que já perderam!
Sua entrada deixam as competidoras sem palavras.
O polimento na maquiagem, o look e a ilusão de decapitação são de tirar o fôlego.
— Ok... – Septika comenta – O nível de competição aumentou.
— Meu nome é Hella – Ela inicia – A morta-viva que vai levar essa competição a um nível extra de bom gosto!
Hella se une com o grupo, todas estão impressionadas com o look.
— Minha drag é conceito. É arte. É referência. – Ela diz orgulhosa – Eu posso estar com uma fralda que ainda vou fazer história.
— Isso é impressionante! – Megan analisa o look.
— Eu não sou costureira, mas tenho uma equipe pra isso – Ela ri – O horror, terror e suspense são meus guias na hora de servir. Preparados pro choque de beleza?
A risada escandalosa é ouvida antes mesmo da próxima competidora entrar.
— Eu conheço essa risada.... – Angie comenta baixinho com as outras.
Ela usa um longo vestido branco, lembrando um clássico vestido de noivas, porém, pintado a mão com respingos de tinta vermelha. Sangue.
Seus acessórios são cintas de munição e ela carrega duas armas falsas na mão.
— Abram o olho, piranhas! – Ela encara as competidoras – Essa mamãe é perigosa!
De maneira escandalosa o grupo berra com a chegada de Paulinha.
— Paulinha está aqui! – Angie demonstra a excitação – Rainha da comédia! Uma das minhas maiores inspirações! – Ela bate palmas alegres – Esse dia está cada vez melhor!
— Tei! – Paulinha aponta para o grupo.
O grupo ri enquanto Paulinha se aproxima.
— Perigosa e uma grande gostosa! Eu sou Paulinha e vou sair vitoriosa! – Ela ri.
— Lendária – Angie diz – Eu sou muito sua fã!
— Obrigada, criança! – Paulinha responde com carinho.
— Eu sou comediante, faço vários shows de stand-up e vivo para entreter. – Ela diz orgulhosa – Sou a atual mãe da casa do Perigo, onde, além de criar talentos, damos lar e amor para nossas crianças.
Em meio a conversas e risos, uma porta se abre.
— Miau, meninas!
O grupo se vira, berrando e gritando com a presença.
Nyah desce as escadas que levam até a área da produção e camarins, unindo-se ao grupo.
Nyah não está montada, utiliza uma roupa casual, mostrando seu corpo em forma para sua idade. São quarenta e oito de vida e pouco mais de trinta como uma excelente drag queen.
— Sejam todas muito bem-vindas à nossa gloriosa estreia de Nyah! Drag Race. – Ela pausa durante os gritos das concorrentes – Doze de vocês acabaram de entrar, mas somente uma sairá como a vencedora, a pergunta é qual de vocês?!
Em um uníssono “eu”, Nyah tem sua resposta.
— Bom, isso descobriremos com o passar das semanas! – Ela ri – Afinal, a vencedora do Nyah Drag Race sai da competição com um spin-off de oito capítulos, o título de Drag Suprema e uma gorjeta de meio milhão!
Elas berram alto.
— Meio milhão?! – Caprica diz excitada – Mamadas, é tudo que eu preciso nesse momento!
— Olha essa bufunfa, gente! – Mickey se anima
— Mas, não pensem que será fácil assim – Nyah tira a expressão alegre das queens – Para ser a próxima Suprema, vocês precisarão provar que são capazes, vão participar de uma série de desafios semana pós semana e se manterem firmes até a grande final. A melhor da semana receberá um pequeno mimo, enquanto as piores... Bom... Vocês já sabem... Vão dublar pela permanência na competição, onde uma fica e a outra... – Ela gesticulando o pescoço cortado.
— Acho que comigo não vai funcionar – Hella comenta.
O grupo, inclusive Nyah, riem.
— Pro primeiro mini desafio de vocês, queremos ver suas habilidades de pose! – Nyah continua – Uma por uma, me encontrem no próximo estúdio para tirarmos algumas fotos. Espero vocês.
— Mal posso esperar! – Septika comenta – Tirar fotos é meu trabalho! Conheço poses, ângulos, tudo está a meu favor!
Um corte leva até o cenário em que o desafio acontece. É uma espécie de lixão improvisado, diversas tralhas feitas de isopor e sacolinhas plásticas cheias de papéis simulando lixo.
A primeira a entrar é Megan.
— Meu Deus – Ela ri.
— Megan Byte! – Nyah cumprimenta – Bem-vinda ao nosso lixão!
— Gente.... – ela segue rindo da criatividade – Nojento isso!
— Eu sei! – Nyah também ri – Mas, uma Suprema sabe ficar linda em qualquer cenário, então, usando aquela pequena tiara de plástico, quero ver como você se sai.
Megan está no topo do monte de lixo.
— Pronta? – Nyah faz joia para o fotógrafo.
Ele começa com as fotos.
Megan usa um take em que parece uma personagem de vídeo game num cenário caótico.
A seguinte é Hella.
Ela já não está mais com a cabeça na bandeja, a foto é tirada, o take não é tão conexo. Uma princesa em meio ao lixo plebeu? Talvez esse fosse o conceito.
Angie é a seguinte, ela, ao ver o cenário, cai em gargalhadas.
Seu take é divertido, o look funcionou com o cenário, ela parece uma bola velha largada em meio ao lixo.
— Que horror! – Mika diz rindo – Amei a criatividade.
— Isso que não viu o que mais estamos planejando – Nyah responde.
— Relaxa, eu vou ver – Mika diz firme – A coroa já é minha!
Nyah ri.
O take de Mika é divertido. Sua expressão casa com o cenário. Um palhaço esquecido no lixão.
Daphyne segue. Ela usa um take demonstrando feminilidade e poder, um bom take, mas, o look casaria mais com o cenário se tivesse tentado algo cômico.
Septika é a seguinte.
— Nossa.... – Ela diz, surpresa.
— Estou usando um visual artístico, como fazer isso ficar bom em meio ao lixo? – Ela diz preocupada – Nojento.
Ela parece ter dificuldade em encontrar um bom ângulo.
— Posso dar uma ideia? – Nyah questiona.
— Eu adoraria.
— Você é uma obra de arte. Em meio ao lixo! Use!
— Meu Deus, como sou burra! – Ela ri de si mesma.
A foto então é tirada. É lindo e, realmente, Septika conhece com como se posicionar frente a uma câmera.
Mickey é a próxima. Seu look não ajuda na escalada até o topo do lixão. E seu take é um tanto quanto clichê. Uma pose simples.
Lean é a seguinte. Vitoriosa no topo.
Sohaila se aproxima.
— Nada como um bom lixão para uma boa foto!
— Sohaila – Nyah a cumprimenta – Agradeço muito sua participação!
— É tão satisfatório quando a própria Nyah já conhece meu legado. – Sohaila parece completa – Essas menininhas não sabem o que as esperam.
Seu take é um clichê de poder. Mas ela também conhece bem suas proporções.
Depois dela temos Éshley, trazendo um take sensual e vulgar.
— Lixo, sujeira e muito sexo, o título da sua sex-tape – Nyah ri – Adorei!
— Vivo minha vida pela safadeza!
Éshley e Nyah riem alto.
Um ótimo take.
Caprica é a seguinte, outra em uma pose clichê de rainha do lixo.
Por último temos, então, Paulinha.
— Olha meu tamanho como eu subo aí?!
Nyah gargalha alto.
— Não é engraçado – Mas Paulinha diz rindo – Vou parecer uma bola de canhão ali.
— Quando quiser, Paulinha.
O take de Paulinha é ótimo, ela aprece uma sobrevivente de um apocalipse zumbi.
Após a foto, ela dá um passo e escorrega, caindo nas caixas falsas feitas de isopor.
— Eu tô bem! – Ela faz um joia de dentro do isopor.
Nyah ri alto.
De volta ao werkroom as drags estão se desmontando, libertando a face por trás das maravilhosas rainhas.
— Acabamos de tirar nossas fotos, estamos nos montando e eu olho pra Éshley... – Megan diz – Aquela cadela cheia de curvas tem um corpo de um CDF de ensino médio! Como assim, Brasil?!
Realmente, toda a ilusão de corpo de Éshley é muito bem feito, pois seu corpo real é ereto e sem muito volume.
— Nham, Nham – Angie diz – Alguns mocinhos são bem fofos...
A câmera foca em algumas queens.
Vários tipos e tamanhos de corpos, cada um único.
— Miau, menin- Nyah finge um susto ao abrir a porta – Quem são vocês?!
O grupo ri. Já estão todas fora da drag.
— Decidiram quem é a troca da season?
Algumas apontam para Lean, outras para Caprica, algumas para si mesmas, não, não escolheram.
— Mas não importa, porque, eu analisei cada foto e cheguei a uma conclusão!
Uma faísca de tensão.
— A vencedora do primeiro mini desafio é......
A câmera foca e alterna entre algumas queens.
— Paulinha!
Ela vibra, as concorrentes a parabenizam.
— Isso aí! – Paulinha se gaba – A mamãe venceu o primeiro mini desafio, garotas! Se preparem! Tem mais vindo!
— Mas, não para por aqui... – Nyah continua – Oh, pit-crew!
O grupo se alegra.
Com várias etnias e corpos, três homens trazem três grandes carrinhos cheios de tralhas. Cada carrinho possui um tipo de material: plástico, papel e metal.
— Meninas, pro primeiro desafio principal do show, vocês precisarão mostram que conhecem bem os três “erres” que são....?
— Reduzir, Reciclar e Reutilizar – Dizem algumas delas, outras, apenas se mostram confusas.
— Arrasou! – Nyah diz com orgulho – Paulinha, — a câmera foca na queen – Como vencedora do mini desafio, você vai designar quem vai ficar com qual material, começando por você!
— Vejamos.... – Ela se aproxima dos materiais.
— Como vencedora do mini desafio, eu fico responsável por entregar os materiais, lógico que prefiro o mais fácil de trabalhar e pras outras... Elas quem lutem – Paulinha ri alto.
— Eu quero papel – Ela diz e se vira para o grupo.
Apontando e designando, Paulinha define quem fica com o que, no fim os grupos terminam sendo:
Papel: Paulinha, Mika, Angie e Lean.
Plástico: Caprica, Hella, Mickey e Septika
Metal: Éshley, Megan, Sohaila e Daphyne.
Elas se posicionam a alguns passos dos carrinhos.
— Então, meninas, se preparem e que vença a melhor!
Nyah bate uma palma, liberando as queens para correr pelos materiais e sai de cena.
As competidoras parecem animais, pegando tudo que vê pela frente e levando até suas mesas de trabalho.
— Eu não sou uma costureira – Mickey diz no confessionário – E também, meu estilo é um pouco diferente, espero que eu possa ao menos ficar salva essa semana... – Ela ri de nervoso.
Um time-skip acontece, com as queens preparando seus looks.
— Você já tem um conceito? – Éshley questiona Septika.
Ela mostra seu sketch, parece uma princesa de plástico.
— Estou tentando uma ideia de um longo vestido todo com plástico, vou tentar usar como base essas garrafas que eu peguei e cobrir o tecido com esses negócios de biscoito.
— Parece incrível – Ésh corta um pedaço de tecido – Boa sorte.
Algumas parecem estar acelerando sua criação, outras, parecem com dificuldade de sair do sketch.
Daphyne é uma dessas.
Ela encara o papel, olha seus materiais.
— Eu já costurei roupas antes, mas, usar latas de milho e ervilha pra construir um look? – Daph parece frustrada – Cara.... Que mancada.
A porta se abre, Nyah retornou.
— Miau, meninas – Ela observa o grupo trabalhando – Parece que temos algumas bem adiantadas no trabalho.
Nyah se aproxima de Angie.
— O que temos aqui? – Ela pergunta, tentado decifrar a ideia de Angie.
Ela não parece ter um conceito muito forte, aparentemente está colando papéis num corset.
— Eu fiquei com papel, algo que é quase impossível de costurar, eu peguei essas folhas de desenhos de criança, acho... – ela ri – E estou tentando criar algo encima disso, tipo, sei lá, um monstro de papel, meio que, imaginação de crianças.
— Certo, certo – Nyah tenta absorver – Só certifique que não pareça um monte de papel colado, tente dar uma forma, fazer algo único.
— Okay.
— Boa sorte.
Ela vai direto para a mesa de Megan, ela já tem o manequim quase todo coberto.
— Alguém parece bem adiantada! – Nyah diz com orgulho.
— Olá, mãe – Megan ri.
— Qual o conceito?
— Eu comecei pensando num homem de lata, fada madrinha, algo assim... – Megan vai explicando – Porém, eu consegui bastante papel alumínio, então, estou pensando num rumo diferente, tipo uma roupa medieval, sabe.
Sohaila a encara. É seu conceito também.
— Entendi – Nyah diz – Você costura, não é?
— Sim, faço isso a um tempo, já – Megan diz orgulhosa – Mas usar materiais incomuns são um trabalho maior.
— Isso é fato, mas nada que impeça você de fazer um bom trabalho.
— Conversar assim com a Nyah é como ter um fogo extra ascendendo na sua bunda. – Megan parece grata – É uma sensação incrível.
Nyah voltou para a porta.
— Meninas, amanhã vocês vão apresentar seu looks no palco principal e como jurado convidado teremos ele que entende de moda e um velho amigo, Arlindo Grund!
As competidoras batem palmas.
— Boa sorte e não façam cagada!
Nyah sai.
— Se vocês estiverem feias, Arlindo vai ler até não poder mais – Caprica diz rasgando um pedaço de tecido.
Alguns outros cortes e as luzes se apagam.
Já é o dia seguinte.
— Um novo dia no werkroom e é dia de eliminação! – Mickey diz – E eu estou zero feliz com meu look.
A câmera mostra a roupa dela, uma bagunça. Embalagens de plástico coladas num corset e sem conexão alguma.
As queens parecem estranhar aquele look.
Na mesa de Hella, ela conversa com Lean, elas falam baixo.
— Quem você acha que tem os looks mais fortes? – Lean pergunta.
— Pelos conceitos, Sohaila e Megan são as que parecem os melhores-
— Mas a Megan tá usando papel alumínio, se aquilo rasgar...
Dito e feito. A câmera foca em Megan ao ouvi-la gritar.
— Merda! – Megan está enfurecida – Fui fazer o acabamento do look e advinha? – a câmera mostra o look destruído – Rasgou por quase inteiro!
Éshley e Mika se aproximam para ajudar.
Megan se senta, frustrada e com medo.
— Eu não tenho tempo de fazer algo do zero, o que resta é improvisar... – ela está enfurecida.
Ela busca outros materiais no carrinho.
O time-skip mostra as queens se maquiando.
— Por que vocês começaram a fazer drag? – Mika puxa o assunto.
— Eu fui numa festa uma vez, — Daphyne começa falando – Eu ainda fingia ser hétero nessa época e uma drag ia performar. Eu assisti ela dublar, se não me engano, I’ll Survive, e me tocou muito, depois do show eu me abri no camarim com ela e ela me disse pra seguir meus sonhos, ser forte, viver minha vida, e aquilo me tocou muito.
As garotas a olham.
— Comigo foi para ser uma terapia – Mickey comenta – Eu cresci com essa cicatriz imensa nas minhas costas e sofrendo muito bullying....
— Eu era chacota na escola – Mickey diz, ficando emotiva – Essa cicatriz ia ficar comigo para sempre e eu sentia que eu era nojenta, tive muitos problemas de auto estima.
— A uns vários anos, fui com uns amigos na parada e avistei um grupo de drags com vários estilos, mas uma delas me chamou atenção.
A produção insere imagens que Mickey disponibilizou. A drag em questão tinha marcas de cicatriz por todo o corpo.
— Valdirene Sapa-Sapa – Mickey enxuga as lágrimas – Ela me iluminou.
— Ver aquela drag que teve quase o corpo todo queimado num acidente, ali, livre e vivendo a fantasia, me fez ver que eu não era nojenta, não era feia. E aí, comecei a me montar e fazer piada de tudo!
Lean e Angie seguem para um abraço com Mickey.
— Você entendeu que suas marcas não importam — Paulinha diz – Somos como somos e isso nos fazem belas!
— Amém – Septika e Hella concordam.
Alguns cortes finais.
Maquiagens finalizadas.
É hora da runway.
Nyah caminha pela passarela, bela, montada e glamourosa.
Usa um longo vestido de lantejoulas em degradê de vermelho ao preto, uma peruca volumosa e uma maquiagem caríssima.
— Bem-vindos ao palco principal de Nyah! Drag Race. – Ela diz calorosa – Minha amiga, irmã e fabulosa Wal Paddy! – ela manda um beijo – Você costuma reciclar?
— Claro, meu amor – ela manda o beijo de volta – Estou com o mesmo homem a vinte anos!
Elas riem.
— Lindo, cheiroso e sempre hilário, Mike Word!
Ele sorri e acena.
— Sabe o que os três “erres” são?
— Rainha da Rola Roliça? – ele responde.
Nyah ri alto.
— E o sempre fashion, Arlindo Grund! – ela manda beijo – Você não tem cara de quem reutiliza alguma roupa, meu bem.
— E não mesmo – Arlindo responde – Eu uso o tecido pra fazer uma nova!
— Vou aderir a ideia.
Ele sorri.
— Essa semana desafiamos nossas maravilhosas garotas a fazerem uso dos três “erres” e criarem um look sustentável e lindo! Então, se preparem e que a melhor drag arrase!
Um corte e Nyah já está na bancada do júri.
— Primeiro, Hella!
Ela usa um corset feito com o plástico, dando uma ilusão de nude, detalhes feitos com garrafas ajudam a parecer uma roupa de mergulhadora, ela também fez pés de patos usando o mesmo material e colou nos saltos transparentes.
Na cabeça uma toca falsa também do mesmo material, e óculos de mergulho, isso ela não fez.
— Estou servindo mergulhadora realness – Hella diz – Pode ser um pouco básico, mas manusear plástico num tempo tão curto, ainda mais sabendo nada de costura é uma tarefa complicada.
Ela desfila.
Os juízes anotam e fazem comentários.
— Eu sei que não vou precisar dublar, eu vi os outros looks – ela ri de maneira maléfica.
— Seguindo com Angie!
E parece que não funcionou. Ela caminha pela runway usando o corset com os papéis colados. Eles possuem forma e silhueta, mas, não passam disso.
— Eu tentei muito fazer algo a mais – Angie parece triste – Mas o tempo não deu....
Ela tenta vender o look de alguma maneira para os jurados
— Espero só não ser a pior.... – ela cruza os dedos.
— Seguido por Megan!
O choque.
Os juízes ficam boquiabertos com Megan.
Como sua roupa rasgou, ela decidiu recriar o conceito utilizando a seu favor, usando os pedaços que rasgaram ela os colocou no rosto cobrindo-o quase por inteiro e inserindo pregos e parafusos no mesmo, uma referência incrível ao Pinhead. Para mascarar as falhas, ela pintou seu corpo também, dando um ar de Pinhead-zumbi-robô
— Meu look foi pro saco – Megan comenta – Mas, há males que vem pro bem. Utilizando os pedaços rasgados e outros materiais que eu pintei, criei esse vilão de filme, mas robótico. Parafusos, pregos, placas de metal...
Ela vende o look muito bem com trejeitos de um robô zumbi.
— A revolução das máquinas assassinas começou – Ela ri.
— Seguido por Daphyne Fine!
Daph está com um corset cinza que trouxe de casa. Ela abriu algumas latas e fez delas como braceletes e tornozeleiras.
— Eu não consegui pensar em nada grande. Não consegui costurar. Não consegui fazer nada – Daphyne está frustrada.
A cara dos juízes representam isso também.
— Mas estou servindo um guerreiro medieval e vocês precisam concordar que ficou muito... Ruim – ela ri de nervoso.
— Próxima é Mika Gay!
Mika tentou um conceito de flor com papel machê, a ideia foi inteligente, talvez tivesse funcionando melhor caso estivesse finalizado.
— Meu look é um girassol realness – Ela ri – Ou seria se eu tivesse conseguido terminar. Não ficou ruim, então vou vender como eu conseguir!
Ela vende seu visual de maneira cômica e fofa, tentando tirar o foco dos juízes das partes inacabadas.
— Seguida por Septika!
Outro “gag moment" para os jurados.
Septika utilizou também embalagens de alimentos para seu look, porém, ela utilizou tinta para pintar e cobrir a transparência, parecendo um vestido de verdade, talvez curto de mais, quase não cobrindo seus peitos, mas ainda impressionante.
— Você quer fashion, querida? Toma fashion! – Sept ri – Meu primeiro conceito foi por água baixo quando eu percebi a dificuldade de manusear garrafas, então eu usei embalagens plásticas para dar forma a um vestido, errei um pouco no comprimento da parte superior, mas, bichas, nem parece plástico mais!
Ela desfila, sob chuva de comentários positivos dos jurados.
— A seguir, Caprica!
Ela utilizou bambolês para criar uma espécie de cúpula ao redor do corpo, utilizou tecido para criar um corset com a base de plástico. Os peitos pontudos são um charme, mas, bem básico.
— Estou servindo Madonna presa num globo da morte, mamadas – Ela comenta – Eu tenho sentimentos mistos sobre meu look, mas, acho que posso vencer, é diferente e único!
Os juízes anotam enquanto Capri caminha pela passarela.
— A seguir, Paulinha Perigo!
A grande mãe usa um vestido curto que realça suas curvas. Não é mau feito, é até bonito. Os jurados estão gostando enquanto ela serve o look.
— Meu look é um vestido curtinho, bem piranha – Ela ri alto – E estou vendendo muito bem... Mas, sempre tem que acontecer alguma coisa...
Na passarela, ao fazer pose, o rasgo é ouvido.
— Meu look rasgou – Paulinha ri divertidamente – Meu Santo Deus – Ela berra – Ele rasgou!
Os juízes assustam, Nyah puxa a risada.
Paulinha improvisa e serve o look de forma cômica, mas, constrangida.
— Seguindo... Éshley!
Éshley decidiu jogar pro clássico. O homem de lata de “O mágico de Oz”. Ela faz um ótimo trabalho ao criar um macacão metálico e servir na passarela como se fosse o próprio.
Os juízes comentam positivamente.
— Estou servindo Homem de Lata realness, honey – Ésh diz orgulhosa – É clichê quando se trata de usar esse material? Sim. Mas você pode falar que está mal feito? Jamais!
Ela serve bem.
— A seguir, Lean Dream!
Utilizando um top e saia curta feitas de papel, Lean serve um look bem básico, mas bem executado. Ela faz uma boa caminhada na passarela.
— Eu sou zero criativa com roupas – Ela ri – Mas, o desafio é sobre criação, não é? Aqui temos. Bem feito, pelo menos pra mim.
Os juízes fazem as anotações.
— Agora, Mickey May!
O choque.
Dessa vez, nada positivo.
Mickey literalmente enrolou plástico bolha no corpo. Tapando peito, bunda e o aquendar.
— Estou servindo nudez censurada, amor – Ela comenta – Não pode ser explícita.
Os juízes tentam fazer comentários cômicos.
—Desisiti da ideia inicial. Não usei muito material, eu sei – Ela tenta argumentar – Mas, eu entreguei um conceito completo.
— Fechando com Sohaila!
Ela sim serviu.
Está usando um top repicado com folhas metálicas e uma calça quase finalizada também com o mesmo material. Sólido.
— Ouvi a Megan falar do conceito e tive que seguir outro caminho – Sohaila comenta – Não gosto do meu look, mas, faço o que for preciso para servir bem, crianças.
Os jurados parecem impressionados.
— E sei que eles estão vivendo!
O corte é feito.
Todas estão lado a lado no palco em fila.
— Meninas, baseado na apresentação e execução eu tomei algumas decisões – Nyah diz seria – Quando eu dizer seu nome, um passo a frente.
As queens parecem tensas.
— Lean Dream.
Assim ela faz.
— Hella.
Conforme diz, as queens dão um passo.
— Mika Gay. Caprica.
Elas aguardam.
— Vocês estão salvas. Podem deixar o palco.
As quatro agradecem e saem.
As outras se entreolham. Algumas animadas, outras nem tanto.
— Vamos começar com as críticas. Primeiro, Angie.
— Você deu uma silhueta pro look, — Paddy diz seria – Bom trabalho. Mas, é só isso.
— Você disse na werkroom que tentaria um conceito de monstro, de criatividade infantil – Nyah rebate – O que deu errado?
— O tempo – Angie diz, tímida – Eu perdi um tempo precioso tentando dar forma que quando vi, não teria tempo para montar esse conceito.
— Parece que você só colou os papéis no corset e a forma quem deu foi o próprio corset. — Diz Arlindo.
— Próxima, Megan!
A câmera foca, ela parece receosa.
— Esse é um dos meus filmes favoritos – Paddy diz – Obrigada!
— Isso ficou tão bom em você! – Arlindo diz – Bem executado, finalizado, parabéns.
— Obrigada! – a tensão de Megan parece ter sumido.
— Eu achei a referência incrível, a execução bem feita. Uma ótima semana pra você, Megan!
Ela sorri.
— Vamos com Daphyne Fine!
Ela treme.
— Pelo amor de Deus, o que é isso?! – Paddy diz, soa rude.
— Eu... – Ela está engasgando – É...
— Tome seu tempo, Daphyne – Nyah pede.
E Daphyne desaba em lágrimas.
— Eu... – Ela tenta falar – Tentei muito, muito tirar um conceito, mas, vendo o que as meninas estavam fazendo me intimidou... Eu... Não sei....
— Você podia ter pedido ajuda para chegar em algo, Daphyne – Nyah diz
— Podia ter me pedido ajuda – Éshley invade a conversa – A gente é amiga, eu teria te dado um caminho.
— Isso não ficou bom, Daphyne. – Comenta Paddy – Nem um pouco.
— Vamos seguir com Septika.
— Esse é um dos looks mais incríveis que eu já vi – Arlindo diz – Você usou o que?
— São embalagens plásticas que eu pintei com spray e dei essa forma e silhueta – Sept responde.
— Isso foi muito bem feito – Word diz – Parabéns.
— Mas – Paddy não deixaria passar – Ficou pequeno. Quase não cobre seus peitos.
— Sim, — Sept diz – Errei nas contas.
— Matemática é pra héteros, amor – Nyah diz.
O grupo ri.
— Mas, vamos comentar dela, Paulinha Perigo!
— Eu mesma! – Ela diz calorosa.
— Você criou aquele vestidinho minúsculo com papel... – Word diz – Impressionante!
— Obrigada – Paulinha está aliviada.
— Você serviu bem, criou um belo vestido que acentuou suas curvas – Arlindo diz – Mas rasgou!
— Você tentou servir a comédia na passarela, mas olha você agora – Paddy aponta – Precisa ficar segurando pra não deixar que caia...
— Começou muito bem, — Nyah diz – Mas, acabou dando tudo errado.
A alegria de Paulinha parece ter sumido.
— Vamos com Éshley!
Ela sorri.
— Homem de Lata, uau – Paddy diz – Bonito, bem feito, mas, cadê a criatividade?
— Quando você entrou, — Arlindo diz – Fiquei muito feliz de ver um look tão bem feito, mas agora vendo você em meio às outras, você meio que apaga.
— Eu discordo – Word diz – Adorei a passarela, adorei o look e acho que você se destaca em meio a elas. Assim como a Megan você tem uma referência, e a gente sabe exatamente do que se trata.
— A seguir, Mickey.
Um silêncio constrangedor.
— Você não vai se enrolar em três pedaços de plástico bolha e me falar que teve dificuldades em criar um look. – Paddy diz rude, esse look incomodou.
— Isso foi preguiçoso – Nyah também está incomodada – Olha ao seu redor, todas têm ótimos looks, ótimos conceitos.
— Eu peço perdão – Mickey tenta argumentar – Essa não era minha ideia principal, mas, quando vi que não teria tempo de finalizar, acabei deixando a ideia de lado.
— Isso não é desculpa. – Nyah diz rude. – Seguindo para Sohaila.
— Você fez calças! – Word comenta.
— Sim... – Sohaila parece receosa para responder com confiança.
— Você é incrível – Ele finaliza.
O sorriso largo estampa o rosto de Sohaila.
— Esse look, eu achei lindo – Nyah comenta – Parece difícil.
— E foi... – Sohaila rebate – Eu cortei as tiras de metal pra montar o top e usei o restante pra calça.
— Isso é se esforçar para criar algo – Paddy manda a indireta para Mickey – Mas, infelizmente, usar esse material retira todo o movimento que poderia ter. Não estou falando como algo negativo, afinal, não dá pra fazer metal ficar leve.
Todos riem.
— Mas, meus parabéns! – Paddy finaliza.
— Ok... – Nyah diz – Enquanto vocês desaquendam na área vip, os juízes e eu vamos reciclar comentários.
Todas saem.
Nyah encara os jurados.
— Só entre a gente, meninas.
O grupo ri.
— O que acharam? Começando com Angie.
A câmera mostra Angie no untucked rindo e interagindo com as outras drags.
— Ela é uma queen bem jovem – Paddy diz – Inclusive como drag.
— A inscrição dela foi tão cheia de vida, cheia de vontade – Nyah rebate.
— Mas ela ainda tem muito o que aprender – Word diz.
— Ela deu uma silhueta pro visual dela graças ao corset – Arlindo diz – Ótimo. Mas o que mais?
— Não tem mais – Nyah diz firme – Megan.
Megan parece radiante na área vip com seu drinque na mão.
— Absurda! – Arlindo diz – Eu amei a referência, eu amei a execução.
— Ela é uma fashion queen – Paddy diz – Já se espera isso dela.
— O ponto é – Word comenta – Ela é mais que isso?
— Daphyne Fine.
Ela está tensa e quieta.
— Não tinha materiais – Arlindo diz – Sei que não é fácil trabalhar com metal, mas, se esforçar para um conceito não é difícil.
— Éshley disse que teria ajudado se ela pedisse – Nyah comenta – Porque ela não pediu?
— Essa é uma boa pergunta – Paddy diz.
— E sejamos francos – Word diz – Das quatro que tiveram metal como material, três serviram looks incríveis.
Todos concordam.
— Septika.
Septika está conversando com Éshley com seu drinque na mão.
— Uma palavra? – Arlindo diz – Icônico!
— Ela fez plástico de embalagem parecer tecido – Nyah completa.
— Mas, — Paddy precisa ser a negativa do bando – Não encaixou bem.
— Ela disse que errou a medida – Word relembra – Ninguém gosta de matemática, Paddy.
— Mas- Ela é interrompida
— Paulinha Perigo! – Nyah corta – O look foi muito bem feito.
Paulinha está rindo com seu copo na mão.
— Não foi – Paddy já encaixa – Se fosse não teria rasgado.
— Começou muito bem, — Arlindo comenta – Mas depois.... – Ele gesticula uma queda usando a mão.
— Éshley.
Ela cochicha com Septika, ambas riem.
— Eu ainda penso que não se destacou em meio às outras – Arlindo diz.
— E eu ainda discordo – Word rebate.
— É lindo, bem feito, — Paddy elogia – Mas, recebeu metal, fez um homem de lata, criativo? Acho que não.
— Mickey May.
Mickey está seria.
— Você não vai envolver plástico bolha no corpo e me falar que é um design. – Paddy se enfurece novamente.
— Não.
— Não.
— Apenas não – Nyah finaliza. – Sohaila, da gloriosa casa da Savana.
— Lindo, bem feito, mas, sem movimento – Paddy diz.
— Mas é metal – Word rebate – Você não espera que metal se movimente com leveza.
— Foi o que eu comentei.
— Ela fez calças – Arlindo diz – Não tinham acabamento, mas, calça já é difícil de fazer...
— Mas, ela não parecia sentir o visual – Nyah comenta sobre a caminhada de Sohaila.
— Ela achou que não vestiu bem. – Word diz.
— Achei que ela meio que só colocou e disse “ok, é o que tenho”. – Arlindo comenta.
— Ok! Chega! – Nyah fala alto. – Tragam as minhas recicladas.
Com a magia da edição, todas estão em seus lugares.
— Os juízes e eu conversamos, — Nyah está seria – Mas a decisão final sou eu quem tomo.
A tensão está no ar.
— Sohaila – ela dá uma passo a frente – Você está salva.
— Obrigada – Ela agradece e vai ao fundo do palco junto às outras.
— Éshley!
Éshley coloca um sorriso no rosto.
— Você está salva.
Ela agradece e vai ao fundo do palco.
— Megan Byte – a câmera foca na competidora – Seu visual incrível e suas referências tornaram tudo mais apaixonante!
Ela está radiante.
— Septika – a câmera foca na competidora – Honestamente, seu talento é indiscutível!
Ela sorri, grata.
— Megan Byte.... “Parabéins” você é a vencedora desse desafio!
O grupo por inteiro bate palmas.
— Você recebeu um vale compras de 5 mil reais!
— Isso aí! – Megan vibra – Eu venci o primeiro desafio! Amo, amo, amo!
— Septika, você está salva, pode se juntar às suas irmãs;
— Obrigada a todos!
Megan e Septika seguem para o fundo.
— Mickey May – Nyah torna a ficar seria – Você tem o fogo, o que falta é a explosão. Me desculpe, querida, mas você vai dublar pela permanência.
— Merda – Mickey diz – Eu devia ter me esforçado um pouco mais.
— Paulinha – Nyah a encara – Mais cuidado da próxima vez, você está salva.
— Obrigada a todos. – Paulinha segue ao fundo do palco.
— Angie, você deu forma para o look, mas, não fez mais que isso.
Angie baixa a cabeça.
— Daphyne, você não usou nada do que foi oferecido e não se esforçou a pedir ajuda.
— Desculpa – Daph segura o choro.
— Daphyne Fine.... – Nyah a encara – Me desculpe, mas você vai dublar pela permanência. Angie, você está salva!
Angie chora em gratidão e segue ao fundo em pedidos de desculpa.
— Mickey May. Daphyne Fine.
A câmera gira, as luzes ficam dramáticas.
— Foi solicitado que vocês preparassem uma performance em lip-sync da música “Onda Diferente” com Anitta e Ludmila.
Os efeitos sonoros tornam a cena ainda mais tensa.
— Chegou o momento em que vocês dublam pela sobrevivência!
— Eu sou uma performer – Daphyne diz – Isso é meu ganha pão.
— Boa sorte e não façam cagada!
A música inicia.
— Eu sou uma drag de comédia – Mickey diz – Mas ainda posso servir na dublagem!
O lip-sync inicia.
Daphyne segue numa linha mais musical, levando as batidas como prioridade e movimentando o corpo em relação às música.
Por outro lado, Mickey segue a letra, fazendo gestos e passos que descrevem o que acontece na música.
Ambas estão lutando.
Os versos em inglês começam.
Daphyne consegue gesticular as palavras enquanto se movimenta de maneira sensual com a batida.
Mickey, por sua vez, levando a letra em consideração na dublagem, empaca nestes versos. Droga.
Logo para o fim da música, Mickey tenta dançar mais sensualmente, mas, não é pra ela.
Daphyne se mantém firme em seu estilo até os últimos segundos da batida.
Todos batem palmas.
Ofegante, Daph segue em sua ponta do palco e Mickey para a outra.
— Meninas, eu tomei a decisão! – Nyah diz com propriedade.
A tensão está feita. Ao fundo, as queens também estão tensas, principalmente Éshley, vendo sua amiga dublando.
— Daphyne Fine, arrasou, você ficou!
Ela desaba em gratidão.
— Pode se juntar às garotas ao fundo.
Mickey parece abatida, mas sabe que a luta foi justa.
— Mickey May! – Nyah diz calorosa – Você pode estar sendo a primeira a nós deixar, mas, seu calor ficará conosco pra sempre!
— Eu sou muito grata pela oportunidade – Mickey diz – Foi um momento breve, mas que ficará marcado pra mim pra sempre!
— Agora, Mickey, ferrou, você flopou.
Ela força um sorriso, tentado não parecer tão abalada e segue ao fundo do palco.
— Mas que caralhos aconteceu?! – Mickey diz, fazendo uma careta confusa. – Ela sai.
O elenco remanescente grita mensagens positivas.
No camarim, Mickey deixa sua mensagem no espelho.
— É uma droga ser a primeira – Ela diz para a câmera – Mas, alguém tem que ser.
Ela beija o espelho.
— Talvez se eu tivesse tentado fazer o que eu havia planejado, a história fosse diferente, mas – Ela sorri, sincera – Não posso mudar e nem culpar ninguém pelas minhas decisões.
Ela retira o plástico do peito.
— Vocês ainda vão se queimar também – Ela ri alto
De volta ao palco, todas estão juntas.
— Lembrem-se, Sempre em Ordem e Foco no Progresso!
— AMÉM – Todos dizem juntos.
— Agora deixa a música tocar!
As queens se juntam na passarela e dançam.
Elas vão seguindo ao fundo do palco.

Notas finais
Perdemos uma das queens, onze seguem firmes. Envie sua torcida.