Nuvens de Sangue

11 Capítulo 11 - C.U.F.A


Notas iniciais
Espero que gostem, um capítulo não tão longo com muita coisa importante. Aproveitem a leitura, ;-;-;

— Cuspa as palavras certas de sua boca, ou se não... – Maycon exigia olhando para Bruno, enquanto todos estavam assustados.

— Ou se não o que? – O doutor confronta o roqueiro, — vai me socar igual fez com o religioso? Garoto você é o tipo de pessoa que deveríamos observar, ao contrário de mim. — Maycon se afasta com as rudes palavras do homem.

— Então nos diga agora o que significa sua frase anterior. – João deu a voz. Bruno foi até a janela da sala coloca a palma de sua mão nos vidros e balança a cabeça como se negasse algo.

— Não sei se Nicolas e essas crianças têm sorte, mas conseguiram formar um grupo excelente de sobrevivência.

— O que quer dizer com isso? – Perguntei.

— Bem, temos nesta sala, um Ex-General das forças armadas, um Policial experiente e um Médico Cientista da C.U.F.A – Boquiabertos era a palavra certa para expressar nossas faces, Luiza pergunta erguendo uma de suas sobrancelhas.

— C.U.F.A?

— É uma organização governamental que envolvem todos os continentes com o significado “Combate Universal contras Forças Alienígenas”. Por favor quero que todos sentem para eu explicar melhor, não há mais motivos de esconder uma coisa que tentamos ocultar por quatro décadas. – Fizemos o que ele manda, todos sentamos.

— Nunca ouvi falar desta organização rapaz! — João Deduziu, entretanto Bruno entorta o lábio e vocifera.

— Mesmo o senhor estando em um dos primeiros contatos dos Extraterrestres em nosso planeta, não pode ficar sabendo de muita coisa Seu João. Quando me formei em Biomedicina, já era especialista em microrganismos e células, foi quando fui convidado pelo governo a entrar em uma palestra. Estou neste projeto há dez anos. – Mesmo com a explicação não conseguia entender, Léo curioso como sempre.

— Mas como foi parar naquela estação quando o achamos, estava sozinho e perdido!?

— O ataque era para ocorrer em 2017, este foi o tempo especulado pela NASA e pela C.U.F.A. Porem uma mudança no clima e na atmosfera fez toda a C.U.F.A Brasileira entrar em alerta mortal. Temos espalhados pelo mundo, telescópios de extrema potência, poderíamos facilmente ver eles aproximando-se da Terra em milhares de quilômetros, mas eles conseguiram driblar isso.

— Como? – Pergunta Caroline.

— Não sei dizer ao certo, eles são milhares de vezes mais inteligente do que a raça humana, entretanto não podem ultrapassar a exosfera terrestre, pelo simples fato de não serem uma raça forte.

— Como assim raça forte? — Marry indaga, aquela conversa estava tensa, como esbarramos em duas pessoas que conheciam esses Aliens? Isso conspira ao meu favor, agora sábia que teria que ficar vivo com a ajuda deles, e Bruno continua.

— Nosso universo é tão vasto que mesmo que estudem ou analisem milhares de anos não saberão a quantidade certa de planetas. Muito menos sabem de onde eles vieram. Se é de nossa galáxia ou de uma paralela. O que descobriram é que são uma raça fraca por vida, mas forte por inteligência.

— O que isso quer dizer, não estamos entendendo, não percebe que está apenas assustando todos. – Maycon falara nervoso. Mas ele tinha razão as meninas estavam assustadas, e nós não conseguíamos entender muita coisa.

— Vou simplificar, eles não sabem lutar, se confrontassem os humanos morreriam.

— Então o que estão esperando para matar eles? Derrubar as naves? – Torres indaga

— A base da C.U.F.A principal e mais importante do Brasil se encontra na Amazônia, nas densas florestas tropicais e inexploráveis pelo homem. Os mais importantes médicos, cientistas, forças armadas e passivistas do governo estão lá. Junto com a Base de Tóquio descobriram através de uma esfera que estavam estudando há anos, que as naves deles são impenetráveis e indestrutíveis, não existe meio de combatê-los, o material da esfera não existe em nosso planeta.

— Então o que estão fazendo para ajudar? – Pergunto

— Descobrimos que eles morrem ao se desligar do cérebro, como os Zumbis de ficção.

— Boa comparação. – Maycon fala sorrindo.

— E morrem com calor queimando o corpo do dominado pelos microrganismos Alienígenas, eles não suportam calor. – Como pensei, exatamente do jeito que imaginei.

— Entendemos que você faz parte de uma Base secreta de Médicos e Cientistas, mas não entendemos por que disse que o abrigo de Itapecerica não existe mais, e por que não nos contou tudo o que sabia quando salvamos sua vida. – Berrei indo em sua direção.

— Nicolas, eu sinto muito. – Ele retira um tipo de comunicador preso em sua cinta, — isso é um rádio que serviria caso houvesse um contratempo, ele está interligado com Itapecerica, mas eles não me chamaram e eu não consigo contato.

— E por isso que acha que estão todos mortos, não me faça rir, minha mãe está lá!

— O que disse Léo? Sua mãe está lá? É por isso que sabem da base de armamento florestal de Itapecerica, mas como acolheram sua família em uma base secreta?

— Meu primo é um militar. – Respondi e Bruno riu, e balançou a cabeça.

— Militares são ficha pequena perto da C.U.F.A, ele é um agente de nossa organização se não sua família estaria morta à está altura. – Arregalei meus olhos, meu primo Marcos André um agente?

— Como disse que contaria tudo que sabia para vocês. – Ele respira fundo como se cuspisse as palavras desordenadas, — não vamos perder as esperanças que são mínimas, Itapecerica da Serra estava despreparada assim como o mundo, tínhamos mais três anos, entretanto eles decidiram atacar, então o mecanismo de defesa dos Japoneses ainda não chegaram, provavelmente não aguentaram os ataques dos Zoens, e pode não haver mais abrigo, vou tentar de todas as formas entrar em contato com eles, porém só poderão ir três pessoas comigo. – Os olhares inundaram Bruno como uma onda de negatividade, João por sua vez dá dois passo e fixa o olhar para o Doutor.

— Está Maluco? Quer mesmo continuar com suas palavras sem sentido?

— Desculpe João, mas são ordens, estava com mais três médicos quando fomos atacados, apenas eu sobrevivi. Então três pessoas poderão substituir eles caso o helicóptero da C.U.F.A venha me resgatar. – Me enfureci como nunca, grudei na gola da camisa branda do Doutor e cuspindo falo desesperado.

— Não fui eu quem te salvei, olhe para aquela menina. — Apontei para Caroline, — se não fosse por ela estaria morto, quer mesmo ver ela morrer? — Ele exclamou cabisbaixo.

— Desculpem, sou extremamente grato por ela ter aberto aquela porta, poderia estar morto agora. – Caroline aproxima-se e pega na mão de Bruno sorrindo.

— Não se preocupe, sei que dará um jeito, você é legal, nos contou tudo. – Realmente a fria adolescente tinha um coração bom, o Doutor então vira de costas e termina.

— Não pararei um segundo de tentar contato com a Base, enquanto isso treinem. – Seu olhar era de medo e desordem, havia mais coisas que teríamos que saber? Provavelmente sim.

**

Depois daquela discussão estranha e um tanto que impactante seguimos João e Torres até uma sala grande com portas de vidros e paredes espumadas acinzentadas. Era uma sala de treinamento de tiro. Havia um enorme balcão dividindo a sala e logo a frente alguns círculos que serviam de alvos. Seria naquela sala que aprenderíamos a nos defender dos infectados que tomavam nosso planeta com grande rapidez. Aquela sala gelada fazia meu coração palpitar, sentir aquelas armas em minhas mãos era como ter um monstro indomável, nunca me imaginei atirando em alguém. E sabia que não tinha jeito com armas. Entretanto tinha que proteger meus irmãos, Luiza e Caroline de todas as formas possíveis.

Torres colocou todas as armas sobre uma mesa metálica. Dividiu as armas por calibres e parecia querer começar pelas mais leves e menos potentes. Eram muitas armas, tínhamos sorte de ter tantas. Mandou todos vestirmos coletes a prova de balas, e escolher uma arma.

— Aconselho começarem com a 9 mm, além de ser leve é muito instável na hora de correr atirando. – Torres entregou uma arma para mim e fez o mesmo com todos. Se colocou na frente do alvo e apontou a arma preta emborrachada. – Destravem a arma, olhem bem para o alvo, coloquem o dedo sobre o gatilho. Façam com que a arma se funda aos seus sentidos, sintam ela em suas mãos, conversem mentalmente com ela, esvazie os seus pensamentos e atire...

Não sei como fez, mas o tiro atravessa o alvo bem no meio. Ele realmente era bom, conseguia atirar perfeitamente mesmo nesta distância. Nunca conseguiria tal proeza. Léo foi o primeiro a se aproximar de Torres.

— Garoto, coloque o pente em sua arma, destrave e mire. – Ele mordiscou o lábio, parecia tão seguro do que fazia, ele realmente era corajoso. Olhamos para a feição soada do menino que ficou quase um minuto olhando para o alvo até atirar.

— Não acredito! – Exclamo.

— Você conseguiu acertar o alvo de primeira, mas ainda falta tempo até atingir o centro dele, meus parabéns rapaz. – Torres vangloriou Léo e João soltou um leve sorriso para o garoto que ficou sem graça. Até mesmo Clarice teria que atirar, nunca pensei que minha irmã seguraria uma arma em minha frente, mas agora era questão de sobrevivência. João então interrompeu a tensão de se segurar uma arma.

— Enquanto treinam, quero que Maycon me acompanhe até Pinheiros. Como prometido salvaremos seu pai que está preso, estamos com as armas, coletes e mascarás de gás, podemos...

— Não, ele está morto! – Falei seco.

— O que? – Gritou Marry, — como morto?

— Sim, o papai estava infectado no meio deles. – Clarice indaga ainda sofrendo muito.

— Desculpem não falar quando cheguei, mas não queria preocupar ninguém, já tínhamos problemas suficientes com Helena, depois o homem com a bíblia, agora as revelações de Bruno. – Torres tocou meu ombro.

— Assim que entrou percebi a expressão não de medo, mas de sofrimento. A princípio pensei que fosse por ver Jhon morto, mas agora percebo que era pelo seu pai, você é mais corajoso do que imaginei rapaz.

— Obrigado, mas já sofri em silêncio, vamos continuar com isso, por que quero sair daqui e ver nossa mãe, não é Léo e Clarice. – Eles sorriram, e continuamos com nosso treinamento. Maycon saiu da sala levando sua arma, não disse absolutamente nada, apenas saiu. João entortou o lábio e fez um sinal para ficarmos de olho no rebelde.

**

Havia se passado algum tempo desde que começamos treinar. Meu suor escorria de minha testa pela pressão sobre meu consciente, não consegui ao menos acertar o alvo. Até Caroline acertou e eu não, por que? Não tenho jeito com essas coisas mesmo, acho que não nasci para matar. Léo era bom, estava excitado em atirar, Clarice não tinha jeito assim como eu. Marry definitivamente nunca conseguirá atirar, pois até a arma não conseguia segurar, mas o nosso foco era claro. Aprender o quanto antes.

— Levante mais o braço Luiza. – Falou João que levanta o braço dela.

— Caroline foque mais a mira no alvo e não flexione os joelhos. — Torres diz, e chega até mim. — Nicolas, você consegue concentre-se.

Eu tinha que conseguir acertar o alvo. Segurei firme a arma emborrachada, ergui sobre a altura de meus olhos e era agora. Engoli seco minha salivação que aglomerava em minha boca pela impaciência que estava sentindo. Esvaziei meus pensamentos como se não houvesse ninguém ao meu redor, a única coisa que via era o alvo. Coloquei o dedo no gatilho flexionei os olhos mirando e atirei.

— Foi fácil não foi? – Torres bate em minhas costas. Ainda não tinha visto, mas quando olhei para frente havia atirado no alvo, não no centro, mas estava lá no alvo.

— Estão melhorando, logo passaremos para o fuzil, um calibre mais pesado. — Assim que João termina de falar escutamos um tiro, um som abafado pelos vidros da sala de treinamento, mas alto o suficiente de escutar.

— Maycon! – Gritei, — meninas fiquem aqui.

Corremos porta à fora preocupados com o tiro. Descemos para o andar de baixo sem olhar para trás, esbarramos em Bruno que estava em uma sala tentando contato com a Base, mas ele nada sabia. Léo, João Torres, Bruno e eu nos separamos para achar Maycon no meio daquele prédio. Estava armado, levei as dicas de Torres, arma em mãos, foco no alvo.

– Maycon? — Gritei, mas ele não respondia. Fui até uma sala, abri sorrateiramente a porta e me deparei com uma coisa horrível.

Havia um saco de pó branco espalhado pela mesa. Toquei meu dedo naquele pó e percebi que minha linguá adormecia, era Cocaína, droga pesada espalhada por todos os lados. O que era tudo isso? Estava no corredor onde o homem religioso estava algemado, fui até onde ele estava preso. Andei contando os passos e me deparei com uma porta aberta.

— Maycon, está ai? – Estava escutando um gemido, um choro abafado. Entrei na sala e lá estava o roqueiro sentado no chão segurando a arma e chorando como uma criança. —O que está acontecendo Maycon?

— Ele me atacou, não queria fazer... – Percebi que ele tremia, não me aproximei muito. Maycon estava drogado. Mas isso era o de menos, pois o que ele fizera com o homem algemado me fez quase cair para trás com uma repulsa e anciã absurda.

Notas finais
Agora que leram, estou ansioso pelo review, quero saber o que estão achando. Pontos que precisam melhorar e tudo mais. Te espero nos comentários ;)