Nuvens de Sangue
4 Capítulo 4 - Discurso
Notas iniciais

Saudades dos velhos tempos, dos bons momentos passados com pessoas que amo que sumiram junto com está brisa que tocara em meu rosto. Sorrisos e lembranças vinham em minha mente e me machuca como um ferro quente sendo lascado em pele. Gostaria de estar com meu pai, com minha mãe. Mas o choque de ver este mundo em ruínas me matava, mesmo eu não respirando aquele veneno. Meu Deus por que eles estão se matando? Crianças sendo mortas aos meus olhos, que inferno é este? Será o juízo final? Preferiria que o sol descesse a Terra, seria mais aceitável e menos desumano. Uma mulher que chora ao ver seu filho morrendo, um idoso que teme a morte a sua frente, uma grávida segurando sua barriga enquanto é dilacerada, um deficiente caído ao lado de sua cadeira de rodas a espera da morte, é isto mesmo que merecemos? Que mundo é este, onde estou? Tenho medo, tenho medo de morrer.
– Nicolas? Está me escutando, temos que ir até o último vagão do trem ou morreremos. — Tomei um puxão no braço e voltei a consciência, era Maycon que corria sobre o trem destruído fazendo sinal para seguirmos.
Minha irmã segurou firme minha mão a ponto de ficar vermelha, o medo em seus pequenos olhos me destruía por dentro. Não deixarei acontecer nada com ela, Léo pode cuidar-se sozinho, mas Clarice é nossa princesa, ela ainda não pode. Tenho que ajudá-la de qualquer forma e de todas as maneiras possíveis.
– Estou com medo, vamos morrer? — Ela me pergunta ainda com lágrimas nos olhos, mas o meu medo era forte e não consegui responder, entretanto Luiza pegava no ombro de minha irmã e falara com um sorriso entre choro.
– Não vamos morrer, segure firme a mão de seu irmão e vamos seguir aquele rapaz, entendeu? — Clarice concordou com a cabeça. Então junto com o policial Torres, Léo, Luiza, Caroline e Clarice seguimos Maycon até onde ele nos garantiu que teria respostas.
Dava-se para ver o último vagão, como estávamos no centro do trem teríamos que correr e pular cinco vagões. Cambaleando pisamos firme no metal que servia de chão para nós, era tenebroso a sensação de estar em cima de um trem, ainda mais que pessoas estavam morrendo ao redor dele, não consegui tirar da cabeça uma única coisa: Será que eles poderiam subir onde estamos? Não queria descobrir de jeito nenhum. A cada passo dado era um choque, alguns vagões estavam virados e retorcidos dificultando ainda mais, olhei para trás e via a dificuldade de Lé e Caroline que não deixavam um ao outro. Luiza estava ao meu lado com Clarice e juntos nos ajudamos a passar de um vagão a outro.
– Estamos perto, apenas mais um! — Gritou Maycon.
– Espero garoto, por favor! — Torres o rebateu. Deveria ter avistado ao chão gramado envolto dos trilhos uma movimentação gigantesca de algumas pessoas dominadas pela aquela fumaça. Estavam tentando subir ao trem onde nos encontramos. Faziam barulhos horrendos com a boca, batiam as mãos no trem fazendo-o balançar.
– Meu Deus! — Murmurou Léo abraçando Caroline que estava com uma feição de pânico, enquanto Torres apontou sua arma para um deles e sem esperar atirou na cabeça do descontrolado, fazendo ele cair imóvel.
– Vamos continuar, antes que eles subam no trem e peguem todos. — Olhos atentos a todos os movimentos abaixo, tentei não olhar para baixo, mas aqueles olhos negros me encaravam querendo meu sangue, querendo minha carne. O que eles pensam, será que realmente pensam?
– Chegamos, estamos enfrente o último vagão, — Maycon concluía.
– Como entraremos dentro deste vagão levantado? — Perguntei. O vagão estava um pouco levantado, só conseguiríamos entrar se pulássemos no chão.
– Temos que entrar do jeito que sai, pelas portas! — Berrou Maycon saltando do vagão.
– Não, não pule você ficou maluco. — Caroline eufórica encostou as palmas das mãos no trem e olhou para baixo, corri e fiz o mesmo.
– Eles estão longe, vamos rápido ou será tarde. — Vociferou o rapaz de preto sumindo para a porta do trem.
– Segurem firmes suas armas rapazes e vamos seguir o rapaz. — Torres pulou o vagão. Olhei para os lados e os assassinos descontrolados estavam correndo para um lado oposto, talvez tenham visto alguma alma viva tentando fugir. Pulei, segurei a mão de Clarice e a fiz pular em meu colo.
– Vamos Luiza! — Ela foi a seguinte a pular, segurei firme sua mão e a ajudei a tocar os pés nos trilhos. Léo e Caroline foram na sequência.
Era estranho tocar a solo do sapato naquelas pedras e ferros que se encontravam no chão. Tive a sensação de morte ao tocar o solo dos trilhos. Na realidade fedia a morte o ar que respirava, Maycon bateu duas vezes no vidro do vagão. Como era o ultimo pela explosão os vidros e portas não se danificaram, era uma boa por podermos nos esconder até descobrimos o que fazer.
– Seu João, abra! — Gritou Maycon.
– Garotos apontem suas armas agora. — Disse o policial, virei a cabeça para trás ,foi como se tudo rodasse em câmera lenta. Joguei Clarice para trás de mim, e Luiza fez o mesmo com Caroline.
Alguns homens estavam vindo em nossa direção, estavam banhados a sangue. Seus olhos eram negros como um poço sem fundo, levavam pedaços de órgãos em suas mãos e berravam palavras desconhecidas, se é que poderá ser palavras. Apontei minha arma para frente, minha mão soava frio, fazendo o revólver deslizar sobre a lisa palma, coloquei o dedo no gatilho e mirei na cabeça do desgraçado.
– Morre! — Errei o tiro, droga ele está muito próximo, — Corram.
– Não! — Léo atirou e o tiro acertava o centro da testa do homem que caia, seguidamente o homem atrás levava um tiro na cabeça devido a bala saída do revólver de Torres. Senti uma dor no peito como se fosse cair, eu sou um inútil? Meu irmãos mais novo é mais forte do que eu?
– Não liga mano, eu jogo muito Kinect. — Léo sorria e juntos corremos até a porta do trem que se abria para entrarmos.
Em um piscar de olhos estava pisando novamente em metal, estava sobre o chão do vagão. Não virei para ver mais escutei a porta se fechando com um toque de botão que ficava ao lado dos vidros. Do lado de dentro nos esperava algumas pessoas. Um velho de cabelos grisalhos e óculos, uma senhora que aparentava ter a mesma idade e supostamente era esposa do senhor, uma garota bonita de cabelos castanhos claros e um homem de terno e gravata.
– Sabia que voltaria rapaz, e o outro que estava com você? — A voz rouca e sonolenta do velho direcionou a Maycon.
– Olhe pela janela, — Maycon respondeu, e todos foram até os vidros trincados do vagão e olharam um corpo caído próximo.
– Meu Deus! — Gritou a menina.
– O rapazinho de cabelos pretos acabou de matar nosso amigo. — Léo deu dois passos para trás e balançou a cabeça negativamente.
– Desculpe, não tinha intenção de machucar, só que ele queria nos matar.
– Sim meu querido, não se preocupe. — Falara a velha senhora abraçando Léo que chorou ao saber que eles conheciam o homem.
– Então quem são vocês? — Perguntei, e o homem de terno responde.
– Me chamo Jhonatan, mas me chamem de Jhon. Está garota aqui é a Marry. A senhora se chama Helena, e o senhor João. E acho que já conhecem o rapaz teimoso ai não é? — Ele apontará para Maycon.
– Muito prazer Jhon, — dei minha mão ao encontro da dele e nos cumprimentamos. — Estes são meus irmãos Léo e Clarice. A garota é uma amiga, se chama Luiza e está e sua sobrinha Caroline.
– Podem me chamar de Torres. — E o velho observava o policial com uma fixação fora do comum, o media dos pés a cabeça. — O que foi senhor?
– É um oficial?
– Sou sim!
– Bom, tenho saudades de usar um uniforme. — Torres se aproximou do velhaco arregalou os olhos.
– Um ex-militar? — João sorriu e sentou em um banco torto.
– Filho, sou João Gregório, Ex General do exército Brasileiro, aposentado e bem feliz com a esposa, pelo menos eramos felizes não é?
– Que honra senhor, não tive a chance de conhecer um General, fico lisonjeado. — Observei a conversa dos dois, realmente o senhor era importante, mas será que ele sabia o que estava acontecendo? Maycon falou alguma coisa sobre respostas, não posso esperar acontecer mais tragédias. Estava todos em um estado de explosão, todos andavam de um lado a outro no vagão. Enquanto em alto som percebia o desastre que estava ocorrendo lá fora. Muitas pessoas gritando, um cheiro forte de sangue, a morte era o ar que respirava neste momento. Mas foi em meio a tantos pensamentos ruins que escuto o bipe de algum celular, olhei furiosamente para Marry.
– Meu celular voltou a funcionar! — Gritou ligando o aparelho.
– Léo pegue seu celular, ligue para a mãe, ligarei para nosso pai.
– Agora mesmo! — Não sabia o motivo dos celulares não estarem funcionando, mas voltaram de alguma maneira. Poderia falar com meu pai, saber se ele estava bem. Liguei meu aparelho, demorou alguns segundos para ligar. Os segundos mais longos da minha vida inteira, ligou! Disquei histericamente os números e coloquei o celular no ouvido. Um toque, dois toques, três toques de chamada, ele não vai atender?
– Nic? — Atendeu, sua voz estava trêmula.
– Pai, meu Deus, onde você está?
– Estou dentro de uma sala de segurança na estação Pinheiros, meu filho o que está acontecendo?
– fique ai pai, iremos lhe buscar, por favor não saia de maneira alguma, tranque bem as portas.
– Vocês estão bem? — Sua voz estava fraca e a ligação ruim.
– Sim, pai... — A ligação caiu, não! A minha bateria havia acabado, logo agora. Mas sabia que ele estava bem, enquanto Léo falava com nossa mãe. Um alívio saber que os dois estavam vivos, Léo passou o telefone para mim.
– Mãe?
– Nicolas, por favor cuide dos meus filhos, cuide dos seus irmãos, meu Deus!
– Sim Mãe, cuidarei deles, onde a senhora está?
– Estamos em uma base militar em uma área de preservação ambiental aqui de Itapecerica da Serra. — Meus olhos arregalaram-se.
– E como foi parar ai? Me explique por favor. — Minha mãe chorava muito ao telefone.
– Seu primo Marcos André, aquele das forças aéreas apareceu na casa de seu Avó e chamou todos da família para sairmos de helicóptero, achei estranho! Os helicópteros estavam pousados no campo de futebol do bairro, saímos depressa e não entendi muito.
– Mãe como pode? Existe uma base militar no meio da mata? E Em itapecerica da Serra?
– Sim, com muros altos de mais de 20 metros e grades elétricas por todos os lados! Assim que Marcos André voltar buscaremos vocês na estação de trem, filho fique ai, não sai... — A ligação caia. Estava gelado e tremia com o que minha mãe havia falado, se existia uma base assim eles já sabiam que aconteceria tal tragédia? Tentei ligar novamente para minha mãe, mas ela não atendeu.
– Como está a mãe e o pai? — Perguntou Clarice chorando.
– Estão vivos e bem! — Respondi seco.
– O que foi? — Clarice rebateu.
– Desculpe, estou pensativo. — O governo sabia, eu tenho está certeza!
– Pessoal, venham até aqui! — Gritou Luiza, ligando seu celular na televisão e colocando em um banco. Estava ligado em um canal onde a Presidente do Brasil fazia um discurso, uma mesa enorme estava posta em sua frente, inúmeros microfones em sua boca e diversos homens ao seu lado. Colocamos em alto volume e todos prestamos atenção no que ela falava.
Excelentíssima Senhora Presidente
– Meus amigos e minhas amigas — suspiro -, estou consternada com que está ocorrendo em todos os lugares de nosso país. Não tenho palavras para confortar a todos, mas tenho que falar o que realmente está ocorrendo. Estamos sofrente um ataque, e não se trata de um ataque terrorista e sim um ataque Alienígena. Parece mentira, mas sim! Devo avisá-los que os governos que tratam de fenômenos extraterrestres ou simplesmente a NASA se quer avisou alguma coisa a países que não tinham tecnologia suficiente para combater tamanha catástrofe. Não sabemos a origem deles, nem mesmo o que querem!
– Impossível! — Gritei, e todos mandaram eu me calar e a Presidente não parou o discurso.
– Como podem ver estou com uma ferida em minha testa, — ela estava roxa. — Fui atacada por meus dois seguranças de maior confiança. Está névoa, nuvem ou gás vermelho que saem das esferas são altamente tóxica, não cheguem perto, é um alerta vermelho. Estamos colocando todas as forças militares nas ruas para ajudar a controlar a infestação de pessoas que inalaram o gás. É de extrema importância que você meu amigo, minha amiga, não saia de casa! Tranque as portas, janelas, portões. Até que tudo se resolva.
– Ela está chorando? A presidente, chora. — Mencionou Caroline.
– Estou arrasada com o desastre, o número de mortos cresce sem parar, o fim dos dias chegou. E tenho que dizer, o Brasil não estava preparado para este fenômeno alienígena, eles são mais fortes, usam nos mesmos, debocham do poder destruindo famílias e vidas. Espero que quem esteja assistindo este discurso viva para nos ajudar a destruir este caos. Muito obrigada. — Ela deixa a bancada sem delongas e a televisão sai fora do ar no exato segundo.
– O que faremos? — Perguntou Jhon, e Maycon fumando um cigarro debocha.
– Estamos perdidos, o nosso país é de segundo mundo, não existem maneiras de vencermos. — As meninas entraram em pânico e o Seu João o velho de cabelos brancos andará ate um mapa da cidade que estava em um vidro no trem e quebra.
– Podemos não vencer, mas vamos sair daqui. Oficial Torres, temos que chegar até a base da Polícia Civil, tenho passe livre por ser ex general, pegamos armas, coletes, mantimentos e máscaras de gás.
– Concordo que temos que sair daqui senhor, mas como iremos? Andando nos trilhos? — Léo ironicamente indagou.
– Existem carros da polícia civil próximo daqui, dois carros na frente da entrada do presídio, são blindados se chegarmos até eles poderíamos ir até pinheiros sobre os trilhos, onde não existem muitas pessoas.
– Tenho que buscar meu pai!
– Você ficou maluco Nicolas? Não vamos sair da rota de fuga, pode morrer se fizer isto. — Gritou Maycon.
– Não importa, vamos salvar o meu pai! — Clarice até então calada dizia, — se fossem alguém que amassem buscariam de qualquer jeito não é? — E Maycon pegou na bochecha de minha irmã e respondeu.
– Seu pai já deve ter morrido princesa. — Léo saltou para cima de Maycon antes mesmo de eu ter a reação.
– Se encontrar na minha irmã novamente eu atiro com esta arma em sua cabeça.
– Papai já não lhe disse para não brincar com armas garotinho. — Léo da de ombros para o rapaz de cabelos rebeldes, e Caroline sorri para ele.
– Tenho uma coisa a dizer para vocês! — Falei olhando para todos. — Existe um lugar onde podemos esperar que passe tudo isto, um lugar seguro. Quando falei com minha mãe ao telefone, ela falava de um lugar em Itapecerica da Serra, uma base militar com muros altíssimos e proteção contra estas coisas.
– Está querendo que atravessemos a cidade para chegarmos em Itapecerica? — Jhon reclamou, e Torres bateu no peito e falou.
– Temos que arriscar. Pegaremos os carros blindados, salvaremos o pai de Nicolas, partimos até a base civil e vamos para Itapecerica. Alguém tem alguma coisa contra a este plano?
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