Nuvens Cinza Monocromáticas

3 Capítulo 2 - Luta na Casa de Banho


- Não achas que ela está a demorar um bocado? — perguntei ao Taiko.

Tínhamos saído do autocarro e estávamos agora a comprar refrigerantes numa máquina de bebidas da estação de serviço, assim como a maioria dos estudantes que se reuniam agora em grupos e conversavam alegremente.

Taiko limitou-se a confirmar as horas no telemóvel e teve de concordar comigo.

- Ela não me pareceu muito bem no autocarro. Se calhar é melhor ires ver dela. — Concluiu.

- Às tantas adormeceu na casa de banho. — Respondi sorrindo — vou ver dela então. Espera aqui.

***

- Qu’esta merda? — Por fim algo saiu dos lábios de Cassie.

A sua voz ecoou pela casa de banho e fez com que algo se movesse por detrás da pilha de corpos.

- Quem está aí?! — Gritou Cassie.

Foi então que ouviu alguém soluçar.

- Eu não queria... eu não queria...

Cassie olhou em volta e procurou algum objecto que lhe garantisse alguma segurança contra o que quer que fosse que estivesse por detrás daquilo tudo. Mas antes que conseguisse terminar a sua busca, algo pesado embateu contra ela e só sentiu o bater de costas na parede com a força do impacto.

- Tu viste... — disse a estranha voz.

Cassie abriu os olhos e viu que à sua frente estava uma estudante de cabelos negros e olhos verdes tingidos de vermelho. Havia sangue espalhado à volta da sua boca escorrendo até ao queixo.

- Miriam?! — Exclamou assim que reconheceu a melhor amiga da sua companheira de quarto.

Alguma razão pareceu tomar conta da rapariga e o seu olhar passou de louco para assustado.

- Raios... tinhas de ser tu. — cuspiu.

Cassie ainda não tinha recuperado do choque quando sentiu as mãos de Miriam apertarem-se à volta do seu pescoço.

- Tu ‘tás doida?! — grunhiu enquanto sentia as mãos a apertarem com mais força, dificultando-lhe a respiração.

\"Merda, o que é que se passa?!\"

- Tu não lhes vais contar nada! Não podes... — no momento seguinte Miriam foi projectada para trás com a força do impacto da joelhada que Cassie lhe deu no estômago.

As duas levaram alguns segundos a recompor-se mas logo estavam de pé e olhavam-se, planeando o próximo ataque.

- Eu não sei o que é que se passa... — disse Cassie. — Mas não sais daqui sem responder pelo que fizeste! — e apontou para os corpos das colegas que jaziam atrás de Miriam.

Miriam olhou momentaneamente para trás e foi o suficiente para Cassie lhe assentar um murro que a atirou para a parede entre dois cubículos. Miriam ainda não tinha recuperado e já Cassie estava em cima dela outra vez, mas desta vez, Miriam desviou-se a tempo e lançou um pontapé lateral na adversária desequilibrando-a e atirando-a para dentro de um dos cubículos. Por pouco a cabeça de Cassie não embateu com a parede, já que esta travou a queda apoiando as mãos na mesma. Ainda sem parar subiu para cima da sanita, girou 180 graus e apoiando-se nas paredes superiores do cubículo, elevou-se no ar e balançou-se para a frente. Entretanto Miriam olhava para dentro do cubículo, apenas para levar com os pés de Cassie na nuca sendo projectada para o fundo do cubículo e perdeu os sentidos ao bater com a cabeça na parede.

Cassie apressou-se a fechar a porta do cubículo, aprisionando a predadora no seu interior. Ao concluir que não provinha nenhum movimento de dentro do mesmo, pôde por fim respirar fundo. Olhou para trás e encarou a pilha de corpo.

Tinha medo de confirmar o estado das colegas, mas mesmo assim aproximou-se e ajoelhou-se junto delas.

- uuugh. — uma delas gemia baixo. Estavam vivas afinal!

- Estás bem?! Consegues falar? — perguntou Cassie.

- Água. — pediu uma delas.

Cassie olhou em volta e viu os lavatórios.

- Consegues levantar-te? Anda, eu ajudo-te. — E tratou de encaminhar a colega para o lavatório. Logo de seguida as outras duas começaram também a dar sinais de vida e fez o mesmo com elas.

- Esperem um pouco! Vou chamar alguém para vos ajudar! — e correu para fora da casa de banho, procurando por algum professor.

Assim que Cassie saiu da casa de banho, as três raparigas entreolharam-se. A água não lhes estava a tirar a sede. Os seus corpos pediam por algo mais...

***

Quando cheguei à casa de banho não vi ninguém. Estava completamente vazia.

- Mau... onde é que anda a Miriam? — perguntei a mim mesma.

De repente comecei a ouvir passos apressados atrás de mim. Olhei para trás e vi Cassie a correr juntamente com a nossa professora.

- Sai da frente, Miku! — exclamou enquanto me empurrava para o lado e entrava na casa de banho.

Ela olhou em volta, procurando algo, mas pela sua cara de desespero, não estava a encontrar.

- Elas estavam aqui stora! — exclamou. — Para onde é que aquelas gajas foram?!

- Pela gravidade dos ferimentos que me disseste, elas não deviam conseguir sair daqui Cassie. — a professora olhava desconfiadamente para a minha colega de quarto.

- Elas não devem ter ido para muito longe. Devem estar nas redondezas! — de seguida olhou para mim — Miku! Viste alguma miúda com o uniforme ensanguentado a sair da casa de banho?

- Han?! — exclamei confusa, aquilo não fazia sentido. — Acabei de chegar, não vi ninguém a entrar ou a sair desta casa de banho.

- Cassie... — a professora olhava impacientemente.

- Espera, ela estava aqui! — e Cassie correu para um dos cubículos. — RAIOS! Onde é que aquela cabra se meteu?!

- Cassie, eu não aturo mais as tuas idiotices! — exclamou a professora — estás a atrasar a visita de estudo!

- Mas stora, olhe para o chão! Há manchas de sangue em todo o lado!

Mas antes que pudéssemos confirmar as luzes da casa de banho apagaram-se.

Notas finais
Se lerem, por favor comentem ;_; É da maneira que me sinto motivada a continuar.
Ou então critiquem dizendo que está mau e não entendem nada ;p