Nuvens Cinza Monocromáticas

4 Capítulo 3 - Estilhaços


Notas iniciais
Já se passou quase um ano desde a última vez que escrevi para esta fic ^^U

Capítulo 3 — Estilhaços

Havia um corredor branco, fortemente iluminado até onde a vista conseguia alcançar. Completamente branco, sem qualquer decoração, excepto sinais a indicar que era proibida a entrada de pessoal não autorizado. Nesse corredor apenas caminhava um homem, pelo uniforme que envergava parecia trabalhar naquela estação de serviço, na mão direita carregava uma caixa de metal e na esquerda um papel que se assemelhava a um mapa, era neste último que a sua atenção estava concentrada.

Do bolso das suas calças um pequeno comunicador que até então estivera silencioso, começou a apitar.

- Jake, onde andas? — ouviu-se.

- Estou no corredor A-4. Segundo parece há umas lâmpadas fundidas para estes lados, vim trocá-las.

Começava agora a notar alguma escuridão um pouco à frente. À medida que se ia aproximando, começou a ouvir um som abafado vindo da escuridão.

- Está aí alguém? — perguntou em voz alta, não obtendo resposta falou para o comunicador — Há mais alguém no corredor?

- Não. Pessoal autorizado, só tu. A menos que algum dos miúdos da visita de estudo lá fora se tenha esgueirado cá para dentro." — respondeu a voz vinda do comunicador.

- Só me faltava esta... — Jake, pôs o mapa na caixa de metal e tirou de lá uma lanterna, apontando-a para a escuridão. A luz mostrou-lhe que havia algo anormal junto de uma das paredes do corredor. Parecia alguém sentado encostado à parede. À medida que se foi aproximando começou a conseguir visualizar melhor a silhueta de uma rapariga de uniforme escolar com a cabeça entre os joelhos. O som abafado que ouvira tratava-se afinal dos soluços da rapariga que parecia estar a chorar.

- Hey, não podes estar aqui. — disse calmamente quando já se encontrava a poucos passos da rapariga.

Finalmente ela parecera dar por ele, já que levantou a cabeça, mas assim que a luz lhe iluminou a cara voltou a tapa-la.

- Aponta isso para outro lado" — pediu.

Jake atendeu ao pedido e passou a iluminar o chão, foi então que reparou nos pequenos estilhaços de vidro que lá se encontravam.

"Donde é que isto veio?" — só então se lembrou de apontar a lanterna para o tecto. As lâmpadas tinham sido todas partidas. — Mas que...

Antes que conseguisse dizer mais alguma coisa sentiu uma força bruta contra o seu corpo a empurra-lo contra a parede onde embateu com as costas. A lanterna caíra para o chão iluminando apenas os sapatos do uniforme escolar do seu agressor. Tentou agarrar o agressor na escuridão, mas apenas sentiu uma dor lancinante no braço, como se algo tivesse cravado os dentes neste. A última coisa que sentiu foi uma mão agarrar-lhe a cabeça e força-la a bater na parede várias vezes, até o deixar sem sentidos.

***

Taiko olhava para o relógio impaciente. Já havia um bom bocado que Miriam e Miku tinham ido para a casa de banho e ainda não tinham voltado.

- Se calhar é melhor ir ver se está tudo bem. — pensou e começou a encaminhar-se para a porta de entrada da estação.

Foi então que foi abalroado por 3 raparigas que vinham na direcção oposta.

- Hey! Tenham cuidado! — exclamou, mas elas nem olharam. Deteve-se a olhar para as raparigas, estas correram para as máquinas de bebidas e estavam a experimentar todas, com um desespero no olhar que Taiko nunca lhes tinha visto.

A maneira frenética como as raparigas andavam à volta das máquinas não passara despercebida aos restantes colegas que ficaram a olhar para elas com o mesmo ar de espanto que Taiko.

- Raios... nada me tira a sede... — exclamou a rapariga que Taiko identificou como sendo Guerta, uma das suas colegas de turma, aquela sempre fora a mais calma das três.

- Para onde é que estão a olhar, palhaços?! — gritou Janette, amiga de Guerta.

Entretanto Josephine, a que sempre fora a mais esperta das 3, apareceu a correr com 3 garrafas de cerveja que deu de imediato às amigas. Janette esvaziou a garrafa de imediato, provocando alguns comentários nos colegas em volta.

- Ganda maluca! Vai ficar cá com uma moca!

Josephine limitou-se a dar dois golos pequenos na sua cerveja e logo a afastou da boca. Parecia nervosa. De facto Taiko conseguia-a ver a tremer levemente. Levou a mão ao rosto e riu-se nervosamente.

- Não há outra maneira... — sussurrou. As duas amigas olharam na sua direcção trocaram um olhar cúmplice. Josephine ergueu a sua garrafa de cerveja no ar e de seguida embateu-a com força na parede, partindo a garrafa em vários pedaços.

- Estás doida Josephine?! — gritou um dos os colegas mais próximos que quase tinha sido atingido pelos cacos que haviam voado da colisão.

- Mais ou menos. — respondeu Josephine enquanto se agachava para apanhar o mais bocado que sobrara da garrafa estilhaçada.

Entretanto as duas amigas tinham se posicionado uma de cada lado do colega que gritara.

- Hey, o que é que vocês estão a fazer?

***

Miriam observou o estranho cair a seus pés, inconsciente. Nem sabia ao certo porque fizera aquilo. Fora um impulso. O mesmo impulso que a levara a atacar as suas colegas.

- Não... — aquilo não era ela. Ela nunca poderia ter feito aquilo.

Ela nunca gostara de violência, ela nunca lutara com ninguém na vida. Porquê? Porquê aqueles impulsos de raiva? Porquê?

- Tenho de fugir... Eles vão-me apanhar, ele vão saber que fui eu que fiz aquilo a elas. Ela vai-lhes contar tudo!

Miriam tentou correr dali para fora, mas assim que saiu da escuridão, os seus olhos começaram a arder e deixou de conseguir enxergar o que quer que fosse. Viu-se obrigada a voltar para a escuridão, para junto do indivíduo que ela deixara KO.

- Não consigo sair daqui... — foi então que o seu olhar se prendeu na caixa de metal ao lado do homem. Abriu-a e entre lâmpadas e fusíveis encontrou um molho de chaves e um mapa. No mapa encontrou rapidamente o símbolo que procurava: Quadro Central.

- Vou apagar as luzes todas e fugir daqui.

***

- Josephine, já chega! — gritou o delegado de turma que entretanto tinha chegado ao local, juntamente com mais colegas. — A brincadeira já foi longe demais e ainda alguém se magoa! Larga esse caco de vidro!

Josephine olhou em volta e vendo que estava em desvantagem numérica, hesitou. As companheiras notaram o mesmo e foram para junto da amiga.

No instante em que as raparigas pareciam ter sido neutralizadas, falhou a luz. O som do vidro a partir-se e dos gritos multiplicaram-se criando o pânico em todos aqueles que os ouviam.

Notas finais
Motivem-me a continuar a história, façam um comentáriozinho :P
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.