Eu cresci. Cresci vendo minha mãe chegar dos bares bêbada e toda arranhada. Cresci fugindo pra casa de meu pai. Cresci exalando aquela fumaça tóxica do cigarro. Cresci chorando nesse mundo de ruínas que era minha vida.

Hoje tenho quatorze anos... E meu pai está se mudando para a rua Frogtos, que fica cinco quarteirões da minha casa. Estou ajudando na mudança, por os móveis de casa pro quintal, do quintal pra calçada da rua, e da calçada da rua para o caminhão.

É muito cansativo isso tudo. Meu pai se muda todos os anos na esperança de que um dia em alguma casa ele encontre sorte.

Estava dando sete da noite e eu estava com sede.

_Pai, eu vou comprar água pra mim.

_Tá.

Silêncio.

Eu olhava pra ele enquanto ele me olhava.

_Que foi Catherine?

_O dinheiro pai, o dinheiro. Se esqueceu que eu sou menor de idade, e que não trabalho, e quem me banca é você?

_Olha lá como fala, hein garota!

Ele sacou uma nota e me deu.

_Isso tudo? — Eu olhei espantada -

_Sou eu quem te banco, agora vai logo que já está tarde.

Eu fui correndo por uma viela pouco movimentada. Entrei em uma loja de conveniências, comprei duas garrafas e logo saí.

_Meu Pai do Céu! E-Eu esqueci o caminho de volta.

Fui até um poste onde tinha um jovem que aparentava ter vinte anos.

_Oi. — Eu disse enquanto o olhava -

_Oi... — Ele olhou para as duas esquinas da rua, e me puxou pra uma parte escura entre dois prédios. -

_Me larga. O que você está fazendo?

_Shhh! Silêncio, você é muito barulhenta.

_Pode me dizer onde fica a rua Frogtos? Eu disse e ele apertava meu braço como se eu fosse fugir.

_Cala a boca. Fecha os olhos, não vai doer.

_Não vai doer o que?

_Eu mandei calar a boca.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.