Nunca é Tarde Para Amar
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Parecia fácil, até chegar la, sentar e pedir a primeira dose. Começou a recapitular seus sentimentos. Ele estava certo de que não amava Hinata, e que não podia engana-la de tal forma. Mesmo não sendo apaixonado por ela tinha um grande respeito e amizade pela mesma. Sua relação com seus filhos, principalmente com Bolt era difícil. Talvez o ambiente, o estresse, os sentimentos confusos o fizesses ser desligado dos filhos, ainda que sem querer.
Mesmo com todas essas coisas esclarecidas em sua cabeça, não sabia como dar o primeiro passo. A cada gole de sakê ficava mais difícil. Pensava nas consequências. Pensava na reação das pessoas, afinal, não era muito normal um homem se divorciar depois de tantos anos casado e com uma família feita. Já estava na 3ª dose quando...
— Naruto?!
— Hun? ... Ah! Tsunade-obaachan!
— Nunca pensei que fosse te ver em um lugar desses. A imagem do moleque Naruto que vivia de rámen não altera na minha cabeça. — Ah, risonha Tsunade. Estranhamente ficou mais feliz depois de deixar o cargo de hokage. Digamos que ficou menos estressada. Se é que é possível... — Mas enfim, o que faz aqui?
— Apenas esfriando a cabeça, tomando umas decisões...
— Bem vindo à vida adulta!
— Já sou há muito tempo, baa-chan...
— Sei... Você parece indeciso com algo. Não hesite em me falar, conversar e beber são minhas especialidades.
Tsunade era alguém que considerava muito. Realmente não hesitou em contar-lhe tudo que estava passando em sua vida, enquanto a baa-chan apenas ouvia e bebia.
— Basicamente, é isso. — O loiro falava com o olhar já sem esperanças e claramente perdido.
— Entendo.
— Bom, acho que não...
— Entendo sim. Mais que ninguém. Naruto, eu te entendo tanto que chega a doer em mim. Não é que você tenha deixado de amar Hinata, a questão é que você nunca á amou. Você claramente sempre amou Sakura, mesmo tentando mascarar, e colocando outra para preencher o vazio, exatamente... Exatamente como ... — Ela aperta o seu copo na tentativa de conter a emoção mas é inútil.
— Tsunade-obaachan ...
— Como Jiraiya! — Não consegue conter as lágrimas. Ao ajudar Naruto, expões também as suas feridas mais profundas. — Ele tentava me encontrar em outras mulheres mas no fim nenhuma o supria. Ele nunca pôde construir uma família com qualquer uma dessas porque seu coração não permitia!
— Mas eu construí...
— Você foi mais além para poder esquece-la de vez, mas no fim foi tudo inútil. Você está aqui agora, pensando nela como pensava há anos atrás
— Realmente...
— Eu não culpo apenas você ou ele. Como fui burra de não ficar ao lado dele enquanto tive a oportunidade. Estava acomodada, pensei que pudesse te-lo sempre ao meu lado, que ele nunca me daria paz como nos tempos de criança. Mas foi tarde demais quando eu percebi que era minha vez de não deixa-lo em paz, que já estava na hora de dar uma chance para nós dois. Até hoje isso me dói profundamente.
Naruto podia sentir a força dos sentimentos dela. Ele se recorda de como seu mestre á amava, nunca duvidou disso nenhum instante sequer.
— Naruto, o que estou querendo dizer é que você não pode perder mais tempo! Tem que entender que a vida não é eterna pra você poder enrolar em aproveita-la.
— Baa-chan, diferente de mim, o Ero-sennin te amava. Mas Sakura-chan é apenas um amor platônico. O que posso fazer a essa altura do campeonato? Ela se casou com quem sempre amou desde criança, está feliz, realizada e apenas eu fiquei para trás.
— Sabe... — as emoções foram se instabilizando. Tsunade falava olhando para uma direção inexistente. Seus olhos estavam perdidos em um horizonte intransitável. Era visivelmente notável a viagem que fazia em seus pensamentos. A cada gole novo, uma frase. — Naruto, eu não teria sido tão feliz se me casasse com Dan. Eu o amei sim, de fato. Mas o amor da minha vida era, é, e sempre será, o grande idiota Jiraiya.
Naruto se identificou com aquelas palavras. Podia fazer o que fosse, sempre amaria Sakura.
— O que eu quero dizer é que, era evidente, pelo menos pra mim, que Sakura não amava Uchiha Sasuke. Ela não hesitou em ir mata-lo apenas para o seu bem. Para livra-lo de um peso que fazia-o sofrer, mesmo sabendo que você nunca aprovaria tal ato. Era mais evidente ainda, que ela sempre te amou! E quis estar ao teu lado. Mas assim como eu, demorou muito para enxergar.
— Tsunade-baachan, eu acabei de encontrar com ela. Ela parecia estar sofrendo, disse-me que era problemas com o Sasuke.
— Isso comprova o que eu disse.
— Mas pode ser qualquer outra coisa... Talvez o fato de ele nunca estar presente- Ele é cortado pelo forte murro que Tsunade da na mesa, fazendo respingar o sakê.
— Não me conteste garoto. Está querendo dizer que eu não conheço minha discípula?
— Não é isso.
— Então pronto. Ela é como minha filha. Se parece comigo como tal também. Posso entende-la de todas as formas. E aliás, o que está fazendo aqui ainda? Vá correr atrás da sua felicidade. Não perca mais tempo! Sabe o que é mais quente do que esse sakê em dias frios como hoje?
— O que?
— Os braços de quem se ama. Vá, encontre sua felicidade antes que seja tarde!
— Yoshi! Obrigada, Tsunade-obaachan!
Aquela conversa pareceu ter trago de volta sua esperança, sua vontade de ser feliz. E afinal, estava faltando superar seu mestre em um quesito: Conquistar, e viver por toda a vida com a mulher amada!
Não sabia como chegaria em casa, e dar tal notícia à esposa e aos filhos, muito menos como seria dali em diante, mas se tinha dúvidas sobre o que fazer, depois de sua conversa não restara mais nada! Sua vontade era ir correndo ao encontro de Sakura, e dizer o quanto a amava, e poder ouvi-la dizendo que o amava da mesma forma também.
Pela primeira vez em muito tempo, estava ansioso para chegar em casa. Não havia notado a hora, mas já estava tarde. Ao chegar em casa, encontrou tudo apagado, quando se deu conta do relógio que marcava meia noite e vinte. Provavelmente não ia achar ninguém acordado. Foi até seu quarto, e como previsto Hinata dormia. Ou pelo menos parecia.
Hinata apenas fingia que dormia. Como se conseguisse dormir com seu marido fora por tanto tempo. Ele nunca fez isso, sentiu-se aliviada quando notou sua volta, e desesperada quando, ao passar perto da cama para pegar seus trajes de sono, sentiu exalar dele um forte cheiro de álcool. Iria falar com ele, perguntar onde esteve, o por quê da demora. Mas depois daquilo sentiu-se tremula, com medo do que poderia ouvir, parecia sentir que algo ruim estava por vir. Preferiu continuar a fingir o sono. Sua surpresa foi maior ainda quando percebeu que ao trocar de roupa seu marido dirigiu-se à sala, e provavelmente lá passara a noite.
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