Nunca mais me deixe
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Os policiais entraram com fúria do quarto. Bruno e Alba estavam assustados. “Isso não poderia estar acontecendo”, pensavam. Atrás de três dos policiais, estava um homem cego de raiva, ódio. Estevão iria acertar todas as suas contas com Bruno e seria agora. Estevão aproximou-se deles e ficou na frente daqueles homens.
Bruno – Estevão? – disse assustado.
Estevão – Quem pensou que fosse? Maria? Pensou que veio para ser abusada por você novamente?
Bruno arregalou seus olhos com o comentário de Estevão. “Como Maria teve tal coragem de contar? Ou como descobriram?”
Estevão virou-se para os policias – Por favor, podem levar à senhorita Alba. Vou ficar aqui mais alguns minutinhos com o senhor Bruno Mendizábal.
Os policiais, que já sabiam de tudo que havia acontecido com Maria, não deixariam passar em branco essa atrocidade cometida durante o sequestro.
Policial – Claro senhor San Roman. – o policial chegou perto de Alba e a pegou pelo braço e a puxou para fora do casebre, a colocando dentro de uma das viaturas que estavam ali e sentando-se ao lado. Outro policial que estava como motorista arrancou com o carro, levando-os para o Departamento Policial.
Os outros dois policiais que estavam dentro da casa, saíram e ficaram a observar o local.
Estevão – Somos nós dois agora Bruno. Só nós dois. – disse aproximando-se.
~ Hospital – Quarto de Maria ~
Maria estava sentada na cama, encostada na cabeceira chorando. Por mais que o pior já tivesse passado, as marcas e as lembranças ainda permaneciam nela. Maria levantou-se da cama, mesmo com o resto de soro que ainda estava ligado a seu corpo, e caminhou até o banheiro. Olhou-se no espelho. Viu o quão abatida estava. Foi descendo seu olhar ao reflexo de seus braços e observou as marcas dos dedos de Bruno sobre sua pele. Sentiu mais nojo, repulsão de si mesma. Afastou-se do espelho, mas ainda a sua frente, até que se chocou com a parede. Lentamente foi escorrendo até sentar-se no chão. Chorou. Chorou até não ter mais forças.
Estrela que acabava de entrar não viu sua mãe e a chamou – Mamãe? Mãe, a senhora está no banheiro? – viu a porta do banheiro entreaberta e encontrou encontrando sua mãe encolhida em um canto chorando baixo.
Estrela – Mãe? Mãe, o que a senhora tem? Está sentindo alguma dor, mamãe? Me diz mãe, por favor – o rosto de Estrela já havia sido tomado pelas lágrimas. Agachou-se junto à mãe e a abraçou forte, tentando acalma-la.
Maria – Você não vai entender Estrela, não vai.
Estrela – É claro que eu entendo a senhora mamãe. Tudo isso vai passar e a senhora vai esquecer o que o aquele homem fez. – disse sem perceber
Maria – Como? – em meio a seu choro perguntou assustada
Estrela – Mãe...
Maria – Quem te disse isso Estrela? – Estrela permaneceu calada – Me diz Estrela, quem contou isso a você? – disse um pouco mais alto, não deixando de chorar.
Estrela – Eu ouvi mamãe... Ouvi o papai conversando com os médicos e com Heitor.
~ Casebre ~
Bruno – Estevão.
Estevão – O que Bruno? Vai me falar os motivos que te levaram a abusar da minha mulher?
Bruno – Eu... não sabia o que estava fazendo – mentia na tentativa de fazer Estevão acreditar em sua história.
Estevão – Ah não sabia? – chegou mais perto de Bruno e lhe deu um forte soco no rosto que o fez cair no chão – Eu também não sabia que minha mão iria fazer isso, seu verme.
Bruno, levantando-se e afastando-se de Estevão que cada fez se aproximava mais – Vamos conversar Estevão... – disse e logo depois se chocou contra a parede.
Estevão – Vamos, vamos conversar muito querido Bruno.
Estevão, encurralando Bruno, o pegou pelo colarinho de sua camisa e começou a soca-lo descontroladamente.
Estevão – Eu quero ver você abusar de alguma mulher novamente. – deu um soco na barriga do homem que fez sua esposa passar pelos piores momentos de sua vida, seguido de um chute certeiro em seus genitais, fazendo Bruno se contorcer de dor.
Bruno – Estevão...
Estevão – Vai pedir clemência agora? Tenho certeza que quando Maria o pediu para parar você não a escutou não é, seu demente? – voltou a socar o rosto de Bruno.
Bruno – Eu duvido que se você tivesse a mesma oportunidade que eu – bateu no peito – eu tive, você não teria feito a mesma coisa. Uma mulher frágil, linda, dentro de uma ca...
Bruno não pode completar a frase, pelo fato de seu rosto estar tomado pelas fortes mãos de Estevão que foi de encontro com seu rosto.
Estevão – Não sou como você. Eu nunca, me houve bem? Nunca faria isso com mulher alguma. Você é um estúpido, um homem, na verdade nem chamado de homem você pode ser... Você vai se arrepender de ter tocado em Maria.
Estevão começou a dar incansáveis socos em Bruno que não demorou a cair sangrando no chão. Estevão estava como nunca esteve na vida. De longe se via ódio em seu olhar. Mesmo com Bruno jogado no chão, já com vários hematomas, ele continuou o chutando com toda a força que tinha... Até que parou. Ouviu um gemido doloroso de Bruno e conteve-se... Viu o estado em que o deixou. Passou a mão por seus cabelos que estavam bagunçados e despenteados.
Estevão – Acho que aprendeu como tratar uma mulher com respeito. Não aprendeu? – puxou-o e o ergueu – Não aprendeu? – gritou.
Bruno – Sim – sussurrou
Estevão – Eu não ouvi.
Bruno – Sim, aprendi – disse mais alto.
Estevão – Muito bem... Agora escute bem, eu não quero você perto de Maria e nem da minha família, não quero você na minha empresa e bem longe dos negócios da prataria. Você vai sumir das nossas vidas, está me ouvindo? – Bruno acenou com a cabeça, assustado – Eu não quero ouvir seu nome, notícias suas, tudo o que for relacionado a você não me interessa. Pra mim você está morto, morto – gritou e o jogou com força no chão. Estevão o olhou com desdém e saiu do casebre deixando Bruno desmaiado.
~ Casebre – Do lado de fora ~
Dos três policiais que saíram do casebre, dois estavam à espera de Estevão, encostados na viatura.
Policial1 – Você ouviu os gritos do Sr. San Roman?
Policial2 – Não era pra menos. Aquele homem abusou da esposa dele, nada mais justo que o deixar fazer o que quiser com ele. Ele não sofreu nem metade do que ainda irá sofrer na prisão.
Policial1 – Quando alguns detentos souberem o que ele fez... – deu uma risada rápida – não quero nem saber o que farão com ele.
Estevão – Policial?
Policial1 – Sim, Sr. San Roman.
Estevão – Podem pegá-lo. Já terminei o que tinha para tratar com ele.
Policial2 – Claro.
Estevão – E o delegado, onde está?
Policial2 – Está olhando aos arredores, junto a outro policial.
Estevão – Vou até eles. – saiu atrás do delegado.
Os dois policiais entraram no casebre e viram o estado que Estevão deixou Bruno. Com brutalidade, pegaram Bruno e o jogaram na viatura. Saíram em disparada para a delegacia.
Estevão encontrou o Fernando caminhando atrás daquela casa. Ele viu a janela por onde Maria pulou e parou na frente da mesma.
Delegado Fernando – Nem imagino o quanto deve ter sofrido... – abaixou a cabeça e viu as marcas dos passos de Maria.
Estevão – Delegado...
Delegado Fernando levantou a cabeça – Sim, Sr. San Roman.
Estevão – Já podemos ir.
Delegado Fernando – Se quiser pode ir, eu vou ficar mais um pouco.
Estevão – Não, eu fico aqui com o senhor. – observou onde Maria havia passado.
Os dois foram caminhando novamente para dentro da casa e entraram no quarto em que Maria esteve todo o tempo mantida em cativeiro. Estevão sentiu um aberto no peito por saber que ali Maria, a sua Maria, havia sido violentada. Delegado Fernando, cautelosamente analisava o simples quarto. Viu uma caixa. A mesma caixa que Maria achara. Começou a vasculha-la, chamando a atenção de Estevão.
Estevão – Que caixa é essa?
Delegado Fernando – Não sei, acabei de achá-la.
Estevão chegou mais perto e reconheceu algumas coisas. Uma foto. A última e “alegre” recordação da viagem de vinte anos trás. Todos os amigos reunidos. Escorreram-lhe algumas lágrimas pelo rosto ao relembrar da tragédia que marcou sua vida. Alguns objetos sem importância também estavam na caixa, mas um envelope chamou sua atenção. Uma carta. Quando a leu quase não acreditou no que estava escrito. Patrícia odiava a Maria e o amava. Quando estava a ponto de guardar a carta novamente, não pode deixar de ler o que estava escrito no seu verso. “Você nunca ficará com ele, nem que tenha que pagar com sua própria vida.”
Estevão – Alba...
Delegado Fernando – O que disse Sr. San Roman?
Estevão – Leia – entregou a carta e o alertou sobre o verso. – Agora temos provas o suficiente para limpar o nome de Maria.
Depois de lido e surpreendido, o delegado disse – Com o flagrante e agora esta carta, tudo vai ser resolvido facilmente.
Estevão – Espero que sim, delegado. – quando foi guardar a caixa, achou as roupas de Patrícia – Delegado Fernando?
Delegado Fernando – Sim?
Estevão – Estas roupas, neste armário – apontando para as mesmas – são de Patrícia. Tia Alba ficou encarregada de cuidar delas, de doá-las.
Delegado Fernando – Sinto muito Sr. San Roman, mas não a como tentar inocentar a Srta. Alba de qualquer acusação. Todos os indícios apontam contra ela.
Estevão – Quero que Alba pague por tudo o que cometeu delegado. Se tiver que passar o resto de seus dias dentro de uma cela em uma cadeia, que assim seja.
~ Hospital – Quarto de Maria ~
Depois de mais uma crise nervosa ao descobrir que seus filhos sabiam que havia sido violentada, Maria foi medicada e agora dormia. Estrela surpreendeu-se da maneira como sua mãe tinha ficado. Logo chamou Dr. Rubens e enfermeiras para acalmá-la. Agora estava sentada no sofá, com as mãos em prece junto ao rosto. Heitor chegava todo animado e feliz, com uma tulipa vermelha na mão.
Heitor – Mamãe...
Estrela fez sinal para ele falar baixo – Não grite Heitor, mamãe está dormindo não vê?
Heitor – O que aconteceu? Disseram-me que ela estava bem.
Estrela – Há alguns minutos estava. – respirou fundo – Mamãe sabe que sabemos que foi violentada. Ela ficou como nunca a vi antes. Desesperada, chorava. Ela não queria que eu a tocasse. Então chamei Dr. Rubens e ele deu a ela alguns calmantes.
Heitor chegou perto de sua mãe e beijou-lhe a testa – Quando isso tudo vai acabar, minha irmã?
Estrela levantou-se – Espero eu que logo, Heitor.
Heitor deixou a tulipa em uma mesinha – Onde está o papai? Nas empresas não está, porque eu vim de lá agora.
Estrela – Não sei Heitor. Quando cheguei ela estava sozinha. Vamos até a cantina?
Heitor – Vamos sim. – deu um beijo na bochecha de Maria – Te amo mãe.
Os dois saíram e tentaram ligar para Estevão, contudo seu celular só mostrava fora de área.
~ Delegacia ~
Bruno e Alba já estavam na delegacia a espera do delgado Fernando. Estavam em salas separadas, mas a tensão que corria em seus corpos era considerada quase a mesma. Estavam nervosos. Um plano tão bem planejado e executado havia dado errado.
~ Delegacia – Sala Alba ~
Alba – Aquela imbecil da Maria vai pagar por tudo isso. – disse em voz alta, esquecendo-se dos policiais que estavam junto a ela.
Policial Hernández – Gomez?
Policial Gomez – Diga...
Policial Hernández – Mais uma pra ficha da senhora aqui. Ameaça contra a senhora Maria. Acho que o delegado vai adorar não vai?
Policial Gomez – Claro, ainda mais dentro de sua delegacia, mas quem vai adorar a estadia vai ser o outro.
Os dois policiais riram, deixando Alba assustada.
~ Delegacia – Sala Bruno ~
Bruno estava inquieto. Sabia que a partir daquele momento as coisas não aconteceriam a seu favor. Os policiais que estavam na sala junto com ele, a todo o momento riam entre si e olhavam para ele.
Bruno – “Tenho que sair daqui. Não posso deixar que me façam pagar por algo que não fiz sozinho.” Pensou.
~ Casebre ~
Estevão e o delegado já estavam do lado de fora da casa. Caminhavam a passos lentos. Em silêncio.
Despois de um tempo em silêncio, Estevão diz – Não acredito que o pesadelo acabou. Vivi um dos piores momentos da minha vida sem noticias de Maria.
Delegado Fernando – Te devo um pedido de desculpas. – olhou para Estevão.
Estevão – Pra mim? Por quê?
Delegado Fernando – Naquele dia eu dei por encerrada as buscas e não sabia do real risco que sua esposa estava correndo. Deveria ter vindo com o senhor e ajudá-lo, querendo ou não, esse é o meu trabalho. Peço desculpas de verdade, ao senhor e a sua esposa.
Estevão – Peço que não se sinta culpado delegado. O senhor fez tudo o que pode para ajudar-nos. – fez uma breve pausa, mas logo prosseguiu – Me responderia uma pergunta com sinceridade?
Delegado Fernando – Claro, por que não?
Estevão – Qual foi a sua relação com Maria? Quando lhe mostrei sua foto o senhor pareceu-me atordoado. Contou-me que foram colegas no colegial, mas foi, de verdade, só isso?
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