Nunca mais me deixe
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Estevão – Então delegado, não vai me responder?
Delegado Fernando – Sr. San Roman... Como eu já lhe disse, Maria e eu fomos amigos...
Estevão – Sim, isso já sei. – exaltou-se – Perdoe-me.
Delegado Fernando – Nós tivemos um relacionamento...
Estevão, tentando manter-se calmo – Quer dizer que foram namorados?
Delegado Fernando – Fomos. Foi um namoro rápido.
Estevão – Ainda sente alguma coisa por ela? – disse direto e claro.
Delegado Fernando – Você me pediu para lhe responder a uma pergunta e essa pergunta já foi respondida. – o delegado começou a caminhar em direção a sua viatura, mas foi impedido por Estevão.
Estevão – Por que não quer me responder? O senhor ainda a ama? É claro que a ama. – passou a mão nos cabelos.
Delegado Fernando – Já que quer tanto saber, sim, eu ainda sinto algo por Maria, mas...
Estevão, interrompendo o delegado – Eu tinha certeza – deu a volta, girando em si.
Delegado Fernando – Me deixe terminar, por favor. Sinto, mas quando eu a vi com o senhor há algumas horas, eu coloquei em minha mente que iria fazer de tudo para esquecê-la. Vi o quanto ela o ama e se sente feliz, segura, protegida ao seu lado. Quando o senhor me mostrou aquela foto, eu sinceramente fiquei “mexido”. Maria foi à mulher que eu mais amei, mas ela não me amava ao mesmo tanto. – fez uma breve pausa – Quero que vocês sejam mais felizes que já são... Que o senhor a entenda, principalmente nessa fase, e esteja sempre ao seu lado. – olhou Estevão que estava parado escutando atentamente – Vou para a delegacia agora. Qualquer contratempo estarei por lá.
O delegado saiu deixando Estevão pensativo. Quem pensou ser um rival, queria sua felicidade.
Estevão foi para o Hospital. Logo chegou e estava se direcionando para o quarto de Maria quando Estrela e Heitor o viram.
Estrela – Papai?
Estevão virou-se e viu seus filhos – Filhos – observou os dois aproximando-se dele – Filhos...
Estrela – Papai onde o senhor esteve?
Heitor – Ficamos preocupados, não estava na empresa, nem aqui com a mamãe e não atendia o celular.
Estevão – Agradeço a preocupação, mas não era pra tanto. Eu só estava resolvendo alguns assuntos, nada demais. Vamos agora ver Maria. Ela já acordou não é?
Estrela – Pai, mamãe teve um ataque quando descobriu que nós já sabíamos que... foi violentada.
Estevão – Como ela soube disso? Como ela está?
Estrela – Eu cheguei aqui e ela estava chorando e sem querer falei. Agora ela está dormindo, foi medicada.
Heitor – Temos que tomar providências pai. Mamãe está sensível, precisa muito de nós. Sempre que se toca nesse assunto ela se descontrola. Tenho medo que não se recupere.
Estevão – Fique calmo meu filho. Dr. Rubens ofereceu uma psicóloga para acompanhá-la neste momento. Agora vamos entrar que quero vê-la, mesmo que dormindo.
Heitor, Estevão e Estrela caminharam pouco mais e entraram no quarto de Maria.
~ Delegacia – Sala do Delegado ~
Fernando acabava de chegar à delegacia. Seu dia não terminaria tão cedo, ainda tinha muito que tratar. Pegou o telefone, discou rapidamente alguns números.
Delegado Fernando – Aqui é o Delegado Martinez. Sabem do Sr. Bruno Mendizábal? Traga-me ele aqui. A Srta. Alba? Encaminhem-na para a cela que em seguida a mando chamar. Deixe-a habituar-se a sua nova casa. Por enquanto só me traga Bruno. – desligou o telefone.
Minutos depois, Bruno entrava na sala, algemado, acompanhado de um policial.
Delegado Fernando – Pode nos deixar a sós, Gomez, mas pode esperar na porta. A minha conversa com o Sr. Bruno será rápida. – O policial Gomez sai da sala como desejado pelo delegado. — Vamos começar com o depoimento. — olhou para o escrivão e acenou — Por que unir-se a Alba San Roman para fazer isso com a Sra. Maria?
Bruno — Alba foi quem planejou tudo. Ela me obrigou a participar caso contrá...
Delegado Fernando já sem paciência com Bruno — Pode deixar de mentir. Vamos, conte logo o que lhe levou a tramar esse plano.
Bruno, assustado — Maria.
Delegado Fernando — Agora vai colocar a culpa de sua covardia na Sra. San Roman? Faça-me o favor.
Bruno — Ela nunca me deixou aproximar-se dela. Sempre teve olhos para Estevão, Estevão e só Estevão. Ela é uma interesseira. Estevão San Roman, o dono das empresas San Roman, tem muito mais dinheiro do que um simples acionista.
Delegado Fernando — Não estamos aqui para discutir quem tem mais dinheiro e sim para você, senhor Mendizábal, me falar os motivos lhe levaram a isso tudo.
Bruno — Quer saber? Eu sempre quis Maria pra mim, esse é o desejo a maioria dos homens que a conhecem. E se desta vez não fosse minha, não seria de mais ninguém. Eu tive o que eu quis ao menos uma vez na vida. Maria foi minha, minha. Ajudei Alba em todo o plano sim, e faria mais uma fez se fosse eu ter Maria mais uma vez nos meus braços.
Delegado Fernando — A força.
Bruno — Mas esteve. Eu senti o quão macia era, seu cheiro, seu cabelo, sua pele.
Fernando levantou e ficou bem perto de Bruno que também estava em pé — Você é sujo, imundo. — olhou para Bruno, observando como estava — Pelo seu estado, o Sr. San Roman já começou a lhe dar o que merecia. – Eu só espero que isso nunca mais se repita, está me ouvindo? – sem Bruno esperar, Fernando chutou com força seus genitais, fazendo-o contorcer-se pela dor.
Bruno – Ah – gemeu alto.
Delegado Fernando – Achou que eu iria deixar barato? Nunca, nunca. Isso é pra você aprender a nunca mais fazer o que fez com mulher alguma – deu outro chute – Como teve coragem? Ainda mais Maria, como seu estúpido?
Bruno gemendo e caído no chão – Co... conhece Maria?
Delegado Fernando – Isso não é da sua conta.
Bruno, ainda no chão – Deve ser mais um dos muitos apaixonados por ela. Sabe como é bonita e consegue deixar todos os homens aos seus pés, inclusive “o delegado”.
Delegado Fernando – Cale-se. Não vou admitir que fale da Sra. San Roman em minha frente. Você não sofreu nem um terço do que ainda vai sofrer na prisão. — Bruno ia dizer algo, mas Fernando não deixou – Fiança não adiantará em nada sua situação, você vai pagar por tudo o que fez. – deu um último chute. Fernando, já irritado com Bruno, gritou Goméz que imediatamente entrou na sala. – Leve-o, tire-o da minha frente agora.
O policial, vendo a fúria do delegado, pegou Bruno do chão e o mais rápido que pode, saiu com ele dali.
~ Hospital – Quarto de Maria ~
Estevão e os filhos já estavam há algum tempo no quarto com Maria. Heitor recebeu uma ligação da empresa e teve que ir embora. Estrela aproveitou e pediu uma carona para ir casa para a tarde ir para a faculdade. Estevão estava sozinho com Maria. Não demorou muito e ela foi despertando. Ele estava distraído por isso não a viu.
Maria — Estevão...
Estevão levantou rapidamente e foi para perto da cama — Como está meu amor? — deu um beijo em sua testa.
Maria — Um pouco zonza, mas estou bem. Onde está Estrela?
Estevão — Foi para casa com Heitor que iria resolver alguns assuntos da empresa. Ele deixou essa tulipa pra você.
Maria olhou para a flor e sorriu — Obrigada. — logo se ajeitou na cama — Eles já sabem...
Estevão — Maria, meu amor. Estrela me contou o que ouve. Uma hora ou outra eles teriam que saber o que aconteceu.
Maria — Como eles souberam? — com os olhos cheios de lágrimas.
Estevão — Heitor me ouviu quando eu soube, e Estrela foi da mesma forma, só que ouvindo Heitor.
Maria — O que devem estar pensando...
Estevão — Que têm sorte em ter uma mãe guerreira, que apesar de tudo que sofreu na vida ainda continua em pé e com um sorriso lindo nos lábios. — tocando o rosto de Maria delicadamente a arrepiando e fazendo-a sorrir.
Maria — O que eu fiz pra merecer você na minha vida, como pai dos meus filhos, como o homem que eu amo.
Estevão — Eu que me pergunto isso, minha vida. Amo-te.
Maria — Te amo mais que a mim mesma.
Estevão chegou mais perto e beijou os lábios de Maria com delicadeza, amor — Vou sempre estar com você. Em qualquer momento, qualquer dificuldade que a vida colocar contra nós, enfrentaremos juntos, unidos — deu um selinho.
Maria — Juntos, pra sempre. — apertou a mão de Estevão e sorriu. — Meu amor, quando vou sair daqui?
Estevão — Ainda não sei Maria. Você tem que se hidratar novamente, recuperar suas forças. Tem a conversa com a psico...
Maria — Nem vem Estevão. Eu não vou conversar com ninguém.
Estevão — Maria. Maria, isso vai ser bom para a sua recuperação. A psicóloga vai saber o que fazer...
Maria — Mas eu não quero. Não adianta trazer ninguém, nem psicóloga, terapeuta, o Papa...
Estevão — Está bem minha linda, depois vemos isso — acariciou seu rosto — Entenda que o que eu mais quero é te ver bem, recuperada... — chegou perto do ouvido de Maria — quem sabe nos dar mais um bebe — riu e beijou a orelha.
Maria — Nem pensar Estevão. Sabe quantos anos tenho? Não tenho mais...
Estevão — Sei que não tem mais 20 anos, mas você me faria o homem mais feliz do mundo se me fizesse pai novamente. Ainda mais se fosse...
Maria — Uma menina. — suspirou — Vamos deixar esse assunto para outro dia.
Estevão beijou as mãos de Maria e sorriu.
~ Delegacia — Sala do Delegado ~
O delegado Fernando estava com uma raiva enorme de Bruno. Abusar de uma mulher e ficar em pune em sua delegacia, isso não aconteceria nunca. Pegou o telefone e mandou chamar Alba. Queria resolver esse assunto de uma vez por todas. Não demorou e já estava frente a frente com Alba San Roman.
Delegado Fernando — Até que enfim irei conversar com Alba San Roman.
Alba, sentada na frente do delegado — Diga logo o quer.
Delegado Fernando — Olha como diz Srta. Não sou como o Bruno que acatou suas ordens e fez tudo o que quis.
Alba — Não sei do que está falando.
Delegado Fernando — Eu já ouvi muita coisa nessa minha carreira, mas agora a Srta. me taxou que burro não é? — levantou-se e andou pela sala — Quer que eu acredite que não teve nada haver com o sequestro da Sra. San Roman e o assassinato de Patrícia Ibanéz?
Alba — Eu sou a única, única, Sra. San Roman. Maria não passa de uma qualquer que usurpou o meu lugar naquela casa. — levantou a voz.
Delegado Fernando — Abaixe o tom, por favor. Não estou para seus insultos. Mas continuando, vamos começar o seu depoimento. Adianto que não precisa mentir que será o pior que fará no momento. Pode começar seu trabalho Garcia — disse ao escrivão e sentou-se novamente. — Como planejou a morte da Sra. Ibanéz?
Alba — Quer saber? Matei Patrícia e teria matado Maria hoje mesmo pela manhã, fui aquele casebre com essa intensão e as de Bruno... já deve saber quais são — riu sarcastimente.
Delegado Fernando — Não estamos falando dele e sim da Srta. Continue.
Alba — A viagem que fizemos há vinte anos foi planejada por mim. Eu que insistir em irmos. Queria um tempo com todos os meus amigos e — suspirou — Estevão. Quando chegamos a Aruba, Patrícia começou a perseguir Estevão, o meu Estevão. Não o deixava em paz. Até que um dia ela me ameaçou quando me viu com uma camisa de Estevão nas mãos. Eu não poderia deixar ela me entregar. Á noite fui em seu quarto e a matei. — dizia olhando para o nada. — Eu me escondi no armário quando ouvi a voz da inútil da Maria. Ela entrou e pegou na arma, começou a gritar — rindo e com lágrimas escorrendo — E eu vi tudo de camarote.
Delegado Fernando — Como teve coragem de fazer isso com Maria? De ver Estevão e seus sobrinhos chorando a ausência da mãe.
Alba — Maria mereceu. É uma songa monga que confiava em todos... A melhor amiga estava de olho em seu marido e ela não via. Por isso merecia morrer também.
Delegado Fernando balançou a cabeça em negação, desacreditando no que ouviu — Como planejou o sequestro? Como convenceu Bruno a participar também?
Alba — Eu já disse que Maria merece morrer, eu só ia adiantar as coisas. — riu — Ela transformou a vida de todos desde que voltou. Ela se casou novamente com Estevão. Até os filhos ela recuperou. Expulsou-me da minha própria casa. Nunca que deixaria isso impune. Tive que adiantar todos os meus planos. Chamei Bruno e colocamos em prática. Bruno sempre foi apaixonado por Maria, sempre tentou conquista-la, mas não tinha chances e eu sabia disso. Ele logo aceitou e fez sua parte no plano.
Delegado Fernando — Quero saber das roupas da Sra. Ibanéz que está no casebre.
Alba — Fiquei a cargo delas na época, então as deixei naquele lugar que eu saberia que um dia ainda iria me servir para algo.
Delegado Fernando — A Srta. está ciente que com tudo o que disse e com as provas que temos, será julgada e condenada?
Alba — O que eu mais posso esperar da vida? Maria já pagou pelo que fez comigo e Estevão não quis ser meu. — olhou novamente para o nada — Posso ir embora ou vou ter que esperar mais?
Delegado Fernando olhou para Alba, incrédulo com o seu jeito — Vou pedir sua transferência hoje mesmo. Saiba que ficará muitos anos na prisão.
Alba — Não mais que o meu coração ficou.
~ Hospital — Recepção ~
Carmen acabava de chegar. Era horário de almoço e visitas eram permitidas. Foi até o balcão da recepção em buscas de notícias sobre Maria.
Carmen — Como não tem ninguém aqui nessa recepção. Como vou encontrar agora o quarto da Mary. — foi entrando no hospital e em um dos corredores, distraída, esbarrou em um médico. — Perdão... Ah oi Doutor.
Dr. Lopez — O que essa bela dama faz distraída em um corredor de hospital.
Carmen — Ah, eu, é — sorriu envergonhada — Procuro o quarto de uma sobrinha.
Dr. Lopez — Qual o nome? Talvez possa ajuda-la — disse simpático.
Carmen — Maria San Roman.
Dr. Lopez — Ah sim… Sei onde ela se encontra. Posso lhe acompanhar?
Carmen — Por que não? Vamos sim. — antes de começarem a andar — Perdoe-me, qual o seu nome?
Dr. Lopez — Perdoe a mim, a falta de cavalheirismo. Meu nome é Eduardo Lopez.
Carmen — Meu nome é Carmen San Roman. É um prazer conhece-lo Eduardinho.
O médico riu e seguiu com Carmen até a porta do quarto de Maria.
Dr. Lopez — É aqui.
Carmen — Obrigada Eduardinho. Até mais. — entrou no quarto de Maria sorridente. — Mary chula.
Maria — Carmen, que bom que veio.
Carmen — Estevãozinho, meu lindo. — deu um beijo nele e outro em Maria.
Estevão — Oi tia. Que sorriso é esse hein?
Carmen — Eu cheguei aqui e estava um pouco perdida, como esse hospital é grande Meu Deus — Estevão e Maria sorriram entre si — Ai o Eduardinho me ajudou. Ai como é lindo Mary.
Maria — Eduardinho? Quem é?
Carmen — Ele é médico. Se chama Eduardo, Eduardo, como se diz mesmo, Eduardo Lopez.
Estevão — Dr. Lopez?
Maria — Quem é Estevão?
Estevão — É um médico que me ajudou quando estava desesperado por notícias suas. É uma boa pessoa, Tia Carmen.
Carmen — É sim, Estevãozinho. Como está Mariazinha?
Maria — Na medida do possível, bem...
Estevão — Enquanto vocês conversam eu vou pedir seu almoço meu amor — deu um selinho em Maria — Cuida dela, tia?
Carmen — Claro Estevão.
Estevão saiu e Carmen ficou falando com Maria o quanto achou Dr. Lopez um homem charmoso, bonito, entre outras mil qualidades. Maria contou a Carmen que foi Alba à causadora de todo o seu sofrimento e que agora ela iria pagar por tudo o que fez.
A tarde veio e Carmen teve que ir embora para a Mansão. Estavam novamente Estevão e Maria no quarto, quando o celular de Estevão tocou.
Estevão — Pronto.
Delegado Fernando — Sr. San Roman?
Estevão — Sim, é ele. Quem fala?
Delegado Fernando — Fernando, o Delegado Fernando.
Estevão — Ah sim, delegado. Algum problema?
Delegado Fernando — Não Sr. San Roman pelo contrário. Liguei para avisar-lhe a Srta. Alba será transferida amanhã para o Presidio Feminino de Aruba. Lá ela será julgada e condenada. O Sr. Bruno também está preso, mas aqui na capital, aguardará o julgamento na cadeia.
Estevão — Muito obrigado, delegado, obrigado por tudo o que fiz pela minha esposa.
Delegado Fernando — Não tem o que me agradecer. Fiz o meu trabalho... — deu uma pequena pausa — Então é só. Espero que pense no que disse mais cedo ao senhor e faça Maria feliz. Ela merece.
Estevão — Pode deixar delegado. Até logo — desligou o celular e olhou para Maria — Era o delegado. Finalmente a justiça foi feita. — disse inundando os olhos de Maria de lágrimas.
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