Nunca lhe Esqueci
2 Mudança dos dois lados
Notas iniciais
— Calebe está ótimo. Seu coração está forte, e está tendo um bom desenvolvimento. E sem contar que está crescendo saudável – fala após examinar a minha barriga – vejo que está se alimentando bem. – Finaliza a ultrassom.
— Nem me fale, esse garotinho tem muita fome – dá risada. Me troco, e logo me sento na cadeira vaga de frente do Dr. Otavio – Doutor já tem um dia específico para Calebe nascer? – olho esperançosa.
— Bom, de acordo com seu desenvolvimento, ele nascera entre 7 e 21 de maio. Porque é quando você entra na trigésima oitava semana de gestação – Sorri – Está ansiosa para vê-lo, não é mesmo?! Confesso que estou do mesmo jeito... Sei que não tenho nenhum parentesco, mas ele é muito especial para mim Sakura, assim como você. – Ao se dá conta do que tinha falado, fica envergonhado – quero dizer, Calebe se tornou meu primeiro paciente – tenta disfarçar o constrangimento. Eu apenas o olhei com um ar interrogativo, não estava entendendo nada, mas não liguei muito, pois minha mente viajou para um lugar muito distante dali.
O tempo passava, fazendo com que os últimos preparativos para a chegada do mais novo membro da família Haruno fosse feita minuciosamente, para que não faltasse nada para o meu pequeno.
— Não vejo a hora de te pegar em meus braços – eu falava, acariciando minha barriga de agora oito meses – parece ansioso também, está agitado hoje – ri – Me pego imaginando se irá se parecer com seu pai... Pele branca, cabelo escuro e bagunçado, com um olhar penetrante, parecendo o anoitecer – sentir minha barriga mexer descontroladamente – acertei? – sorri – ah meu pequeno, serei a melhor mãe do mundo, você terá todo meu amor – meus olhos começam a marejar – mesmo que seu papai esteja longe de nós dois ou que não saiba de você, sei que ele te amaria muito – as lagrimas caiem – sinto a falta dele... Sete meses sem vê-lo, ou ter qualquer notícia dele...
09 de maio de 2003 – 22h09min
— Mãe! Mãe! – eu chamava por ajuda – A bolsa estouro, o bebé irá nascer! – tentava caminhar até as escadas, sendo logo socorrida por meus pais.
— Calma filha, já pegamos a bolsa e estamos indo para a maternidade – minha mãe tentava me acalmar – Kizashi ligue para o Dr. Otavio e avise-o que Sakura entrou em trabalho de parto. – Se volta para mim, guiando-me até o carro – calma, logo estaremos com Calebe em nossos braços.
Como minha mãe havia avisado ao Dr. Otavio, ele tratou de já preparar uma equipe para receber me receber. Com os cuidados dos melhores médicos, eu sabia que tanto eu, como Calebe ficaríamos bem. Quando cheguei ao hospital, fui encaminhada para a sala de parto, e depois de cinco longas horas, no final do corredor, com som abafado, podia se ouvir um leve choro do recém-nascido.
Eu não via o momento de pega meu pequeno nos braços, de acaricia-lo, de apenas vê seu rostinho. E como nos filmes, o momento de mãe e filho de se conhecerem foi magico. – Pronto, a tortura acabou. – Dr. Otavio trazia Calebe em seus braços – conheça seu filho Sakura, é um lindo menino – entrega-o em meus braços. – Parabéns mamãe!
— Calebe... Meu Calebe – a voz falhava, a emoção era muito grande – ele é lindo, um perfeito príncipe – um sorriso se formou em meus lábios – tão pequeno – ele sorri de volta, como se dissesse: estou feliz em vê-la também mamãe.
— Mas agora os dois precisam descansar – informava a enfermeira – logo se verão novamente – segura Calebe, levando-o para o berçário. E logo outra enfermeira me levava para o quarto, onde eu me via pensando em meu filho e na sensação que senti ao pega-lo pela primeira vez e ao ver que ele era a semelhança de Sasuke. Vê-lo foi como se Sasuke estivesse ali, suspirei – Sasuke... Nosso filho é lindo – sussurrei, para em seguida cair no mundo dos sonhos.
Agora tudo irá mudar, sua vida está iniciando uma nova página, onde as responsabilidades de mãe a acompanha, mostrando um mundo cheio de obstáculos, onde a palavra desistir não se aplica a sua vida, com o apoio das pessoas que a ama tudo se torna possível, e principalmente mostrando a divindade de ser mãe.
Setembro de 2003 – Inglaterra.
Como será que ela está? Será que sente minha falta, na mesma intensidade que sinto a dela? Um ano se passou, desde a última vez que a vi, que ouvi sua voz, que senti seus lábios nos meus... – Filho?! Já se aprontou? – adentrava ao quarto a matriarca da família – Sasuke! – aproximava-se do filho, ao vê-lo admirando a imensa cidade luminosa – está pensando nela novamente, não é?! Sakura está bem, tocando sua vida, e é uma coisa que você deveria fazer também – ele a encara – sei que a amava, e ainda a ama, e imagino como deve estar sofrendo por esta longe dela e não pode se comunicar – suspira – é melhor assim, pois você não voltará para o Japão, e caso faça um dia, provavelmente ela já terá uma família. – Segura a mão do filho – Mas agora vamos, seu pai nos aguarda, junto com a família Uzumaki.
— Entendi mãe, farei o que pede – diz, mas ele sabia que em seu íntimo um vazio crescia dia após dia, e que ninguém poderia preencher, a não ser sua amada. Sabia que não poderia esquecê-la, mas que faria de tudo para cumprir sua promessa. E ao relembrar as palavras de sua mãe que ela construirá uma família com outro o apavorava, e sentiu seu coração se apertar. – Sakura... Perdoe-me. – sussurrava enquanto seguia sua mãe.
Desde que se mudou para Londres, fora proibido de ter qualquer contato com seus amigos e principalmente com sua namorada. Seu pai o havia dito que não pretendia voltar para o Japão, e para evitar qualquer saudade ou sofrimento, o melhor seria a distância, esquecer de tudo e todos aos poucos. Essa ideia o matava cada dia, está longe da pessoa que ama, era o mesmo de estar o esfaqueando, se sentia a pior pessoa por mentir para Sakura, as primeiras cartas que recebeu de Sakura, fora confiscada por seu pai, e o mesmo o proibia de responde-la, sua vida já não era a mesma e teve certeza disso quando avistou uma ruiva de óculos sentada em frente a seu pai, e junto dele se encontrava dois loiro que esboçava um imenso sorriso, um parentada ser mais velho e ao lado do mesmo uma mulher linda, com um longo cabelo vermelho, e esboçava o mesmo sorriso, e quando notou a presença dele e de sua mãe, pode ouvir a voz de seu pai:
— Quero que conheça meu filho mais novo, Sasuke.
Março de 2004 – Tóquio.
Sakura corria pelos corredores de sua casa eufórica – Consegui, passei na prova – gritava – eles me aceitaram, nem posso acreditar.
— Te aceitaram aonde filha? – Mebuki aparecia com Calebe no colo – Não estou entendo nada.
— O que é toda essa gritaria? – Kizashi adentrava confuso na sala – mama – o pequeno falava, levantando os braços em direção à mãe.
— Filhote, mamãe foi aceita na melhor faculdade de Tóquio – pegava o filho nos braços – isso não é maravilhoso? – Olhava para seus pais para depois suspender seu filho que dava risada pela brincadeira da mãe.
— Parabéns filha – Mebuki abraçava-a – você merece – sorria, abraçando sua pequena filha que a cada dia crescia mais.
— Sakura, sabia que conseguiria – seu pai a abraçava também – você batalhou muito por isso – esbanjava um imenso sorriso.
— Quando as aulas começam? – Mebuki pergunta.
— Começará na primeira semana de abril, a senhora poderia... – é interrompida pela mãe
— Eu cuidarei do meu pequeno Calebe, não se preocupe – sorri.
— Nós cuidaremos – o patriarca da família diz abraçando sua esposa – e você, irá estudar, estamos te apoiando. – Olha para filha – afinal, poderemos mimar nosso netinho à vontade – dá uma risada pegando o garoto para si – Não é garotão? – pergunta ao pequeno, que ri como resposta.
— Estou muito feliz, o primeiro passo para realizar meu sonho foi dado – Sakura olha para seus pais – Não colocarei toda a responsabilidades de Calebe em cima de vocês, e sei que estão aqui para me ajudar, mas acima de tudo, eu sou mãe, e não irei abrir mão disso. – diz convicta – quando eu tiver tempo livre, ficarei com ele.
— Aí Sakura, não se preocupe com isso. Agora venha aqui para um abraço coletivo – diz, para em seguida os quatros estarem entrelaçados em um grande abraço. – Vamos comemorar – diz – Por que não chamamos o Dr. Otavio? Afinal, ele é amigo da família – Mebuki diz com um imenso sorriso no rosto.
— Mãe, ele deve estar ocupado... – diz relutante.
— Nem vem Sakura, ligue para ele.
E a noite termina em pizza, com Dr. Otavio empolgado por ter sido convidado para a envolvente bagunça da família Haruno. Afinal, desde que Calebe nasceu ele tem sido um grande amigo para Sakura, ajudando-a nos estudos e com os cuidados do pequeno Calebe.
A cada dia que se passava, Sakura mostrava sua dedicação e esforço nos estudos e ao seu filho, que mesmo estando cansada, tinha tempo para brincar e sair com ele, porque para ela, Calebe é prioridade na sua vida, seu foco central. E quando se achava sozinha, um ombro amigo surgiu do lugar que ela menos esperava: Dr. Otavio que se mostrou um excelente companheiro, ganhando não apenas a sua confiança, mas a de seu filho.
As provas chegaram, assim como a oportunidade de estagiar no maior hospital de Tóquio. No fim de semana e feriado, idas ao cinema, parque de diversão, piqueniques, estava sempre a três: Sakura, Otavio e Calebe.
Otavio a cada dia se aproximava mais de Sakura, ele sabia que não era apenas um sentimento de amizade que nutria pela garota que viu se tornar uma grande mulher e mãe. Não tinha detalhes de quem era o pai de Calebe, apenas que fora um grande amor na vida dela, mas estava disposto a virar essa página e mostrar que ele pode ser um bom pai e preencher o vazio que ela tinha em seu coração.
Os seis longos anos se passaram, e o dia mais importante de Sakura chegou – E chamamos ao palco para receber seu diploma de medicina e por ter concluído com as melhores notas... Sakura Haruno. – O reitor a esperava, e na plateia ouvia-se assobios e aplausos.
— Quero agradecer primeiramente a meus pais, que sempre me incentivaram a correr atrás dos meus sonhos, a meu filho Calebe, que foi meu incentivo maior e a meus amigos que sempre estiveram ao meu lado. Sou imensamente grata a meus professores, que sempre buscou passar seus conhecimentos para cada um de nós. E o passo que estamos dando agora, fez valer cada sacrifício feito, cada obstáculo ultrapassado. Que sejamos profissionais dedicados e assim ajudar a todos que precisarão de nós. Ao sucesso! – finaliza jogando seu chapéu da beca, e assim sendo seguida pelos outros formandos.
“Ouse, arrisque, não desista jamais e saiba valorizar quem te ama, esses sim merecem seu respeito. Quanto ao resto, bom, ninguém nunca precisou de resto para ser feliz.”
— Clarice Lispector –
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